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segunda-feira, junho 01, 2020

Carmen Reinhart especialista em crises no Banco Mundial

Carmen Reinhart, a nova Chefe Economista do Banco Mundial, vai poder aplicar os seus grandes conhecimentos de crises financeiras do passado para precaver as diversas crises em curso em 2020, o Ano de Todas as Crises
Um dos seus artigos mais importantes foi a análise dos riscos do sobre-endividamento quando a divida de um país sobe acima de 90% do PIB, que ajudou a perceber a crise da Eurozone que rebentou sobre Portugal. 
Recentemente ela tem estado a investigar o aumento dos créditos da China a diversos países que vai certamente levar a novas crises financeiras.  
Eis uma teoria para analisar: porque é que a China empresta tanto dinheiro a países tão frágeis ? A China concede créditos insustentáveis porque tem que fazer algo com os seus superavites comerciais insustentáveis. O "CAB surplus" da China leva à acumulação de divida externa de muito países, a começar pel dívida dos Estados Unidos. 
O credor não tem sempre razão, mas tem sempre responsabilidade pelo crédito malparado.

sábado, maio 23, 2020

Caveat Creditor 3 - Argentina falha pagamento de juros de dívida externa

Bandeira da Argentina | A grama da vizinhaNotícia do dia: A Argentina entrou em default pela 9ª vez na sua história.
Os títulos de jornal não contam a história toda, nem contam a história bem. Depois de oito defaults, os credores internacionais voltaram a AVALIAR MAL a capacidade de reemboso da Argentina e tomaram decisões de crédito erradas, pela 8ª vez.
O sobreindividamento resulta de uma MÁ DECISÃO A DOIS, o Credor e o Devedor, em que o credor tem mais controlo e mais responsabilidade ao facilitar a acumulação de crédito insustentável, que fica rapidamente "mal parado" e em incumprimento.
Triste é o povo Argentino voltar a sofrer a austeridade pela 9ª vez.

Nada disto surpreende quem conhece a Argentina, os mercados financeiros internacionais, e a imprensa internacional.
- A gestão financeira da Argentina continua a ser caracterizada pela falta de prudencia, por ciclos de altos e baixos
- Os credores continuam a ser irresponsáveis e a fazer crédito "mal parado" desde a assinatura.
- Nos titulos dos jornais, a culpa de um incumprimento é sempre atribuida ao Devedor, salvo rarissimas excepções, como no artigo citado abaixo (Turner 2013) sobre as falhas do sistema financeiro internacional.
Se os credores internacionais fossem obrigados a sofrer a "first loss", um pequeno "haircut" de 5%, haveria muito menos casos de sobreendividamento e de austeridade, e menos crises financeiras.
Com a Crise Económica 2020 resultante da Crise Covid19 vamos ver mais notícias destas, especialmente se os "apoios" oferecidos aos países pobres mais afetados vierem na forma de crédito (insustentável) e não na forma de subsídios ou grants. #caveatcreditor, #Divergence, #Imbalances
Mariana Abrantes de Sousa, Economista
VER https://www.dnoticias.pt/mundo/argentina-falha-pagamento-de-parcela-da-divida-e-activa-processo-de-default-LC6150508

BIS Working Papers, No 419, Caveat creditor, by Philip Turner, July 2013
"One area where international monetary cooperation has failed is in the role of surplus or creditor countries in limiting or in correcting external imbalances. The stock dimensions of such imbalances - net external positions, leverage in national balance sheets, currency/maturity mismatches, the structure of ownership of assets and liabilities and over-reliance on debt - can threaten financial stability in creditor as in debtor countries.
Creditor countries therefore have a responsibility both for avoiding "overlending" and for devising cooperative solutions to excessive or prolonged imbalances."
VER https://www.bis.org/publ/work419.htm

quinta-feira, maio 14, 2020

The problem with GERMANY is not the ECB nor COVID19

The problem with GERMANY is the same as always.

Mais uma vez, a Europa tem um problema com a Alemanha. E desta vez não é diferente.
Na visão da Alemanha e dos mercados financeiros, a Europa é a Alemanha e o resto é paisagem.

