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sábado, maio 05, 2018

TIC e a economia rural

Eis um exemplo interessante de "valor acrescentado por SMS".

Num experimento randomizado procurou-se determinar o impacto de fornecer aos agricultores rurais informações sobre os preços dos seus produtos no mercado através do envio de mensagens de texto SMS para seus telemóveis celulares.
Usando um novo índice de redes de comunicação entre as aldeias, mostra-se que a intervenção:
(1) levou a um aumento positivo sustentado de cerca de 9% nos preços recebidos pelo grupo de agricultores alvo de tratamento que recebeu as mensagens, e
(2) teve benefícios indiretos substanciais nos preços recebido por certos agricultores do grupo de controle.

Discute-se um novo mecanismo de "spillovers" ou efeitos externos de negociação que pode explicar o aumento de tais externalidades positivas, mesmo na ausência de  partilha de informações entre o grupo alvo e os grupos de controle. A contabilização de spillovers é crucial, sem o qual poder-se-ia erroneamente concluir que a intervenção não trazia benefícios a longo prazo para os agricultores.
O retorno direto sobre o investimento do serviço se info-preços por SMS excede 200%, um resultado que ressalta o enorme potencial das intervenções de TIC nos mercados emergentes.

Autora:  Giorgia Romagnoli, Universidade de Amsterdam
Fonte:  NOVAFRICA, seminário 9-Maio-2018 

quinta-feira, março 22, 2018


O Relatório da CTI2, da Cominssão Técnica Independente sobre os fogos de 15-16 de Outubro que devastaram a Região Centro é de leitura obrigatória para muitos que procuram respostas ao grande desafio da gestão florestal sustentável.  

Para que a floresta seja sustentável em termos ambientais e de segurança, terá que voltar a ser sustentável em termos económicos, como foi referido num artigo anterior sobre a floresta que deixou de ser o mealheiro das famílias.   Apesar de ser um  bem público, a floresta portuguesa é maioritariamente de propriedade privada, em alguns casos votada ao abandono. 

Por isso, antes de ler todas as 216 paginas,  procurei  referências económicas, que são relativamente poucas.   

Notável é a discussão de como promover as arborização de faixas de segurança (de 100 metros de largo) com espécies folhosos com menor risco de incêndios, e a sugestão de alguns incentivos.  


"7.1.6. Integração entre medidas de apoio à arborização e proteção de aglomerados
e) No facto das áreas com arvoredo que apresentam menor risco de incêndio serem também aquelas que normalmente apresentam melhores características ambientais e paisagísticas;

f) Investimentos para a obtenção de espaços rurais com qualidade acima do normal deveremos fazê-lo nos locais onde as pessoas no seu dia-a-dia delas mais possam  usufruir, sendo, portanto, as envolventes dos aglomerados os locais a privilegiar;
....

7.1.7. Programa para uma Infraestruturas Verde de Proteção dos aglomerados

populacionais

....


b) Definição das condições de adesão, com a imperativa necessidade de cumprimento de
objetivos públicos claros de proteção contra incêndios rurais, independentemente de
outros interesses produtivos, públicos ou privados que possam e devam cumprir;
c) Organização e adesão simplificada, em nome pessoal ou de coletividade, com ou sem
titularidade de propriedade;
d) Obrigação de apresentação de evidências físicas e de manutenção de contabilidade
organizada (simplificada), mas em que todos os pressupostos de controlo assentem essencialmente em evidências físicas (tendo como referência os programas europeus
geridos ao nível da comunidade europeia, e não a tradicional gestão massivamente
administrativa do PDR português);
e) Para implementação prioritária na envolvente de aglomerados populacionais;
f) Financiamento forfetário à instalação de culturas ou atividades agrárias (agrícolas ou
florestais) de baixo risco de incêndio (folhosas caducifólias, etc.);
g) Financiamento de prémio anual de manutenção, com valor fixo forfetário, que premeie
as utilizações com intervenções economicamente reduzidas, e sustentáveis a médio
prazo (no limite, por exemplo, pela não necessidade de intervenção);
h) Atribuição de prémios substanciais aos 10 e 20 anos de manutenção da atividade e de
baixo risco de incêndio.
... "

A promoção e gestão destes "serviços eco-sistémicos para UMA FLORESTA SUSTENTÀVEL, prestados por alguns em beneficio de todos, não vai ser fácil.  

