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terça-feira, abril 26, 2022

Aldrabado, crédulo ou cúmplice circa 2008

"Fui aldrabado, fui enganado" é uma bela desculpa em quase todas as situações. Serve para explicar a derrota tanto no campo de jogo, como no campo da governação. 

As desculpas dos treinadores de futebol são de pouca consequência. Já as desculpas ligeiras dos governantes são muito mais preocupantes. 

Se os governantes, cuja missão é zelarem pelo bem-estar, a segurança e a prosperidade do povo, se deixam "aldrabar" com tanta facilidade, será que devemos confiar mais nos aldrabados do que nos aldrabões? E como os distinguir? 

Será que os aldrabados não foram demasiado crédulos, não ignoraram os alertas, não foram indiferentes ao risco coletivo, não foram imprudentes com os nossos interesses comuns?  

Aldrabões há muitos, sempre houve. Quem não desconfiou dos aldrabões no passado, vai ser mais vigilante no futuro? 

Quem trabalha por conta própria pode deixar-se levar e assumir os risco e consequências.

Quem trabalha por conta de todos nós, por conta do erário público,  tem que ser mais prudente, deve precaver e evitar as consequências negativas, não apenas para si, mas para todos nós. 

Senão, teremos que ser todos a pagar a falta de "devidos cuidados" de alguns, com cortes salariais e de pensões, etc. 

Mariana Abrantes de Sousa, economista 

25-Abril-2022 

Ver Socrates e PS: Quem aldrabou quem?  https://observador.pt/opiniao/socrates-e-ps-quem-aldrabou-quem/

segunda-feira, agosto 27, 2018

G20 Reorçamentar PPP para Investimento Público Sustentável

As PPPs, as concessões de obra e/ou serviços públicos, são investimento publico como qualquer empreitada de obras públicas do saudoso PIDDAC (Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central).  Só que os contratos de PPP foram criados fora do Orçamento publico anual, o que tem gerado sobre endividamento e gravíssimos riscos fiscais e orçamentais incomportáveis para uma economia frágil. 

Quando uma estrada  não tinha cabimento no orçamento do investimento publico anual, contratavam-se duas estradas em regime de PPP, com previsões de tráfego e de receita de portagem imaginárias, a pagar a prazo.  A fatura do investimento publico passava dos pais e filhos, para os netos e bisnetos pagarem a dobrar. Os investidores foram quase sempre protegidos, fora alguns projetos que entraram em bancarrota. 

A organização G20 quer promover PPPs mais equilibradas e eficientes para executar as grandes obras de infraestrutura necessárias em países emergentes 

Mas, como diz um artigo recente de Ricardo Seabra ( https://sol.sapo.pt/noticia/605665/a-infraestrutura-do-g20)
"Ora, existe claramente um ponto de confluência entre Estados endividados – que necessitam de parceiros para atingir as suas metas de investimento – e investidores privados que procuram diversificação de ativos num mundo de rendibilidades historicamente baixas."
...
"A uniformização de questões contratuais e regulatórias (dos contratos de PPPs recomendado pelo G20) é crucial para dar confiança aos privados, o que por sua vez permitiria também um escrutínio público mais simples que mitigasse os riscos de captura por interesses rentistas. Esperemos que deste modo se evite o triste exemplo que testemunhamos em Portugal na década passada, onde um conceito eficiente para infraestruturas – as PPP – foi completamente desfigurado pelo conluio entre rentistas e os governantes da época."

Quem esconde o que gasta, deixa dívidas para pagar a dobrar.

Foi o icebergue extra-orçamental bem visível já no final de 2007, a desorçamentação sistemática e abusiva do investimento público e a redução do PIDDAC, um dos mecanismos que facilitou a rápida passagem da confluência ao ... conluio. 

Seria bom se o novo manual de PPPs criado e publicado pelo G20 Initiative servisse para evitar futuras crises financeiras previsíveis, alimentadas com despesas extra-orçamentais, com os seus impactos negativos para as populações mais vulneráveis, como aconteceu em Portugal . 