Em vez de perguntar se a politica do BCE de comprar  Obrigações dos  Tesouros nacionais é legal, deve-se perguntar porque é necessário aumentar a liquidez no  mercado financeiro europeu de tal forma que as taxas Euribor se tornam negativas e deixam de dar os sinais necessários para a poupança.
A excessiva liquidez do BCE é necessária porque a União Europeia é INCAPAZ de instaurar o estímulo fiscal necessário e urgente nesta crise Covid19 como foi nas outras crises.
O grosso do estimulo orçamental europeu é lançado na Alemanha para os alemães, incluindo para os produtores de automóveis que enganaram os consumidores no Dieselgate  durante anos mas não indemnizaram a maioria dos clientes europeus, como eu.
EU Court Faces 'Declaration of War' From German Top Judges - Bloomberg

O Tribunal  STJ alemão até pode ter razão em temos jurídicos, bem argumentados em latim. 


Mas a Alemanha está muito errada em termos económicos. 

A lei dos homens não se consegue sobrepôr às leis da economia, que ditam que todos os deselibrios económicos têm que ser corrigidos, mais cedo num suave vai e vem ou bruscamente em fortes crises mais tarde.

Se a Alemanha não quer ser a "locomotiva da Europa" , se quer defender os seus excedentes comerciais e os seus superavites orçamentais a todo custo de todos nós, o Sonho Europeu desvanece-se.  Por isso se deixou de falar da "convergência" prometida até 1999.

Não há União, comercial, aduaneira e/ou monetária, que aguente desequilibrios e divergencias permanentes e crescentes.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
#COVID19 #EuropeanUnion #Divergence

FT ECB and the German court ruling 
The European Central Bank is deluding itself over German court ruling.
A smart response would be for the EU to address the problems of the eurozone head on.
The ruling last week highlighted the toxic idea that the eurozone can forever rely for its survival on its central bankers, and their enthusiasm in pushing EU laws to the limits.
https://www.ft.com/content/fc487cac-9105-11ea-9207-ace009a12028?fbclid=IwAR2q8Z11efZhPlV6AvXLDkgy4B4SPmLX27eHuIlrfa7XhxISSVF0sAk5uf4

 Germany is vastly outspending other countries with its coronavirus stimulus
  • Germany is going to need “as much support as possible” and it has “the fiscal space” to do it, Zsolt Darvas, a senior fellow at the Brussels-based think tank Bruegel and one of the authors of the data study, told CNBC Friday.The data study also shows that European countries with more limited fiscal space have been “cautious” in stepping up their immediate contributions.
  • Volkswagen strikes 'dieselgate' compensation deal with German consumers  https://www.france24.com/en/20200228-volkswagen-strikes-dieselgate-compensation-deal-with-german-consumers The mass lawsuit is one of the biggest legal hangovers from VW's 2015 admission to fitting 11 million vehicles worldwide with software to make the engines appear less polluting in regulatory tests than in real driving conditions.

sexta-feira, maio 08, 2020

Conviver com Covid-19 - Reinventar Europa e Portugal como destinos turísticos

O setor europeu de turismo vai ter um Plano Marshall para recuperar e criar resiliência na nova era da Covid-19.

Os setores de HORECA, hoteis, restaurantes e catering e de viagens aéreas estão em cheque. Foram dos mais afetados pelo isolamento social e necessitam de ajudas para se reinventar.
  •  Estadias de turistas serão mais longas, de preferencia de carro ou comboio. Os City Breaks de 3 dias com um saltinho de avião Low Cost deixam de compensar. Desinfetar um quarto após uma estadia de 2 noites fica mais caro, por dia, do que desinfetar a fundo após uma estadia de uma semana.
  • As segundas casas, seja um refúgio na montanha, uma casa de campo, uma casinha de praia, ou até uma caravana ou roulotte, tornam-se mais importantes, mais valorizadas.
  • Os restaurantes grandes podem adaptar-se melhor ao disanciamento social. As tasquinhas necessitam ter esplanadas.
A Europa é um dos grandes destinos turisticos do mundo, pelos seus sítios culturais e históricos, pela oferta organizada, pela sua arte de bem receber. 
O setor de viagens e turismo ocupa  12% dos trabalhadores na Europa, e até 20% nos países do sul como Portugal. O turismo necessita criatividade, vontade e ajudas para se adaptar e resistir.