Para além de uma Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, precisamos mesmo, mesmo  de uma Agência para a Gestão Integrada da Floresta.  
A começar pela Sustentabilidade Económica. 

Mariana Abrantes de Sousa 




Ver também Floresta tem que dar uma volta de 360º
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2018/03/floresta-portuguesa-tem-dar-uma-volta.html



Floresta portuguesa tem que dar uma volta de 360º

A nossa floresta vai ter que dar uma volta de 360º !

Pergunta: 
360 graus é a volta completa, ou seja, vai parar ao mesmo sítio.
Não será antes uma volta de 180º ? 

Resposta:
NÃO, tem mesmo que ser mesmo uma volta de 360º, de um equilíbrio antigo quando as matas eram o mealheiro de muitas famílias, para um equilíbrio novo agora que a floresta absorve, não liberta, recursos, e acrescenta, não reduz, riscos.  Tem tudo que ser repensado desde a base, que é a estrutura fundiária,  os minifúndios que passaram a valer ZERO.
Bjz carro do tojo

Senão vejamos.

Era uma vez uma aldeia na floresta circa 1960.

As pessoas, sobretudo as mulheres, juntavam a caruma dos pinheiros e as pinhas para queimar nas lareiras e nos fogões a lenha.  Os arbustos rasteiros eram cortados (roçados) e retirados para aplicar no cultivo dos terrenos. Tudo se aproveitava "roçando o estrume" e carregando o "carro do tojo". A floresta ficava efetivamente limpa de biomassa, palavra então desconhecida.
Nascia alguma erva, que alimentava pequenos rebanhos de ovelhas e cabras, à guarda da criança mais nova da família.
Gestão de biomassa aos molhos 1965

Os pinheiros eram resinados e serviam de mealheiro para a família.  Quando casava a filha, vendiam-se uns tantos pinheiros para pagar a boda. A rama que os madeireiros não levavm era cuidadosamente aproveitada para lenha, ou para estacas e espeques nas vinhas.

Bjz rebanho capela
Este humilde equilíbrio ambiental, mas não económico, foi-se perdendo no interior do país.
Famílias inteiras emigraram, para as cidades ou para o estrangeiro, os que ficarem tem muito menos filhos.
Já não há quem junte a caruma e as pinhas, também porque as pessoas que ficaram envelheceram ou passaram a cozinhar com a botija de gás. Já não há crianças para guardar ovelhas.  A resina acabou com a concorrência da China.

As matas foram acumulando matéria orgânica de ano para ano, ardendo aqui e ali.
As silvas tomavam conta de muitos terrenos e matas "abandonadas" sem oposição.
Afinal de contas "as silvas não pedem pão", o "mealheiro" parecia intacto, até reforçado com a plantação avulso de eucaliptos.

Até que vieram os incêndios florestais catastróficos de 2017. 

Boa parte deste "mealheiro florestal" na Região Centro ardeu, deixando a nu as pedras e calhaus e todas as fragilidades da uma "gestão florestal" que não merece o nome.  Os numerosos proprietários de tiras de floresta sofreram grandes perdas patrimoniais  não cobertas por nenhum seguro, nem pelo  Estado que se limita a indemnizar a perda de vidas e de explorações agrícolas: 16 euros por oliveira, 5 euros por videira...

Os pinheiros ardidos ficam desvalorizados. Os maiores vendem-se ao desbarato pois os madeiros não têm mãos a medir. Os pinheirinhos pequenos, é necessário pagar para os tirarem.    Os terrenos que escaparam têm que ser "limpos" dentro de poucas semanas.  Tem que se cortar o mato rasteiro, des-ramar ou esgalhar as árvores, mas a biomassa pode-se deixar no local.  Isto é "limpeza da floresta", tirar as migalhas de cima da mesa e deixá-las no chão?

