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sábado, março 09, 2019

Figura de corpo presente sai caro aos contribuintes

Não necessitamos de saber muito de crédito nem de intermediação financeira para fazer perguntas importantes sobre os negócios propostos. Os membros de um coletivo de decisão são pagos para estudar os dossier fazer perguntas. E não há perguntas más.  Falta mesmo é ter coragem, ter  uma cultura de confronto cordial e profissional, "willingness to dissent". 

A governação com base em  "homens de confiança", que "fazem figura de corpo presente", e que "entram mudos e saiem calados" sai bem cara aos contribuintes. 

Figura de corpo presente https://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/carlos-costa-nao-participei-nos-25-grandes-creditos-que-geraram-perdas-para-a-cgd    via @revistasabado

Entrar mudo e sair calado sai caro aos contribuintes. Ex-administrador do BES que chegou a ter 17 administradores a ganhar, quando mandava só um: “Eu sabia tanto de bancos como de calceteiro”
https://observador.pt/2014/09/05/ex-administrador-bes-sabia-tanto-de-bancos-como-de-calceteiro/  via @observadorpt

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Nos PALOP, projetos bancáveis precisam-se

Em Africa, os projetos bancáveis não se encontram, fazem-se, constroiem-se, montam-se.
O mesmo foi feito em Portugal nos anos 1990's quando foi necessário criar a LISBOR para poder financiar em moeda local os projetos de muito longo prazo como a Tejo Energia.

CIP 005Esta dura realidade subjacente ao dilema de quem trabalha  para o desenvolvimento nos países emergentes é ainda mais aguda nos países da Lusofonia.

Na sessão de apresentação do BEI e da SOFID de ontem 27-Fev-2019 no CCB,  organizada pela CIP, houve uma troca de comentários significativos:


--Só estamos interessados em projetos bancáveis, disse um participante...

-- O que não falta  é dinheiro para financiar projetos, disse outro, há dinheiro a rodo, mas os países não oferecem condições...

-- Falta dinheiro dinheiro mas é para a preparação e desenvolvimento de projetos, disse outro... 

-- O que falta são dossiers bem preparados e estruturados de acordo com os ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para atrair os investidores e financiadores... 

-- É necessário investir na preparação,  "incubar" os projetos...

Resultado de imagem para SOUTHERN AFRICA CLIMATE FINANCE PARTNERSHIPSIM, sim  todos têm razão, e nunhum tem a razão toda.

Senão vejamos o que fazem os outros países, como no caso da Southern Africa Climate Finance Partnership, a parceria para o financiamento de projetos climáticos na Africa austral.

DfID, o Departament for International Development do Reino Unido, aplicou GBP 4.9 milhões (EUR 5.7 milhões)  como "capital semente" de um  progama regional de desenvolvimento e preparação de projetos climáticos para alguns países da Commonwealth,   Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, Zambia and Zimbabwe.

O objectivo é  criar uma carteira de (dossiers de) projetos  que possam ser candidatos ao financiamento concursado do novo Fundo Verde do Clima, Green Climate Fund (GCF).  Com um investimento, modesto mas imprescindível, na identificação e preparação de vários projetos, o Reino Unido vai ajudar alguns países a passarem à frente na corrida ao Fundo Verde do Clima.

É que tudo começa pelo início: Sem e dossiers bem estruturados de projetos ditos "bancáveis", não há financiamento, não há investimento, não há impacto para o desenvolvimento sustentável.  E criar um bom dossier de projeto, visionário, tanto ambicioso como rigoroso, leva meses e anos, custa milhares e milhões...

Sem o capital semente, na forma de subsídios a "fundo perdido" mas bem aproveitados, no final acabamos  sempre no mesmo BECO sem saída - a falta de projetos ditos "bancáveis, prontos a financiar, com tudo que isso exige.  E os países  vão ficando cada vez mais ultrapassados pelos seus vizinhos.   

E os PALOP, os países da Lusofonia, como vão financiar este  "trabalho de casa" de identificação e formulação, de estudos prévios, e toda a preparação de candidaturas aos financiamentos disponiveis ?

