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domingo, setembro 10, 2017

Portugueses voltam a cair na tentação do crédito fácil e Divida Externa Bruta volta crescer

A tentação do crédito fácil continua, mesmo para os devedores subprime que já foram forçados a apertar cinto para para satisfazer os credores (externos).  Os mesmos credores irresponsáveis que voltaram agora  abrir os cordões à bolsa vão voltar a exigir sacrifícios, é o ciclo clássico do crédito, mas só se deixa enrolar outra vez quem quer.

As famílias Portuguesas voltam a cair na tentação e o crédito ao consumo bate recordes.  O crédito à habitação aumenta.  Foram celebrados mais 34% de contratos de crédito à habitação em 2016 e os montantes aumentaram mais de 39% em relação a 2015, apesar de  11% dos empréstimos hipotecários estarem em situação de incumprimento.  Os empréstimos para a compra de automóvel alcançaram, os 234 milhões de euros em Junho 2017 , mais 20% em termos homólogos.

Todos estes excessos são alimentados e reflectidos nos aumentos da Dívida Externa Bruta. Em 2017, com um historial de crises de sobre-endividamento sucessivas,  os Portugueses já podiam ter ultrapassado a ilusão que o endividamento em Euros não implica  problemas de reembolso, uma ideia peregrina que levou o rating da República Portuguesa ao lixo e quase levou a Eurozone ao colapso.

Portugal:  Divida Externa Bruta 2014-2017Portugal Total Gross External DebtA evolução de todos os indicadores de endividamento externo de Portugal  é preocupante, mas qual é o indicador mais importante que devemos acompanhar, aquela que representa maior risco ou que está mais sob o nosso controlo?
- A Divida Externa Bruta (GED Gross External Debt) a aumentar para  EUR 406,6 mil milhões, o que os residentes em Portugal devam ao estrangeiro, o passivo externo das administrações públicas, as empresas, os bancos, as famílias;
- A PII Posição (negativa)  de Investimento Internacional de EUR 198,2 mil milhões, o passivo externo menos os activos externos, avaliados a preços de mercado (marked to market);  ou 
- A Dívida Externa Líquida de de Portugal, que resulta da PII- Posição de Investimento Internacional, excluindo os instrumentos de capital e derivados financeiros, atingiu, no final de Junho de 2017 EUR  176,1 mil milhões.


Estas diferenças não são indiferentes, pois somos os mesmos 10 milhões de Portugueses (ou menos) a ter que reembolsar a Divida Externa Bruta aos credores, independentemente do disponibilidade de ativos financeiros sobre o estrangeiro.

Economistas focam geralmente a Divida Externa Líquida como a principal medida da dívida externa, especialmente, considerando o vai e vem normal de ativos e passivos financeiros, em situações de "business as usual".  Mas em tempos de crise, quando o endividamento ameaça passar a insustentável, os analistas de crédito e de rating fazem outras contas, com base no conceito de "liquidation analysis" que se pode aplica a devedores em incumprimentos, não apenas empresas mas também a países.

A análise da capacidade de reembolso do "endividamento  em tempos de crise" é simples de fazer:
1.  O passivo bruto revela-se sempre mais elevado do que está registado pelo devedor, devido a divida escondida, ou à aplicação de juros de mora, coimas e outras alcavalas.  E os credores passam a exigir o pagamento de imediato, através de mecanismos de cross default, etc.  Assim , em tempo de crise, o valor do passivo bruto registado é geralmente majorado em pelo menos 10%.
2.  O valor do ativo bruto revela-se quase inferior ao que está registado pelo devedor, considerando a necessidade de vender ativos ao desbarato e o efeito dominó da crise financeira a jusante.  Este efeito inclui o impacto da redução do preços dos ativos no mercado, do mark-to-market. Ou o valor dos ativos sofre simplesmente pelos custos de cobrança quando quem deve dinheiro a um devedor fragilizado se aproveita dessa debilidade para não pagar.  Na pratica, alguns dos ativos financeiros simplesmente "desaparecem", ficam indisponíveis.  Assim, em tempo de crise, o ativo deve ser minorado em pelo menos 10%.