Trata-se de um trabalho sujo, pesado, perigoso, trabalhar com serras eléctricas, roçadoras, tractores.  O trabalho de desmatação, de áreas queimadas ou não, é urgente, chega para todos, até para agricultores de fim de semana.

Pergunta-se, em que condições está a ser feito ? Os trabalhadores têm seguros de acidentes de trabalho adequados, quando estão a trabalhar nos seus próprios terrenos, ou uns dos outros em regime de entreajuda, ou "ao dia fora" por conta de algum proprietário, ou como voluntários informais ?

O mealheiro da floresta entrou em rotura. 
O desequilíbrio ambiental e económico está à vista. 

A Tia Maria, que tem uma pequena  mata onde guardou ovelhas em criança, tem que pagar a alguém para cortar o mato, que felizmente não ardeu,  talvez 50 euros por dia, acrescido de 30 euros por dia para seguro de trabalhador ocasional.   A pensão de reforma média de 365 euros/mês não chega nem para os medicamentos quanto mais para isto.  Se não cortar o mato, a Câmara Municipal vai fazê-lo e vai-lhe exigir o reembolso das despesas com os sapadores e provavelmente aplicar alguma coima.  Lá se vai a pensão de reforma, naquele mês não vai poder comprar os medicamentos.  Confirma-se que a mata da sua infância passou de ativo a passivo, vale muito menos ou mesmo nada se for pequena e inacessível, terreno de cabras.  Será que a Câmara aceita a dita mata como dação em pagamento?

Perdas patrimoniais não cobertas.

As matas que arderam perderam boa parte do valor.  Em alguns casos os madeireiros já não oferecem dinheiro para cortar os pinheiros queimados. E vai levar anos até voltarem a produzir lenha ou madeira.  Esta perda devido à calamidade dos incêndios está a ser suportada por cada proprietário, que geralmente não tinha seguros.  Em alguns países, estas perdas não cobertas (uninsured casualty losses) poderiam ser deduzidas  em sede de IRS, mas em Portugal não.
O povo que aguente.

Destruição de valor de propriedades no interior.

Com as perdas já sofridas e os riscos acrescidos reflecte-se no valor das propriedades.
Quintas que valiam 500.000 euros são agora vendias por 280.000 euros. E é quando se consegue vender.  Agricultores de 60 ou 70 anos já não conseguem retomar a exploração.

Em busca do equilíbrio perdido: Novo  equilíbrio florestal precisa-se.  

E o povo vai aguentando, empobrecido,  á espera de um novo equilíbrio económico que permita voltar a considerar as matas como uma fonte de receita, em vez de fonte de despesa
Alguém tem que organizar uma gestão florestal sustentável  e remunerar os prestadores de serviços eco-sistémicas, como a gestão da biomassa, a gestão das águas pluviais, etc, que não são auto-financiáveis.  Para já, vamos ter uma Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais.   

Não haverá sustentabilidade e segurança ambiental e ecológica sem sustentabilidade económica.  E não haverá sustentabilidade económica com o rendilhado de minifúndios.

Da gestão florestal sustentável, em termos económicos, ambientais e de segurança ainda pouco se fala e menos se sabe.

Mariana Abrantes de Sousa
Beijós, Aldeia+VERDE

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Transparência essencial para melhorar a gestão das Finanças Públicas, ISEG, 8 Fev, 17h

No próximo dia 8 de fevereiro, no ISEG (auditório Caixa Geral de Depósitos), terá lugar o debate “Transparência e rigor das finanças públicas”, onde serão discutidos os resultados do Índice IPP-ISEG, no âmbito do Budget Watch, projeto anual que junta o IPP, o ISEG e a Deloitte, e do Open Budget Survey, projeto internacional sobre transparência orçamental, que o IPP integra.