Mariana Abrantes de Sousa 
Financial Consultant and PPP Specialist 
Ver o iceberg das PPP e das empresas publicas de transportes SEE  http://ppplusofonia.blogspot.com/2009/12/encargos-extra-orcamentais-com-servicos.html 
e G20 Managing PPP https://managingppp.gihub.org/


quinta-feira, janeiro 07, 2016

Eleições à Portuguesa, como defender os Direitos de todos não apenas os direitos de alguns

Em Portugal, às vezes parece que temos eleições mês sim, mês não, um exagero de democracia, mas nem por isso somos bem governados.  Temos um calendário de eleições tonto, contra-producente, caro,  com sobreposições e atropelos.  Não admira que os eleitores se cansem e se afastem do processo. É bem provável que a abstenção nas próximas Eleições Presidenciais de 27-Janeiro-2015 venha a ser superior à abstenção de 53,5%  registada nas presidenciais de 2011.

Porque não fazer eleições em datas fixas, alternando as legislativas com as presidências de 2 em 2 anos ? 
Entretanto, para quem quer ser bem governado vale bem a pena assistir aos debates eleitorais em directo, entre as telenovelas  os jogos de futebol, ou ler os resumos nos jornais. Não podemos ignoar que são sempre os cidadãos e os contribuintes que pagam a factura dos erros de governação. Qualquer pequeno empresário ou trabalhador independente tem que pagar mais impostos para dar mais 3 dias de férias aos funcionários públicos com os seus "empregos" e ordenados garantidos.   Se queremos escolher um bom zelador, é importante não o fazer  às cegas, mas sim fazer perguntas e aplicar critérios de selecção para um Presidente da República, tais como:

O PR  "garante a independência nacional",  o que deve incluir a independência financeira.
- Que deveria ou poderia ter feito, ou pode vir a fazer, o Presidente da República,  para evitar que Portugal continue a sucumbir ao  endividamento externo ou para reduzir o grave impacto da crise financeira ? Pode estar mais vigilante, mais atento aos sinais de alerta, mais actuante? Digam-nos como. 
-
O PR "garante o regular funcionamento das instituições democráticas", o Bom  Governo
-  Alguns candidatos, entre académicos e comentadores,  nem sequer têm experiência governativa, executiva, como podem zelar pela boa governação  e promover o rigor, a transparência e sobretudo o consenso  ?  

O PR "mobiliza  o País e os cidadãos", com ambição e alinhamento.
-  Qual é a visão e ambição dos candidatos para Portugal e para os Portugueses e como tencionam mobilizar e alinhar a malta para a superação, ou como já o fizeram no passado? 

Enquanto vamos ouvindo os debates , a fim de preparar a nossa decisão nas urnas a 27-Janeiro, podemos ir colocando perguntas:

- Será que o comentador Marcelo Rebelo de Sousa  vai perder influência ao passar de Queluz de Baixo para Belém ? 


- A antiga Ministra da Saúde Maria de Belém Roseira vai ter  mais capacidade para construir acordos, compromissos e consensos alargados? 

- O empresário Henrique Neto vai ser mais eficaz em evitar falhas de previsão e de gestão de riscos para o erário público e para a economia ?

- O antigo reitor António Sampaio da Nóvoa vai poder  mobilizar os professores e alunos para a excelência na educação a todos os níveis? 

- A socióloga Marisa Matias vai querer  defender os "direitos adquiridos" de funcionários da administração e das empresas públicas, ou os Direitos de todos os portugueses aos Direitos Humanos e à prosperidade sustentável? 
  
- O antigo autarca Paulo de Morais vai conseguir devolver a dignidade às pessoas que vivem em pobreza, com rendimentos de menos de 200 euros por mês,  combatendo  os privilégios ilegítimos como as isenções fiscais abusivas, as "rendas" nos serviços públicos, e a corrupção ? 

 Comissão Nacional de Eleições http://www.cne.pt/

quarta-feira, setembro 30, 2015

Prepare-se para VOTAR e escolha bem o seu Deputado na AR

Como se vai preparar para votar ?

Vai vestir a camisola do costume e votar com o coração, como se a politica fosse o futebol?
Assim, poupa-se trabalho, mas o barato pode  sair-nos caro.   Afinal no futebol não sobem os nossos impostos, nem gestionam  os nossos serviços públicos essenciais, a educação, a saúde, os transportes, a justiça.  

Vai votar com o bolso ?  Só se estiver a contar com um “tacho”, um “emprego bom”, se conta vur sentar-se "à mesa do orçamento2.    

