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quarta-feira, junho 03, 2020

Para eletrificar aldeias em Africa, treinar mais eletricistas

How many electricticians are there in an African village ? Not enough 
Quantos eletricistas havia na sua aldeia ?

Eu tinha cerca de 10 anos quando a eletricidade chegou à minha aldeia na Beira Alta, um grande dia. Algumas famílias tinham um enorme aparelho de rádio, alimentado com a bateria suplente de um carro. Abriram logo cafés com televisão, mas era obrigatório consumir, nem todos podiam entrar. 

Acho que não havia eletricistas na aldeia até então. Só mais tarde compensava aos rapazes investir numa bicicleta para ir à vila mais próxima "aprender eletricidade".

Recordei este passado que me pareceu muito presente em Africa em 2019.  Vários países Africanos ainda não chegaram a 20% de eletrificação e estão agora a investir em mini-redes solares. 
Faltam os eletricistas, para a instalação e ainda mais para a manutenção, para que o equipamento continue em serviço ano após ano. 

E não basta só treinar rapazes.  Há 40 anos que a
Barefoot International treina mulheres e raparigas nos mistérios da energia elétrica em 1300 aldeias em  80 países.
Mas parece que ainda não chegaram aos PALOPs. 
Desta vez não podemos desperdiçar 50% do talento se queremos progredir mais depressa.

Fez-se LUZ  https://antoniopovinho.blogspot.com/2007/06/e-de-repente-fez-se-luz.html

domingo, março 01, 2020

Portagens para que quero, em estradas SEM utilizadores, SEM receita

O Governo acaba de anunciar a redução de portagens em sete autoestradas (ex-SCUT) e já há contestação da parte dos residentes do Interior que reclamam a eliminação definitiva.  
VER https://www.reconquista.pt/articles/portagens-plataforma-chumba-proposta-para-reducao-de-precos
Quem tem razão ?  
Ambos os lados, como sempre. 

As ex-SCUT são autoestradas sobretudo "horizontais" que ligam o litoral ao interior do país, cada vez mais despovoado. Por isso foram desenhadas Sem Cobrança ao Utilizador (SCUT), pois já se sabia que o volume de tráfego não resistiria ao preço (high price elasticity). Outra autoestrada "horizontal", a concessão Norte (que liga o litoral com o interior montanhoso de Portugal, até próximo da fronteira com Espanha, ao longo de 179Km de paisagens magníficas) foi desenhada com portagens desde o inicio e o tráfego de 2010 estava apenas a 46% do previsto no cenário base. 

Com a introdução de portagens e a recessão, tivemos o pior dos resultados nestas estradas. Pior de que uma estrada desnecessária, mesmo só uma estrada (quase) vazia, sem utilizadores, sem receita de portagens, sem receita do ISP - Imposto sobre Produtos Petrolíferos. Acaba por sobrar sempre mais fatura para os contribuintes. 

Sempre se soube que as portagens provocam DESVIO ou quebras de tráfego.  Quando o Governo decidiu introduzir portagens nas SCUT, o provável desvio de tráfego foi considerado mas menosprezado, estimado quando muito em 15%.  A realidade revelou-se muito pior. 

As portagens foram introduzidas em autoestradas SCUT em momentos diferentes em 2010 e 2011. Em contraste, a crise económica terá afetado todas as estradas em simultâneo.

Os dados parciais de tráfego de 2012 nesta imagem mostram uma quebra média de 39% nas estradas com portagens recentes, introduzidas em Dezembro 2011. A descida de tráfego nas estradas com portagens mais antigas era de apenas cerca de 7-10%Isto sugere que a introdução de portagens terá causado desvio de tráfego de cerca de 30%, com todo o risco de tráfego passado para o lado do Concedente. 

Por consequência, a receita de portagens nas ex-SCUT depois das renegociações de 2010 terá ficado muito abaixo do previsto pelo Concedente.  Como a receita de portagens iria compensar parcialmente o Concedente pelo pagamento à concessionária pela "disponibilidade da estrada",  a maior quebra de tráfego agravou o esforço financeiro liquido e o impacto orçamental.  Afinal o contribuinte paga tudo. 

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Especialista PPP 
( I repeat the challenge I have often made to the students in my Nova SBE  Project Finance course since 2012 to study and publish analyses of  the price-elasticity and income elasticity of traffic volumes using Portugal as laboratory.)  

