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quarta-feira, julho 11, 2018

EurAfrican Forum 2018 - Of Boats and Dragons

EurAfrican Forum - Barcos sem Porto, Fantasma do Dragão
Estoril, 10-Julho-2018

Foi muito interessante assistir à conferência sobre o EurAfrican Forum e encontrar amigos da Diáspora portuguesa.
O evento reuniu líderes africanos e europeus, de governos, empresas e da sociedade civil para discutir objetivos partilhados e explorar novos tipos de cooperação e coligação num momento em que o contexto geopolítica global está mudando rapidamente, trazendo consigo tanto promessas como riscos.

O evento foi organizado por José Manuel Durão Barroso, antigo Presidente da Comissão Europeia e Primeiro Ministro de Portugal e o Conselho da Diáspora Portuguesa, uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, cujo principal objetivo é valorizar a imagem e reputação internacional de Portugal envolvendo a Diáspora portuguesa de comprovada influência que se tenha destacado em vários campos, nomeadamente em Cultura, Cidadania, Ciência e Economia. Esta Rede Mundial Portuguesa conta atualmente com 92 Conselheiros, de mais de 25 países e 45 cidades, nos 5 continentes.

Entre os oradores do EurAfrican Forum estiveram o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, e numerosos ministros, embaixadores e representantes de países europeus e africanos. 

Todos focaram a necessidade de intensificar o diálogo Europa-África, considerando que a África está se tornando cada vez mais importante para a Europa, como vizinha, e como parceiro comercial. Os países dos dois continentes necessitam de lidar com os enormes desequilíbrios demográficos e os fluxos resultantes de migrantes e refugiados e de ajudar a África a responder aos seus enormes desafios de investimento, não apenas em infra-estruturas (EUR 100 biliões/ano), mas também em saúde, educação, segurança alimentar, justiça ...

Eis algumas impressões:

1. A ideia peregrina de que a Europa pode "fechar as rotas do Mediterrâneo" do Oriente Médio e da África é uma "ilusão do pior tipo", considerando famílias pobres com 5,2 filhos na margem sul e famílias ricas com 1,2 filhos na margem norte.  Esta tentativa pode vir a acontecer, com um sofrimento incalculável. Recorde-se os barcos superlotados à deriva no Mediterrâneo, sem porto de abrigo.

2. Os oradores africanos falaram da a sua preferência pelo financiamento do livro de cheques (checkbook) da China comparado  à lista de condições (checklist)  da Europa, com exigências numerosas. Sentia-se mesmo a presença do "dragão na sala". 

3. É claro que a China está importando (e às vezes fazendo permutas ou pagando antecipadamente) as matérias-primas da África sob condições menos transparentes.

4. Em alternativa, a Europa pode concentrar os seus esforços na importação de outros bens e serviços africanos para gerar crescimento económico sustentável, industrialização e empregos ao sul do Mediterrâneo. Os países pobres que não conseguem exportar bens e serviços, acabam por exportar as pessoas, sejam elas classificadas como meros "migrantes" ou "refugiados" desesperados (ver ponto 1 acima).

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

It was very interesting to attend the the conference on EurAfrican Forum in Estoril  and to meet friends from the Portuguese Diaspora.  

The Forum brough toghether African and European leaders from government, business and civil society to discuss shared goals and to collectively explore new types of cooperation and coalitions at a time where the global geopolitical landscape is rapidly changing, bringing with it both promises and risks.

The Forum was organized by José Manuel Durão Barroso, a former President of the European Commission and former Prime Minister of Portugal and the Portuguese Diaspora Council, a  non-profit private association, founded in 2012, aiming to enhance Portugal’s image and international reputation  involving the Portuguese diaspora of proven influence who have distinguished themselves in fields such as Culture, Citizenship, Science and Economics. The World Portuguese Network currently comprises 92 Counselors, from over 25 countries and 45 cities, on the 5 continents.