Vai votar com a razão, estudando os  políticos como se a politica fosse um teste de matemática? Não, a política é tudo menos linear, apesar de ser  muito importante e controla pelo menos metade da nossa economia.

Votar com "instrução", estudando   as propostas partidárias primeiro, e depois votar em que nos inspira mais confiança.

Ou vai votar com a intuição, depois de fazer algum trabalho de casa?  Vai estudar os programas, conhecer os candidatos locais, avaliar qual lhe oferece mais eficácia e mais confiança?  Tomar decisões acerca do futuro é sempre delicado, e faz-se melhor juntando a razão ao coração.  

Recordemos que o sistema politico em Portugal é hierarquico, top-down.  Os politicos degladiam-se para conquistar as cúpulas do poder, e controlar o "aparelho" .   

Já dizia Acemoglu sobre a governação em Portugal:  Modernizem-se ! 



Indignados com a austeridade?
E indignados com o sobre-endividamento ilícito e a corrupção ?
Receosos da derrapagem, da insustentabilidade e da instabilidade ?

Veja-se como funciona o sistema politico português neste artigo "Ninguém chega virgem à liderança dos grandes partidos"... sobre Vítor Matos, autor do livro "Os Predadores" http://expresso.sapo.pt/legislativas2015/2015-09-25-Ninguem-chega-virgem-a-lideranca-dos-grandes-partidos 
Este artigo sobre o funcionamento interno dos partidos, sempre top-down, deve ser lindo em conjunto com o trabalho de Acemoglu,  Why Nations Fail http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/06/acemoglu-diz-mondernizem-se.html.  Talvez o nosso défice de literacia esteja subjacente ao défice de democracia. 

Nos US, vota-se no "nosso" Deputado, que nos representa, e eles elegem o líder do partido.  
Em Portugal, vota-se no líder do partido e ele escolhe a sua corte de Deputados, que não representam ninguém. 

Mas os Portugueses não estamos condenados a ser governados de cima-para-baixo, podemos vir a ser governados de baixo-para-cima, como uma verdadeira democracia.
Acemoglu diz modernizem-se http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/06/acemoglu-diz-mondernizem-se.html
O primeiro passo é  VOTAR !
Ver também Indignados e Receosos  http://economico.sapo.pt/noticias/a-indignacao-e-o-medo_230303.html e Défice de Literacia http://economico.sapo.pt/noticias/o-assombroso-defice_230298.html

terça-feira, julho 14, 2015

Deitar 100 milhões ao mar na Madeira, sem consequências

No dia em que conhecem os enormes novos sacrifícios que vão ser exigidos ao povo grego, para evitar o default e sa uspensão de pagamentos com um terceiro bailout a favor dos credores, sabemos de mais um buraco orçamental na Madeira, sem qualquer consequência jurídica ou politica para os responsáveis.  A consequência financeira fica sempre para o coitado do contribuinte, para não variar.

Para bom entendedor, um buraco orçamental devia bastar,  mas não basta.  O povo português é sereno, os eleitores não tiram as devidas conclusões.  Os contribuintes nem sequer juntam as peças do "puzzle", desde a despesa desgovernada, à divida insustentável,   às subidas nos impostos e aos cortes nas pensões.

Havemos de nos ver cada vez mais gregos. 

Resultado de imagem para marina lugar de baixoMadeira: marina de 100 milhões vai ser desmantelada - Obra de Alberto João Jardim foi inaugurada em 2004, mas nunca foi utilizada
O secretário das Finanças da Madeira, Rui Gonçalves, garantiu esta segunda-feira que o Governo regional não fará mais investimentos na marina do Lugar de Baixo, uma obra que custou mais de 100 milhões de euros e nunca funcionou. 

"Não haverá mais gastos adicionais na marina do Lugar de Baixo. Os contribuintes já fizeram um esforço muito significativo naquele empreendimento e, por mais que se fizessem investimentos ali, haveria sempre um risco muito grande de serem destruídos", disse Rui Gonçalves aos jornalistas, na sequência de uma notícia do jornal Público dando conta da intenção do executivo de desmantelar o equipamento. 