Programa

Receção dos participantes 17h00

Maria Rosa Borges, Vice-Presidente do ISEG

Carlos Farinha Rodrigues, Presidente do IPP

Apresentação do Budget Watch: OE 2018 – Índice Orçamental IPP-ISEG e Open Budget 2017 17h20

João Ferreira do Amaral, Joana Vicente, Luís Teles Morais
ISEG-ULisboa e IPP

Coffee-break 17h50

Comentários e debate com o público 18h00

Joaquim Miranda SarmentoISEG-ULisboa
Jorge MarrãoDeloitte, Comissão Executiva do Budget Watch – Índice Pro-Business Deloitte
Paulo Trigo PereiraAssembleia da República, ISEG-ULisboa e IPP
Susana PeraltaNOVA SBE
(Moderação: Susana Paula, LUSA)
Encerramento 19h
João Leão
Secretário de Estado do Orçamento

terça-feira, janeiro 30, 2018

Portugal de braços abertos a turistas e pensionistas

De acordo com o Eurostat, os estabelecimentos hoteleiros em Portugal acolheram cerca de 71,3 milhões de dormidas em 2017, que se traduz  num aumento de 8,0% face ao período homólogo. Os não residentes continuam a ser responsáveis pela maioria das dormidas (48,3 milhões, 68% do total) e superam as taxas de crescimento homólogas das dormidas dos residentes.
 Face ao ano anterior de 2016, os maiores aumentos do número de dormidas em estabelecimentos hoteleiros em países da União Europeia verificaram-se na Letónia (12,0%), Eslovénia (11,3%), Croácia (10,6%), Portugal (8,0%) e República Checa (7,7%).

Portugal está na moda, para turistas, visitantes, e não só. 

A qualidade de vida atrai também "snow-birds", pensionistas do norte que gostam de aproveitar o bom clima e o bom ambiente como residentes em Portugal.  

Com estes novos residentes já não estão no ativo, pagam poucos impostos em Portugal. Sendo mais idosos, podem ter maiores necessidades de cuidados de saúde, pelo que é essencial que tragam o seu próprio seguro de saúde para não sobrecarregarem as finanças públicas e os contribuintes residentes. 

VER BYOHI Bring your own health insurance 
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/11/que-venham-os-pensionistas-com-seguro.html

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Refletir sobre os novos desafios de gestão financeira

Hoje tive a grata oportunidade de ouvir especialistas falar de estratégias de investimento  e as mega-tendências de longo prazo numa conferência do banco BIG, mais uma vez premiado com o banco mais sólido do mercado português.  É bom parar para refletir sobre os bons conceitos fundamentais em face dos novos desafios de gestão financeira familiar e empresarial. 

Image result for BIG perspectivas de investimentoO passado recente foi risonho.  Gostei da analogia da conjuntura Goldilocks em 2017 de contexto geralmente favorável, da sopa nem quente demais nem fria demais, mas sim "just right".  Mas quem vai "cultivar os legumes e fazer a sopa" no futuro para os velhinhos de 100+ anos com o envelhecimento da população mundial ? 

Constituir poupanças é o primeiro passo essencial, especialmente para quem tem muito "equity-risk" na sua atividade principal e precisa de aplicar o seu pé-de-meia em instrumentos financeiros seguros.   Com taxas de juro nominais negativas, como é que se vai poupar  e gerir  as poupanças necessárias  para sustentar uma população cada vez mais dependente? 

Parece-me que há um desajuste entre a perceção atutal das autoridades monetárias e do mercado financeiro focados no curto prazo e a realidade demográfica de longo prazo.  Este "reality-perception gap" representa uma boa oportunidade de arbitragem, para quem conseguir acertar.   A distorção económica causada por manter taxas de juro nominais negativas meses e anos a fio cria uma  situação francamente assustadora em termos de sustentabilidade. 

A baixa taxa de poupança em contra-ciclo com taxa de dependência demográfica são mega-tendências insustentáveis e difíceis de inverter.  E que não se resolvem com supostas "inovações financeiras" como o "crédito na hora" nem o bitcoin, mas sim com menos consumo, mais poupança, e com melhor investimento com mais valor acrescentado. 

Sobre o bitcoin, podem ver o artigo que publiquei recentemente sobre as moedas digitais, que fazem lembrar o tempo em que cada banco criava o seu próprio papel-moeda que colapsava de tantos em tantos anos em sucessivas crises bancárias.   Quando houver um único emissor oficial de cripto-moedas, aí sim pode servir de meios de pagamento e de reserva de valor...para as parcas poupanças, se as houver. 