Forum speakers included President of the Portuguese Republic Marcelo Rebelo de Sousa and numerous ministers, ambassadors and representatives from European and African countries, who all focused on the need to step up the Europe-Africa dialogue. Africa is  becoming more and more important to Europe, as a neighbor, as much as a trading partner.  Toghether, countries from the two continents need to deal with the huge  demographic imbalances and the resulting migration and refugee flows and to help Africa meet its huge investment challenges, not just in infrastructure, but also in health, education, food security, justice... 

Here are a few impressions: 
1. The idea that Europe can "close off  Mediterraneum routes" from the Middle East and Africa is a "fantasy, an illusion of the worst kind", considering poor families with 5.2 children on the southern shores and rich families with 1.2 children on the northern shores. It might just happen anyway, with untold suffering.  Recall the overloaded boats bobbing in the Mediterraneum sea. 

2. The African speakers spoke often about their preference for China's "checkbook investments" over Europe's "checklist-based funding"  with all-too-numerous conditions. We could really  feel the presence of "the dragon in the room".  

3.  Of course China is importing (and sometimes bartering or pre-paying for) raw materials from Africa under less than transparent conditions.   

4. Alterantively, Europe might focus its efforts on importing other African goods & services to generate sustainable economic growth, industrialization and jobs south of the Mediterraneum.  Poor countries which cannot export goods & services, WILL export people, whether they are classified mere "migrants" or desperate "refugees" (see point 1 above). 

Sources: https://www.un.org/sg/en/content/sg/statement/2018-07-10/secretary-generals-video-message-euro-african-forum

quarta-feira, junho 27, 2018

BAsD oportunidades de consultoria, AICEP, 29-Junho

Asian Development Bank
A aicep Portugal Global, o GPEARI do Ministério das Finanças e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAsD), convidam para o
Encontro: Asian Development Bank – Consulting Services Business Opportunities in Asia” 
Data:      29 de junho,   9h30 - 12h00
Local:    Auditório da AICEP, Av. 5 de Outubro, 101, Lisboa 
Esta sessão é dedicada às oportunidades de prestação de serviços de consultadoria para o BAsD e para projetos financiados por este, abrangendo as mais diversas áreas, infraestruturas, energia, tecnologias de informação e comunicação, transportes, desenvolvimento urbano, água, ambiente, cooperação e integração regional, entre outras.
A participação nesta ação é gratuita mas de inscrição obrigatória, até 27 de junho, através do preenchimento do formulário de inscrição online(inscreva-se aqui).  

AICEP Aproveite esta oportunidade para saber mais sobre estas oportunidades de negócio e conhecer as possibilidades que o BAsD oferece para a expansão da sua atividade nos mercados emergentes e em crescimento da Ásia e Pacífico.    Este evento tem uma primeira parte mais teórica e uma segunda parte mais prática e facilitadora do posicionamento das empresas.

Para esclarecimentos adicionais, queira por favor contactar a área das Multilaterais da AICEP, através do endereço eletrónico (gt.multilaterais@portugalglobal.pt) ou através do telefone 217 909 755.
Ver mais em  http://portugalglobal.pt/PT/Internacionalizar/Multilaterais/Paginas/adb-consulting-services-business-opportunities-in-asia.aspx

quinta-feira, junho 21, 2018

Banco Interamericano promove assistência técnica em PPPs

HomeREOI for Framework contracts for PPP Tech Assistance  

REQUEST FOR EXPRESSIONS OF INTEREST CONSULTING SERVICES
Selection # as assigned by e-Tool: RG-T2998-P003
Selection Method: Full Competitive Selection
Country: Regional    Sector: PPP
Funding – TC #: ATN/OC-16388-RG, ATC/OC-16389-RG     (USD 7 million)
Project #: RG-T2998
TC name: Facility to Support Public-Private Partnerships in Infrastructure   
Description of Services: Support the IDB and its clients in a range of activities required to
i.  strength the regulatory and institutional framework,
ii. prepare and implement public-private partnership (PPP) projects in LAC
iii. disseminate PPP knowledge 

The Inter-American Development Bank (IDB) is executing the above mentioned operation. 
Expressions of interest must be delivered using the IDB Portal for Bank Executed Operations ( http://beo-procurement.iadb.org/home
by: June 25, 2018, 5:00 P.M. (Washington D.C. Time).