Mariana Abrantes de Sousa
Economista e Consultora Financeira 

Ver mais em: 
Southern Africa Clima Finance Partnership - https://southsouthnorth.org/portfolio_page/southern-africa-climate-finance-partnership-sacfp/
DfID - https://www.gov.uk/government/organisations/department-for-international-development
LISBOR - http://ppplusofonia.blogspot.com/2012/08/os-indexantes-de-taxas-de-juro-ou-as.html
Como financiar projetos climáticos - http://ppplusofonia.blogspot.com/2018/11/como-financiar-projetos-climatico-nos.html
Fundo Verde do Clima (GCF) - http://finance.southsouthnorth.org/

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com o BEI – Banco Europeu de Investimento e a SOFID – Sociedade para o Desenvolvimento do Financiamento, está a organizar o Seminário “Investment Financing in Africa“, que terá lugar no próximo dia 27 de fevereiro 2019, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre as 9h00 e as 13h00.  
O evento tem como objetivo a apresentação dos instrumentos financeiros do BEI para a região ACP – África, Caraíbas e Pacífico, destinados às empresas europeias. 

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Saude.pt 2019 ADSE como Seguro de Saúde

ADSE
Se a ADSE funciona como um seguro de saúde facultativo (e complementar do SNS) de alguns funcionários e ex-funcionários publicos, porque é que necessita de continuar a ser um Instituto Público? 
O Instituto de Proteção e Assistência na Doença, I.P. (ADSE, I.P.) é um instituto público de regime especial e de gestão participada, integrado na administração indireta do Estado, com dupla tutela do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças, dotado de autonomia administrativa e financeira e património próprio. 
A ADSE, I. P. tem por missão assegurar a proteção aos seus beneficiários nos domínios da promoção da saúde, prevenção da doença, tratamento e reabilitação.
Recordemos que a "autonomia financeira" não garante a "sustentabilidade financeira" do programa admnistrado por um Instituto público, nem mesmo os lucros de um qualquer ano, quando se assumem encargos futuros.  Apesar de estar dotado de "autonomia adminstrativa e financeira" e fazendo parte do SPA Sector Publico Administrativo e do Orçamento do Estado, o ADSE, Instituto Público usufrui, na practica, da garantia implicita para os riscos atuariais crescentes dado o envelhecimento dos seus segurados, um "aval do Estado" que teria que passar a ser explicito no caso de uma privatização.  Sendo um seguro complementar ao SNS, Serviço Nacional de Saúde, semelhante aos outros seguros de saúde em Portugal, a sustentabilidade e rentabilidade da ADSE depende (i) das necessidades de cuidados de saúde dos seus utentes, (ii) dos preços que paga aos prestadores de serviços de saúde em ambiente concorrencial, e (iii) de como consegue optimizar a partilha de encargos com sáude, com os próprios utentes através do copagamento e/ou prémio calculado em função do seu rendimento;  e especialmente, com o contribuinte como "terceiro pagador", quando os doentes são obrigados a recorrer ao SNS para situações clínicas mais complicadas. 

Os sistemas de seguros avaliam-se mais pela análise financeira e atuarial do que pela análise politica e ideológica.  A tentativa de privatizar a ADSE seria certamente muito elucidativa dos riscos atualmente suportados pelos contribuintes.  Vamos lá fazer as contas ! 

Mariana Abrantes de Sousa 
ex-Controladora Financeira do Ministério da Saúde 

Ver também neste blog: 
Mais recursos para a saúde ? 
Que venham os turistas e pensionistas, mas ... BYOHI - Bring Your Own Health Insurance  http://ppplusofonia.blogspot.com/2012/11/que-venham-os-pensionistas-com-seguro.html  

E outras fontes: 
Jornal de Negócios Não são os privados o problema da ADSE
Expresso  ADSE a capturar ou a privatizar ? 

 

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Africa XXI - Substituição de Importações



Resultado de imagem para McKinsey how to win in business in AfricaDoze anos atrás, a Nigéria importavatodo o seu cimento.


As licenças de importação foram eliminadas ao longo de 4 anos, quando foram construídas fábricas de cimento locais. Avanço rápido: hoje a Nigéria é um exportador líquido de cimento.