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

A electricidade já não tarda a chegar às aldeias

A electricidade chegou à minha aldeia apenas em 1962. 
Foi uma grande transformação! 
Antes disso, tinhamos o gasómetro e um rádio enorme com muitos botões que funcionava com uma bateria suplente do carro debaixo de uma  mesa no canto da sala, cuidadosamente tapada com uma cortina.

A água canalizada e os esgotos chegram muito mais tarde.
Agora as aldeias de Africa não precisam de esperar pela "rede electrica" que nunca mais chega. 
Os  novos micro-kits "pico solar" servem para iluminação, para carregar telefones, e outras pequenos equipamentos.

segunda-feira, dezembro 16, 2019

A prova das PPPs está na disciplina financeira da gestão dos contratos...

Texto integral da entrevista no   Público   16-Dez-2019

Luísa Pinto 16 de Dezembro de 2019, 7:00

Mariana Abrantes de Sousa, uma das mais experientes especialistas portuguesas em Parcerias Público Privadas, diz que o ministro da Economia, Siza Vieira, conhece as PPP “de trás para a frente”. E sobre o facto de a nova lei retirar às Finanças o poder de veto, diz tratar-se de “um retrocesso de controlo, especialmente nas regociações”

Mariana Abrantes de Sousa foi controladora financeira do Governo na época em que os dossiês das PPP-Parcerias Público Privadas ganharam uma dimensão tal que se tornaram posteriormente numa das principais ameaças à sustentabilidade financeira do país.

A perita financeira foi mesmo contratada pelo Ministério Público para analisar à lupa os contratos de PPP rodoviárias, no âmbito das investigações à actuação do Governo de José Sócrates, tendo feito um conjunto de recomendações no relatório final da sua perícia financeira. Agora que a lei das PPP voltou a flexibilizar as concessões, eliminando alguns travões impostos pela troika, uma das maiores especialistas desta área faz uma análise crítica da iniciativa de Pedro Siza Vieira.

Publicada em Diário da República a nova lei das PPP, que primeiro comentário lhe merece as alterações que encontrou?
Ainda não se percebe o total alcance destas alterações da lei e é impossível saber quais são os seus efeitos, porque sabemos que no imediato não são visíveis. Mas a mim traz-me algumas preocupações. A lei anterior, de 2012, teve o grande efeito de criar a UTAP – a Unidade Técnica de Acompanhamento de Projectos, que faz um trabalho essencial. Qualquer redução do profissionalismo da UTAP é um mau sinal. Há muitos critérios, premissas, que passam para o Conselho de Ministros, e há coisas que tipicamente deveriam estar no Ministério das Finanças e não no Conselho de Ministros, que serve para conciliar diferenças e não para definir os detalhes das concessões.


Compreende a razão desta alteração?
Não sei quais são as razões. Sei, apenas, que acho estranho que esta alteração tenha vindo da pasta da Economia. A decisão de optar ou não por uma PPP não é uma decisão do Ministério da Economia, mas dos ministérios que têm a obrigação dos serviços públicos, que têm de fazer uma estrada, uma escola. Eles tomam a iniciativa e escolhem o regime de contratação, e com o Ministério das Finanças há que decidir onde há mais value for money [melhores serviços e menores encargos orçamentais], se fazendo uma concessão ou uma empreitada de obra pública. Havia no Conselho de Ministros um equilíbrio, uma certa dialéctica, que todos conhecem bem e que faz sentido. O ministro das Finanças pode querer cortar a eito, não tem que saber do volume de tráfego, nem do número de passageiros ou utentes, não entra no negócio em si. Mas é essencial que o ministro das Finanças tenha uma decisão final em termos dos custos para o contribuinte e para o OE. Se é afastado e a sua influência é diminuída, ou mal aplicada, isto levanta-me muitas suspeitas.

A iniciativa veio do ministro da Economia, mas ele é também ministro de Estado, o segundo na linha orgânica do Governo.
Como observadora muito pouco atenta da política, percebo que ele está a ganhar peso no Governo e isso não é algo que consiga avaliar. O que sei é que ele deve ser uma das poucas pessoas do Governo e do Conselho de Ministros que conhece as PPP de trás para a frente.