O Comissario Europeu para o Turismo promete uma  "abordagem de ecossistema" para alinhar todos  em torno de objetivo comum.
Quem quer ir mais longe vai junto.
Mesmo assim, alguns podem acabar por  ficar para trás.

E a nossa linda  Torre de Belém continuará a ser um dos monumentos mais fotografado de todos. 

Ministros Europeus de Turismo  https://www.turisver.com/ministros-do-turismo-manifestam-forte-apoio-a-medidas-para-a-rapida-recuperacao-do-sector/
Travel and Tourism https://www.nytimes.com/interactive/2020/05/06/travel/coronavirus-travel-questions.html
Covid-19 Europe update ECDC https://www.ecdc.europa.eu/en/cases-2019-ncov-eueea?fbclid=IwAR3yNnaZw56tqebmv9wcCWm6EzSCLgT3-TMVBc72iaAe7tt7eHm77Ssq-cM

sexta-feira, setembro 20, 2019

Caveat Creditor 4 - Devedores e contribuintes pagam por credores irresponsáveis

Quem deve, treme
Caveat creditor ?
Não, na Europa os credores tremem pouco, raras vezes são obrigados a perdoar parte excessiva dos créditos que concederam. Portugal orgulha-se (?) a reembolsar tudo o que pode ... e o que não pode. Os credores (abusivos) geralmente passam a sua parte da perda aos contribuintes (coitados). Vai a Ministro quem aperta os contribuintes para salvar os erros dos credores e dos seus acionionistas. Ver o artigo no meu blog PPP Lusofonia, 21-fevereiro-2012 "It takes three to generate moral hazard": credores, devedores E contribuintes.  
Ver Creditor moral hazard  21-fevereiro-2012   https://ppplusofonia.blogspot.com/2012/02/it-takes-three-to-generate-moral-hazard.html 

Os credores, na mó de cima, conseguem quase sempre manter a sua narrativa de negação, pelo menos no curto prazo.  Para o credor como  "pai incógnito", a divida excessiva é sempre um problema apenas para a devedora "mãe solteira".  O credor "não esteve nem lá", estava em Londres, em Frankfurt, em Amsterdam ou em Shangai nesse dia quando crédito excessivo foi concebido, não concedido. 

Denial- Mostly on the part of the creditors, who refuse to take responsibility for their part in the credit bubble, and prefer to believe that it's all the borrowers' fault. Credit by immaculate conception, fatherless,  one might say. (Dívida de pai incógnito, we would say in Portuguese).

But the foolish creditors can be SWIFTly traced.  
After all, it was the German banks that reached leverage of 49X....


Ver: Creditor denial of responsibility  sábado, abril 07, 2012  Stages of Grief in the Eurozone, Debt workout 101 - part 8 

Eventualmente, haverá analista que apontam o dedo para os credores:  Creditor moral hazard during EMU debt crisis http://www2.aueb.gr/conferences/Crete2014/papers/Bratis.pdf

Credito sonhos dá pesadelos 
Mas os bancos "salvos" pelos contribuintes rapidamente voltam a  a criar mais uma bolha de crédito ao consumo, para financiar "Casamentos (leia-se Boda) de Sonho, Viagens de Sonho, foram os mesmos bancos que criaram os nossos pesadelos.




Novo credito sonhos dará velhos pesadelos
E quanto maior o SONHO do crédito ao consumo, consumista e improdutivo,  maior voltará a ser o PESADELO para os devedores e para os contribuintes.

´São estas tendências que se podem antever já nas importações "fiadas", e na degradação das contas do comércio externo.  Ver http://ppplusofonia.blogspot.com/2019/09/pt-contas-externas-invertem-tendencia.html

Mariana Abrantes de Sousa, Economista





PT Contas externas invertem tendencia para o negativo


Portugal 2019
CAB turns back to RED
A tendência negativa  do rácio BTC/PIB (CAB/GDP) é bem visível, o que deve ser motivo  de alerta e não de auto-elogiosQuem ignora as más tendências, em vez de as combater, não tem desculpa.

Na minha experiência, este é indicador macroeconómico mais importante de todos:  não é a inflação, nem o crescimento, e muito menos o deficit orçamental.

O rácio da Conta Corrente da Balança de Pagamentos para o PIB é como um raio-X da economia, porque são os deficits externos que acumulam no endividamento externo, na Divida Externa Bruta.