Com valor do passivo a aumentar e o valor do ativo a diminuir, torna-se mais evidente a importância de controlar o passivo, a Dívida Externa Bruta  (agora em EUR 406 mil milhões e crescendo), que depende essencialmente das decisões de sobre-endividamento e de alavancagem insustentável, não apenas do Estado no que respeita à Dívida Publica, mas também dos bancos, das empresas e das famílias Portuguesas.

Portugal: Divida Externa Bruta, 20 anos 1996-2017
Portugal Total Gross External Debt

Em Portugal, as crises de sobre-endividamento ocorriam uma vez por geração, mas agora podem tornar-se mais frequentes ou até permanentes, se continuarmos no mesmo caminho... errado.

Já perguntava Ricardo Cabral em 2012:  Portugal tem emenda ?

Mariana Abrantes de Sousa

Fontes: https://pt.tradingeconomics.com/portugal/external-debt
Ciclo de crédito http://ppplusofonia.blogspot.pt/2017/09/recuperacao-de-credito-como-fator-de.html
Cabral  2012 Portugal tem Emenda?   http://www3.uma.pt/rcabral/Ficheiros/Opinion/divida.pdf 
Crédito à habitação aumenta em 2016 - http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2017-08-04-Credito-para-consumo-aumentou-175-no-ano-passado-face-a-2015
Crédito pessoal aumenta em 2017 http://observador.pt/2017/08/16/credito-pessoal-aumenta-63-em-junho-para-219-milhoes-de-euros/
Banco de Portugal, Junho 2017 Nota de Informação Estatística https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/documentos-relacionados/pii_201706.pdf
Quantos anos para pagar a dívida externa ? http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/07/quanto-anos-para-pagar-divida-externa.html

quinta-feira, agosto 25, 2016

Supplier Diversity in Europe decades behind the US

Resultado de imagem para europe   break upDiversidade de Fornecedores atrasada na Europa

O principal objetivo de um programa de Diversidade de Fornecedores é institucionalizar oportunidades para PMEs, pequenas e médias empresas,  competirem e conseguirem entrar para as cadeias de abastecimento de Governos e de grandes empresas, especialmente dos sectores de distribuição.  
Este processo, conhecido como "diversidade de fornecedores' (Supplier Diversity), é uma forma de compras socialmente responsáveis.

As PMEs são as principais criadoras de emprego em muitos países, e a refletem cada vez mais a diversidade da população.  Já em 2012,    PMEs criavam 85 % dos novos empregos europeus.  E

Expresso | Portugal é o país da Europa que mais aposta nas PME.  


A Diversidade de Fornecedores inclui programas de negócios e estratégias de contratação e compras (procurement and purchasing) que incentivam as organizações a usar uma ampla gama de tipos de fornecedores desfavorecidos, começando com as PME e incluindo diversas empresas detidas e geridas por empresários oriundos de grupos sub-representados, como por exemplo, mulheres, minorias étnicas e culturais.  Na Europa, a lista de pequenos fornecedores desfavorecidos teria que incluir as pequenas empresas oriundas de pequenos países com pequenos mercados locais, empresas do terceiro setor, empresas sociais e outros tipos de organizações.   Os programas de Diversidade geralmente incluem alguns elementos de "descriminação positiva" a favor dos grupos desfavorecidos, ou alguma "reserva de mercado" para assegurar que possam crescer e aparecer.

A Diversidade de Fornecedores torna-se cada vez mais importante para as grandes entidades compradoras, à medida que estas estão sendo questionadas pelos seus  clientes finais sobre a proveniência dos produtos que comercializam.

Ao puxar pelos pequenos fornecedores bons mas desfavorecidos, a Diversidade de Fornecedores pode contribuir tanto para  a actividade económica como para a integração e a inclusão social.  Numa Europa de 2016,  em grande risco de fragmentação, isso poderia beneficiar-nos a todos.

