Tradutor

Mostrar mensagens com a etiqueta PPPorg. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PPPorg. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 21, 2018

Banco Interamericano promove assistência técnica em PPPs

HomeREOI for Framework contracts for PPP Tech Assistance  

REQUEST FOR EXPRESSIONS OF INTEREST CONSULTING SERVICES
Selection # as assigned by e-Tool: RG-T2998-P003
Selection Method: Full Competitive Selection
Country: Regional    Sector: PPP
Funding – TC #: ATN/OC-16388-RG, ATC/OC-16389-RG     (USD 7 million)
Project #: RG-T2998
TC name: Facility to Support Public-Private Partnerships in Infrastructure   
Description of Services: Support the IDB and its clients in a range of activities required to
i.  strength the regulatory and institutional framework,
ii. prepare and implement public-private partnership (PPP) projects in LAC
iii. disseminate PPP knowledge 

The Inter-American Development Bank (IDB) is executing the above mentioned operation. 
Expressions of interest must be delivered using the IDB Portal for Bank Executed Operations ( http://beo-procurement.iadb.org/home
by: June 25, 2018, 5:00 P.M. (Washington D.C. Time).

The consulting services (“the Services”) include a range of activities required to strength the regulatory and institutional framework prepare and implement public -private partnership (PPP) projects in LAC. Timelines will be determined through the work order and associated bids by providing proposed work plans and total costs for that work order.
Eligible consulting firms will be selected in accordance with the procedures set out in the Inter-American Development Bank: Policy for the Selection and Contracting of Consulting firms for Bank-executed Operational Work - GN-2765-1.

All eligible consulting firms, as defined in the Policy may express an interest. If the Consulting Firm is presented in a Consortium, it will designate one of them as a representative, and the latter will be responsible for the communications, the registration in the portal and for submitting the corresponding documents.

The IDB now invites eligible consulting firms to indicate their interest in providing the services described below in the draft summary of the intended Terms of Reference for a Framework Agreement. 
Interested consulting firms must provide information establishing that they are qualified to perform the Services (brochures, description of similar assignments, experience in similar conditions, availability of appropriate skills among staff, etc.)... and have a presence in Latin America 

Eligible consulting firms may associate in a form of a Joint Venture or a sub-consultancy agreement to enhance their qualifications. Such association or Joint Venture shall appoint one of the firms as the representative.
Interested eligible consulting firms may obtain further information during office hours, 09:00 AM to 05:00 PM, (Washington D.C. Time) by sending an email to: [danielca@iadb.org]

quinta-feira, dezembro 04, 2014

PPP Marrocos, Casablanca, 9-Dezembro-2014

ADEREE, a  Agência Nacional para o Desenvolvimento de Energias Renováveis e Eficiência Energética, em parceria com a UNECE, Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, a Confederação Geral das Empresas de Marrocos e do Centro Marroquino para Produção Limpa está a organizar uma conferência  sobre o tema "Parcerias Público-Privadas (PPP): ferramenta de desenvolvimento sustentável",  9 de dezembro de 2014   em Casablanca.

Esta conferência irá lançar luz sobre um modelo de financiamento que, hoje, é uma ferramenta ideal para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que visam promover a modernização da infra-estrutura e melhoria dos serviços públicos, especialmente nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento .abaixe as janelas

ADEREE e UNECE  tencionam consolidar a sua cooperação durante esta conferência, o lançamento do Centro de Excelência em PPP desenvolvimento de energia sustentável. Estabelecido para explorar as iniciativas realizadas em parcerias público-privadas, e divulgar informações sobre as melhores práticas identificadas na área, o centro vai ser alojado em ADEREE  na sequência de um pedido da UNECE.

Fonte:  http://www.aderee.ma/index.php/en/press/actualites-en/512-09-12-aderee-unece-cgem-parlent-ppp,       contact@aderee.ma

terça-feira, maio 07, 2013

Manual PPP em consulta pública até 28-Maio


Consulta Pública
O GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por intermédio da sua Unidade Central de Parcerias Público-Privadas, situada no âmbito da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, elaborou o presente documento que contempla orientações gerais sobre as principais questões enfrentadas em projetos de PPP, de forma a registrar as metodologias e melhores práticas, com o objetivo de promover contratos equilibrados e com um melhor aproveitamento dos recursos públicos.

Além disso, o presente documento serve para promover um entendimento comum entre os diversos atores que participam de cada processo de PPP sobre alguns dos principais temas envolvidos, o que certamente reduzirá o tempo e os custos de negociação do processo, a partir do esclarecimento da racionalidade envolvida na formação dos editais, contratos e documentos correlatos.

Orientados pelas premissas que norteiam a Terceira Geração do Choque de Gestão, centrado na Gestão para a Cidadania e no Fortalecimento da Cidadania através de um Estado em Rede, submetemos o presente manual à Consulta Pública, buscando contribuições de toda a sociedade, empresas, especialistas na área, governos de demais estados, etc.
As contribuições feitas para este Manual de Padronização de Regras Chave de PPP são consideradas de interesse público, estando o Governo de Minas autorizado a divulga-las como bem entender, não havendo incidência de direitos autorais sobre o seu conteúdo. 

O Manual estará aberto para receber críticas e sugestões até o dia 28 de maio de 2013, através do e-mail :melhorespraticas@ppp.mg.gov.br

segunda-feira, novembro 05, 2012

Sem um bom plano não há dinheiro

....e sem dinheiro não há projeto
Foi para ultrapassar esse dilema que foi criada a  Estruturadora Brasileira de Projectos ajuda Governos (Federal, Estadual ou Municipal) a atingir seus objetivos de política pública estruturando projectos de concessões e Parcerias-Público-Privadas (PPPs).