E essa experiência é factor de perturbação ou de tranquilidade?
Estamos a falar de uma opção política. Eu concordo e considero que o ministro é experiente, mas não sei se concordo com as opções políticas que aqui toma. Excluir as parcerias municipais da abrangência deste diploma, que são as que precisariam de maior acompanhamento central, reduzir o poder da UTAP e reduzir o controlo financeiro potencialmente servido pelo Ministério das Finanças é uma opção política. Estas medidas são retrocessos, aparentemente, que podem ter um maior ou menor impacto dependendo do que vier a acontecer. Esta lei de 2012 não servia apenas para resolver a crise em que estávamos mergulhados, servia para evitar crises no futuro.

Podemos repetir esse cenário?
O descontrolo das PPP e concessões foi uma das principais causas da crise financeira de 2010. Umas das primeiras medidas que a troika impôs a Portugal foi a suspensão do programa das PPP. O cálculo que fizeram foi que o valor do passivo contingente das PPP, que não estava no orçamento, era de 14% do PIB. Não aparecia na dívida pública, nem no Orçamento de Estado, era dívida escondida. A verdade é que sofremos uma grande derrapagem e todos pagámos a factura. E agora facilitamos até que ponto? Só um bocadinho, para poder respirar, ou facilitamos muito e fazemos uma nova acumulação de dívida escondida? É isso que está em causa. Nos comentários a estas alterações ainda não vi ninguém garantir que, nas PPP “vamos manter a bolsa do contribuinte a salvo”. Ainda ninguém o garantiu e é isso que importa saber.


O que a preocupa mais, as Finanças perderem o direito de veto no lançamento de novas concessões?
O mais preocupante nem são as novas parcerias, até porque eu acho que vão ser lançadas muito poucas novas PPP. O mais importante é estar atento às renegociações. Nas PPP, como noutros contratos públicos, o negócio está num ponto de equilíbrio no final de um concurso internacional muito concorrido, mas depois há duas ou três alterações e a factura aumenta. Essas alterações, se forem numa empreitada pública, têm limites e têm de ser publicadas em detalhe. Nas PPP isso não acontece, são menos transparentes, até confidenciais. Quando são publicados, só vemos um montante global, não se consegue saber por que é que se está a pagar mais. E depois, estes contratos são a 30 anos, e alguns têm uma renegociação por ano. Enfim, ao fim de quatro ou cinco anos, os custos para o Estado ou concedente podem ultrapassar bastante o que estava previsto inicialmente. Nós já pagámos muito caro este descontrolo. Quem me garante que a gestão é rigorosa ao longo das próximas décadas e que as renegociações, não podendo ser proibidas, serão justificadas e eficientes?

A UTAP já não acompanhava as parcerias municipais, mas agora os projectos das câmaras saem mesmo da alçada desta lei das PPP. O que é que isso significa?
Isto deve ser visto à luz da última crise.

  1. Primeiro, alguns dos erros mais grosseiros em concessões e parcerias aconteceram em contratos municipais que têm muito menos visibilidade. 
  2. Depois, os municípios não conseguem ganhar experiência, fazem parcerias uma vez a cada 30 anos… na melhor das hipóteses estão a aprender fazendo, na pior das hipóteses, fazem o que alguém lhes indica e que frequentemente é errado. 
  3. Em terceiro lugar, as PPP são contratos complexos, de muito longo prazo, e com pouca “standardização” – não há contratos iguais. 
  4. E em quarto lugar são quase sempre tratados com muita confidencialidade, pouca transparência. Já do lado dos privados, são sempre os mesmos concorrentes e os mesmos advogados, que têm uma visão do que se passou no mercado. 

Por isso eu acho que é grave aligeirar a legislação das PPP para as autarquias. Há muitos serviços públicos que são municipais, como a água, o saneamento, os resíduos, agora a habitação, as escolas. Podem parecer contratos mais pequenos, mas se formos a ver as concessões municipais no seu todo, vemos que há facturas grandes que acabam diluídas nas tarifas e que acabam por ser pagas pelo utilizador. A ERSAR faz um trabalho notável no controlo da qualidade das concessões no sector da água e saneamento, mas nem sempre tem conseguido evitar derrapagens.

