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segunda-feira, abril 11, 2011

Eleições a mais, governação a menos

Já dizia H P Brougham há 200 anos:   "A educação torna um povo fácil de dirigir, mas difícil de conduzir; fácil de governar, mas impossível de escravizar".

Education makes a people easy to lead, but difficult to drive; easy to govern, but impossible to enslave

 ( Henry Peter Brougham quotes British political leader 1778-1868)

Portugal tem eleições nacionais quase todos os anos, o que torna o país quase ingovernável, um sindroma bem conhecido dos cientistas políticos.
Aos gravosos défices comerciais e orçamentais, acrescenta-se o défice de liderança e governação.

Fevereiro 2005 - eleições legislativas
Fevereiro 2007 - referendo
Maio 2007 -   eleições regionais
Junho  2009 - eleições europeias
Setembro 2009  - eleições legislativas
Outubro  2009 -  eleições aurtárquicas
Janeiro 2011 -   eleições presidenciais
Junho 2011 - eleições legislativas

Em tempo de eleições, não se dão más notícias nem se aplicam medidas de austeridade, especialmente num sistema de "winner takes all" em que o perdedor tem tanto a perder.  Em vez de coligaões pre-eleitorais, parece haver sim um conluio tácito entre as  candidaturas de manter as ilusões dos eleitores com promessas mais ou menos insustentáveis.

E parece que os eleitores nem sequer desconfiam de tamanha esmola.

A despesa pública e a dívida pública crescem sempre mais em anos de eleições, do que nos outros anos. Também fora da Administração Pública, as empresas públicas contratam mais em época de eleições, segundo um estudo indicado abaixo.  Isto é, ao custo directo da realização de eleições, devemos acrescentar os "custos de oportunidade" da agitação e ilusão eleitoral.

Ainda está por demonstrar se as "eleições em tempo de crise de 2011"  serão mais austeras, ou se se repitirá a habitual  "coligação tácita para a ilusão".

No DN, por JOÃO PEDRO HENRIQUES, 06 Dezembro 2010

Investigador português em Londres estudou contratações nas empresas públicas relacionadas com eleições.

Um economista investigador português na Universidade Queen Mary de Londres, Pedro S. Martins, terminou em Novembro um estudo onde concluiu que as contratações das empresas públicas em Portugal "aumentam significativamente nos meses imediatamente antes e imediatamente depois das eleições legislativas".

Intitulado, em inglês, cronyism - expressão que pode ser traduzida por "nepotismo", "compadrio" ou "favorecimento de amigos" -, o estudo foi feito para o IZA, Instituto de Estudos do Trabalho, em Bona, Alemanha.

O investigador afirma, nas conclusões, que embora haja muita produção "anedótica" sobre "o compadrio nas nomeações para os sectores públicos", este é "o primeiro estudo que fornece evidência empírica sistemática sobre esse fenómeno". Baseou-se nos "Quadros de Pessoal" do Ministério do Trabalho, "um census anual particularmente rico de todas as empresas que operam em Portugal e que empregam pelo menos um trabalhador".

 Pedro S. Martins estudou o período de 1980 a 2008, estabelecendo firmas do sector privado como grupo de controlo comparativo, e concluiu: "As nomeações do sector público aumentam significativamente ao longo dos meses imediatamente antes de um novo governo tomar posse. Também aumentam consideravelmente logo após as eleições, mas somente se o novo governo é de uma cor política diferente da do seu antecessor."


Fonte:  DN ; http://www.legislativas2009.mj.pt/ , coligação precisa-se