Há mais de uma duzia fontes semelhantes para financiamento dos estudos preliminares de um projeto,  tais como a AFD DBSA Infrastructure Project Preparation Feasibility Studies, African Water Facility
Arab Financing Facility for Infrastructure ,DBSA & EIB Project Development & Support Facility DevCo, ECOWAS Project Preparation and Development Unit

É evidente a carência de empreendimentos de infraestrutura no Brasil. Mesmo quando há disponibilidade de capital, muitos empreendimentos não são implementados por falta de projetos estruturados com qualidade e alinhamento com as políticas públicas.

A EBP desenvolve para governos, em nível federal, estadual e municipal, projetos de infraestrutura tradicional – rodovias, aeroportos, ferrovias, hidrovias, portos, transporte urbano, saneamento – e também de infraestrutura social – hospitais, escolas, centros de ressocialização, entre outros.

O processo de seleção se inicia com um questionário preliminar para entender os aspectos básicos do projeto. Focamos em projetos com investimentos da ordem de R$ 0,5 a 2,0 bilhões e prazos de até 2 anos para a assinatura de um contrato de concessão/PPP.

Projetos deste porte requerem estudos técnicos nas áreas de engenharia e meio-ambiente, estimativas de demanda, modelagem econômico-financeira e a construção de instrumentos jurídicos (editais e contratos). A EBP, com imparcialidade e transparência, contrata e coordena estes estudos sempre dialogando com o governo para entender e atender os objetivos de política pública.

As despesas com esses estudos são financiados pela EBP por sua conta e risco. Quando da assinatura dos contratos de concessão ou PPP, a EBP tem suas despesas reembolsadas pelo novo concessionário nos termos do artigo 21 da Lei de Concessões (no. 8987 de 1995).
Fonte: http://www.mzweb.com.br

domingo, novembro 04, 2012

Post contractual lock-in in UK PFI

Lonsdale, C. (2005) 'Post-Contractual Lock-in and the UK Private Finance Initiative (PFI): The cases of National savings and investments and the Lord Chancellor's Department'. Public administration, 83(1), p.67–88.

 According to the UK government, one of the key features of the Private Finance Initiative (PFI) is the scope it provides to transfer risk to private sector suppliers. Under the PFI, public bodies are expected to develop interdependent relationships with suppliers that allow risk to be transferred. However, it is the argument of the author that it will not always be possible for interdependent relationships to be engineered by public bodies – on many occasions, public bodies will find themselves asymmetrically locked-in to their supplier. This situation leads to private sector suppliers becoming dominant in those relationships which, in turn, will allow them to pass back risk and obtain greater returns. As a result, the author argues that it is not a question of whether risk can be transferred under the PFI, but when. This argument is illustrated by use of the contracts managed by the UK National Savings and Investments and the UK Lord Chancellor's Department.
Lonsdale, C. (2005) 'Risk Transfer and the UK Private Finance Initiative: a theoretical analysis'. Policy & Politics, 33(2), p.231–249.
Lonsdale, C. and Watson, G. (2007) 'Managing contracts under the UK’s Private Finance Initiative: evidence from the National Health Service'. Policy & Politics, 35(4), p.683–700.

Lonsdale, C. and Watson, G. (2007) 'Managing contracts under the UK’s Private Finance Initiative: evidence from the National Health Service'. Policy & Politics, 35(4), p.683–700.
Commentary
PPP Agencies  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2011/03/agencia-das-ppps-e-sustentabilidade.html

Seems very similar to the concept of "Captura do Concedente" similar to but more risky than capture of the Regulator, due to higher opacity and lower levels of disclosure and transparency. 
Reed more about PPP organizational and governance issues in 

Abrantes on Managing PPPs for Budget Sustainability, the Experience of Portugal http://ppplusofonia.blogspot.pt/2009/09/managing-ppp-for-budget-sustainability.html
Regulator orders, Concedent pays http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/10/regulador-manda-concedente-paga.html

domingo, outubro 28, 2012

Precisamos de condições de pagamento a 20 anos...