A lei refere que irá existir um acompanhamento dos projectos.
Dizer que vai haver um acompanhamento é um bocadinho lato. É importante saber quem vai fazer o controlo e limitar os acréscimos de custos para os contribuintes. Porque há alternativas às PPP, por exemplo emitir obrigações do Tesouro. E nesse caso, saberíamos que teríamos de reembolsar X milhões de euros, à taxa Y no prazo de 15 anos. Havia um limite, o custo estava definido. O contrato de PPP não tem um limite, depende da disciplina financeira do gestor do contrato.

Não está claro se estas alterações vão no sentido de aumentar ou manter essa disciplina financeira.

Até agora, a UTAP intervinha na análise das propostas de renegociação e no reporte da situação final. A partir de agora, eles podem ser solicitados a dar pareceres, mas o parecer da UTAP e a decisão do Ministro das Finanças pode deixar de condicionar a decisão final, porque passa para o Conselho de Ministros. Isto implica claramente um retrocesso de controlo, especialmente nas renegociações. Se vai ter consequências nefastas, só vamos ver com o tempo. Esta alteração não determina que vai haver novo descontrolo, mas que esta decisão facilita o descontrolo, disso não tenho dúvidas

Fontes: Público https://www.publico.pt/2019/12/16/economia/noticia/nova-lei-ppp-facilita-descontrolo-contas-publicas-1897248
Expresso https://expresso.pt/economia/2019-12-16-Mariana-Abrantes-de-Sousa-Ha-um-retrocesso-no-controlo-das-parcerias-publico-privadas

domingo, dezembro 01, 2019

ERSE devia apertar nos custos excessivos para proteger consumidores E contribuintes

In English below 
Portugal tem a terceira conta de luz mais elevada na Europa, diz o Regulador. 
No primeiro semestre de 2019, Portugal teve o terceiro maior valor de impostos e taxas nas contas de luz, o que representou quase metade (49%) do total pago pelos consumidores domésticos.
Favor ver:  https://www.theportugalnews.com/news/portugal-with-3rd-highest-electricity-bills/52141

Resultado de imagem para erseO Regulador de eletricidade ERSE detalha a fatura de eletricidade para mostrar que o custo base é baixo e que a inclusão de impostos e taxas para outros encargos de serviço público quase duplica a fatura para os consumidores.
Esta é uma prática bem conhecida e seria justa e aceitável, se não fosse pelos salários excessivamente altos dos executivos da EDP e pelos dividendos quase "garantidos" pagos principalmente aos investidores estrangeiros.
 A ERSE deveria focar-se na redução de “custos regulatórios” aceitáveis, não em levantar problemas com a tributação do consumo de energia.
Sabemos que a eletricidade e os automóveis são bons "cobradores de impostos", experimentados e testados em Portugal e em alguns outros países.  É por isso que a EDP às vezes tem tido um rating de crédito internacional melhor do que a República Portuguesa.

Preços de energia mais baixos provavelmente resultariam em maiores défices orçamentais e mais dívida pública.
(Já passamos por isso, já pagámos por esse erro, com cortes de 20% nos salários e pensões, Mais, NÃO obrigada!)
Impostos e taxas de todos os tipos podem ser pendurados nas contas da eletricidade e dos automóveis, que nós consumidores continuamos bastante "dispostos a pagar".  Recordemos que em Portugal e na maioria dos países, há mais residentes para pagar a energia do que contribuintes para pagar impostos.

Não é o ideal, a fatura de energia podia ser mais comportável. Mas é melhor do que ter empresas de eletricidade persistentemente deficitárias, com buracos financeiros e blackouts, como a PG&E na Califórnia ou 37 das 39 "power utilities"  em África e noutros países onde os contribuintes são obrigados a pagar subsídios cada vez maiores aos consumidores de energia. Favor ver  https://allafrica.com/stories/201905200083.html

Onde está o "VERDE" nisso?

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista 

ERSE should squeeze  excessive regulatory electricity costs to protect consumers and taxpayers

Portugal has the third highest electricity bill in Europe, says the Regulator.
In the first half of 2019, Portugal had the third highest amount of taxes and charges on electricity bills, which represented almost half (49%) of the total paid by domestic consumers.
Please see: https://www.theportugalnews.com/news/portugal-with-3rd-highest-electricity-bills/52141 

ERSE rhw  Electricity Regulator details the electricity bill to show that the base cost is low and that the inclusion of taxes and charges for other public services  almost doubles the bill for consumers.
This is a well-known analysis and would be fair and acceptable if not for the excessively high salaries of EDP executives and the almost "guaranteed" dividends paid mainly to foreign investors.
 ERSE should focus on reducing acceptable “regulatory costs”, not on raising problems with taxing energy consumption.

