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domingo, dezembro 04, 2022

População urbana vai chegar a 84% na Europa em 2050, agricultores procuram-se

As notícias de pé de página também podem ajudar a criar uma visão de conjunto. 

Urbanização Europa 84% 2050

As cidades médias crescem mais e estima-se que a a população urbana vai chegar a 84% na Europa em 2050. 

Com tanta gente nas cidades, como se garante a segurança alimentar dos citadinos? Não será com "hortas urbanas"!

A Europa vai depender ainda mais da alimentos importados. 

Um solução pode ser a redução de desperdício alimentar que atualmente ronda os 20%. 

  
Ou os poucos agricultores europeus podem produzir mais, em resposta ao aumento de preços, pois a inflação alimentar passou de menos de 3% ao ano par mais de 15% ao ano m 2022,


VER Inflação alimentar acelera em 2022

segunda-feira, março 21, 2022

Ucrania não pode esperar 30 anos: Governos contemporizam, sociedade civil apoia principios independentistas

 O mundo parece paralisado e impotente perante a crueldade da invasão de Putin e dos ataques militares russos que procuram acabar com as ideias independentistas, ou então com os próprios ucranianos, sejam eles  militares, civis, crianças hospitalizadas ou até idosos em lares. 

Quais são as noticias mais aflitivas?  

As imagens dramáticas da resistência ucraniana, ou as discussões burocráticas com que os governos grandes poderes mundiais demarcam as suas posições de não interferência, de mera condenação e de mera aplicação de sanções politicas e económicas, lentas e cheias de exceções e loopholes? 

A China diz que é a favor da paz, mas o vice-ministro de Negócios Estrangeiros disse a 19-Março que as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia após a invasão da Ucrânia são cada vez mais "inaceitáveis" e que não funcionam. 

Pelo contrário, as campanhas de Boycott, Desinvestimento e Sanções (BDS)  funcionam, mas muito lentamente, enquanto a guerra mata rápido. 

Vejamos as sanções contra o apartheid na Africa do Sul que começaram em Novembro de 1962 com a Resolução 1761 das Nações Unidas, e que foram sendo generalizadas e apertadas ao longo de três décadas. Só em 1990 o presidente de Klerk reconheceu o insustentabilidade económica do impacto das sanções internacionais e libertou  l  Nelson Mandela que depois venceu as eleições 1994. 

Se quisermos, a Europa pode adaptar-se, ao longo de três décadas, a viver sem o petróleo russo. Mas os ucranianos não podem aguentar bombardeamentos durante mais 30 anos, nem sequer mais 3 meses, nem mais 3 semanas. 

Mariana Abrantes de Sousa, Economista 

VER 

Ataque a crianças  https://www.dn.pt/internacional/autoridades-militares-ranianas-dizem-que-a-russia-atingiu-hospital-em-trostianets-14694880.html

Ataque a idosos https://cnnportugal.iol.pt/russia/ataques-atingem-escola-e-lar-de-idosos-na-ucrania-zelensky-alerta-para-perigo-de-a-guerra-escalar-para-outros-territorios-o-que-aconteceu-ate-agora-no-25-dia-da-guerra/20220320/623755360cf21847f0b26e5a

China contra sanções inaceitáveis https://www.dn.pt/internacional/autoridades-militares-ucranianas-dizem-que-a-russia-atingiu-hospital-em-trostianets-14694880.html

 Boycott desinvestimento sanções https://bdsmovement.net/what-is-bds 

O "erro" de Yeltsin em 1991? https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/a-ucrania-nao-existe-como-pais-porque-nao-registou-as-fronteiras-na-onu-desde-1991

No referendo realizado a 1 de dezembro de 1991, mais de 90% da população ucraniana disse "sim" à independência, o então presidente Yeltsin reconheceu a indepedência no dia seguinte. 

domingo, março 06, 2022

Russian "bear hug" crushes yet another neighbor

2022-02  Here are some initial thoughts on the current threat from totalitarian Russia.   