Resultado de imagem para how to win in Africa
Twelve years ago, Nigeria imported all of its cement.  
Import licenses were phased out over 4 years, as local cement plants were built. Fast forward: today Nigeria is a net exporter of cement. 

The right strategy can unlock strong, profitable growth, explain the authors of Africa’s Business Revolution.

 McKinsey senior partners Acha Leke and Georges Desvaux about the opportunity before companies to develop and grow their businesses in Africa.
Source:  https://www.mckinsey.com/featured-insights/middle-east-and-africa/how-to-win-in-africa 

terça-feira, novembro 27, 2018

Medlive. Plataforma médica só em português

Medlive. Plataforma médica só em português



Telemedicina ao vivo mas em português apoia PALOPs

Portugal valente - Empresários criaram novos negócios em fábricas abandonadas

Abandonaram o país mas surgiram novos negócios

BEI e FEI multiplicam investimento

BEI. Portugal é o 3º melhor do plano Juncker



- Portugal é o 3º melhor do plano Juncker



https://www.dinheirovivo.pt/economia/bei-portugal-e-o-3o-melhor-do-plano-juncker/


terça-feira, novembro 20, 2018

Demografia é destino (2) - Retornados do século XXI



A população de Portugal tem vindo a descer desde 2010, mas menos, apenas -0,18% em 2017.

O saldo migratório negativo desde 2010 finalmente passou a positivo em 2017 com 36 639 entradas contra 31 753 saídas (36 639 - 31 753 = 4 886). Segundo o INE, 81% dos imigrantes recém-chegados eram pessoas em idade ativa e 38% tinham nascido em Portugal.  Isto é mais de um terço dos imigrantes são retornados.

No entanto, o saldo positivo da Diáspora portuguesa não foi foi suficiente para compensar o  saldo natural negativo da nossa população envelhecida, com 109 758 óbitos versus apenas 86 154 nascimentos   (86 154 - 10 9758 -23 604) em 2017.

Estima-se que a crise demográfica continue ainda por décadas, não apenas em Portugal, como em toda a Europa, cuja pirâmide etária deixou de ser pirâmide e virou jarra, com grandes consequências sociais, económicas e politicas.

http://ppplusofonia.blogspot.com/2016/11/demography-is-destiny.html

 

quarta-feira, novembro 14, 2018

Como financiar projetos climáticos nos PALOP no Miranda Forum Africa, 15-Nov

Foi uma honra e um prazer participar como oradora Keynote Speaker na conferência Miranda Forum Africa, que promoveu o debate sobre “O Papel do Setor Privado na Promoção do Crescimento Económico em África", no dia 15 de Novembro de 2018, em Lisboa.

Na minha intervenção sobre “Financiamento de Projetos Climáticos nos PALOP: Necessidades e Oportunidades”,  abordamos sobretudo as fontes e formas de financiamento dedicadas a projetos climáticos, tais como o  blending de recursos do Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF), com outras fontes.  Analizamos  também vários  casos de estudo de projetos africanos relevantes e replicáveis. 

Um dos projetos  discutido foi Bambadinca Sta Claro, uma mini-rede de energia solar criada e implementada pela TESE Associação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e financiada pela União Europeia, a Global Environmental Facility GEF e o Instituto Camões. 

Falamos também de um dos temas mais críticos, as PPF ou  Project Preparation Facilities,  iniciativas que apoiam a formulação de projetos para apresentar candidaturas aos organismos financiadores. Sem bons dossiers de candidaturas não há financiamento nem investimento. Mais uma vez, lancei o desafio à criação de uma "incubadora de projetos para os PALOP",  que dinamizasse a elaboração de dossiers e candidaturas de projetos nos países Lusófonos. 

O evento reuniu representantes governamentais e multilaterais bem como promotores e consultores privados,  que partilharam as  melhores praticas para trabalharmos juntos a favor do Desenvolvimento Sustentável em Africa, articulando  capacidades e vontades do setor publico e e do setor privado nesta grande campanha. 
Consulte o programa e as apresentações da conferência M-Forum em: https://mirandaforafrica.com/program/

Os países da Lusofonia, alguns dos PALOP mas também Portugal, estão entre os países mais vulneráveis às alterações climáticas. 