The consulting services (“the Services”) include a range of activities required to strength the regulatory and institutional framework prepare and implement public -private partnership (PPP) projects in LAC. Timelines will be determined through the work order and associated bids by providing proposed work plans and total costs for that work order.
Eligible consulting firms will be selected in accordance with the procedures set out in the Inter-American Development Bank: Policy for the Selection and Contracting of Consulting firms for Bank-executed Operational Work - GN-2765-1.

All eligible consulting firms, as defined in the Policy may express an interest. If the Consulting Firm is presented in a Consortium, it will designate one of them as a representative, and the latter will be responsible for the communications, the registration in the portal and for submitting the corresponding documents.

The IDB now invites eligible consulting firms to indicate their interest in providing the services described below in the draft summary of the intended Terms of Reference for a Framework Agreement. 
Interested consulting firms must provide information establishing that they are qualified to perform the Services (brochures, description of similar assignments, experience in similar conditions, availability of appropriate skills among staff, etc.)... and have a presence in Latin America 

Eligible consulting firms may associate in a form of a Joint Venture or a sub-consultancy agreement to enhance their qualifications. Such association or Joint Venture shall appoint one of the firms as the representative.
Interested eligible consulting firms may obtain further information during office hours, 09:00 AM to 05:00 PM, (Washington D.C. Time) by sending an email to: [danielca@iadb.org]

segunda-feira, junho 11, 2018

Banco que foi banco agora é Fintech

Agora os banco comerciais  fogem dos depósitos, que remuneram mal, para evitar o risco de serem acusados de facilitar o branqueamento de capitais.

E fogem do crédito comercial para não terem que analisar diversos projetos de investimentom a fim de avaliar a capacidade de reembolso  e resiliência e escolher os melhores.  Bancos preferem investir em titulos do Tesouro e evitar o risco de crédito comercial que está cada vez mais condicionado.

Efetivamente, os bancos já não são o que eram. Bancos já não fazem intermediação financeira tradicional. 

Os bancos de hoje preferem dedicar-se à venda de diamantes, pois o negócio de ourivesaria parece ser mais seguro.

Mas os aforradores continuam a necessitar de encontrar empreendedores e vice versa.

Eis que surgem as empresas Fintech, que facilitam esses encontros.   http://revistabusinessportugal.pt/cristina-alcobia-um-exemplo-de-trabalho-e-de-empreendedorismo/

sábado, maio 05, 2018

TIC e a economia rural

Eis um exemplo interessante de "valor acrescentado por SMS".

Num experimento randomizado procurou-se determinar o impacto de fornecer aos agricultores rurais informações sobre os preços dos seus produtos no mercado através do envio de mensagens de texto SMS para seus telemóveis celulares.
Usando um novo índice de redes de comunicação entre as aldeias, mostra-se que a intervenção:
(1) levou a um aumento positivo sustentado de cerca de 9% nos preços recebidos pelo grupo de agricultores alvo de tratamento que recebeu as mensagens, e
(2) teve benefícios indiretos substanciais nos preços recebido por certos agricultores do grupo de controle.

Discute-se um novo mecanismo de "spillovers" ou efeitos externos de negociação que pode explicar o aumento de tais externalidades positivas, mesmo na ausência de  partilha de informações entre o grupo alvo e os grupos de controle. A contabilização de spillovers é crucial, sem o qual poder-se-ia erroneamente concluir que a intervenção não trazia benefícios a longo prazo para os agricultores.
O retorno direto sobre o investimento do serviço se info-preços por SMS excede 200%, um resultado que ressalta o enorme potencial das intervenções de TIC nos mercados emergentes.

Autora:  Giorgia Romagnoli, Universidade de Amsterdam
Fonte:  NOVAFRICA, seminário 9-Maio-2018 

quinta-feira, março 22, 2018


O Relatório da CTI2, da Cominssão Técnica Independente sobre os fogos de 15-16 de Outubro que devastaram a Região Centro é de leitura obrigatória para muitos que procuram respostas ao grande desafio da gestão florestal sustentável.  

Para que a floresta seja sustentável em termos ambientais e de segurança, terá que voltar a ser sustentável em termos económicos, como foi referido num artigo anterior sobre a floresta que deixou de ser o mealheiro das famílias.   Apesar de ser um  bem público, a floresta portuguesa é maioritariamente de propriedade privada, em alguns casos votada ao abandono. 

Por isso, antes de ler todas as 216 paginas,  procurei  referências económicas, que são relativamente poucas.   

Notável é a discussão de como promover as arborização de faixas de segurança (de 100 metros de largo) com espécies folhosos com menor risco de incêndios, e a sugestão de alguns incentivos.  


"7.1.6. Integração entre medidas de apoio à arborização e proteção de aglomerados
e) No facto das áreas com arvoredo que apresentam menor risco de incêndio serem também aquelas que normalmente apresentam melhores características ambientais e paisagísticas;

f) Investimentos para a obtenção de espaços rurais com qualidade acima do normal deveremos fazê-lo nos locais onde as pessoas no seu dia-a-dia delas mais possam  usufruir, sendo, portanto, as envolventes dos aglomerados os locais a privilegiar;
....

7.1.7. Programa para uma Infraestruturas Verde de Proteção dos aglomerados

populacionais

....


b) Definição das condições de adesão, com a imperativa necessidade de cumprimento de
objetivos públicos claros de proteção contra incêndios rurais, independentemente de
outros interesses produtivos, públicos ou privados que possam e devam cumprir;
c) Organização e adesão simplificada, em nome pessoal ou de coletividade, com ou sem
titularidade de propriedade;
d) Obrigação de apresentação de evidências físicas e de manutenção de contabilidade
organizada (simplificada), mas em que todos os pressupostos de controlo assentem essencialmente em evidências físicas (tendo como referência os programas europeus
geridos ao nível da comunidade europeia, e não a tradicional gestão massivamente
administrativa do PDR português);
e) Para implementação prioritária na envolvente de aglomerados populacionais;
f) Financiamento forfetário à instalação de culturas ou atividades agrárias (agrícolas ou
florestais) de baixo risco de incêndio (folhosas caducifólias, etc.);
g) Financiamento de prémio anual de manutenção, com valor fixo forfetário, que premeie
as utilizações com intervenções economicamente reduzidas, e sustentáveis a médio
prazo (no limite, por exemplo, pela não necessidade de intervenção);
h) Atribuição de prémios substanciais aos 10 e 20 anos de manutenção da atividade e de
baixo risco de incêndio.
... "

A promoção e gestão destes "serviços eco-sistémicos para UMA FLORESTA SUSTENTÀVEL, prestados por alguns em beneficio de todos, não vai ser fácil.  

Para além de uma Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, precisamos mesmo, mesmo  de uma Agência para a Gestão Integrada da Floresta.  
A começar pela Sustentabilidade Económica. 

Mariana Abrantes de Sousa 




Ver também Floresta tem que dar uma volta de 360º
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2018/03/floresta-portuguesa-tem-dar-uma-volta.html



Floresta portuguesa tem que dar uma volta de 360º

A nossa floresta vai ter que dar uma volta de 360º !

Pergunta: 
360 graus é a volta completa, ou seja, vai parar ao mesmo sítio.
Não será antes uma volta de 180º ? 

Resposta:
NÃO, tem mesmo que ser mesmo uma volta de 360º, de um equilíbrio antigo quando as matas eram o mealheiro de muitas famílias, para um equilíbrio novo agora que a floresta absorve, não liberta, recursos, e acrescenta, não reduz, riscos.  Tem tudo que ser repensado desde a base, que é a estrutura fundiária,  os minifúndios que passaram a valer ZERO.
Bjz carro do tojo

Senão vejamos.

Era uma vez uma aldeia na floresta circa 1960.

As pessoas, sobretudo as mulheres, juntavam a caruma dos pinheiros e as pinhas para queimar nas lareiras e nos fogões a lenha.  Os arbustos rasteiros eram cortados (roçados) e retirados para aplicar no cultivo dos terrenos. Tudo se aproveitava "roçando o estrume" e carregando o "carro do tojo". A floresta ficava efetivamente limpa de biomassa, palavra então desconhecida.
Nascia alguma erva, que alimentava pequenos rebanhos de ovelhas e cabras, à guarda da criança mais nova da família.
Gestão de biomassa aos molhos 1965

Os pinheiros eram resinados e serviam de mealheiro para a família.  Quando casava a filha, vendiam-se uns tantos pinheiros para pagar a boda. A rama que os madeireiros não levavm era cuidadosamente aproveitada para lenha, ou para estacas e espeques nas vinhas.

Bjz rebanho capela
Este humilde equilíbrio ambiental, mas não económico, foi-se perdendo no interior do país.
Famílias inteiras emigraram, para as cidades ou para o estrangeiro, os que ficarem tem muito menos filhos.
Já não há quem junte a caruma e as pinhas, também porque as pessoas que ficaram envelheceram ou passaram a cozinhar com a botija de gás. Já não há crianças para guardar ovelhas.  A resina acabou com a concorrência da China.

As matas foram acumulando matéria orgânica de ano para ano, ardendo aqui e ali.
As silvas tomavam conta de muitos terrenos e matas "abandonadas" sem oposição.
Afinal de contas "as silvas não pedem pão", o "mealheiro" parecia intacto, até reforçado com a plantação avulso de eucaliptos.

Até que vieram os incêndios florestais catastróficos de 2017. 

Boa parte deste "mealheiro florestal" na Região Centro ardeu, deixando a nu as pedras e calhaus e todas as fragilidades da uma "gestão florestal" que não merece o nome.  Os numerosos proprietários de tiras de floresta sofreram grandes perdas patrimoniais  não cobertas por nenhum seguro, nem pelo  Estado que se limita a indemnizar a perda de vidas e de explorações agrícolas: 16 euros por oliveira, 5 euros por videira...

Os pinheiros ardidos ficam desvalorizados. Os maiores vendem-se ao desbarato pois os madeiros não têm mãos a medir. Os pinheirinhos pequenos, é necessário pagar para os tirarem.    Os terrenos que escaparam têm que ser "limpos" dentro de poucas semanas.  Tem que se cortar o mato rasteiro, des-ramar ou esgalhar as árvores, mas a biomassa pode-se deixar no local.  Isto é "limpeza da floresta", tirar as migalhas de cima da mesa e deixá-las no chão?

Trata-se de um trabalho sujo, pesado, perigoso, trabalhar com serras eléctricas, roçadoras, tractores.  O trabalho de desmatação, de áreas queimadas ou não, é urgente, chega para todos, até para agricultores de fim de semana.

Pergunta-se, em que condições está a ser feito ? Os trabalhadores têm seguros de acidentes de trabalho adequados, quando estão a trabalhar nos seus próprios terrenos, ou uns dos outros em regime de entreajuda, ou "ao dia fora" por conta de algum proprietário, ou como voluntários informais ?

O mealheiro da floresta entrou em rotura. 
O desequilíbrio ambiental e económico está à vista. 

A Tia Maria, que tem uma pequena  mata onde guardou ovelhas em criança, tem que pagar a alguém para cortar o mato, que felizmente não ardeu,  talvez 50 euros por dia, acrescido de 30 euros por dia para seguro de trabalhador ocasional.   A pensão de reforma média de 365 euros/mês não chega nem para os medicamentos quanto mais para isto.  Se não cortar o mato, a Câmara Municipal vai fazê-lo e vai-lhe exigir o reembolso das despesas com os sapadores e provavelmente aplicar alguma coima.  Lá se vai a pensão de reforma, naquele mês não vai poder comprar os medicamentos.  Confirma-se que a mata da sua infância passou de ativo a passivo, vale muito menos ou mesmo nada se for pequena e inacessível, terreno de cabras.  Será que a Câmara aceita a dita mata como dação em pagamento?

Perdas patrimoniais não cobertas.

As matas que arderam perderam boa parte do valor.  Em alguns casos os madeireiros já não oferecem dinheiro para cortar os pinheiros queimados. E vai levar anos até voltarem a produzir lenha ou madeira.  Esta perda devido à calamidade dos incêndios está a ser suportada por cada proprietário, que geralmente não tinha seguros.  Em alguns países, estas perdas não cobertas (uninsured casualty losses) poderiam ser deduzidas  em sede de IRS, mas em Portugal não.
O povo que aguente.

Destruição de valor de propriedades no interior.

Com as perdas já sofridas e os riscos acrescidos reflecte-se no valor das propriedades.
Quintas que valiam 500.000 euros são agora vendias por 280.000 euros. E é quando se consegue vender.  Agricultores de 60 ou 70 anos já não conseguem retomar a exploração.

Em busca do equilíbrio perdido: Novo  equilíbrio florestal precisa-se.  

E o povo vai aguentando, empobrecido,  á espera de um novo equilíbrio económico que permita voltar a considerar as matas como uma fonte de receita, em vez de fonte de despesa
Alguém tem que organizar uma gestão florestal sustentável  e remunerar os prestadores de serviços eco-sistémicas, como a gestão da biomassa, a gestão das águas pluviais, etc, que não são auto-financiáveis.  Para já, vamos ter uma Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais.   

Não haverá sustentabilidade e segurança ambiental e ecológica sem sustentabilidade económica.  E não haverá sustentabilidade económica com o rendilhado de minifúndios.

Da gestão florestal sustentável, em termos económicos, ambientais e de segurança ainda pouco se fala e menos se sabe.

Mariana Abrantes de Sousa
Beijós, Aldeia+VERDE

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Transparência essencial para melhorar a gestão das Finanças Públicas, ISEG, 8 Fev, 17h

No próximo dia 8 de fevereiro, no ISEG (auditório Caixa Geral de Depósitos), terá lugar o debate “Transparência e rigor das finanças públicas”, onde serão discutidos os resultados do Índice IPP-ISEG, no âmbito do Budget Watch, projeto anual que junta o IPP, o ISEG e a Deloitte, e do Open Budget Survey, projeto internacional sobre transparência orçamental, que o IPP integra.

Programa

Receção dos participantes 17h00

Maria Rosa Borges, Vice-Presidente do ISEG

Carlos Farinha Rodrigues, Presidente do IPP

Apresentação do Budget Watch: OE 2018 – Índice Orçamental IPP-ISEG e Open Budget 2017 17h20

João Ferreira do Amaral, Joana Vicente, Luís Teles Morais
ISEG-ULisboa e IPP

Coffee-break 17h50

Comentários e debate com o público 18h00

Joaquim Miranda SarmentoISEG-ULisboa
Jorge MarrãoDeloitte, Comissão Executiva do Budget Watch – Índice Pro-Business Deloitte
Paulo Trigo PereiraAssembleia da República, ISEG-ULisboa e IPP
Susana PeraltaNOVA SBE
(Moderação: Susana Paula, LUSA)
Encerramento 19h
João Leão
Secretário de Estado do Orçamento

terça-feira, janeiro 30, 2018

Portugal de braços abertos a turistas e pensionistas

De acordo com o Eurostat, os estabelecimentos hoteleiros em Portugal acolheram cerca de 71,3 milhões de dormidas em 2017, que se traduz  num aumento de 8,0% face ao período homólogo. Os não residentes continuam a ser responsáveis pela maioria das dormidas (48,3 milhões, 68% do total) e superam as taxas de crescimento homólogas das dormidas dos residentes.
 Face ao ano anterior de 2016, os maiores aumentos do número de dormidas em estabelecimentos hoteleiros em países da União Europeia verificaram-se na Letónia (12,0%), Eslovénia (11,3%), Croácia (10,6%), Portugal (8,0%) e República Checa (7,7%).

Portugal está na moda, para turistas, visitantes, e não só. 

A qualidade de vida atrai também "snow-birds", pensionistas do norte que gostam de aproveitar o bom clima e o bom ambiente como residentes em Portugal.  

Com estes novos residentes já não estão no ativo, pagam poucos impostos em Portugal. Sendo mais idosos, podem ter maiores necessidades de cuidados de saúde, pelo que é essencial que tragam o seu próprio seguro de saúde para não sobrecarregarem as finanças públicas e os contribuintes residentes. 

VER BYOHI Bring your own health insurance 
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/11/que-venham-os-pensionistas-com-seguro.html

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Refletir sobre os novos desafios de gestão financeira

Hoje tive a grata oportunidade de ouvir especialistas falar de estratégias de investimento  e as mega-tendências de longo prazo numa conferência do banco BIG, mais uma vez premiado com o banco mais sólido do mercado português.  É bom parar para refletir sobre os bons conceitos fundamentais em face dos novos desafios de gestão financeira familiar e empresarial. 

Image result for BIG perspectivas de investimentoO passado recente foi risonho.  Gostei da analogia da conjuntura Goldilocks em 2017 de contexto geralmente favorável, da sopa nem quente demais nem fria demais, mas sim "just right".  Mas quem vai "cultivar os legumes e fazer a sopa" no futuro para os velhinhos de 100+ anos com o envelhecimento da população mundial ? 

Constituir poupanças é o primeiro passo essencial, especialmente para quem tem muito "equity-risk" na sua atividade principal e precisa de aplicar o seu pé-de-meia em instrumentos financeiros seguros.   Com taxas de juro nominais negativas, como é que se vai poupar  e gerir  as poupanças necessárias  para sustentar uma população cada vez mais dependente? 

Parece-me que há um desajuste entre a perceção atutal das autoridades monetárias e do mercado financeiro focados no curto prazo e a realidade demográfica de longo prazo.  Este "reality-perception gap" representa uma boa oportunidade de arbitragem, para quem conseguir acertar.   A distorção económica causada por manter taxas de juro nominais negativas meses e anos a fio cria uma  situação francamente assustadora em termos de sustentabilidade. 

A baixa taxa de poupança em contra-ciclo com taxa de dependência demográfica são mega-tendências insustentáveis e difíceis de inverter.  E que não se resolvem com supostas "inovações financeiras" como o "crédito na hora" nem o bitcoin, mas sim com menos consumo, mais poupança, e com melhor investimento com mais valor acrescentado. 

Sobre o bitcoin, podem ver o artigo que publiquei recentemente sobre as moedas digitais, que fazem lembrar o tempo em que cada banco criava o seu próprio papel-moeda que colapsava de tantos em tantos anos em sucessivas crises bancárias.   Quando houver um único emissor oficial de cripto-moedas, aí sim pode servir de meios de pagamento e de reserva de valor...para as parcas poupanças, se as houver.