E estamos fartos de saber que ...Quem Deve Treme.  
O excesso de divida externa dá azo a crises financeiras e desemprego de dois dígitos, quase de 10 em 10 anos, como temos visto.

Os títulos dos jornais referem que  "Saldo externo continua a deteriorar-se",  165% pior até julho 2019, comparado com o ano anterior.  Espera-se que final do ano venha a ser positivo com um bom fim de ano de exportações e de turismo.

Fontes:  TradingEconomics, https://www.jornaldenegocios.pt/economia/conjuntura/detalhe/saldo-externo-continua-a-deteriorar-se-defice-aumenta-165-ate-julho

domingo, julho 14, 2019

Recycling "petrodollars" 6.0 - Chinese style in Africa

Como Reciclar "Petrodollars" 1.0,  OPEC, anos 1970's
Eu sou do tempo em que o sistema bancário internacional se ocupava a receber depósitos dos países membros da OPEC nos seus anos dourados, quando tinham acabado de descobrir o seu poder de monopólio, cortando a produção de petróleo para subir o preço e acumulando ENORMES superavites de comercio internacional.
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Os "money center banks" como o Chase onde eu trabalhava recebiam os EXCEDNTES da Venenezuela e da Arabia Saudita,  que intermediavam em EMPRESTIMOS a outros países que necessitavam continuar a IMPORTAR  petróleo, como o Brasil.
Eu própria assinei muitos desembolsos para financiar a construção da mega-barragem do Itaipu, entre outros empréstimos menos produtivos. 
Obviamente, que estes ENORMES fluxos acabaram mal.  A CRISE de SOBRE-ENDIVIDAMENTO da America Latina nos anos 1980's, que eu também vi de perto na Cidade do México, necessitou reestruturação de divida externa de dezenas de países.

O fenómeno repete-se, pois parece que não aprendemos nada com o sofrimento de tantos países endividados:
i.   Superavites comerciais excessivos (X-M)>>>0 , desequilíbrios comerciais persistentes, não auto-corrigidos
ii.   Excessos de crédito internacional.  Países excedentários, como a Alemanha, a China, a Holanda,  persistem  em financiar suas exportações (vendor financing) muito para além da capacidade de reembolso dos países deficitários.
iii. "Sudden stop", corte brusco nos financiamentos à importação dos países deficitários
Resultado de imagem para imagem mo de cima mó de baixoiv.  Pressão dos credores "over-extended", da "mó de cima" sobre os devedores sobre-endividados da mó-de-baixo para passar TODO o custo de ajustamento e partilhar os custos entre credores e devedores.  Juntam os três à esquina, numa TROIKA. Na narrativa dos media financeiros, os credores são  desresponsabilizados pelos créditos mal parados, toda  a CULPA é dos devedores.
v.  Apertão e repressão financeira nos países devedores, com cortes de GDP, de  salários e de rendimentos, de pensões, de investimento e de serviços públicos.  Vendem-se ativos ao desbarato ("anéis"como as ações  da EDP e da REN) para continuar a importar pechisbeque (t-shirts).
vi. Recuperado algum equilíbrio financeiro dos devedores, o Ciclo do sobre-endividamento recomeça com excesso de credito externo ...

Como Reciclar "Petrodollars" 2.0,  .... anos 1980's (ver detalhes em separado)
Ciclos de sobre-endividamento repetem-se apesar da criação do Cook Ratio em 1988. 

Como Reciclar "Petrodollars" 3.0,  Asia, anos 1990's (ver detalhes em separado)

Como Reciclar "Petrodollars" 4.0,  ..., anos 2000's  (ver detalhes em separado)

Como Reciclar "Petrodollars" 5.0,  Eurozone, anos 2010's  (ver detalhes em separado sobre o sobre-endividamento de Portugal e outros países da Eurozone)

Como Reciclar "Petrodollars" 6.0, crédito escondido da China a Africa,  anos 2020's  

As falhas de (auto)-regulação do sistema financeiro internacional, e dos centros de decisão dos internacionais dominados pelos credores, são  pagas pelas populações dos países devedores mais vulneráveis, com menos MBA's per capita.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Consultora Financeira