M-Forum  15-Nov-2018, 9h00-19h00  
Conference Miranda Forum Africa brings over 20 speakers,  including  DG DEVCO,  BAfD and government officials. 
Climate Finance: Financing Climate Projects in Portuguese-speaking countries in Africa, Mariana Abrantes de Sousa 

A conferência pode ser acompanhada em direto (streaming) e no youtube.
As apresentações, incluindo a minha, estão disponíveis aqui:  https://mirandaforafrica.com/program/

Favor ver no Linkedin: 

quinta-feira, outubro 11, 2018

Crise da Eurozone: Entre credores e devedores salva-se quem pode

In English below
 Um artigo importante de Marcello Minenna publicado no blog FT Alphaville examina a partilha de risco entre os países credores (do centro) e devedores (da periferia ou da suposta "convergência")  ao longo da crise da Eurozone de 2008-2018 para determinar quem efectivamente beneficiou mais com os resgates da Troika, do ECB e das instituições europeias.  
Consolidated position of foreign banks on counterparties resident in Portugal

Com base nos dados do   o Bank for International Settlements (BIS),  a exposição total das instituições financeiras francesas e alemãs aos países mais endividados da periferia foi rapidamente reduzida de 2010 até 2012 graças à substituição de credores comerciais (bancos e investidores privados) por credores oficiais (ECB/BCE, EU, FMI)


Consolidated position of foreign banks on counterparties resident in Ireland
Esta substituição de credores, muito visível no caso da Irlanda, evitou que o Bundesbank e o Banco de França tivessem que apoiar tanto os seus bancos imprudentes. 


Diz o artigo: 
"A narrativa comum é que os programas de resgate ajudaram países profundamente problemáticos a evitar a falência soberana ou as falências bancárias generalizadas. Mas, ao evitar resultados extremos, esses programas também protegeram os bancos dos países centrais - Alemanha e França, em particular - que tinham acumulado enormes exposições aos países da periferia antes da crise. À época, esta partilha  de riscos (embora desagradável) era a melhor opção disponível para os governos dos países centrais. Isso salvou-os de ter que intervir (à custa de seus próprios contribuintes) para sustentar seus próprios sistemas bancários nacionais."

O aumento de exposição dos credores espanhóis desde 2014 está a tornar Portugal numa colónia financeira de Espanha, diz o FT Alphaville

Digo eu: 
Também podíamos afirmar que o novo endividamento externo de Portugal está a criar uma bolha à vista desarmada que há-de rebentar mais cedo e não mais tarde. 

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 

Consolidated exposure of Franco-German banks to counterparties resident in the Eurozone periphery
"According to the Bank for International Settlements (BIS), in 2010 the total exposure of French and German financial institutions to the pheriphery countries. 

The common narrative is that rescue programs have helped deeply troubled countries avoid sovereign bankruptcy or widespread bank failures. But, by avoiding extreme outcomes, these programs also protected the banks of the core countries — Germany and France, in particular — that had accumulated huge exposures to the periphery before the crisis. At the time, risk sharing (however unpleasant) was the best available option for the governments of the core countries. It saved them from intervening (at the expense of their taxpayers) to prop up their own national banking systems.

The size of all of this deleveraging can be measured by using BIS data on the consolidated position of foreign banks to counterparties residing in Italy, Greece, Spain, Portugal and Ireland.


After having accumulated a whopping credit towards the periphery in the period 2000-2008, these banks have dismantled 64 per cent of their exposures in the following decade. Indeed, at its peak (June 2008) the total exposure of the Franco-German banking system to the periphery exceeded $1.9trn; in June 2012 it had already fallen to $800bn and in the following five years, it decreased further, reaching $680bn at the end of 2017.
In terms of direct exposures, on the eve of the crisis, Germany was leading in Spain ($315.5bn), Ireland ($240.7bn) and Portugal ($52bn), while France in Italy ($553.4bn) and Greece ($86.1bn). But in reality, a good chunk of French investment in Southern Europe was channeling German savings.  This was followed by a colossal disinvestment from the periphery countries– over $1.2 trn"


So much for convergence ! 
Ler mais em https://ftalphaville.ft.com/2018/10/10/1539147600000/A-look-back--what-Eurozone--risk-sharing--actually-meant/ 