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Camões aberta candidaturas para projetos de cooperação, até 23-março

Foram abertas as candidaturas para apresentação de propostas de projetos de cooperação para o desenvolvimento de ONGD. O período para a entrega de propostas termina a 23 de março de 2018, sendo o montante global definido para o seu cofinanciamento de 1.850.000,00 euros.
As propostas de projeto devem ser apresentadas de acordo com os “Critérios de Elegibilidade” e demais regras em vigor, que se encontram disponíveis em:
Nos termos previstos nos “Critérios de Elegibilidade”, será de salientar a importância de parcerias de diversa natureza, designadamente entre ONGD de diferentes dimensões, e o facto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) integrarem o quadro de referência a tomar em consideração.
Fonte: http://www.instituto-camoes.pt/sobre/comunicacao/noticias/19033-projetos-de-cooperacao-para-o-desenvolvimento-de-ongd-2018 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, fez uma intervenção na sessão de abertura do Seminário Diplomático 2018, no dia 3 de janeiro, em Lisboa, onde apresentou as seis marcas de água da política externa portuguesa:

  • A participação ativa na construção europeia;
  • O elo transatlântico e a valorização do atlântico no seu todo;
  • O empenhamento na CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e a defesa do diálogo entre a Europa, África e as Américas;
  • A ligação às comunidades portuguesas, tirando partido da sua diversidade, da sua integração nas sociedades de acolhimento e nos laços profundos com Portugal;
  • A promoção da internacionalização da economia e da sociedade portuguesa;
  • A defesa do multilateralismo e o empenhamento nas agendas multilaterais, designadamente na diplomacia pela paz e dos Direitos Humanos, na agenda do desenvolvimento e na agenda das alterações climáticas.
Seminário Diplomático 2018
O Seminário Diplomático é uma iniciativa anual do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que reúne membros do Governo – incluindo todos os secretários de Estado do MNE, que participam em reuniões e painéis temáticos - representantes da Administração Pública, das universidades, da comunidade empresarial e da AICEP e outros setores estratégicos com os embaixadores de Portugal para debater os principais temas de interesse para a política externa portuguesa. Na edição de 2018 participaram como oradores convidados o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, e o antigo Primeiro-Ministro italiano e actual reitor da Paris School of International Affairs, Enrico Letta, para além do Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.
Fonte: https://www.copenhaga.embaixadaportugal.mne.pt/pt/a-embaixada/noticias/572-augusto-santos-silva-na-abertura-do-seminario-diplomatico-2018

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Bolha e euforia do bitcoin segue modelo estudado por Kindleberger

Um corretor  brasileiro de bitcoin vem agora dizer que não há bolha no bitcoin, até investe algum (!?) dinheiro da sua família em cripto-moedas digitais. 
Aposto que esse corretor entusiasta e eufórico nunca leu um dos meus livros favoritos, que gosto de reler quase todos os anos, e que  já referi neste blog,  um  clássico de história económica:
Charles Kindleberger, 1978,  Manias, Panics and Crashes
Kindleberger foi professor de economia internacional em MIT e é considerado um dos grandes economistas pela elegância em que apresentava  conceitos económicos complexos de uma forma acessivel para o público em geral.
(ver obituário de 2003  http://www.economist.com/node/1923462

A bolha é definida como um fenómeno financeiro em que investidores especulativos
compram um ativo sabendo que o preço está muito acima de qualquer "valor fundamental", na expectativa de que os preços continuem a subir e a subir.