Ver detalhes nos estudos de Reinhart sobre Africa:   https://www.cnbc.com/2019/07/12/chinas-lending-to-other-countries-jumps-causing-hidden-debt.html

China’s lending to other countries has surged since 2000's, causing debt levels to jump dramatically, and as much as half of such debt to developing economies is “hidden,” a new study has found.
Such “hidden” debt means that the borrowing isn’t reported to or recorded by official institutions such as the International Monetary Fund (IMF), the World Bank, or the Paris Club — a group of creditor nations.
Between 2000 and 2017, other countries’ debt owed to China soared ten-fold, from less than $500 billion to more than $5 trillion — or from 1% of global economic output to more than 5%, according to the study from Germany-based think tank the Kiel Institute for the World Economy.
“This has transformed China into the largest official creditor, easily surpassing the IMF or the World Bank,” the report’s researchers said...


quarta-feira, julho 11, 2018

EurAfrican Forum 2018 - Of Boats and Dragons

EurAfrican Forum - Barcos sem Porto, Fantasma do Dragão
Estoril, 10-Julho-2018

Foi muito interessante assistir à conferência sobre o EurAfrican Forum e encontrar amigos da Diáspora portuguesa.
O evento reuniu líderes africanos e europeus, de governos, empresas e da sociedade civil para discutir objetivos partilhados e explorar novos tipos de cooperação e coligação num momento em que o contexto geopolítico global está mudando rapidamente, trazendo consigo tanto promessas como riscos.

O evento foi organizado por José Manuel Durão Barroso, antigo Presidente da Comissão Europeia e Primeiro Ministro de Portugal e o Conselho da Diáspora Portuguesa, uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, cujo principal objetivo é valorizar a imagem e reputação internacional de Portugal envolvendo a Diáspora portuguesa de comprovada influência que se tenha destacado em vários campos, nomeadamente em Cultura, Cidadania, Ciência e Economia. Esta Rede Mundial Portuguesa conta atualmente com 92 Conselheiros, de mais de 25 países e 45 cidades, nos 5 continentes.

Entre os oradores do EurAfrican Forum estiveram o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, e numerosos ministros, embaixadores e representantes de países europeus e africanos.

Todos focaram a necessidade de intensificar o diálogo Europa-África, considerando que a África está se tornando cada vez mais importante para a Europa, não só como vizinha o fonte de migrações mas também como parceiro comercial. Os países dos dois continentes necessitam de lidar melhor com os enormes desequilíbrios demográficos, com os fluxos resultantes de migrantes e refugiados e de  saber ajudar a África a responder aos seus enormes desafios de investimento, não apenas em infra-estruturas (EUR 100 biliões/ano), mas também em saúde, educação, segurança alimentar, justiça ...

Eis algumas impressões:

1. A ideia peregrina de que a Europa pode "fechar as rotas do Mediterrâneo" do Oriente Médio e da África é uma "ilusão do pior tipo", considerando famílias pobres com 5,2 filhos na margem sul e famílias ricas com 1,2 filhos na margem norte.  Esta tentativa pode vir a acontecer, com um sofrimento incalculável. Recorde-se os barcos superlotados à deriva no Mediterrâneo, sem porto de abrigo.
Os fenómenos são paralelos:  enquanto os "boat people" asiáticos ruma à Austrália, os "refugiados" africanos rumam à Itália.

2. Os oradores africanos falaram da a sua preferência pelo financiamento do livro de cheques (checkbook financing) da China (le modele chinois) comparado  à lista de condições (checklist financing)  da Europa, com exigências numerosas. Sentia-se mesmo a presença do "dragão na sala".   O deslumbramento dos Africanos com "o cliente chinês" que eu detectei pela primeira vez em Angola em 2004 continua.

3. É claro que a China está importando (e às vezes fazendo permutas ou pagando antecipadamente) as matérias-primas da África sob condições menos transparentes.

4. Em alternativa, a Europa poderia concentrar os seus esforços na importação de outros bens e serviços africanos para gerar crescimento económico sustentável, industrialização e empregos ao sul do Mediterrâneo. Os países pobres que não conseguem exportar bens e serviços, acabam por exportar as pessoas, sejam elas classificadas como meros "migrantes" ou "refugiados" desesperados (ver ponto 1 acima).