Open SmartNews and read "Last surviving Nuremberg Trials prosecutor says Vladimir Putin should be 'behind bars'" SEE  https://share.smartnews.com/3s4Wv

SEE  https://share.smartnews.com/mcpPM


Yes, Putin's actions of invading Ukraine are criminal and he could be put on trial for WAR crimes against humanity. 

...but  WHO will  "put the bell on the bear"?  and most importantly 

...WHEN will anyone get to him behind the fortress of hyper Russian nationalism? 

 

Putin’s latest invasion proved, again, that Russia’s neighbors really do need protection from the Russian “crushing bear hug”.  “Buffer states” from Finland to Turkey will need to rethink their defensive positions.

 

But all of Western EUROPE will have to ramp up its own defenses and create a new sort of “Berlin wall” against the multi-faceted and unpredictable (and unpredicted) threat from Russia and other neighbors and  so-called partners.  The hybrid war with both old tactics and new cyber attacks will continue, and these can reach a lot further than most missiles.

 

Europe cannot rely on NATO which may be WEAKER than it seems, because the US will try to stay “aloft” and try to avoid Amaerican casualties on the ground. Note that Putin is using old-fashioned ground war tactics such as tanks and sieges.

 

Yes, Putin may be defeated IN THE END, but Ukraine can be destroyed in the very long IN BETWEEN. The UKRAINE is being steamrolled now and many, if not most of the Ukrainian refugees of 2022 may never go back as the continuing threat of the "crushing bear hug” of Russian totalitarians will be too high.  Ukrainians seem to be suffering a sort of "ethnic cleansing" from their own country.

 

Ukrainians will not feel safe for decades, even after Putin is gone, because Putin is not alone. The Russian people may NOT turn aginst Putin any time soon. Even the "peaceful" Russians living outside of Russia may be aligned with Putin.

 

Putin and the Russian military have crushed a neighbor before in Chechenia .... 

"In 1999, Vladimir Putin ordered the complete destruction of the Chechen capital of Grozny. The Russian military laid waste to Grozny, killing tens of thousands of civilians. In Putin's own words, his troops "fulfilled their task to the end." 

SEE https://www.wbur.org/onpoint/2022/03/02/putin-grozny-chechen-ukraine-russia-military-past

 

Kissinger's article from 2014 is being reread. It emphasized the historical connection between the Russia and Ukraine, to justify that NATO should NOT include Ukraine.  SEE  https://www.wbur.org/onpoint/2022/03/02/putin-grozny-chechen-ukraine-russia-military-past 

 

Kissinger geopolitical reasoning may have missed the point about democratic freedoms. NO, historical, geographic, and cultural proximity in the past does not justify occupation in the future.  Independence from a totalitarian neighbor is about freedom in the future, and about getting away  from past "fraternal" takeovers and occupations. 

 

Portugal and Spain share centuries of history and similar cultures, but Portugal has fought several wars of independence from Spain over 10 centuries. Portugal and Spain have lived with their backs turned (de costas voltadas) for very important reasons.

 

Mariana Abrantes de Sousa

2022-03-06 (day 11 of Putin’s invasion of Ukraine) 

domingo, agosto 23, 2020

Espanha - Análise da AIReF desvaloriza Alta Velocidade ... e Portugal

Sendo um país PPP -, pequeno, periférico e pobre, Portugal parece continuar a ser tratado como uma criança de 5 anos, cujo futuro é discutido, à sua frente, por pais e avós desavindos que nem sequer lhe perguntam se quer bolo e chocolate ou pão e água. E nem os tios e primos que assistem à conversa servem para recordar que a criança está ali mesmo, com as suas necessidades e as suas preferências.

Uma vez que as decisões importantes para Portugal são tomadas cada vez mais em Frankfurt, em Bruxelas ou em Madrid, a voz de Portugal tem de ser mais eficaz e mais ouvida, especialmente no momento em que se está a cortar e a partilhar mais um “bolo”, o novo Fundo Europeu de Recuperação.

Eis o caso do recente e interessante “Spending Review” da AIReF, a Autoridade Independente de Responsabilidade Fiscal de Espanha.

A análise da despesa pública de Espanha com transportes parece não ter considerado a importância para Portugal das decisões da política de transporte ferroviário tomadas em Madrid.  

Este estudo da AIReF que aborda o investimento acumulado desde a adesão de à EU (em 1986) até 2018 é importante para Portugal como exemplo e porque destaca três elementos críticos:

- O tráfego de passageiros da Alta Velocidade tem ficado muito abaixo e das previsões de procura, com desvios negativos de menos 38% a menos 53% das previsões mais otimistas.

- Os custos de investimento na Alta Velocidade derraparam, com desvios de 33% a 58% acima do orçamentado nos diversos troços do AVE.  No período desde 2000, mais de 20% do investimento foi financiado por fundos EU, pelo nem todo o excesso de custos teve que ser suportado pelos contribuintes espanhóis.

- Segundo a AIReF, o investimento nos comboios pendulares, de Cercania, tem sido negligenciado, ficando muito abaixo dos investimentos na Alta Velocidade em cada um dos anos do período. Um artigo de The Economist recorda a situação na Extremadura espanhola, a região mais pobre da Espanha continental, onde as antigas locomotoras a diesel levam seis horas para cobrir os 400 km entre Madrid e Badajoz. Eis aqui o “tio de Londres”, sediado em Madrid, que também se esquece de referir que logo depois de Badajoz está Elvas, e mais adiante Lisboa. Compete aos portugueses salientar que um pequeno desinvestimento na linha ferroviária Madrid-Badajoz é na verdade um GRANDE desinvestimento na linha Madrid-Lisboa. O relatório fala no serviços para "la frontera francesa", mas não para "la frontera portuguesas". 

- No entanto, a AIReF aponta para uma lista de projetos de investimento em infraestruturas bastante extensa e controversa, e acima da capacidade de execução física e orçamental. Isto faz levantar críticas pelos atrasos e pressões que acabam por dar a prioridade a “obras de menor importância estratégica” para Espanha. E ignorando as necessidades de Portugal, devemos acrescentar nós.  

Afinal de contas, nos transportes ferroviários Portugal e Espanha estamos irremediavelmente geminados pela Bitola Ibérica.   

A análise da AIReF está muito incompleta. Se a Alta Velocidade sai cara, comboios ronceiros ou a falta de transportes públicos também. 

Mariana Abrantes de Sousa , Economista 

Palavres Chave  AVE TGV Alta Velocidade Transportes Finanças Públicas comboio passageiros Notícias Espanha Bitola Ibéria 

Ver Relatório AIReF  https://www.airef.es/wp-content/uploads/2020/07/INFRAESTRUCTURAS/ESTUDIO_INFRAESTRUCTURAS_SPENDINGREVIEW.pdf

Ver artigo The Economist https://www.economist.com/europe/2020/08/08/spains-high-speed-trains-are-poor-value

 Artigo El País https://cincodias.elpais.com/cincodias/2020/07/30/economia/1596097818_919840.html

Blog impertinencias  https://impertinencias.blogspot.com/2020/08/case-study-elefantes-brancos-em-espanha.html


sexta-feira, maio 15, 2020

Cá se vai escapando ... da crise COVID19...das outras não

Em 2020, no Ano de Todas as Crises, sanitárias, economicas, financeiras, sociais e politicas...

Os Portugueses continuam atolados numa crise económica das mais persistentes da Europa com a pior evolução salarial desde 2000, numa Europa cada vez mais divergente, sem solidariedade eficaz.

VER https://www.economist.com/briefing/2020/05/14/the-covid-19-pandemic-puts-pressure-on-the-eu


Entretanto Portugal é apontado como um caso de sucesso, escapando ao pior da COVID19 com uma resposta rápida e eficaz
https://www.politico.eu/article/how-portugal-became-europes-coronavirus-exception/
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quinta-feira, maio 14, 2020

TARGET2 aponta para outra crise, pior

TARGET2  rising (in)balances point to another Eurozone crisis  in 2020, worse than 2018-2012 

Os saldos do sistema TARGET2 de pagamentos entre os Bancos Centrais da Eurozone são um indicador-chave da crise da balança de pagamentos intra-europeia e continua a ser um marcador da instabilidade financeira da Eurozone.  A partir de setembro de 2015, o BCE fornece os valores num banco de dados comum.

Os saldos a receber e a pagar entre os Bancos Centrais nacionais deveriam reverter sempre para perto de zero. 

Parte do superavite do Bundesbank alemão reflete a fuga de capitais voláteis (hot money) para a Alemanha, que aumenta em momentos de incerteza e de maior risco e podem moderar em tempos da acalmia.

Mas outra parte destes desequilibrios refletem os saldos comerciais em desquilibrio persistente, crescente e perigoso.

A divergência acentuada e progressiva dos saldos TARGET2 desde 2015 vai ser, mais uma vez,  insustentável.
A crise financeira e politica vai rebentar, só não sabemos quando e como.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
Fonte: http://www.eurocrisismonitor.com/

The problem with GERMANY is not the ECB nor COVID19

The problem with GERMANY is the same as always.

Mais uma vez, a Europa tem um problema com a Alemanha. E desta vez não é diferente.
Na visão da Alemanha e dos mercados financeiros, a Europa é a Alemanha e o resto é paisagem.

Em vez de perguntar se a politica do BCE de comprar  Obrigações dos  Tesouros nacionais é legal, deve-se perguntar porque é necessário aumentar a liquidez no  mercado financeiro europeu de tal forma que as taxas Euribor se tornam negativas e deixam de dar os sinais necessários para a poupança.
A excessiva liquidez do BCE é necessária porque a União Europeia é INCAPAZ de instaurar o estímulo fiscal necessário e urgente nesta crise Covid19 como foi nas outras crises.
O grosso do estimulo orçamental europeu é lançado na Alemanha para os alemães, incluindo para os produtores de automóveis que enganaram os consumidores no Dieselgate  durante anos mas não indemnizaram a maioria dos clientes europeus, como eu.
EU Court Faces 'Declaration of War' From German Top Judges - Bloomberg

O Tribunal  STJ alemão até pode ter razão em temos jurídicos, bem argumentados em latim. 


Mas a Alemanha está muito errada em termos económicos. 

A lei dos homens não se consegue sobrepôr às leis da economia, que ditam que todos os deselibrios económicos têm que ser corrigidos, mais cedo num suave vai e vem ou bruscamente em fortes crises mais tarde.

Se a Alemanha não quer ser a "locomotiva da Europa" , se quer defender os seus excedentes comerciais e os seus superavites orçamentais a todo custo de todos nós, o Sonho Europeu desvanece-se.  Por isso se deixou de falar da "convergência" prometida até 1999.

Não há União, comercial, aduaneira e/ou monetária, que aguente desequilibrios e divergencias permanentes e crescentes.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
#COVID19 #EuropeanUnion #Divergence

FT ECB and the German court ruling 
The European Central Bank is deluding itself over German court ruling.
A smart response would be for the EU to address the problems of the eurozone head on.
The ruling last week highlighted the toxic idea that the eurozone can forever rely for its survival on its central bankers, and their enthusiasm in pushing EU laws to the limits.
https://www.ft.com/content/fc487cac-9105-11ea-9207-ace009a12028?fbclid=IwAR2q8Z11efZhPlV6AvXLDkgy4B4SPmLX27eHuIlrfa7XhxISSVF0sAk5uf4

 Germany is vastly outspending other countries with its coronavirus stimulus
  • Germany is going to need “as much support as possible” and it has “the fiscal space” to do it, Zsolt Darvas, a senior fellow at the Brussels-based think tank Bruegel and one of the authors of the data study, told CNBC Friday.The data study also shows that European countries with more limited fiscal space have been “cautious” in stepping up their immediate contributions.
  • Volkswagen strikes 'dieselgate' compensation deal with German consumers  https://www.france24.com/en/20200228-volkswagen-strikes-dieselgate-compensation-deal-with-german-consumers The mass lawsuit is one of the biggest legal hangovers from VW's 2015 admission to fitting 11 million vehicles worldwide with software to make the engines appear less polluting in regulatory tests than in real driving conditions.

sexta-feira, maio 08, 2020

Conviver com Covid-19 - Reinventar Europa e Portugal como destinos turísticos

O setor europeu de turismo vai ter um Plano Marshall para recuperar e criar resiliência na nova era da Covid-19.

Os setores de HORECA, hoteis, restaurantes e catering e de viagens aéreas estão em cheque. Foram dos mais afetados pelo isolamento social e necessitam de ajudas para se reinventar.
  •  Estadias de turistas serão mais longas, de preferencia de carro ou comboio. Os City Breaks de 3 dias com um saltinho de avião Low Cost deixam de compensar. Desinfetar um quarto após uma estadia de 2 noites fica mais caro, por dia, do que desinfetar a fundo após uma estadia de uma semana.
  • As segundas casas, seja um refúgio na montanha, uma casa de campo, uma casinha de praia, ou até uma caravana ou roulotte, tornam-se mais importantes, mais valorizadas.
  • Os restaurantes grandes podem adaptar-se melhor ao disanciamento social. As tasquinhas necessitam ter esplanadas.
A Europa é um dos grandes destinos turisticos do mundo, pelos seus sítios culturais e históricos, pela oferta organizada, pela sua arte de bem receber. 
O setor de viagens e turismo ocupa  12% dos trabalhadores na Europa, e até 20% nos países do sul como Portugal. O turismo necessita criatividade, vontade e ajudas para se adaptar e resistir.

O Comissario Europeu para o Turismo promete uma  "abordagem de ecossistema" para alinhar todos  em torno de objetivo comum.
Quem quer ir mais longe vai junto.
Mesmo assim, alguns podem acabar por  ficar para trás.

E a nossa linda  Torre de Belém continuará a ser um dos monumentos mais fotografado de todos. 

Ministros Europeus de Turismo  https://www.turisver.com/ministros-do-turismo-manifestam-forte-apoio-a-medidas-para-a-rapida-recuperacao-do-sector/
Travel and Tourism https://www.nytimes.com/interactive/2020/05/06/travel/coronavirus-travel-questions.html
Covid-19 Europe update ECDC https://www.ecdc.europa.eu/en/cases-2019-ncov-eueea?fbclid=IwAR3yNnaZw56tqebmv9wcCWm6EzSCLgT3-TMVBc72iaAe7tt7eHm77Ssq-cM

domingo, maio 26, 2019

Eleitor- Quem quer votar para uma Europa mais equilibrada, vota HOJE


Os votos dos portugueses serão ouvidos no Parlamento Europeu?

Resultado de imagem para parlamento europeu edifícioDizem alguns eleitores (abstencionistas) e comentadores políticos que as eleições europeias não servem para nada, senão para "legitimar a concentração de poder nos grandes partidos dos grandes países membros".
Talvez, mas isso não justifica ficar em casa hoje.  
De facto, mesmo se os portugueses votassem todos no mesmo partido, os nossos 21 Deputados seriam sempre diluídos nos 751 Membros do Parlamento Europeu em Estrasburgo. 

A União Europeia ainda é uma federação jovem, com pouca tradição de representatividade. Compare-se o PE com o Congresso da federação americana, um modelo desenhado para ser mais equilibrado com um parlamento de duas câmaras, em que ambas têm que aprovar toda a legislação.  O número de Representantes para câmara baixa, a House of Representatives, depende da população do Estado, e são eleitos pelo nome, não pelo partido, por mandatos de 2 anos. São apenas 435 no total, de maneira que cada Congressman pode ter bastante mais influencia. O Senado tem 2 Senadores por Estado com mandatos mais longos de 6 anos.  Assim, o Alaska tem (2-1=)3 representantes em Washington, e a California tem (53+2=)55 representantes seus em Washington, todos eleitos em círculos uninominais. Mais, cada eleito tem liberdade de voto na legislação, os votos, os votos desalinhados dos partidos são frequentes e conhecidos pelos eleitores. 

Não havendo modelos ideais em democracia, uma federação diversa e dispersa necessita de mecanismos desenhados para encurtar distâncias e  aproximar e aumentar a representatividade entre os eleitos e os eleitores.  

O Winston Churchill teria razão quando disse um dia que "a democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros".  Mas as democracias não são todas iguais, e todos estamos interessados em que funcionem e governem cada vez melhor.

Mariana Abrantes de Sousa 


segunda-feira, maio 20, 2019

EU-UE - Quem quer votar ... vota de CRUZ ?

Quem não vota não conta.
Eu vou votar nas Eleições Europeias para escolher o próximo Parlamento Europeu, que eu considero uma das eleições mais importantes dos últimos anos. 

Mas como não gosto de votar apenas segundo os logotipos dos partidos,  fui ver as listas dos candidatos. Isto é, "a lista" porque em Portugal só há uma lista nacional, e torna-se difícil saber quem está mais "ligado à terra" e pode representar melhor o meu distrito de Viseu. 

Eu gosto de conhecer os candidatos.
Curiosamente a lista de candidatos ao Parlamento Europeu não é publicada pela CNE, mas sim pelo MAI, num .pdf interminável de 17 páginas, manhoso e inviesado, que não dá para fazer "copy-paste" para poder mais fácilmente ser divulgado.  Uma falha evidente de "eGov".
Cerca 17 páginas de nomes para eleger os 21 Deputados de Portugal para um Parlamento Europeu de 750 membros.    Parece desenhado para promover a abstenção.

Vamos desafiar a CNE Comissão Nacional de Eleições a corrigir a lacuna e divulgar. correctamente a lista de candidatos a Deputado Europeu 2019?
Não tendo tempo para transcrever as 17 páginas, deixo aqui o primeiro nome que aparece...
1. Paulo Teixeira de Morais, partido NC- Nós Cidadãos
2....VER a lista completa em
https://www.sg.mai.gov.pt/…/Parlame…/Documents/ListasDAM.pdf

quarta-feira, julho 11, 2018

EurAfrican Forum 2018 - Of Boats and Dragons

EurAfrican Forum - Barcos sem Porto, Fantasma do Dragão
Estoril, 10-Julho-2018

Foi muito interessante assistir à conferência sobre o EurAfrican Forum e encontrar amigos da Diáspora portuguesa.
O evento reuniu líderes africanos e europeus, de governos, empresas e da sociedade civil para discutir objetivos partilhados e explorar novos tipos de cooperação e coligação num momento em que o contexto geopolítico global está mudando rapidamente, trazendo consigo tanto promessas como riscos.

O evento foi organizado por José Manuel Durão Barroso, antigo Presidente da Comissão Europeia e Primeiro Ministro de Portugal e o Conselho da Diáspora Portuguesa, uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, cujo principal objetivo é valorizar a imagem e reputação internacional de Portugal envolvendo a Diáspora portuguesa de comprovada influência que se tenha destacado em vários campos, nomeadamente em Cultura, Cidadania, Ciência e Economia. Esta Rede Mundial Portuguesa conta atualmente com 92 Conselheiros, de mais de 25 países e 45 cidades, nos 5 continentes.

Entre os oradores do EurAfrican Forum estiveram o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, e numerosos ministros, embaixadores e representantes de países europeus e africanos.

Todos focaram a necessidade de intensificar o diálogo Europa-África, considerando que a África está se tornando cada vez mais importante para a Europa, não só como vizinha o fonte de migrações mas também como parceiro comercial. Os países dos dois continentes necessitam de lidar melhor com os enormes desequilíbrios demográficos, com os fluxos resultantes de migrantes e refugiados e de  saber ajudar a África a responder aos seus enormes desafios de investimento, não apenas em infra-estruturas (EUR 100 biliões/ano), mas também em saúde, educação, segurança alimentar, justiça ...