Kindleberger estudou vários eventos de bolhas e pânicos  financeiros, desde a bolha das tulipas no século XVII e identificou um modelo elegante em 5 fases:
  1. Displacement - Deslocamento de investimentos para um negócio novo, por vezes prometedor mas mal conhecido; os primeiros investidores que ganham bastante dinheiro.
  2. Boom - Expansão desenfreada do novo negócio, geralmente alimentada a crédito.
  3. Euforia  e bolha - Pequenos investidores procuram "apanhar a onda" do novo negócio sem analisar.  Primeiros investidores "profissionais" começam a retirar-se vendendo aos novos "investidores de retalho" no pico dos preços.  
  4. Crise -  Expansão revela-se excessiva, muito para além do potencial fundamental do novo negócio, debandada em pânico provoca perdas para quase todos os investidores.
  5. Revulsion - Revulsão e colapso dos preços para níveis abaixo do "valor fundamental subjacente", que pode depois tocar fundo estabilizar se o novo negócio trouxer mesmo valor acrescentado à economia. 
Fonte: https://www.pragcap.com/anatomy-of-bubbles-and-crashes/ 

Para além dos investidores inexperientes e incautos, tipo "maria vai com as outras" na fase atual da Euforia do bitcoin, o que está em causa na bolha do bitcom, é mesmo o "valor fundamental subjacente" das cripto-moedas como novo instrumento financeiro, como meio de pagamento, como reserva de valor, etc.    Será a nova moeda digital se vai tornar tão respeitado e omnipresente como o papel-moeda? 

Uma pista para a análise do "valor fundamental" do bitcoin é a referência frequente nos artigos cheios de entusiasmo à não-tributação dos rendimentos e dos valores aplicados em bitcoin.  Um negócio cujo valor depende da evasão fiscal é um desafio ao fisco de todos os países, assim convidados a fazer esvaziar a bolha com uma penada de legislação. 

Melhor esperar que o Uncle Sam e as outras autoridades tributárias e os reguladores financeiras comecem a tirar o seu quinhão dos negócios em bitcoin antes de aplicar qualquer parte da fortuna familiar na nova moeda-sem-papel

Mariana Abrantes de Sousa
Janeiro 2018

Ver também: http://ppplusofonia.blogspot.pt/2008/10/efficient-market-fallacy.html





segunda-feira, dezembro 25, 2017

China investimento em Portugal e a criação de emprego

Um artigo recente em The Economist de 30-Nov-2017 diz que Portugal anda a nadar em massa Chinesa, como um dos principais beneficiários do FDI investimento direto chinês na Europa. 

Mas os investimentos chineses trazem pouco valor acrescentado para Portugal.  Os investidores chineses têm comprado empresas maduras, algumas operadores de serviços públicos quase monopolistas, as jóias da coroa.  Criação de novos empregos em investimentos de raiz, greenfield, praticamente zero

O critério de avaliação do valor acrescentado e do muliplicador de investimento deve sempre focar o VAN Valor Acrescentado Nacional, os beneficios no saldo comercial X-M e a criação de emprego líquido. 

Onde está o benefício líquido para Portugal dos investimentos chineses?  
Para financiar a importação de  T-shirts e outros bens de consumo da China ?
Ou apenas na construção de casas de luxo para os vistos Gold e algum turismo.


PPP Lusofonia Dec 17-2017  Comments in The Economist 
Using idiomatic phrases like "Portugal is rolling in Chinese loot" makes for good reading but for bad economics.   Better go back to basics of International Trade 101.
Super net exporters like China and Germany (or OPEC in its high times) can become so cash rich that they can buy up everything in sight. But acquistions of existing (brownfield) companies is just churning "pedtrodollars" and it is not as beneficial as new (greenfield) FDI investments which actually create jobs in the net importing countries.
China is Portugal's main import supplier outside of Europe, so the Chinese incoming "loot" just helps to pay for the bilateral trade deficit, a sort of barter (swap of electricity company shares for T-shirts). The net job creation of the sizable Chinese investments in Portugal is minimal if any, except for some construction jobs for the tourism sector and Golden Visa program. 

VER também http://ppplusofonia.blogspot.com/2011/12/se-o-pai-natal-fosse-chines.html

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Concurso: data limite alterada

Comunicado
A data limite para a entrega dos trabalhos para o Concurso de Ideias: Plano Florestal para UMA Floresta Sustentável e UMA Aldeia+VERDE foi alterado para 20-Fevereiro-2018. http://soroptimistapt.blogspot.com/2017/12/concurso-plano-para-floresta.html