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

It was very interesting to attend the the conference on EurAfrican Forum in Estoril  and to meet friends from the Portuguese Diaspora.  

The Forum brough toghether African and European leaders from government, business and civil society to discuss shared goals and to collectively explore new types of cooperation and coalitions at a time where the global geopolitical landscape is rapidly changing, bringing with it both promises and risks.

The Forum was organized by José Manuel Durão Barroso, a former President of the European Commission and former Prime Minister of Portugal and the Portuguese Diaspora Council, a  non-profit private association, founded in 2012, aiming to enhance Portugal’s image and international reputation  involving the Portuguese diaspora of proven influence who have distinguished themselves in fields such as Culture, Citizenship, Science and Economics. The World Portuguese Network currently comprises 92 Counselors, from over 25 countries and 45 cities, on the 5 continents.

Forum speakers included President of the Portuguese Republic Marcelo Rebelo de Sousa and numerous ministers, ambassadors and representatives from European and African countries, who all focused on the need to step up the Europe-Africa dialogue. Africa is  becoming more and more important to Europe, as a neighbor, as much as a trading partner.  Toghether, countries from the two continents need to deal with the huge  demographic imbalances and the resulting migration and refugee flows and to help Africa meet its huge investment challenges, not just in infrastructure, but also in health, education, food security, justice... 

Here are a few impressions: 
1. The idea that Europe can "close off  Mediterraneum routes" from the Middle East and Africa is a "fantasy, an illusion of the worst kind", considering poor families with 5.2 children on the southern shores and rich families with 1.2 children on the northern shores. It might just happen anyway, with untold suffering.  Recall the overloaded boats bobbing in the Mediterraneum sea. 

2. The African speakers spoke often about their preference for China's "checkbook investments" over Europe's "checklist-based funding"  with all-too-numerous conditions. We could really  feel the presence of "the dragon in the room".  

3.  Of course China is importing (and sometimes bartering or pre-paying for) raw materials from Africa under less than transparent conditions.   

4. Alterantively, Europe might focus its efforts on importing other African goods & services to generate sustainable economic growth, industrialization and jobs south of the Mediterraneum.  Poor countries which cannot export goods & services, WILL export people, whether they are classified mere "migrants" or desperate "refugees" (see point 1 above). 

Sources: https://www.un.org/sg/en/content/sg/statement/2018-07-10/secretary-generals-video-message-euro-african-forum

segunda-feira, dezembro 25, 2017

China investimento em Portugal e a criação de emprego

Um artigo recente em The Economist de 30-Nov-2017 diz que Portugal anda a nadar em massa Chinesa, como um dos principais beneficiários do FDI investimento direto chinês na Europa. 

Mas os investimentos chineses trazem pouco valor acrescentado para Portugal.  Os investidores chineses têm comprado empresas maduras, algumas operadores de serviços públicos quase monopolistas, as jóias da coroa.  Criação de novos empregos em investimentos de raiz, greenfield, praticamente zero

O critério de avaliação do valor acrescentado e do muliplicador de investimento deve sempre focar o VAN Valor Acrescentado Nacional, os beneficios no saldo comercial X-M e a criação de emprego líquido. 

Onde está o benefício líquido para Portugal dos investimentos chineses?  
Para financiar a importação de  T-shirts e outros bens de consumo da China ?
Ou apenas na construção de casas de luxo para os vistos Gold e algum turismo.


PPP Lusofonia Dec 17-2017  Comments in The Economist 
Using idiomatic phrases like "Portugal is rolling in Chinese loot" makes for good reading but for bad economics.   Better go back to basics of International Trade 101.
Super net exporters like China and Germany (or OPEC in its high times) can become so cash rich that they can buy up everything in sight. But acquistions of existing (brownfield) companies is just churning "pedtrodollars" and it is not as beneficial as new (greenfield) FDI investments which actually create jobs in the net importing countries.
China is Portugal's main import supplier outside of Europe, so the Chinese incoming "loot" just helps to pay for the bilateral trade deficit, a sort of barter (swap of electricity company shares for T-shirts). The net job creation of the sizable Chinese investments in Portugal is minimal if any, except for some construction jobs for the tourism sector and Golden Visa program. 