Ver artigos anteriores sobre a problemática da GED-Gross External Debt, Divida Externa Bruta e a Crise https://ppplusofonia.blogspot.com/2012/06/us-and-uk-banks-increased-potential.html


sexta-feira, setembro 21, 2018

Projeto Tejo pretende replicar o sucesso do Alqueva, necessita apoios

Todos aprendemos na escola primária que o rio Tejo representa a maior bacia hidrológica da Peninsula Ibérica.   Também Sabemos que o Tagus é muito bem aproveitado por Nuestros Hermanos que construiram barragens e transvases do outro lado da fronteira há mais de 50 anos.

O que parece desconhecermos é que o rio Tejo português é um dos rios mais subaproveitados da Europa.

O Eng.  Jorge Froes da Associação Mais Tejo apresentou o interessante e importante Projeto Tejo no recente encontro da Agroglobal, em Valada do Ribatejo  e convenceu que este é um projeto para apoiar e implementar.

Com um investimento global na ordem dos 4,5 mil ME, o “Projeto Tejo – Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste”, pretende a 30 anos fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal. O Engenheiro Jorge Froes explicou o projeto ao mediotejo.net



Fontes:
Ribatejo http://www.oribatejo.pt/2018/05/18/o-projeto-tejo-e-a-indiferenca-dos-nossos-eleitos/
Agroglobal 2018 5-7 Setembro, Valada do Ribatejo


segunda-feira, agosto 27, 2018

G20 Reorçamentar PPP para Investimento Público Sustentável

As PPPs, as concessões de obra e/ou serviços públicos, são investimento publico como qualquer empreitada de obras públicas do saudoso PIDDAC (Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central).  Só que os contratos de PPP foram criados fora do Orçamento publico anual, o que tem gerado sobre endividamento e gravíssimos riscos fiscais e orçamentais incomportáveis para uma economia frágil. 

Quando uma estrada  não tinha cabimento no orçamento do investimento publico anual, contratavam-se duas estradas em regime de PPP, com previsões de tráfego e de receita de portagem imaginárias, a pagar a prazo.  A fatura do investimento publico passava dos pais e filhos, para os netos e bisnetos pagarem a dobrar. Os investidores foram quase sempre protegidos, fora alguns projetos que entraram em bancarrota. 

A organização G20 quer promover PPPs mais equilibradas e eficientes para executar as grandes obras de infraestrutura necessárias em países emergentes 

Mas, como diz um artigo recente de Ricardo Seabra ( https://sol.sapo.pt/noticia/605665/a-infraestrutura-do-g20)
"Ora, existe claramente um ponto de confluência entre Estados endividados – que necessitam de parceiros para atingir as suas metas de investimento – e investidores privados que procuram diversificação de ativos num mundo de rendibilidades historicamente baixas."
...
"A uniformização de questões contratuais e regulatórias (dos contratos de PPPs recomendado pelo G20) é crucial para dar confiança aos privados, o que por sua vez permitiria também um escrutínio público mais simples que mitigasse os riscos de captura por interesses rentistas. Esperemos que deste modo se evite o triste exemplo que testemunhamos em Portugal na década passada, onde um conceito eficiente para infraestruturas – as PPP – foi completamente desfigurado pelo conluio entre rentistas e os governantes da época."

Quem esconde o que gasta, deixa dívidas para pagar a dobrar.

Foi o icebergue extra-orçamental bem visível já no final de 2007, a desorçamentação sistemática e abusiva do investimento público e a redução do PIDDAC, um dos mecanismos que facilitou a rápida passagem da confluência ao ... conluio. 

Seria bom se o novo manual de PPPs criado e publicado pelo G20 Initiative servisse para evitar futuras crises financeiras previsíveis, alimentadas com despesas extra-orçamentais, com os seus impactos negativos para as populações mais vulneráveis, como aconteceu em Portugal . 

Mariana Abrantes de Sousa 
Financial Consultant and PPP Specialist 
Ver o iceberg das PPP e das empresas publicas de transportes SEE  http://ppplusofonia.blogspot.com/2009/12/encargos-extra-orcamentais-com-servicos.html 
e G20 Managing PPP https://managingppp.gihub.org/