PPP em Portugal. “Havia crédito, havia 
megalomania e a factura era para pagar depois”
Por Ana Suspiro, publicado em 26 Out 2012 - 12:37 | Actualizado há 53 minutos 56 segundos
Mariana Abrantes de Sousa foi controladora financeira do Ministério das Obras Públicas no primeiro governo de Sócrates
Entrevista publicada no ionline.pt  a 26-Outubro-2012 em 
·       
A economista Mariana Abrantes de Sousa será das pessoas em Portugal que melhor conhecem o universo das parcerias público-privadas (PPP). O seu percurso profissional passa pela banca comercial que financiou a Lusoponte, concessionária da Ponte Vasco da Gama, até ao Banco Europeu de Investimentos (BEI) e ao Estado, onde assumiu funções de controladora (controller) financeira no Ministério das Obras Públicas de Mário Lino e Paulo Campos, do governo de José Sócrates. Hoje segue o tema com paixão no seu blogue (PPP Lusofonia). Na hora de apurar responsabilidades pela aventura portuguesa das PPP não poupa o Ministério das Finanças, então liderado por Teixeira dos Santos, que falhou no controlo da despesa de uma factura que era adiada, nem o Banco Europeu de Investimentos (BEI), que financia sem correr o risco e sem assumir a responsabilidade por apoiar projectos não viáveis.
Participou no projecto da Lusoponte, a que chamam a primeira PPP portuguesa. Um ano depois de assinado, o contrato teve de ser revisto.
Eu trabalhava no BPA e estive envolvida no projecto da Ponte Vasco da Gama. Fazia a ligação entre a banca nacional e a estrangeira. Quando o governo começou a aumentar as portagens – que deviam duplicar – aconteceu o buzinão e o bloqueio na ponte. Pouco tempo depois houve uma crise financeira que fez subir as taxas de juro, tornando o projecto insustentável do ponto de vista financeiro. Para prosseguir foi preciso reequilibrar, isto é, compensar a perda de receita e o aumento dos custos financeiros.
Nessa renegociação já era visível a assimetria entre Estado e privados?
Sim. Eu estava do lado dos privados. O Estado tinha uma equipa pontual, o Gattel, onde estavam pessoas bastantes boas e assessores estrangeiros. Mas eram menos e estavam a fazer tudo pela primeira vez. Estavam a aprender enquanto faziam.
O Tribunal de Contas arrasa o acordo de renegociação. Houve compensações excessivas à Lusoponte?
Inicialmente, a concessão terminava quando fosse atingido um patamar de tráfego, o que permitia uma partilha equilibrada de risco entre o Estado e os privados. Se houvesse muito tráfego, a concessão terminava mais cedo. A grande renegociação em 2000 eliminou essa variabilidade. O prazo foi aumentado e passou a ser fixo. Foi uma grande alteração na partilha de riscos. É natural haver renegociações, mas devem manter o equilíbrio inicial e não podem desvirtuar o contrato inicial.
E isso aconteceu na Lusoponte?
Sim. Diria que na grande maioria das renegociações tem havido uma alteração à partilha de riscos e isso não se devia fazer em regime de negociação directa.
Devia ser por concurso?
Em caso de uma pequena alteração de traçado, sem grande impacto nos custos e na procura, é fácil de negociar porque se podem confirmar os custos adicionais.
Se as alterações têm muito impacto na dinâmica do tráfego, as negociações são mais difíceis. E se eu ainda estiver a negociar com dois concorrentes eles vigiam--se um ao outro, equilibram-se nas propostas. Se eu estiver a negociar só com um, estou na mão dele.
Mas o Estado também tem consultores.
O Estado está de um lado e do outro lado estão o concessionário e os seus credores. E a banca tem um papel fundamental. O concessionário não pode aceitar nada sem que a banca autorize.
Qual é o papel do BEI?
O BEI é o maior financiador, mas não é o maior credor porque quase sempre tem garantias de pagamento da banca comercial. O BEI exigiu garantias de crédito na Lusoponte e outras PPP que foram fornecidas por bancos que à data tinham um rating aceitável. Gostava que ficasse claro o que está a acontecer com essas garantias. Quando os bancos portugueses perderam esse rating, há um ou dois anos, tiveram de ir buscar dinheiro ao BCE para caucionar as garantias a favor do BEI.
A maior ajuda que o BEI poderia dar a Portugal neste momento seria libertar garantias de pagamento que estão caucionadas pela banca portuguesa.
Isso aliviaria os custos das PPP?
Era importante. Não sei os montantes exactos, mas estamos a falar de valores entre mil e 2 mil milhões de euros. O BEI tem uma postura de risco muito especial. É o que eu chamo a postura de cinto, suspensórios, alfinetes e fita-cola.
Ou seja, exige tudo?
Eu trabalhei no BEI, fui chefe de divisão em 1991. O BEI faz o trabalho de casa e fica na fotografia da assinatura do contrato, mas não assume o risco. Os credores são os bancos privados que estão a emitir as garantias de pagamento. É crédito sem responsabilidade. Nós precisamos de crédito com responsabilidade.
Quem financia tem de assumir responsabilidades para não apoiar projectos inviáveis como o BEI fez em Portugal?
Exactamente. Não sei se o BEI esteve envolvido em todos, mas avaliar o risco de tráfego é crucial. O risco de construção também deve ser ponderado, porque há soluções que são muito caras só porque há dinheiro. Mas estamos a falar essencialmente de dois riscos: o volume do tráfego e o willingness  to pay, a capacidade e disponibilidade do utilizador para pagar as tarifas.
A revisão da Lusoponte não correu bem, mas parece que não se aprendeu nada.
Nas tarifas (portagens), a solução foi mais ou menos equilibrada. Só mais tarde, no acordo global, é que foi tudo posto em cima da mesa e reaberto. A verdade é que não temos aprendido. Portugal é um dos países com mais PPP e com menos estrutura institucional para gerir PPP. A Lusoponte foi um projecto-piloto e foi criada uma estrutura de missão própria, que trabalhou relativamente bem. Mas depois essa estrutura foi dispersa. Mudaram as pessoas e os advogados. … Houve um descuido em manter a memória institucional.
Essa é a melhor forma de desresponsabilizar.
É mais do que isso. Houve ingenuidade ou outra coisa qualquer que convenceu quem era responsável de que não era preciso manter este conhecimento dentro do Estado. Na banca, o gestor do contrato tem de acompanhar desde o início até ao reembolso do último cêntimo. E se os credores fazem isso mais deveria fazer o Estado. Portugal é um dos poucos países que não têm uma unidade central de PPP como deve ser. Quando tentaram criar uma na Parpública, em 2003 [Manuela Ferreira Leite], foi um grande avanço.
Quando teve contacto com a realidade dos PPP do lado Estado?
Nunca estive directamente envolvida na negociação das PPP do lado do Estado, mas desempenhei funções de controladora no Ministério das Obras Públicas entre 2006 e 2009 e depois estive um ano na Saúde.
Os controladores deviam ser uma espécie de fiscais das Finanças?
Mais ou menos. Reportávamos aos dois ministros, da tutela e das Finanças. Os controladores não estavam dentro da hierarquia, pairavam sobre tudo. A informação não tinha de passar por nós, mas podíamos pedi-la.
Esteve lá quando foi lançada a última geração das PPP, as subconcessões?
Mas nada disso passou por mim.
Não devia ter passado?
Não fazia parte das minhas funções. A função do controlo financeiro era a posteriori e não estava na cadeia de decisão. Era um pouco o Tribunal de Contas sem dentes e sem staff. Quando estava no ministério houve uma grande transformação. Os investimentos deixaram de passar pelo PIDDAC e pelo orçamento do ministério. A despesa com transportes e infra-estruturas submergiu com a desorçamentação. Quando dei formação desenvolvi o conceito do icebergue para mostrar o que estava a acontecer ao orçamento do ministério. Havia alguma dispersão de responsabilidade, mas passava tudo pela Parpública.
Ou seja, pelas Finanças?