VER também http://ppplusofonia.blogspot.com/2011/12/se-o-pai-natal-fosse-chines.html

sábado, março 18, 2017

UK, Brexit and the Current Account Deficit

The "gaping current account deficit" is part of the explanation of Brexit, hidden in plain sight, or is it site.

United Kingdom Current Account to GDP

quarta-feira, novembro 02, 2016

Russia e o comércio internacional

A Russia aguenta-se bem no comércio internacional, com supervites da BTC Balança de Transações Correntes de 5,1% do PIB.

Russia Current Account to GDP

sábado, outubro 08, 2016

Comércio intra-EU ajuda a explicar Brexit


File:Intra-EU trade balance by Member State, 2013 (EUR 1 000 million).png
Os saldos comerciais intra-EU variam fortemente entre os países, como se vê nesta figura:
 Intra-EU trade in goods balance by Member State, 2013 (EUR 1 000 million)- 
Source: Eurostat (TET00039)

Convém recordar que a equação fundamental da economia, C+I+G+(X-M)=PIB fovorece os exportadores e penaliza os importadores, e que as importações representam uma "leakage", um dos buracos por onde se pode ir perdendo a prosperidade de um país.
O saldo externo positivo (X-M) é também essencial para os países que têm dívida externa a reembolsar.

Se a lista dos grandes exportadores e dos grandes importadores for variando de ano para ano, todos têm oportunidade de ficar na mó de cima.  Se forem sempre os mesmos a ganhar e os mesmos a perder, algo vai ter que mudar.

Que esperar dos países como a Grécia, Croácia, Portugal e o Reino Unido que são  persistentemente deficitários, quer com os parceiros europeus quer com o resto do mundo ?   Estes importadores crónicos, ou compensam os défices de mercadores com superavites de serviços como o turismo, ou sofrem crises de balança de pagamentos.
 

Fonte:  http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/Intra-EU_trade_in_goods_-_recent_trends



domingo, outubro 02, 2016

Portugal - Superavite externo positivo

Segundo um artigo na revista Sábado de 29-Set-2016,  "na passada semana, num evento para clientes institucionais realizado num hotel de luxo em Lisboa, um analista do JPMorgan disse preferir a dívida de Chipre à de Portugal."


Com um défice externo de -4.8% do PIB,  Chipre estará mesmo melhor do que Portugal que conseguiu um superavite externo com grande esforço ?  Portugal poderá levar 390 anos a reembolsar a sua divida externa, mas outros países nem isso. 

                                      Cyprus Portugal 
Public Debt /GDP                 109% 129%
CAB  EUR Million ­               -39.1 1018
Current Account CAB/GNP -4.8% 0.7%
External Debt   EUR Million    101 709     397 042   
External Debt/CAB years             …. 390

domingo, julho 10, 2016

terça-feira, julho 05, 2016

Sanções uni-direcionais apontam falhas na União Europeia

Tradicionalmente seria o "mercado", a tal mão invisível, a aplicar a sua severa disciplina aos parceiros comerciais, obrigando-os a corrigir desequilíbrios financeiros insustentáveis através de desvalorizações e ajustes cambiais multilaterais, cujos custos seriam partilhados por todos, quer os países superavitários e quer os países deficitários.  

No contexto da União Europeia e da Eurozone, esta disciplina dinâmica e multilateral é substituida por sanções administrativas da União Europeia, decididas de uma forma opaca e longe dos cidadãos que sofrem as suas consequências.  Ainda pior, as ditas "sanções" aplicadas pela União Europeia são uni-direcionais, isto é, são aplicadas apenas aos países deficitários, e aos países pequenos com economias mais frágeis que têm menos margem de manobra económica e financeira.  

É importante recordar que não há défices sem superávites, e que cada "défice excessivo" tem contraparte num "superávite excessivo" algures no sistema económico europeu e mundial, uma vez que ainda não exportamos para Marte!  

O Procedimento de Défice Excessivo (PDE)  sofre deste erro de desenho, não está correctamente fundamentado nos conceitos de economia e finanças internactionais e de uniões alfandegarias e monetárias.  O PDE parece estar baseado em conceitos mais jurídicos que económicos, e reflete os desequilíbrios de poder e a preponderância dos países superavitários no processo de tomada de decisões da União Europeia e da Eurozone. 