O secretário regional realçou que o Governo quer "resolver o problema" da marina do Lugar de Baixo, localizada no concelho da Ponta do Sol, oeste da ilha, pelo que vai desmantelar os equipamentos e entregá-los às câmaras municipais, para novo usufruto por parte da população, deixando o resto da estrutura ao abandono e à mercê das condições climatéricas.

Obra foi construída apesar dos pareceres negativos
Apesar dos pareceres técnicos negativos, a obra foi construída pela Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, uma das quatro criadas durante os governos de Alberto João Jardim, atualmente todas em situação de falência técnica. O investimento inicial foi de 29,7 milhões de euros, mas o custo final ascendeu a 100 milhões de euros, pois a estrutura foi repetidamente destruída por temporais. 

A marina do Lugar de Baixo foi inaugurada em 2004, mas nunca esteve operacional. 
"Chegou-se à conclusão que, do ponto de vista técnico, não seria possível continuar a fazer investimentos naquela infraestrutura", disse Rui Gonçalves, vincando que o Governo decidiu, em articulação com a Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, "desmantelar alguns equipamentos e colocá-los noutros empreendimentos para que possam depois ser usufruídos pela população". 

O secretário das Finanças salientou, por outro lado, que o executivo pretende fundir as sociedades de desenvolvimento e alienar parte dos seus imóveis e equipamentos, "mesmo que isso signifique perder algum dinheiro", como cita a Lusa.
Ver video http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/ponta-do-sol/madeira-marina-de-100-milhoes-vai-ser-desmantelada

quinta-feira, março 26, 2015

Foi você que vendeu gato por lebre ?

Comissão BES/GES: Governador do BdP admite perdas para os clientes lesados
A análise de Mariana Abrantes de Sousa, economista, e Hélder de Oliveira, Ordem dos Economistas, num programa conduzido por Sandra Xavier. "Conselho Consultivo" de 25 de Março de 2015.  http://videos.sapo.pt/ac6lrryVlKyAefEMACWM
O caso dos investidores que compraram papel comercial do GES aos balcões do BES demonstra mais uma vez a importância de segregar o negócio de banca de investimento do negócio de banca comercial simples, de depósitos bancários e de crédito bancário. A desintermediação financeira é interessante, mas não é para todos. Deve ser reservada apenas para profissionais e outros investidores sofisticados.

Cabe ao supervisor bancário proteger as poupanças dos aforradores particulares comuns (widows & orphans), assegurando o seu acesso a depósitos bancários cobertos pela garantia de depósitos.

Já no caso do BPP, os aforradores ambiciosos mas inexperientes e imprudentes tinham sido levados a aplicar os seus fundos em tudo menos depósitos bancários.

O caso do papel comercial do GES vendidos pelo BES  a aforradores não
sofisticados de retalho é mais um exemplo das falhas de regulação que são a principal causa da crise financeira.  Por isso, justifica-se ser o  Fundo de Garantia de Depósitos a proteger os aforradores mais vulneráveis.

Ver mais sobre a separação de banca comercial de banca de investimento e o Glass Steagall Act de 1933 em  http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Glass%E2%80%93Steagall
e outra legislação do New Deal http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/06/new-deal-essential-to-overcome-european.html 

quarta-feira, março 04, 2015

Procedimentos contributivos da Segurança Social são opacos e incompreensíveis



http://videos.sapo.pt/l5fq7Zz5HlKHkAgaFoHS

Mariana Abrantes de Sousa:  "A Segurança Social não está a trabalhar bem"
Os comentadores do ETV  - Mariana Abrantes de Sousa, economista, Hélder de Oliveira, Ordem dos Economistas, e Jorge Ribeirinho Machado, professor da AESE, analisam a polémica de Passos com a Segurança Social, e a proposta de Isabel dos Santos para a fusão entre o BPI e o BCP, num programa conduzido por Sandra Xavier. "Conselho Consultivo" de 4 de Março de 2015.

Este caso deve colocar os códigos e procedimentos contributivos sob escrutínio, que bem merecem. Outros contribuintes recebem cartas com coimas sobre coimas, com penhoras automáticas, e esta dívida prescreveu?







segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Pettis on payments imbalances and recurrent international debt crises

(Em Português abaixo) 
Any article that starts a discussion of the Eurozone crisis by quoting Kindleberger should be not just read, but studied.  A little economic history goes a long way to help understand the limited options to solve the current credit crisis.