We know that electricity and cars are good "tax collectors", tried and tested in Portugal and some other countries. This is why EDP has sometimes had a better international credit rating than the Portuguese Republic.

Lower energy prices would likely result in larger budget deficits and more public debt.
(Been there, paid for that mistake, with cuts of 20% in salaries and pensions, More, NO thanks!)
Taxes and fees of all kinds can be hung on electricity and automobile bills, which we consumers are still quite "willing to pay". Remember that in Portugal and most countries, there are more residents to pay energy than taxpayers to pay taxes.

Not ideal, the energy bill could be more affordable. But it's better than having persistently loss-making electricity companies with financial problems and blackouts like PG&E in California or 37 of 39 power utilities in Africa and other countries where taxpayers are forced to pay increasing subsidies to energy consumers. energy. Please see https://allafrica.com/stories/201905200083.html 


Where is the "GREEN" in this?


terça-feira, junho 04, 2019

Quando a qualidade de serviço falha

Os prestadores de serviços dão musica e cobram por isso no 707.
Mas o e-mail é o unico canal de comunicação que permite ao client manter o registo do processo de um pedido ou reclamação.
Quanto mais mais canais e mais informatizado menor a qualidade de serviço.
Que fazer quando 
- o Apoio a Cliente por telefone é inadequado,
- o portal do cliente não permite dialogo
- o prestador de serviços não oferece um email para contactos e registo de pedidos e respostas ?

O cliente pode deslocar-se e fazer uma reclamação no antigo Livro Amarelo ?
Devia ser obrigatório ter um um e-mail de contacto, pois este é o únkco canal de comunicação permite ao cliente manter um registo do seu processo.

quinta-feira, março 22, 2018


O Relatório da CTI2, da Cominssão Técnica Independente sobre os fogos de 15-16 de Outubro que devastaram a Região Centro é de leitura obrigatória para muitos que procuram respostas ao grande desafio da gestão florestal sustentável.  

Para que a floresta seja sustentável em termos ambientais e de segurança, terá que voltar a ser sustentável em termos económicos, como foi referido num artigo anterior sobre a floresta que deixou de ser o mealheiro das famílias.   Apesar de ser um  bem público, a floresta portuguesa é maioritariamente de propriedade privada, em alguns casos votada ao abandono. 

Por isso, antes de ler todas as 216 paginas,  procurei  referências económicas, que são relativamente poucas.   

Notável é a discussão de como promover as arborização de faixas de segurança (de 100 metros de largo) com espécies folhosos com menor risco de incêndios, e a sugestão de alguns incentivos.  


"7.1.6. Integração entre medidas de apoio à arborização e proteção de aglomerados
e) No facto das áreas com arvoredo que apresentam menor risco de incêndio serem também aquelas que normalmente apresentam melhores características ambientais e paisagísticas;

f) Investimentos para a obtenção de espaços rurais com qualidade acima do normal deveremos fazê-lo nos locais onde as pessoas no seu dia-a-dia delas mais possam  usufruir, sendo, portanto, as envolventes dos aglomerados os locais a privilegiar;
....

7.1.7. Programa para uma Infraestruturas Verde de Proteção dos aglomerados

populacionais

....


b) Definição das condições de adesão, com a imperativa necessidade de cumprimento de
objetivos públicos claros de proteção contra incêndios rurais, independentemente de
outros interesses produtivos, públicos ou privados que possam e devam cumprir;
c) Organização e adesão simplificada, em nome pessoal ou de coletividade, com ou sem
titularidade de propriedade;
d) Obrigação de apresentação de evidências físicas e de manutenção de contabilidade
organizada (simplificada), mas em que todos os pressupostos de controlo assentem essencialmente em evidências físicas (tendo como referência os programas europeus
geridos ao nível da comunidade europeia, e não a tradicional gestão massivamente
administrativa do PDR português);
e) Para implementação prioritária na envolvente de aglomerados populacionais;
f) Financiamento forfetário à instalação de culturas ou atividades agrárias (agrícolas ou
florestais) de baixo risco de incêndio (folhosas caducifólias, etc.);
g) Financiamento de prémio anual de manutenção, com valor fixo forfetário, que premeie
as utilizações com intervenções economicamente reduzidas, e sustentáveis a médio
prazo (no limite, por exemplo, pela não necessidade de intervenção);
h) Atribuição de prémios substanciais aos 10 e 20 anos de manutenção da atividade e de
baixo risco de incêndio.
... "