Podemos dizer que as regras e a governação da União Europeia são tão desequilibradas como o comércio intra-europeu, e que esse défice de governação ameaça a "união dos europeus", o grande objectivo que todos deviamos partilhar. 

Em 1952, aos países do Benelux juntaram-se à Alemanha Ocidental, França e Itália e fundaram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA).  A ideia brilhante de uma Europa unida, pacífica e próspera celebrou 60 anos (as bodas de dimante) em 2012 no meio de uma crise sem precedentes.   Agora tornou-se evidente que a União Europeia, desequilibrada e mal estruturada, pode não chegar às bodas de platina (65 anos) em 2017 a não ser que haja a vontade para repensar e refocar no que é verdadeiramente importante, a paz e a prosperidade para todos, e capacidade para corrigir os erros de desenho e reinventar a "nossa" União Europeia.  

Se a União Europeia continuar a ser "deles" não vai ser de ninguém. 

segunda-feira, maio 30, 2016

Portugal com contas externas no positivo

Portugal tem conseguido uma recuperação de comércio externo notável, depois de anos de défices insustentáveis  da Balança de Transações Correntes, que chegou a -12,1% CAB/PIB, alimentada pela acumulação de dívida externa também ela insustentável.
Será possível manter esta tendência positiva com a contracção económica de alguns dos nossos parceiros comerciais?

Portugal Current Account to GDP
Desde 2014 até 2016  a maior parte das agências de ‘rating’ melhoraram a apreciação de Portugal, só que há preocupações objectivas em relação ao ‘stock’ da dívida. Não podemos alhearmo-nos do facto de o ‘stock’ de dívida portuguesa ser um dos mais altos do mundo. Portugal também não tem um historial de crescimento económico muito pujante. Comparando com Itália, que tem um nível de dívida mais elevado que Portugal e um histórico de crescimento económico na última década relativamente semelhante ao nosso, verifica-se que eles têm um nível de ‘rating’ melhor que o português.

terça-feira, maio 10, 2016

Convénio de pagamentos de comércio externo a replicar na Lusofonia

 CCR , o Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos firmado em 1982, sob os auspícios da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é um acordo entre 12 bancos centrais (BCs) latino-americanos , que estabelece um mecanismo de compensação entre os débitos e créditos referentes aos pagamentos oriundos da atividade comercial no bloco. Tal acordo também prevê um sistema de garantias aos pagamentos e torna os BCs participantes co-responsáveis por eventuais inadimplementos.
De caráter extremamente técnico e pouco conhecido pelo grande público o convénio e´ popular entre os exportadores brasileiros ...

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Bergsten - Trade imbalances have to be rebalanced

Publicado a 04/09/2014
ESMT Open Lecture with Fred Bergsten, Senior Fellow and Director Emeritus, the Peterson Institute for International Economics, member of the President’s Advisory Committee on Trade Policy and Negotiations, and the Kurt Viermetz Distinguished Visitor of The American Academy in Berlin.

Required listening !

In the Eurozone, it takes 18 to rebalance.

https://m.youtube.com/watch?v=ruiivCzDDbA

quinta-feira, outubro 22, 2015

China devaluation blocks adjustment in trade flows

The Economist (10-Oc-15)  has shifted from talking about QE quantitative easing to worrying about QT quantitative tighteninng.

But talking about the decline in the "vast stockpile of FX reserves" without analyzing the unsustainable trade and current account imbalances is like looking at localized floods and droughts without studying  shifting rain patterns.  

That's why they call it "liquidity".

The real focus of analyses and policy discussions should be on why CAB current account imbalances are allowed to grow so enormously large, from -10% to  over +10% of GDP?

 And why the required cross country trade adjustments are so ineffective as surplus countries rush to step up their export "vendor financing" or to devalue their still undervalued currencies at early signs of slowing import demand, thus shifting more of the burden of adjustment to their already distressed deficit trading partners ?

Currency devaluation and world trade   http://fortune.com/2015/08/19/what-chinas-currency-devaluation-means-for-the-worlds-trade-deals/
China trade surplus widens http://www.tradingeconomics.com/articles/06082015043159.htm
Comércio e desvalorização http://ppplusofonia.blogspot.pt/2015/08/comercio-internacional-exige.html
Se o Pai Natal fosse chinês http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/01/se-o-pai-natal-fosse-chines-2.html