Michael Pettis even points to the dangers  of lack of a solid academic grounding in international finance:
" I worry about the terrifyingly low level of sophistication among policymakers and the economists who advise them, when it comes to understanding balance sheet dynamics and debt restructuring."

These worries are shared by many of the commentators, who generally understand the danger of accumulating unsustainables imbalances, Here are some excerpts:

" Syriza’s victory in Greece has reignited the name-calling and moralizing that has characterized much of the discussion on peripheral Europe’s unsustainable debt burden. It is pretty clear, and obvious to almost everyone, that Greece simply cannot repay its external obligations, and one way or another it is going to receive substantial debt forgiveness.  German newspaper Zeit‘s interview with Yanis Varoufakis was entitled “I’m the Finance Minister of a Bankrupt Country”.
"Even if the question of who is to “blame”, Greece or Germany, were an important one, the answer would not change the debt dynamics. It would take the equivalent of Ceausescu’s brutal austerity policies in Romania, which were imposed during the 1980s in order for the country fully to repay its external debt, in order to resolve the Greek debt burden without a write-down. Given that Ceausescu’s policies led directly to the 1989 revolution, which culminated in both Ceausescu and his wife being executed by firing squad, the reluctance in Athens to imitate Romania in the 1980s is probably not surprising.

There is an enormous economic cost, not to mention social and perhaps political, to any delay in reducing  Greece’s debt overhang which imposes rising financial distress costs and increasingly deep distortions in the institutional structure of the economy over time. And the longer it takes to resolve, the greater the cost.

...Dragging out the restructuring process will impose far greater long-term costs on the Greek people than they think.  While it is usually pretty easy to guess what the ultimate deal will look like within the first few days of negotiation, it still takes  years of   bitter arguiments before getting there. "

We are indeed living in dangerous times.

Mariana Abrantes Sousa
PPP Lusofonia

Better read the full article and comments!
Pettis' original article  http://blog.mpettis.com/2015/02/syriza-and-the-french-indemnity-of-1871-73/ 
FT Alphaville comments http://ftalphaville.ft.com/2015/02/06/2113951/michael-pettis-explains-the-euro-crisis-and-a-lot-of-other-things-too/#respond 

Pettis sobre os desequilíbrios de pagamentos e crises internacionais recorrentes
Qualquer artigo que começa a discussão da crise da Eurozone, citando Kindleberger não deve ser apenas lido, mas estudado. Um pouco de história econômica ajuda muito a compreender as opções limitadas para resolver a atual crise de endividamento.

Michael Pettis aponta mesmo para os perigos da falta fundamentos sólidos académicos em finanças internacionais:
"Preocupo-me  com a sofisticação   assustadoramente baixa  entre os decisores políticos e os economistas que os aconselham, quando se trata de compreender a dinâmica do balanço de pagamentos da dívida externa."

Estas preocupações são partilhadas por muitos comentadores, no que respeito ao perigo de acumular desequilíbrios insustentáveis.  Eis alguns excertos: 

"A vitória de Syriza na Grécia reacendeu os insultos e moralizações que têm caracterizado grande parte da discussão sobre o endividamento insustentável da Europa periférica. É muito claro para quase todos, que a Grécia simplesmente não pode pagar as suas divida externa, e uma maneira ou outra, ele vai ter de receber um  perdão substancial da dívida. A entrevista de Yanis Varoufakis num  jornal alemão Zeit levava o título    "eu sou o ministro das Finanças de um país falido".
"Mesmo se  a questão da culpa fosse  importante, a resposta não mudaria a dinâmica da dívida. Seria necessário  o equivalente a políticas de austeridade brutais de Ceausescu na Romênia, que foram impostas durante os anos 1980 para que o país poder pagar totalmente a sua dívida externa, poder poder reduzir a dívida grega, sem um write-down. Tendo em conta que as políticas de Ceausescu levaram diretamente à revolução de 1989, que culminou com o fuzilamento de Ceausescu e sua mulher  que está sendo executado por um pelotão de, o relutância em Atenas para imitar a Roménia na década de 1980 provavelmente não é surpreendente.”

Há um enorme custo econômico, para não mencionar social e talvez político, do excesso de dívida da Grécia que impõe aumento dos custos de dificuldades financeiras e distorções cada vez mais profundas na estrutura institucional da economia ao longo do tempo. E quanto mais tempo demora para resolver, maior o custo.