VER+  

Women and Supplier Diversity      http://soroptimistapt.blogspot.pt/2014/10/mulheres-empreendedoras-procuram-se.html
Supplier Diversity Handbook       http://www.bitcni.org.uk/resource/planet-handbook-on-supplier-diversity-in-europe-supplier-diversity-europe/

TTIP US-Europe trade and supplier diversity     http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/11/ged-ttip-and-supplier-diversity-in.html

Supplier Diversity: Is Europe moving fast enough or hardly at all? 


Alis Hemmingsen 

06-Feb-14  

The face of Europe is changing. People are living longer, not only changing the age demographic, but also yielding an increase in the numbers of people with disabilities. Patterns of settlement among ethnic minority immigrant populations are growing and also changing, reflecting in part the nature of the global economy.

Changing attitudes to minorities are reflected in equality legislation. This impacts on the nature of the market place and the needs and preferences of customers and consumers in relation to the goods and services they need and buy.

Also the European SME community is becoming increasingly diverse. Ethnic minority businesses and immigrants have become more established and are now providing products for the wider society. The number of women-owned businesses is steadily increasing. Making this link to the nature of diverse markets and accessing the widest possible pool of potential suppliers is an important part of the supply chain equation.

Procurement plays a key role in the need to respond to this changing external environment and obtain the best strategic fit. Organisations must produce products and services that are appropriate to an increasingly diverse market place, as well as have the ability to find the best suppliers from a diverse supplier base.

Failure to respond in this changing world may lead to strategic drift, loss of competitive advantage, as well as a drop in market share. By implementing supplier diversity procedures businesses can stay aligned with the changing market place.

The payoffs are typically broader than that. When companies make the conscious and active decision to diversify their supply chain they also create stronger relationships with their suppliers, create a more agile supply chain, spread supply chain risks and obtain market knowledge and market goodwill.

Supplier diversity is more advanced in the USA compared to Europe. Awareness levels are greater and practice is more widespread and more embedded in the US business culture.

How can you actively work with implementing supplier diversity in procurement:
  • Start by obtaining the strategic overview. Before you plunge into the actual "doing" of supplier diversity, it is well worth spending some time thinking about your organisations visions for supplier diversity. It is also a good idea to carry out a market survey of the suppliers that are available in the market.
  • Create a supplier diversity policy
  • Review procurement policies, procedures and practices
  • Make opportunities accessible
  • Monitor performance
Alis Hemmingsen is a (Responsible) Procurement thought leader and company owner of "Responsible Procurement Excellence". She is a professional business blogger and expert consultant, facilitator and speaker. Click here to find out more about Alis and here to learn about her newest e-book on supplier diversity in Europe.
Source:  


segunda-feira, julho 11, 2016

Europa das regras demonstra falhanço dos regimes

Neste artigo, o economista Ricardo Reis acerta no alvo das regras contraproducentes, inadequadas e confusas da União Europeia.  Com uma abordagem mais legalista do que economista, a UE/EU  tem "regras" a mais e economia a menos.   Temos uma União Europeia e uma Eurozone  dos juristas. 

Mas falta sublinhar que são os países pequenos e frágeis que pagam mais por esta desorientação das politicas económicas europeias, uma governação que ignora a realidade económica enquanto obedece aos poderes políticos, e que vai ser avaliada severamente pelos maus resultados obtidos, de divergência persistente e insustentável entre os países membros. 


Desde que a introdução da moeda única em 1999 impôs um teto de 3% ao défice público, Portugal não respeitou este limite uma única vez
DINHEIROVIVO.PT


VER mais em  O falhanço dos regimes

terça-feira, julho 05, 2016

Sanções uni-direcionais apontam falhas na União Europeia

Tradicionalmente seria o "mercado", a tal mão invisível, a aplicar a sua severa disciplina aos parceiros comerciais, obrigando-os a corrigir desequilíbrios financeiros insustentáveis através de desvalorizações e ajustes cambiais multilaterais, cujos custos seriam partilhados por todos, quer os países superavitários e quer os países deficitários.  

No contexto da União Europeia e da Eurozone, esta disciplina dinâmica e multilateral é substituida por sanções administrativas da União Europeia, decididas de uma forma opaca e longe dos cidadãos que sofrem as suas consequências.  Ainda pior, as ditas "sanções" aplicadas pela União Europeia são uni-direcionais, isto é, são aplicadas apenas aos países deficitários, e aos países pequenos com economias mais frágeis que têm menos margem de manobra económica e financeira.  

É importante recordar que não há défices sem superávites, e que cada "défice excessivo" tem contraparte num "superávite excessivo" algures no sistema económico europeu e mundial, uma vez que ainda não exportamos para Marte!  

O Procedimento de Défice Excessivo (PDE)  sofre deste erro de desenho, não está correctamente fundamentado nos conceitos de economia e finanças internactionais e de uniões alfandegarias e monetárias.  O PDE parece estar baseado em conceitos mais jurídicos que económicos, e reflete os desequilíbrios de poder e a preponderância dos países superavitários no processo de tomada de decisões da União Europeia e da Eurozone. 

Podemos dizer que as regras e a governação da União Europeia são tão desequilibradas como o comércio intra-europeu, e que esse défice de governação ameaça a "união dos europeus", o grande objectivo que todos deviamos partilhar. 

Em 1952, aos países do Benelux juntaram-se à Alemanha Ocidental, França e Itália e fundaram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA).  A ideia brilhante de uma Europa unida, pacífica e próspera celebrou 60 anos (as bodas de dimante) em 2012 no meio de uma crise sem precedentes.   Agora tornou-se evidente que a União Europeia, desequilibrada e mal estruturada, pode não chegar às bodas de platina (65 anos) em 2017 a não ser que haja a vontade para repensar e refocar no que é verdadeiramente importante, a paz e a prosperidade para todos, e capacidade para corrigir os erros de desenho e reinventar a "nossa" União Europeia.  

Se a União Europeia continuar a ser "deles" não vai ser de ninguém. 

domingo, junho 19, 2016

Europa à la carte e a insustentável divergência da Europa

Qualquer acto de união é uma manifestação de vontades, que pode resultar numa União cada vez mais consolidada,...ou não.

Os países membros mais fracos, mais incautos e não preparados, sim, aceitam todas as regras europeias.  Os países membros mais fortes podem ser mais exigentes,  negoceiam transições, derrogações, carve-outs, rebates, fazendo um cherry-picking do que lhes convèm, e afastando o que os pode prejudicar, etc. É a Europa a la carte, para quem domina a mesa das negociações.
Os países membros fortes podem até ditar as regras (administrativas) europeias  mesmo se os países fracos  nunca as consigam cumprir, e podem aplicar  sanções a uns e não a outros.

Mas a prova real do bem-estar da União está menos no "cumprimento" nas normas subjectivas, e mais nos resultados e números objetivos, tais como os saldos de comércio bilateral, ou os saldos TARGET2 cada vez mais divergentes.

Um sistema sustentável tem que convergir para o equilíbrio, não pode divergir ano trás ano.   Os sistemas económicos necessitam de homeostasis, de auto-regulação para o equilíbrio, tal qual os sistemas biológicos.  Será que os lideres políticos  não percebem a importância vital de promover o reequilíbrio entre os parceiros comerciais da União Europeia e da Eurozone ?

Quanto mais divergimos, menos nos entendemos, mas fomentamos o Euroceticismo.  Uma Europa fortemente divergente não convém a ninguém , torna-se-á insustentável a prazo.  Mas parece que as instituições europeias  não conseguem contrariar estas forças , até agravam a divergência.  O que não nos trará nada de bom.

A divergência económica representa uma ameaça a qualquer união.
See UK opt outs     http://www.euractiv.com/section/uk-europe/linksdossier/europe-a-la-carte-the-whats-and-whys-behind-uk-opt-outs/

quinta-feira, outubro 22, 2015

China devaluation blocks adjustment in trade flows

The Economist (10-Oc-15)  has shifted from talking about QE quantitative easing to worrying about QT quantitative tighteninng.

But talking about the decline in the "vast stockpile of FX reserves" without analyzing the unsustainable trade and current account imbalances is like looking at localized floods and droughts without studying  shifting rain patterns.  

That's why they call it "liquidity".

The real focus of analyses and policy discussions should be on why CAB current account imbalances are allowed to grow so enormously large, from -10% to  over +10% of GDP?

 And why the required cross country trade adjustments are so ineffective as surplus countries rush to step up their export "vendor financing" or to devalue their still undervalued currencies at early signs of slowing import demand, thus shifting more of the burden of adjustment to their already distressed deficit trading partners ?

Currency devaluation and world trade   http://fortune.com/2015/08/19/what-chinas-currency-devaluation-means-for-the-worlds-trade-deals/
China trade surplus widens http://www.tradingeconomics.com/articles/06082015043159.htm
Comércio e desvalorização http://ppplusofonia.blogspot.pt/2015/08/comercio-internacional-exige.html
Se o Pai Natal fosse chinês http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/01/se-o-pai-natal-fosse-chines-2.html

terça-feira, julho 21, 2015

TARTGET2 desequilibrios do sistema de compensação do Euro continuam

Quando um país importa mais que exporta para o resto da Eurozone, o Banco Central do importador fica devedor ao Banco Central do exportador, quase sempre o Bundesbank.
O mesmo acontece com a fuga de capitais, o que se reflecte no grande saldo credor do Luxemburgo.

Assim, a divergência dos saldos do sistema de compensação do Euro é um indicador fiel da divergência de fortunas  entre os países membros
Target2 Balances figure1
Fonte:  http://www.eurocrisismonitor.com/
Germany Current Account to GDP
Fonte:   http://www.tradingeconomics.com/france/current-account-to-gdp
France Current Account to GDP

quinta-feira, julho 16, 2015

Euro wears NO clothes

O Euro vai NU, nu de respeito, nu de equilíbrio, nu de solidariedade.
Acabaram-se as ilusões de convergência e prosperidade para todos na Europa.

Os credores tontos, que fizeram credito a rodos, à Lagardère, no pico da bolha de 2005-2009, demonstraram todo o  seu poder sobre os devedores ainda mais tontos que acreditaram na ilusão da prosperidade fiada, paga com juros sobre juros,pelas gerações futuras.

Resultado de imagem para moinho  beijósE ainda dizem que querem "manter o EURO como ele está", enredado em "regras" feitas por e para os credores, independentemente das consequências terríveis para as outras partes.

Deve ser muito confortável continuar na mó de cima.

Na mó de baixo, a experiência  é bem pior e a NÂO REPETIR.

A Moeda Única  passou irremediavelmente a ser vista como parte do problema da divergência, não parte da solução de convergência. Acabaram-se as ilusões de que a Europa poderia ser um Mercado Único harmonioso e equilibrado.

O EURO perdeu mais apoiantes nos primeiros 15 dias de Julho 2015 do que em todos os 15 anos da sua existência.  

Eu estou a ver-me cada vez mais grega. 

Mariana ABRANTES de Sousa 
PPP Lusofonia

ps.
The best one can say about the financial management of the Eurozone is that it focuses on the wrong metrics for a Single Currency zone with no external adjustments mechanisms left.
The Eurozone regulatory architecture focuses on Excessive Budget Deficits, which were hidden  in several countries due to the temporary increases in revenues from  property transfer taxes revenues and stamp duty on bank loans, both inflated by unsustainable external credit bubbles.
Even after 5-years of balance-of-payments and external debt crises and external insolvencies, there is as of yet no focus on the "metrics that matter" in a monetary union, namely the sustainability of the Trade Balances in goods and non-factor services, and   the divergence CAB Current Account Imbalances among the Eurozone members.  

It seems that we in the Eurozone have learned less in these 5 years of crisis than an  undergraduate student can learn in an introductory courses in  International Trade Theory and International Finance.  




quarta-feira, julho 01, 2015

EURO - Moeda da Divergência

O Euro, como toda a integração economica europeia, era suposto conduzir à convergência e à PAZ, depois de duas grandes guerras continentais e mundiais no século XX.  
Mas esta é uma promessa falhada.  O Euro está "em default" para com os cidadãos europeus. 

Na Europa, uma coisa é o que se diz, outra  é o que se faz.  
Se olharmos bem para os números, vemos que o Euro é a moeda da DIVERGÊNCIA persistente dentro da Eurozone, devido  à ausência de mecanismos de ajustamento automatico multilaterais e sobreposição dos interesses nacionais aos interesses colectivos. 

E sabemos bem que a divergencia de fortunas entre povos não conduz à paz, antes pelo contrário. 

VER   Measuring divergence in the Eurozone http://ppplusofonia.blogspot.pt/2015/06/measuring-divergence-in-eurozone.html

O Euro -Moeda da Paz (?)  http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/jorge_marrao/detalhe/o_euro_a_moeda_da_paz.html

sábado, junho 20, 2015

Crise de endividamento da Eurozone opõe devedores e credores

"Fazem-se muitos sacrifícios para poucos resultados"Mariana Abrantes de Sousa considera que, na Grécia, "fazem-se muitos sacrifícios para poucos resultados" e que "não há luta de ideias, mas de interesses" entre Atenas e os credores. Já Jorge Ribeirinho Machado defende que "o grande problema da Grécia é o Governo", mas acredita que "Portugal está muito bem suportado pelo BCE". "Conselho Consultivo" de 17 de Junho de 2015.
O "processo de ajustamento em curso" continua, mas é muito penoso devido ao fraco crescimento das exportações que serão a única da saúde. 

quinta-feira, junho 18, 2015

Debt workout 201 - o que tem de ser tem muita força

Diz o povo que o "que tem de ser tem muita força", e um credor falido e insolvente desde antes de 2009 pode entrar em default em qualquer momento, quer os credores gostem quer não.

Os credores imprudentes, que não fizeram o trabalho de casa no devido momento, que não questionaram a gestão de finanças públicas, nem os programas de pensões, nem a prestações de contas da Grécia quando estavam a desembolsar, e até a ajudaram  a esconder a divida grega no tempo da bolha de crédito, querem agora que outros credores continuem a ajudar a Grécia a pagar a divida insustentável.

Isto é conhecido na gíria de contencioso (workout) como a estratégia de procurar o "greater fool", um credor mais novo e ainda mais imprudente que venha a substituir o credor imprudente inicial.

E o devedor ? Esse acumula divida ad eternum.

Uma das poucas formas que um devedor tem de forçar os credores a negociarem e aceitarem uma redução da dívida incomportável que ajudaram a acumular, é de suspenderem pagamentos, é uma das tácticas que vêm nos livros.

Como devedor insolvente, o actual governo grego tem visão, tem bons instintos negociais, tem a coragem que falta a outros devedores, mas tem pouca experiência, desgastando-se em batalhas perdidas.  Os credores imprudentes têm quase todas as armas do seu lado, inclusive uma comunicação social e imprensa financeira pouco isenta, pouco perspicaz e pouco dada a análises de fundo, que prefere citar (o absurdismo de) Kafka em vez (dos desequilíbrios de externos) de Kindleberger.

O ataque to actual governo grego à actuação do FMI é um bom exemplo de uma iniciativa correcta na intenção, mas errada na execução.

O habitual contributo do FMI nas crises de endividamento externo consiste em apoiar a aplicação de um receituário clássico de medidas conjunturais e de reformas estruturais concedendo crédito de emergência, ficando com preferência no reembolso, o  que permite reembolsar alguns dos credores originais e pagar importações essenciais como medicamentos, alimentos, etc.  Ao ajudar a definir  um "processo de ajustamento em curso", o apoio do FMI serve também para dar um sinal positivo ao resto dos credores.

O problema é que o "receituário clássico do FMI" não se pode aplicar a países sem moeda própria, como são os membros da Eurozone.  Fazer um programa de ajustamento de desequilíbrios externos sem uma desvalorização externa (multilateral) é como tentar fazer uma omelete sem ovos.  A receita alternativa para um "ajustamento externo em regime de Moeda Única" consiste num forte "desvalorização interna" (unilateral) , com aumentos brutais da carga fiscal, cortes nos salários, cortes nas pensões, cortes nas prestações sociais, o que tem impactos sociais muito negativos e desiguais.  A experiência mostra que esta austeridade unilateral concentra os custos do ajustamento nos devedores, como se pode ver pelo aumento da divergência entre os países credores e os países devedores.  Num país, pode mudar de ministro, de governo ou de partido, mas isso não aumenta as exportações de uma economia deficitário, a única saída de uma crise de balança de pagamentos.

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O FMI continua a exercer as suas funções de apoiar o "processo de ajustamento em curso",  não pode ser criticado por isso.  Só que o estar a fazer mal, está aplicar uma receita errada, desajustada da realidade de economias pequenas, frágeis e quase totalmente desarmadas em termos de ferramentas de politica económica.  O FMI pode e deve ser criticado por não ajudar a encontrar soluções mais equilibradas que pudessem garantir o ajustamento de todos os desequilíbrios externos, de défices e de superavites, partilhando custos e reduzindo divergências entre países devedores e países credores.

Daqui a 50 anos, quando os sucessores de Kindleberger escreverem a história económica do Euro e da crise financeira da Eurozone, vai ficar claro que nem  FMI nem os outros reguladores financeiros souberam precaver os desequilíbrios e as suas consequências neste contexto rígido da Moeda Única, sem os tradicionais meios de ajustamento automático, e que as autoridades financeiras contribuíram para a tragédia de erros no que respeita à regulação de ManiasPanics, and Crashes do século XXI

Marina Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia 


segunda-feira, junho 15, 2015

Varoufakis - Greece, Germany and the Eurozone – Keynote at the Hans-Böckler-Stiftung, Berlin, 8 June 2015

Some ask me whether we are prepared to risk Grexit so as not to sign up to the institutions’ demands. Our answer is that it will be a sad day for Europe when its integrity becomes a football to be kicked around in a game whose purpose is to force a sovereign people to accept an impossible deal. In any case, if such a terrible deal is to be imposed on our people, well at least it will not be with our signature. Immanuel Kant taught us that the majesty of duty has nothing to do with the calculus of expediency. It is an irony that it may take a Greek government to remind Europe of the great German philosopher’s dictum.
Coming back to the reforms that Greece needs, in a sense, what our government is asking our partners for is to give us a chance to reform. To do our homework. Please let us reform Greece deeply. For if you continue to insist on logical inconsistent numbers, on ideological fixations and on socially unjust measures we shall not be able to carry the Greek people along the reform path that the country needs. Greece will remain unreformable if the institutions prevail. It is that simple.
To recap, we need to agree on proper, deep reforms and to embed them in a larger package, a larger agreement, which ends the Greek crisis once and for all. Besides the deep reforms, the other two elements of this broader agreement, must be a mechanism for rendering Greece’s public debt sustainable (without haircuts and without new monies for the Greek state) and an investment package that kickstarts the economy and crowds in private investment.
[Debt restructure – debt swaps]
Greece’s crisis began with public debt unsustainability. It will only end when public debt becomes sustainable again. Here is what we propose:
Greece acquires now a new liability of 27 billion to the ESM which allows us to buy back from the ECB the old SMP bonds that the ECB purchased in 2010, and whose face value is precisely 27 billion. Then we retire these bonds immediately. Thus the ECB will be repaid in full for Greece’s remaining debt to it. The result will be an elimination of our short term funding gap and the opportunity for Greek bonds to participate in the ECB’s quantitative easing program, thus helping us return to the money markets in a manner that eliminates the need for more official sector loans in the future. Once the ECB SMP bonds have been repaid, the ECB will return to Greece, as has already been agreed, the ‘profits’ (approximately 9 billion euros) it made due to having purchased them below par initially (as per the existing arrangements for returning to Greece the ECB’s SMP program ‘profits’). Greece uses up this sum to repay, in part, its remaining debt to the IMF (19.96 billion). The remaining debt to the IMF (approximately 11 billion) will be refinanced through our regained market access.
An obvious objection to this swap is that, while no new money will be received by Greece, the ESM will have to acquire a new liability and, for this reason, a new set of conditions is necessary. This is true. But a simple solution presents itself readily: The same conditionalities, i.e. reform package, that we shall agree upon to complete the current program can also serve as the conditionalities for this new arrangement with the ESM. A common set of conditionalities, that our Parliaments approve, as the basis for concluding the current program and beginning the new arrangement. That way neither Chancellor Merkel nor PM Tsipras will have to go to our Parliaments twice. A simple, efficient and effective arrangement is, therefore, in sight.
[Investment-led Growth]
Debt management is a necessary but insufficient condition for ending the Greek crisis. Greece’s economy needs to be kick-started. While long-term recovery will need to be financed privately, getting the flow of investment funding going will require an initial boost. It will also require a vehicle for dealing efficiently with the voluminous non-performing loans that currently block the credit system. Here is our proposal on this front:
The European Council gives the ‘green light’ to the European Investment Bank to embark upon a Special Investment Program for Greece that is fully funded by a special issue of EIB bonds (waiving the requirement of national co-funding), with the ECB providing secondary market coverage for the latter (in the context of its QE program) – to be administered by the EIB and the EIF in cooperation with a new public Development Bank, in collaboration with EFSI, the Hellenic Investment Fund, the EBRD, KfW and other European investment vehicles, and in conjunction with new privatisations (e.g. ports, railways)
The great merit of this proposal is that it will come at no cost to Greece’s creditors. The EIB operates on purely banking criteria and, on this occasion, stands to benefit from Greece’s rapid economic growth and the inevitable rise in asset prices. The very ‘announcement effect’ of this package of reforms, debt management and an EIB investment package will, even before any investment funding is provided), crowd in substantial investments and, inevitably, end the Greek crisis.