Eis algumas impressões:

1. A ideia peregrina de que a Europa pode "fechar as rotas do Mediterrâneo" do Oriente Médio e da África é uma "ilusão do pior tipo", considerando famílias pobres com 5,2 filhos na margem sul e famílias ricas com 1,2 filhos na margem norte.  Esta tentativa pode vir a acontecer, com um sofrimento incalculável. Recorde-se os barcos superlotados à deriva no Mediterrâneo, sem porto de abrigo.
Os fenómenos são paralelos:  enquanto os "boat people" asiáticos ruma à Austrália, os "refugiados" africanos rumam à Itália.

2. Os oradores africanos falaram da a sua preferência pelo financiamento do livro de cheques (checkbook financing) da China (le modele chinois) comparado  à lista de condições (checklist financing)  da Europa, com exigências numerosas. Sentia-se mesmo a presença do "dragão na sala".   O deslumbramento dos Africanos com "o cliente chinês" que eu detectei pela primeira vez em Angola em 2004 continua.

3. É claro que a China está importando (e às vezes fazendo permutas ou pagando antecipadamente) as matérias-primas da África sob condições menos transparentes.

4. Em alternativa, a Europa poderia concentrar os seus esforços na importação de outros bens e serviços africanos para gerar crescimento económico sustentável, industrialização e empregos ao sul do Mediterrâneo. Os países pobres que não conseguem exportar bens e serviços, acabam por exportar as pessoas, sejam elas classificadas como meros "migrantes" ou "refugiados" desesperados (ver ponto 1 acima).

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

It was very interesting to attend the the conference on EurAfrican Forum in Estoril  and to meet friends from the Portuguese Diaspora.  

The Forum brough toghether African and European leaders from government, business and civil society to discuss shared goals and to collectively explore new types of cooperation and coalitions at a time where the global geopolitical landscape is rapidly changing, bringing with it both promises and risks.

The Forum was organized by José Manuel Durão Barroso, a former President of the European Commission and former Prime Minister of Portugal and the Portuguese Diaspora Council, a  non-profit private association, founded in 2012, aiming to enhance Portugal’s image and international reputation  involving the Portuguese diaspora of proven influence who have distinguished themselves in fields such as Culture, Citizenship, Science and Economics. The World Portuguese Network currently comprises 92 Counselors, from over 25 countries and 45 cities, on the 5 continents.

Forum speakers included President of the Portuguese Republic Marcelo Rebelo de Sousa and numerous ministers, ambassadors and representatives from European and African countries, who all focused on the need to step up the Europe-Africa dialogue. Africa is  becoming more and more important to Europe, as a neighbor, as much as a trading partner.  Toghether, countries from the two continents need to deal with the huge  demographic imbalances and the resulting migration and refugee flows and to help Africa meet its huge investment challenges, not just in infrastructure, but also in health, education, food security, justice... 

Here are a few impressions: 
1. The idea that Europe can "close off  Mediterraneum routes" from the Middle East and Africa is a "fantasy, an illusion of the worst kind", considering poor families with 5.2 children on the southern shores and rich families with 1.2 children on the northern shores. It might just happen anyway, with untold suffering.  Recall the overloaded boats bobbing in the Mediterraneum sea. 

2. The African speakers spoke often about their preference for China's "checkbook investments" over Europe's "checklist-based funding"  with all-too-numerous conditions. We could really  feel the presence of "the dragon in the room".  

3.  Of course China is importing (and sometimes bartering or pre-paying for) raw materials from Africa under less than transparent conditions.   

4. Alterantively, Europe might focus its efforts on importing other African goods & services to generate sustainable economic growth, industrialization and jobs south of the Mediterraneum.  Poor countries which cannot export goods & services, WILL export people, whether they are classified mere "migrants" or desperate "refugees" (see point 1 above). 

Sources: https://www.un.org/sg/en/content/sg/statement/2018-07-10/secretary-generals-video-message-euro-african-forum