A promoção e gestão destes "serviços eco-sistémicos para UMA FLORESTA SUSTENTÀVEL, prestados por alguns em beneficio de todos, não vai ser fácil.  

Para além de uma Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, precisamos mesmo, mesmo  de uma Agência para a Gestão Integrada da Floresta.  
A começar pela Sustentabilidade Económica. 

Mariana Abrantes de Sousa 




Ver também Floresta tem que dar uma volta de 360º
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2018/03/floresta-portuguesa-tem-dar-uma-volta.html



sábado, novembro 12, 2016

Numa democracia, não há candidatos errados, apenas eleitores tontos

Resultado de imagem para hillary never stop believingPrognósticos só no fim das eleições

Economista não deve fazer previsões políticas, mas todo o cidadão deve ter uma opinião bem informada, e sobretudo preparar-se para enfrentar as consequências da decisão colectiva.  Apesar de ter ganho o voto popular, Hillary Clinton ganhou apenas em 20 dos Estados.  E nos Estados Unidos, a eleição presidencial depende do sumatório das eleições estaduais, o tal Electoral College.  
Fala-se muito do apelo de  Donald Trump aos eleitores sofredores e esquecidos, mas a taxa de desemprego americana é de apenas 4,9%, o que pode ser considerado pleno emprego.
Dos 20 Estados com desemprego acima da média, 8 Estados votaram em Hillary, incluindo New Mexico. Dos 30 Estados que votaram no Trump, 17 Estados têm desemprego abaixo da média nacional americana.

Em Portugal o desemprego  é bastante superior (acima de 12% desde 2019) mas os portugueses votam com os pés, emigram.  Em suma,

      In a democracy, people get the leaders they deserve.
      In a democracy, there are no wrong candidates, only foolish voters.

A 5-Novembro-2016 o DN convidou para almoço e conversa acerca das eleições americanas.  Eis alguns excertos da entrevista no DN, que pode ser vista em:
http://www.dn.pt/mundo/interior/hillary-e-uma-mulher-de-armas-se-for-eleita-sera-historico-5480896.html  

"Quando Mariana chegou aos Estados Unidos, Lyndon Johnson era o presidente. Seguiram-se Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan. Confessa que desde que obteve a dupla cidadania passou a votar, mas "nunca automaticamente". Olha sempre com atenção para o boletim de voto, que costuma ser complexo, com candidatos a presidente, a congressista, a mayor, e admite que votou já "ocasionalmente num ou noutro partido. O meu voto não está cativo".

Por isso hoje vota, à distância, como residente de Nova Jérsia. Pousa o garfo e a faca e procura mais uma folha com gráficos. Desta vez é o peso eleitoral de cada um dos 50 estados e de como os americanos no exterior valeriam tanto como o Colorado se fossem considerados um círculo.

pergunto se alguma vez teve atividade partidária. Responde que não, que não a atrai. Mas que sente vontade de intervir na sociedade, seja como economista seja como cidadã. Por isso tem os blogues PPP Lusofonia e beijozxxi, integra a Soroptimist Portugal (uma espécie de Rotários só para mulheres) e é tesoureira da Sousa Mendes Foundation (dos Estados Unidos), além de presidente do American Club de Portugal.

Regressamos à política americana. Mariana não gosta quando ouve falar mal dos Estados Unidos. "Têm coisas más e coisas boas, como qualquer país. Mas têm de ter muitas coisas boas mesmo, já que são tão bem-sucedidos." Sobre estas eleições, em que o favoritismo de Hillary Clinton no campo democrata se comprovou apesar do desafio de Bernie Sanders, mas em que os republicanos se deixaram surpreender nas primárias e têm agora Trump como candidato, a economista admite ter feito um esforço para estar a par. Conta que há uns meses, para se preparar para uma entrevista, esteve a ver vários vídeos de Trump: "Tinham todos três ou quatro minutos. E sempre o mesmo formato. Os primeiros 30 segundos era a falar de barbaridades, tipo excluir os imigrantes. Mas depois, quem ainda não tivesse desligado, ouvia Trump a falar do desemprego de longa duração, de cidades que já tinham tido tempos bons mas agora viviam os maus, como Cleveland. E isto fez-me pensar nos riscos que é a democracia ignorar os perdedores da globalização. É que se em Portugal esses votam com os pés, emigram;  nos Estados Unidos votam nas urnas."

Que Trump consiga apelar a muitos americanos "é assustador", acrescenta a luso-americana. "Não está preparado para ser presidente. Aproveitou-se da notoriedade para ganhar apoio. E muitos republicanos tardaram demasiado a afastar-se. Ainda no outro dia ouvi a Condoleezza Rice a dizer que era contra Trump. Não percebo porque só agora." Além de impreparado, que seja sexista e xenófobo também a incomoda.


Já sobre Hillary, realça que se trata de "uma mulher muito inteligente, o que nem sempre é fácil. Tem uma capacidade de assustar muita gente. Mas tem sido uma líder desde a universidade. E possui uma visão estratégica. O problema é que para ganhar não é preciso o mesmo que para governar". Insisto se não quer mesmo dizer em quem votou para as presidenciais de dia 8. "O voto é secreto", responde, com um sorriso.

Pedimos a conta e preparamo-nos para nos despedir. Chega um licor de menta, oferta da casa (quando chega a conta, descubro que também as entradas foram uma gentileza). Mariana elogia o restaurante (Ingrediente no Alto de Algés), diz que almoça aqui várias vezes, outras vezes compra-lhes comida para levar para casa, ali perto. "Gosto do comércio de proximidade. Nos Estados Unidos é comum o zoning, zonas bem separadas para habitação e comércio. É um daqueles casos em que prefiro Portugal à América. Mas temos de dar o nosso contributo para defender estes restaurantes de bairro", salienta. É a tal "citizenship", ou cidadania, palavra que ouviu pela primeira vez quando chegou à América. Outra foi "leadership", liderança.


Em 2017, o American Club celebra 70 anos como forum de diálogo e discussão. E prepara uma grande conferência em outubro com os American Club da Europa. Entretanto, continuará a promover os "american values", diz Mariana, e os almoços-debate. Há dias foi Catarina Albuquerque a convidada, a portuguesa que foi a primeira relatora da ONU para a Água. No dia 9-Nov, acontecerá um jantar Day After, com Nicholas Kralev, um politólogo americano, que vai analisar o resultado das eleições da véspera. Falará certamente da clivagem entre democratas e republicanos, que a presidente do American Club considera um dos grandes problemas dos Estados Unidos." 

quinta-feira, outubro 06, 2016

Portugal florestal - floresta como bem público


Portugal é dos países europeus com menos floresta pública, e provavelmente com mais area florestal privada abandonada pelos seus proprietários, o que não aproveita a ninguém. 

Os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas incluem: 
a purificação da água  a purificação do ar, amenizar os fenômenos climáticos violentos (como ciclones, tornados e tufões) e proteger contra desastres naturais (por exemplo, tsunamis e deslizamentos de terra); decompor o lixo, manter os solos férteis e ajudar no controle de erosões. Animais, como as abelhas, vespas e formigas, polinizam as plantas que, enquanto crescem, sequestram carbono da atmosfera. Outros, como a cotia e o mico-leão-dourado, ajudam as florestas e matas dispersando sementes. As fezes animais fertilizam o solo. Por sua vez, as florestas fornecem madeira, alimentos, substâncias medicinais, fibras e produzem recursos genéticos (qualquer material de origem vegetal, animal ou microbiana que contenha unidades funcionais de genes e apresentem valor econômico real ou potencial). Os sistemas fluviais disponibilizam água doce, o mais essencial dos recursos, movem hidrelétricas para produzir energia, quando navegáveis substituem estradas e são usados como áreas de lazer. As zonas úmidas costeiras filtram os resíduos, mitigam as cheias e servem de viveiro para a fauna marinha, o que permite a pesca comercial. Todos estes são exemplos de serviços ambientais.  Ver http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28158-o-que-sao-servicos-ambientais/ 

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Com os bancos não se brinca

O problema dos bancos é assumirem os riscos errados. A intermediação financeira implica a assunção dos riscos ponderados, ao preço certo.
Nenhum banco é melhor do que a sua carteira de clientes, mas  alguns bancos podem ser bem piores se forem mal geridos e mal supervisionados.   A banca é um serviço público regulado.  O BANIF é o quinto ou sexto banco português a entrar em colapso, a cair de lado.