Sim. Havia comissões de acompanhamento para cada projecto. As Finanças indicavam uma pessoa da Parpública que ao final do terceiro contrato já tinha feito o curso. O Ministério das Obras Públicas indicava uma pessoa nova que estava sempre a começar a aprender.
Há a ideia de que a decisão das PPP rodoviárias esteve centrada numa pessoa: o secretário de Estado Paulo Campos. Qual era o papel das Finanças?
As Finanças deviam analisar todos os contratos e avaliar se os critérios básicos estavam a ser observados, nomeadamente quanto ao retorno do investimento, às cláusulas contratuais e aos riscos para o Estado. Houve alguma confusão. O concedente é o ministério sectorial que tem a obrigação de prestar o serviço público. As Finanças têm a tutela financeira, mas o risco não é deles, é do Ministério das Obras Públicas. Um dos problemas graves de desorçamentar foi que estes investimentos saíram do orçamento do Ministério das Obras Públicas.
E deixaram de estar sujeitos ao controlo das Finanças?
É uma questão técnica. Antes a construção de estradas tinha de passar pelo PIDDAC (Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central), que faz parte do orçamento anual. Uma concessão ou PPP não passa pelo orçamento do ano. A grande falha das Finanças foi na gestão do conjunto dos contratos. A Lei de Enquadramento Orçamental define que a lei do Orçamento do Estado de cada ano deveria fixar um limite para o total dos encargos assumidos com concessões naquele ano. E isso não aconteceu. Eu acho que as Finanças até se envolveram demasiado na contratação individual e descuraram o limite global para PPP e isso teve consequências muito graves. E eu tive esta discussão com muita gente (o ministro Mário Lino ouvia-me algumas vezes, mas outras pessoas não o faziam). Argumentavam: então as pessoas de Freixo de Espada à Cinta não têm direito a uma auto-estrada?
Não é um argumento válido?
Se estou a construir mil quilómetros de auto-estrada, posso ter 200 quilómetros sem tráfego se os primeiros 800 quilómetros tiverem boa procura. Se estou a construir os segundos mil quilómetros já não vou ter tráfego tão bom. As subconcessões lançadas por esse governo (de José Sócrates) eram os terceiros mil quilómetros. Estes projectos com baixo tráfego são da responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, mas também das Finanças, porque eram o financiador e deviam ter dito onde estava o limite.
O facto de os contratos só começarem a ser pagos a partir de 2014 contribuiu para esse descuido?
Claro. Se eu não tenho de pagar este ano, não tenho de introduzir no Orçamento deste ano. O tráfego e a valia económica do projecto são quase académicos porque eu não tenho de pagar já. Foi aí que as Finanças falharam. É essa factura que estamos todos a pagar. Fizemos projectos com baixa valia em termos de tráfego. Não era possível prever a dimensão da crise que hoje se vive, mas a quantidade de PPP que fizemos causou parte do problema. Quando se continuou a fazer projectos de quarta e quinta prioridade, o custo-benefício ia ser fraco.
Qual é a sua explicação para se ter avançado tanto nas estradas?
Havia dinheiro.
Havia dinheiro ou crédito?
Havia crédito, havia megalomania e a factura era para pagar depois. Se sai de casa com 20 euros, gasta 19 euros se for poupada. Há pessoas que saem com 20 e gastam 29. Ninguém tinha como sua a responsabilidade de pensar no tráfego porque os projectos passaram a depender de pagamentos por disponibilidade. É uma solução má. Qual é a solução para projectos com tráfego insuficiente? É não os fazer.
Em Setembro de 2008 cai o Lehman Brothers e o governo adjudica as estradas a preços mais caros.
Algumas opiniões defendiam que se devia travar e a maior parte dos países travou. Em Portugal não se parou por vários motivos. Havia uma grande pressão internacional para continuar porque era preciso manter a actividade. Toda a gente entrou em pânico e a resposta foi dar estímulos à economia. Depois houve a pressão das entidades envolvidas, os bancos, as construtoras. Apresentar propostas custa alguns milhões de euros. E em terceiro lugar havia a ideia de chutar para a frente. Como não era para pagar logo não havia travão orçamental, porque a tal cláusula que devia servir de travão não estava a ser aplicada. O único travão era o Tribunal de Contas, com o visto prévio. As regras diziam que a proposta final não podia ser menos vantajosa para o concedente que a inicial. Não foi surpresa que o tribunal tivesse recusado o visto.
Mas discutiu-se dentro do governo a possibilidade de não fazer?
Não estive envolvida nessas discussões, mas sei que isso foi discutido na medida do possível. Quando há determinação política de que é para ir para a frente, quem é que vai dizer que não?
Essa determinação veio do primeiro-_-ministro?
Imagino que sim. Mas o que ficou claro para o mercado é que o Estado era visto como um mãos-largas. Isso aconteceu em particular nas renegociações. Se for demasiado facilitador, assume demasiados riscos e as agências de rating cobram isso. Se sou condescendente e quero fazer um projecto à viva força que não é muito forte, como é que faço? Ofereço mais garantias, faço pagamentos maiores.
A falta de visão de conjunto repete-se na comissão de inquérito às PPP que avalia concessão a concessão.
O problema das PPP em Portugal não é de um ou outro contrato. Se houver um contrato mau, o efeito dilui-se. O problema é de gestão do programa de concessões. Temos cem PPP em busca de um programa. É mais fácil entrar nas coisas picuinhas da cláusula de cada contrato que ter uma visão distanciada que diga quais devem ser os princípios básicos das PPP, como se vai avaliar se o programa e os casos individuais são eficientes e sustentáveis.
Sente que alguma parte da sua mensagem como controladora passou?
Fiz muitos alertas, mas não sei quais foram seguidos. As decisões não passavam por mim nem por outros controladores. A nossa função era a posteriori. Uma das coisas que fazia era olhar para a imagem dos projectos no mercado. Do lado do Estado tem de haver rigor e exigência a defender os interesses públicos. Pagamos duas vezes quando o Estado é mãos-largas. Se pagar todas as facturas que me puserem à frente, sem conferir, o outro lado vai pôr mais coisas na factura.
O privado sai sempre a ganhar?
O Estado pode oferecer muitas facilidades, mas os bancos e os concessionários privados têm o risco de o concedente não poder pagar. E se este for demasiado generoso não vai cumprir todas as garantias e facilidades que concedeu. É o risco da contraparte.
Quem empresta deve assumir responsabilidades quando concede créditos inviáveis?
Quando a dívida é muito elevada, não basta ao devedor apertar o cinto. O credor inicial tem de assumir parte das perdas derivadas dos seus erros de concessão de crédito. Os credores internacionais foram aproveitando este longo interregno de default que não é default, desde pelo menos 2009, para reduzir a sua exposição aos países sobreendividados, passando a batata quente do crédito malparado aos credores oficiais, como o BCE. Estamos a chegar ao fim desta fase que tanto beneficiou alguns credores, sem aliviar os mutuários (os países em apuros). E a austeridade revelou-se insuficiente para reduzir a divergência entre os países com superavit e deficitários.
Qual deve ser então o caminho?
Agora começam as negociações duras. Vai ser necessário obrigar os credores não oficiais que ainda restam a renegociar condições de pagamento. Estou a falar de uma reestruturação da dívida e partilha de sacrifícios entre devedores e credores. O regresso aos mercados, isto é, a busca de novas fontes de financiamento, que são sempre mais caras, não pode resolver o problema da dívida excessiva. Precisamos de condições de pagamento a 20 anos e a 2% e não a dois anos e 5,5%.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Building capacity to promote PPPs in Africa - Workshop in Mombasa, August 2012