quarta-feira, maio 13, 2015

Sobre referendos, ohar para a Dinamarca.

A Dinamarca é um grande pequeno país que dá cartas.  Com metade da população de Portugal, dá cartas em vários sectores, nos transportes marítimos, nos brinquedos, nas salsichas, nas peles de vison, etc.

A Dinamarca também votou contra o Tratado de Maastricht e contra o Euro, e negociou diversas isenções das regras Europeias em matéria de defesa, policia, justiça.

Alguma coisa souberam os dinamarqueses que escapou aos portugueses!

Denmark, the little country that can.
Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Danish_opt-outs_from_the_European_Union


domingo, março 29, 2015

Euro illusions - How wrong was that ?

Analyses of the European Single Market  and the Euro as the Single Currency, then and now, suffer from a fundamental analytical error about the sustainability of external debt denominated in Euro, a currency not controlled by the Single Currency members.

Already in 1990 (see below) the DG ECOFIN  was telling us the intra-EU external imbalances wouldn't matter within the Single Currency.  And we foolishly beleived them.  

Reality in the diverging Eurozone turned out to be radically worse: A country's CAB Current Account Deficit is financed by increases in External Debt, which has to paid by net exports, as if it was FX-denominated.

Resultado de imagem para eurozone imbalancesNot only did the external constraint not disappear, it became nearly uncontrolable as the smaller countries lost access to the traditional balance of payments adjustment instruments, like devaluation or capital controls.

In effect, for a Eurozone country, the Euro functions as a foreign currency, so its debt can be considered FX denominated.

In 2015, 25 years later, we see   intentional confusion between exiting the Euro or defaulting on debt repayment.  A weakened debtor country may be unable to repay its external debt and forced to default, regardless of whether it stays or leaves the single currency.
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Credit risk is currency-blind, so risk analysts need to be very clear eyed.

"CEC 1990: The problems arising from external current account deficits that may occur from the fixing of exchange rates before inflation rates have converged should only be of a transitional nature. After the initial adjustment period the expectations that underlie the process of wage and price formation should adjust and inflation rates should converge. However, the countries with initially high inflation might have accumulated in the mean time a considerable stock of external debt because they will have had a current account deficit in the mean time. In EMU an external debt should net create any particular problems by itself since the intra-Community balance of payments constraint will disappear. But the debt service will, of course, reduce the standard of living of the population, unless the debt has been used to finance productive investment."

Source:  CEC 1990  One Market  One Money pg 95 DIRECTORATE-GENERAL FOR ECONOMIC AND FINANCIAL AFFAIRS http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/publication7454_en.pdf
See also Big creditor and 16 Hong Kongs http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/12/the-big-creditor-and-the-16-hong-kongs.html