Quem merece ser a  Personalidade do Ano" de 2015?
Pensando bem eu propunha o Mario Draghi,  não a Angela Merkel, que apenas poupou os credores alemães de sofrerem as consequências da sua alavancagem excessiva e do crédito subprime que tinham concedido, mal parado desde o primeiro momento.
Pensando ainda melhor, quem verdadeiramente salvou a Moeda Única, com todas as suas deficiências,  quem verdadeiramente "salvou o Euro",  foram os contribuintes portugueses que "aguentaram" e aceitaram pagar a nossa crescente Divida Externa, de  mais de 410 mil milhões de euros
Não é justo que famílias com rendimentos de menos de 8.000 euros por ano paguem com a sobretaxa do IRS os erros de gestão e de supervisão dos bancos centrais europeus, e que os credores imprudentes fiquem a salvo.

Mas "o Contribuinte Paga Tudo". Sempre.  A verdadeira Personalidade do Ano a nível internacional seria então o contribuinte português sofredor,  e os seus filhos, netos e bisnetos...

O EURO é como o doce de ovos:  Saboroso no consumo  mas desastroso no bolso dos consumidores viciados em dívida.

Os comentadores do ETV, Mariana Abrantes de Sousa, Jorge Neto e Hélder de Oliveira, analisam a situação do BANIF e a devolução da sobretaxa de IRS, no Conselho Consultivo de
16 de Dezembro de 2015




sábado, junho 06, 2015

Alemão precisa-se

Escolas secundarias portuguesas ensinam espanhol (desemprego jovem de 50,1%), mas não ensinam alemão (desemprego jovem de 7,2%).

Vamos lá ensinar o MdE a fazer estudos de mercado.

Em França, o PM quer que mais jovens falem alemão, a lingua materna mais falada da Europa.  E os professores franceses ... fazerm greve

http://economico.sapo.pt/noticias/greve-dos-professores-abala-governo-de-paris_218823.html

domingo, maio 17, 2015

Acordo ortográfico vai servir para aumentar a literacia da lusofonia ?


 

Os linguistas e educadores podem dedicar-se à colocação dos hífens e dos acentos circunflexos, mas o grande "erro" histórico e o verdadeiro desafio  futuro é a baixa literacia da lusofonia.

Eis mais uma bela discussão do "sexo dos anjos".

O analfabetismo é o verdadeiro "indicador de desempenho da lusofonia", o que nos faz chumbar todos os dias na concorrência internacional, e é esse que deveria ser o objectivo da "educação para a prosperidade".

Basta recordar que todos os países lusófonos, com a possível excepção de Cabo Verde, têm níveis de alfabetização inferiores à dos seus países vizinhos. Não serão os ditames burocráticos mas sim a alfabetização, e a passagem da tradição oral para a pratica de escrita e de leitura o que vai fazer convergir o português  dos nossos povos,  o 5º ou 6º idioma mais falado, mas não mais lido, no mundo.

Resultado de imagem para lusofonia imagensSe todos os lusófonos tivéssemos podido LER "Os Lusíadas" estes 500 anos, estaríamos agora todos não apenas a falar,  mas a ler e a escrever, a "língua de Camões".

Quanto a este blog PPP Lusofonia, peço a compreensão dos leitores pelo "facto" de continuar a semear Cs, Ps, hífens e acentos de uma forma mais ou menos aleatória, dependendo do corrector automático do Google para reduzir a confusão.

Se tiverem dúvidas sobre a interpretação de um texto, perguntem.
Eis uma pista: recordem-se que em economia estamos quase sempre a falar de factos (dados, substância) e não de fatos (ternos, aparência, forma).

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia 
Ver http://ppplusofonia.blogspot.pt/2009/05/improving-literacy-must.html