The East African Chamber of Commerce has launched a network of  Public Private Partnership Project Advisory Unit (PPP PAUN) in order to strengthen the local private sectorand to influence policy and public infrastructure project selection and implementation at the national and community level in Burundi, Kenya, Rwanda, Tanzania and Uganda.  

This is an initiative by the East African Chamber of Commerce Industry and Agriculture (EACCIA), with the support of the European Union. 

EACCIA's vision is to be a credible partner for government in the creation of a business environment conducive to the development of a strong private sector throughout the East African Community. This is to be achieved by 
  • Articulating well developed proposals for removing constraints facing business, industrial & agricultural community
  • Promoting unity and knowledge sharing amongst stakeholders within the private sector
  • Collaborating closely with Governments to make the East African Community more attractive to investors
To launch the PPP Advisory Network, a Workshop took place in Mombasa, Kenya 
Theme: Reinforcing the capacities of East Africa to identify, develop and promote PPPs for infrastructure”
Date:  9-10 August 2012
Participants: representatives from all member countries
Organization:  EACCIA with BKP and the support of ACP Business Climate Facility (BizClim), a programme of the ACP Secretariat funded by the European Union

The Workshop incluedd a training session on developing small and micro PPPs led by Mariana ABRANTES de Sousa,  which can be obtained from PPP Lusofonia or found here: 
Direct link to all workshop presentations list:  http://eastafricanchamber.org/ppp/index.php/workshop-presentations 

quinta-feira, maio 24, 2012

Fundamentos de PPPs - back to basics

Para melhor gerir a carteira de contratos de concessão e de PPPs,é útil voltar aos conceitos fundamentais

  1. Os projectos PPP fazem parte do programa de investimento público geral, e a opção pelo regime de PPP não garante, necessáriamente,  a qualidade e produtividade do investimento público
  2. Os contratos de concessões e de PPP são muito mais complexos e de muito mais longo prazo do que qualquer contrato de empreitada obra pública tradicional, por mais complexo que este seja.  
  3.   E contratos opacos e complexos a 30 anos exigem uma gestão muito mais cuidadosa e profissional, em todas as fases do que contratos a 3 anos, sobretudo no que toca a riscos fiscais para o Orçamento do Estado.  Por isso a capacidade de gestão de contratos tem que ser reforçada em três vertentes: 
    • Reforço da orçamentação de contratos de PPP no Orçamento de Estado, com a aplicação da LEO, Lei de Enquadramento Orçamental 
    • Reforço da gestão da contratação, começando com uma melhor selecção de projectos
    • Reforço da capacidade e dos principios de acompanhamento e gestão dos contratos para garantir o Value for Money durante todo a duração do contrato 

domingo, março 25, 2012

Cansado de ouvir falar de PPPs


Cansado de ouvir falar de  crise e de PPPs?   
Eu também 
Por isso peguei na revista The Economist em busca artigos interessantes sobre as grandes novidades de artes e ciências, livros, etc.
Mas o título do livro apresentado na edição de 10-Março-2012,  “Why Nations Fail”, de Daron Acemoglu e James Robinson, não deixou de chamar atenção para a dura realidade do nosso dia-a-dia em Portugal.   
Eis o extraordinário diagnóstico dos autores:  Alguns “governos enganam-se de propósito”. Com instituições políticas fracas e dóceis, a economia acaba por servir uma “elite extractiva” e exclusiva, que se auto-alimenta e se eterniza no poder.  O pluralismo inclusivo, a dispersão de poder politico e económico e a transparência, reforçam as instituições que defendem o interesse público e a prosperidade geral.  Mas estes casos de sucesso são mais a excepção do que regra, dizem os autores.
De volta às PPP: Este conceito de “fraqueza institucional intencional” dos organismos do Estado talvez ajude a explicar porque é que Portugal não tem instituições à altura do desafio de gerir mais de uma centena de contratos de PPP e concessões.  Portugal tem uma das maiores carteiras de PPP a nível internacional. Em vez de investir na criação de capacidades e na consolidação de experiência do lado do Concedente, a gestão dos concursos e dos contratos tem sido entregue a comissões nominativas temporárias.  Estas são frequentemente constituídas por assessores políticos novatos, em vez de técnicos experientes conhecedores da Administração Pública, que vão rodando de fase em fase sem qualquer possibilidade de conhecer a fundo a documentação que se mede ao quilo.
Apesar de várias tentativas, pelo menos a partir do promulgação do Decreto Lei 86/2003, porque é que o Estado português ainda não tem uma Unidade Central de PPPs digna do nome?   Basta ver a do Estado de Minas Gerais, uma entidade sub-nacional. Talvez essa falha tenha sido mais ou menos propositada a fim de facilitar o recurso excessivo e abusivo à contratacção extra-orçamental de projectos em regime de PPP,  bem como a eventual captura do Concedente.
Entretanto as estimativas das responsabilidades dos Concedentes com PPPs vão trepando, de €20 mil milhões há meia dúzia de anos para quase €60 mil milhões agora.  Os encargos podem subir ainda mais se as reclamações e litígios abusivos das concessionárias e outros parceiros privados não forem contestados com eficácia, com vista a preservar o que nos resta do rating soberano. Se o Estado continuar a pagar algumas das compensações astronómicas exigidas pelas concessionárias, vai ser necessário microscópio para ver o rating da República Portuguesa.
Agora que as responsabilidades do Estado (leia-se contribuintes) se avolumam, finalmente ouvimos falar da criação de uma Unidade Técnica de Acompanhamento de PPPs equivalente a uma Direcção Geral no Ministério das Finanças.  Esta Unidade vai ser responsável pelo acompanhamento global das PPPs em todas as fases, agora mais focada nos reequilíbrios, renegociações e arbitragens. Alguns dos Ministérios estão a renovar e reforçar as equipas de gestão dos contratos, outra medida imperiosa, pois é deles a verdadeira responsabilidade pelas infraestruturas e serviços públicos concessionados.
Admitamos, portanto, que a falta de uma boa Unidade de PPPs não foi defeito, foi feitio, um feitio que, no mínimo, passou de moda.  A nova Unidade de PPPs  terá que contar também com o apoio de outros organismos, incluindo os Tribunais Arbitrais, o Tribunal de Contas, e a Assembleia da República, que também necessitam de reforçar a sua intervenção na gestão das finanças públicas (PFM), e com a vigilância e escrutínio da sociedade civil.  Só assim teremos alguma esperança de vir:
(1) a  reduzir os encargos das PPPs para os contribuintes,   
(2)  a restaurar o controlo da despesa com o investimento público, 
 (3) a recuperar  a sustentabilidade orçamental  e  o Value for Money dos contratos de PPP e 
(4) a ultrapassar o descrédito em que caíram as PPPs à portuguesa que é prejudicial para o país.
Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia
Algés, Portugal 
Livro "Why Nations Fail"  http://www.econtalk.org/archives/2012/03/acemoglu_on_why.html
Criar Unidade de PPPs http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=546285
Novo regime jurídico das PPPs http://www.ionline.pt/portugal/governo-cria-unidade-tecnica-acompanhamento-das-ppp
Alvaro incomoda muita gente http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/03/alvaro-incomoda-muita-gente.html

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Consultores e auditores de PPP - Portugal

Objectivo: Procuram-se auditores e consultores com experiencia em PPP para fazerem parte de um equipa liderada por auditores e especialistas internacionais para a prestação de serviços de auditoria e consultoria às Parcerias Público Privadas do Estado Português (Administração Central), consubstanciada na identificação e avaliação dos principais e eventuais passivos e quantificação das responsabilidades financeiras por parte das PPP, na avaliação do tratamento contabilístico das PPPs e na avaliação do desempenho do Concedente.
O estudo será executado num período de 90 dias, a concluir até 15-Junho-2012.

Qualificações: Auditores, juristas, engenheiros e analistas financeiros com pelo menos 3 anos de experiência relevante em Portugal ou no estrangeiro. Conhecimento de Português essencial.

Contactos: Para mais informações sobre o Caderno de Encargos do concurso, favor enviar mensagem e CV em português e em formato europeu para ppplusofonia...gmail.com 
VER também http://ppplusofonia.blogspot.com/2011/12/outsourcing-da-analise-dos-contratos-de.html   

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Outsourcing da analise dos contratos de PPP a concurso

Escolha de auditora para as PPP atrasada
20 Dezembro 2011 16:52
Maria João Babo - mbabo@negocios.pt

Concurso só foi lançado hoje devido a dificuldades na sua preparação.
A selecção da empresa de auditoria internacionalmente reconhecida que vai avaliar a possibilidade de revisão dos contratos de parceria público-privada (PPP) está atrasada "devido a dificuldades na preparação do concurso", admite a segunda revisão do memorando de entendimento da troika.
O documento refere que o lançamento do concurso está previsto até o final de Dezembro, com vista à assinatura do contrato até o final de Março de 2012, estando a conclusão do estudo marcada para três meses após a adjudicação.

Hoje mesmo a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças publicou o anúncio do concurso público para a aquisição da prestação de serviços de auditoria e consultoria às PPP do Estado português, "consubstanciada na identificação e avaliação dos principais e eventuais passivos e quantificação das responsabilidades financeiras por parte das PPP, bem como quaisquer outros montantes relacionados, que possam vir a ser pagos pelo Estado português, relativos a responsabilidades contingentes, com quantificação dos respectivos montantes".
O valor base do contrato de 250 mil euros, tendo os interessados um prazo de 40 dias para apresentação das propostas. O prazo de execução do contrato é de 90 dias a contar da sua celebração.
No que diz respeito às PPP, a segunda revisão do memorando da troika sublinha ainda o compromisso firme de não avançar com novas parcerias. Também o quadro das actuais será revisto. No documento é ainda assegurado que os mesmos compromissos serão aplicados nas PPP regionais e que as autarquias também não avancem para novos contratos.
Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=526561

terça-feira, novembro 22, 2011

Governo vai divulgar todos os contratos de PPP

21 Novembro 2011 | 16:24

O Governo vai divulgar todos os contratos de PPP, garantiu hoje a secretária de Estado do Tesouro no Parlamento. Maria Luís Albuquerque anunciou a iniciativa como uma medida de “transparência” da gestão financeira do Estado.

A secretária de Estado do Tesouro anunciou ainda a criação de uma equipa especializada para analisar PPP dentro do Estado, a qual deverá contar com pessoas especialista na área mas que neste momento estão espalhadas por toda a Administração Pública.

Maria Luís Albuquerque explicava aos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças os planos das Finanças para as PPP e para o sector empresarial do Estado, onde sintetizou as principais medidas prevista no acordo com a troika.

No caso das PPP, além da análise e renegociação das parcerias, com base na análise de uma consultora internacional a contratar, Maria Luís Albuquerque reforçou que nenhuma outra PPP será contratada.

Sobre o Sector Empresarial do Estado, a responsável pela pasta do Tesouro garantiu, “uma reforma profunda”, passando por contenção de custos, avaliação e encerramento de serviços, privatizações e concessões de serviço público. Tudo será analisado “caso a caso”, disse.Maria Luís Albuquerque anunciou a iniciativa como uma medida de "transparência" da gestão financeira do Estado

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=520843

Comentário: 
Esta iniciativa merece todas as felicitações e apoios.  
A decisão de divulgar os termos dos contratos de concessão e de outros PPPs  deverá também incluir os alugueres de longo prazo e as  eventuais renegociações e compensações. 

Na minha estimativa, considero que o aumento de transparência só pode vir a favorecer o Concedente e o contribuinte, e por isso essa foi uma das medidas pelo qual mais me bati durante os meus mandatos de Controladora Financeira nos ministérios dos Transportes e da Saúde.

Mariana Abrantes de Sousa, ex-Controladora Financeira 



domingo, novembro 20, 2011

Os contratos PPP são, por definição, opacos...3

Entrevista a Mariana Abrantes de Sousa publicada no Jornal de Negócios de 15-Novembro-2011


"Banca teve muita responsabilidade no descontrolo orçamental"
15 Novembro 2011 | 10:30
Elisabete  Miranda - elisabetemiranda@negocios.pt 
Rui  Peres Jorge - rpjorge@negocios.pt

Entre 2006 e 2008 o crédito às empresas públicas era tanto e tão barato, que abalroou a pouca disciplina orçamental. A banca internacional tem a maior parte da culpa.

Oriunda da banca de investimento internacional, e com experiência pública como controladora financeira dos ministérios da Saúde e das Obras Públicas, duas das áreas de maior risco, onde abundam empresas e parcerias público-privadas (PPP), Mariana Abrantes de Sousa tem um olhar privilegiado sobre a situação financeira do Estado. Em entrevista ao Negócios, é elogiosa em relação aos pequenos passos, aparentemente insignificantes mas relevantes no seu todo, que o Governo está a dar. Aponta as falhas do passado, onde o sector bancário não está isento de responsabilidades, e deixa algumas sugestões para a difícil reforma financeira…

(Continuação, ver parte 1 e parte 2 )

O que a preocupa mais, as PPP ou o sector empresarial do Estado?
O SEE acho que é mais controlável, porque não é a primeira vez que andou em roda livre e apesar de tudo é mais transparente e visível. Os contratos PPP – temos 116 dizem, incluindo as municipais – são por definição opacos. Não temos nem os instrumentos, nem as pessoas no sítio certo, nem o conceito certo de as gerir.

Porquê?
Por exemplo, está-se a falar de criar uma unidade PPP só no Ministério das Finanças: Não chega. O contrato PPP é um contrato de prestação de serviços contra um pagamento. As Finanças não têm de saber do serviço, pois não percebem de doentes, de passageiros, de veículos/Km, nem têm de saber. O contrato de PPP tem de ser gerido no Ministério da tutela, dos Transportes, da Saúde, etc. Para gerir a dívida pública temos o IGCP. Deveríamos também ter um organismo gerir a dívida das empresas públicas e o passivo com PPP, o que já vai em cerca de 50 mil milhões.

Quando nos dizem que há 26 mil milhões de responsabilidades assumidas para o horizonte conhecido das PPP, este valor é credível?
Esse valor deve ter um grau de confiança de 75% - 80%, porque é baseado nos cenários base dos contratos. Isto é, se o tráfego for o previsto, é esse o valor, se for diferente, pode ser mais ou menos.
Há pressupostos que não podemos controlar, como por exemplo o volume de tráfego, mas depois há pressupostos que controlamos mal, como as renegociações. Há projectos que já foram renegociados 3, 4, 5 ou mais vezes, e cada vez com mais encargos para o Estado. Há contratos que até eram muito bons no momento da adjudicação, mas que passados 7 anos, o contrato tornou-se irreconhecível.

E sempre em prejuízo do Estado?
É isso que ainda não se sabe. O recente relatório da DGTF sobre PPPs inclui um capítulo sobre avaliação de riscos, que nunca tinha sido apresentado. Mas falta um capítulo sobre a análise das renegociações.

Está previsto que até Março uma consultora internacional face uma análise das PPP que podem ser renegociadas...
Há 20 pessoas no Estado que poderiam fazer essa análise, não sei porque precisam de uma consultora internacional quando muitas dessas consultoras têm conflitos de interesse pelo seu envolvimento no aconselhamento dos promotores e dos bancos nestes negócios.

Porque há pessoas no Estado com conhecimento e capacidade e que não estão a ser usadas?
Boa pergunta.

Será possível renegociar com condições favoráveis para o Estado?
É muito delicado. Tem uma vantagem que renegociar um contrato de PPP não implica o “default” no resto dos encargos do Estado. Mas é evidente que há projectos que estão doentes, que já tiveram demasiadas renegociações e problemas.

Qual deve ser o objectivo da renegociação?
O objectivo primeiro tem de ser defender o valor do serviço público para o utilizador e minimizar os encargos para o contribuinte. Nós temos tido muitas renegociações em que o Estado assumiu riscos à posteriori, que não estavam previstos. Quando eu vou lá fora e digo isto, as pessoas não acreditam. Na Austrália, por exemplo, fizeram vários túneis e estradas em que o tráfego foi muito inferior ao previsto: as empresas foram à bancarrota e os consultores que estimaram os níveis de tráfego estão a ser processados.

O risco aí foi assumido pelos privados. Porque é que não o foi em Portugal?
É mais fácil ser o Estado assumir o risco. A primeira auto-estrada tende a ser financiada com facilidade. A segunda, ainda tem bastante tráfego, e os privados ainda poderão aceitar esse risco. Mas a partir daí os privados não vão aceitar risco de tráfego.

As piores PPP correspondem a obras públicas menos necessárias?
Por definição. Os piores projectos são os que têm menos tráfego ou os que têm tráfego bastante inferior ao previsto.

Os dados públicos apontam para encargos líquidos correspondentes a 15% do PIB nos próximos 30 anos. Não é assim tanto, ou é?
Não deveria ser, mas o facto é que é. E se acumular esses 15% com a dívida pública, com a dívida das empresas e com a dívida das autarquias e o resultado é muito significativo. Para além do montante da dívida temos um problema adicional: algumas não acrescentam valor à economia.

Há quem diga que os EPE acabaram com a capacidade de controlo das contas na Saúde. Isso é verdade?
Os “EPE” não foram 100% bem sucedidos porque não era suposto endividarem-se e, na prática, fazem-no. Em média tem gastam 110% do que recebem. E foi aliás isso que justificou a passagem de “SA” para “EPE”.

Porquê?
Os credores não quiseram financiar os extra 10% aos “SA” porque consideravam que tinham menos apoio do Estado. Ao passar de “SA” para “EPE” facilitou-se a contracção de dívida. Isto no fundo é tudo desorçamentação.

Não faz sentido haver EPE?
Os hospitais que não têm capital deveriam ser reincorporados no SPA -sector público administrativo. Temos que ser realistas: já demonstrámos que não conseguimos controlar bem as empresas públicas, que não conseguimos controlar bem as EPE, não conseguimos controlar autarquias e governos regionais. O que se controlou foi o Orçamento que ficou no controlo directo da DGO. Todas as modernices orçamentais abriram buracos.

É altura agora para levantar o tapete? Corremos o risco de descobrir muita coisa num momento em que não temos financiamento?
O tapete já desapareceu.

Entrevista com Mariana Abrantes de Sousa, publicada no Jornal de Negócios a 15-Novembro-2011


Ver mais sobre Unidades de PPP em http://ppplusofonia.blogspot.com/2010/11/agencia-das-ppps.html