... O arrastamento do processo de reestruturação vai impor custos muito maiores a longo prazo sobre o povo grego do que eles pensam. Embora seja geralmente muito fácil de adivinhar as condições do acordo final logo nos primeiros dias de negociação, temos muitos anos amargos antes de lá chegar.


Estamos realmente vivendo em tempos perigosos.

domingo, novembro 30, 2014

Défice de governação por trás dos défice orçamental e externo



JUIZ CARLOS ALEXANDRE EVOCA OS TRÊS MOTIVOS PARA PRISÃO PREVENTIVA DE SÓCRATES ETV Conselho Consultivo de 26-Nov-2014 com a análise de Mariana Abrantes de Sousa, economista, Jorge Ribeirinho Machado, professor da AESE, e Hélder de Oliveira, Ordem dos Economistas, num programa conduzido por Marta Rangel. Mariana Abrantes de Sousa - Temos que saber a verdade sobre como chegámos ao buraco em que estamos, 410 mil milhões de Divida Externa Bruta, que dificilmente conseguiremos pagar. Temos um grave défice de governação, subjacente ao défice orçamental e ao défice externo.

terça-feira, novembro 25, 2014

Os países não são todos iguais

No fim de semana em que os jornais saíram com edições especiais e títulos garrafais sobre a detenção do ex-primeiro ministro, sobre  a detenção de responsáveis pela emissão de vistos dourados, sobre as  fracas explicações do colapso da PT e do BES, sobre as condenações no caso BPN...

... o blog PPP Lusofonia tinha,  para não variar,  um pequeno artigo sobre a DIVIDA EXTERNA BRUTA de 410 biliões de Euros a Setembro 2014, 240% do PIB, um número de nos fazer cair da cadeira.   (ver  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/11/ged-ttip-and-supplier-diversity-in.html)

Se há alguma notícia que merece títulos garrafais, é  a DIVIDA EXTERNA BRUTA, o horror  por trás de todas as outras histórias.  Pois é a divida que os nossos netos e bisnetos estarão ainda a pagar quando já ninguém se recordar de quem cortou as fitas e de quem assinou os contratos da nossa desgraça.   

Não há prosperidade com endividamento excessivo, há apenas bancarrotas sucessivas, três em Portugal desde 1890. Se queremos que a bancarrota de 2010 seja a primeira e última do século XXI, temos que enveredar por uma gestão financeira muito mais prudente, com tolerância zero para com a corrupção, e temos que manter viva a memória da crise como VACINA  contra novos abusos e governação  imprudente. 

É pelo prisma da bancarrota, bem visível por trás da ilusão e negação colectiva de devedores e credores, que este nosso povo de brandos costumes,  deve olhar de frente as verdades que agora vêm ao de cima,  por muito asquerosas que sejam. Mais do que AGUENTAR, temos que superar os erros da nossa história. 
  • Para onde foi TODO o dinheiro que dizem que devemos?  
  • Para além dos políticos corruptos e devedores imprudentes, onde está a co-responsabilidade dos credores externos igualmente irresponsáveis?
  • De que forma é que estes eventos tóxicos podem servir para transformar a crise numa oportunidade para dar um salto qualitativo na governação de Portugal ? 
  • Houve imprevisibilidades, negligência ou apenas corrupção mascarada de incompetência,  “erros” fraudulentos e intencionais destinados a passar a factura ao contribuinte incauto ?  

Os países, como os políticos, não são todos iguais.  
Alguns países são bastante mais pobres que outros, geração trás geração. 
Se continuarmos com a mesma governação, se não conseguirmos mudar, bem podemos preparar os netos e bisnetos para para segunda e a terceira bancarrota do século XXI. 

Já dizia Acemoglu (Why Nations Fail, 2012):  Os países POBRES são POBRES porque quem os governa escolhe opções que criam pobreza, frequentemente de propósito.  

Já dizia Piketty (Capital in the XXI Century 2013): O aumento em desigualdade de rendimentos e riqueza nos últimos 200 anos deriva sobretudo da crescente desigualdade entre países ricos (credores) e países pobres (devedores).     


Já dizia o povo:  Quem não tem dinheiro não tem vícios, mas quem tem crédito a mais tem os vícios todos.  

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia