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sábado, outubro 12, 2019

XXIX Encontro de Lisboa reuniu Bancos Centrais da Lusosofonia

XXIX Encontro de Lisboa
Ontem 11-Out-2019, teve lugar o XXIX Encontro de Lisboa que continua a criar sinergias ao reunir as autoridades do sector financeiro dos países de língua portuguesa.Reunir representantes dos Bancos Centrais da Lusofonia tem criado sinergias há quase 30 anos a tratar de questões financeiras importantes para a Lusofonia.
Eis um grande exemplo da valorização da língua portuguesa, há décadas, a replicar em todos os setores.  

Em tempos, adorei o grande desafio de criar um Manual de Financiamento ao Desenvolvimento "Empresas Portuguesas e Mercados Lusófonos", IICT 2005 que foi distribuído aos Bancos Centrais da Lusofonia numa das edições dos Encontros de Lisboa.

Certo, um idioma vale pelo numero de falantes. Mas valoriza mais pelo numero de publicações, eventos, conteúdos na Internet, e sobretudo pelo numero de escritores e de LEITORES.

A Literacia continua a ser o GRANDE desafio de desenvolvimento da Lusofonia. 
Precisamos de trabalhar muito mais  a literacia financeira.

https://ppplusofonia.blogspot.com/2016/03/literacia-financeira-portugueses-nao.html
Mariana Abrantes de Sousa, Economista 

domingo, maio 12, 2019

Aforrador - Quem quer brilhantes ... vai a um BANCO ?

Eu "sou do tempo" em que quem queria comprar joias ia a uma joalharia, não ia a ... um banco.

Os bancos NÂO DEVEM financiar a compra de joias com depositos cobertos pelo Fundo de Garantia de Depositos. 
Os desvarios da gestão bancária e da supervisão prudencial continuam em Portugal. O crédito ao consumo (inprodutivo), volta a bater novos picos, e a poupança dos portugueses novos minímos.   

Não aprendemos NADA em Portugal com as sucessivas crises bancárias e financeiras?

As Comissões de Inquérito parlamentares não nos protegem, 
NEM aos aforradores, 
NEM aos contribuintes. 

Precisamos de uma campanha contra o crédito ao consumo, talvez liderada pelo Mediador do Crédito do Banco de Portugal. 
A falta de Literacia Financeira é evidente desde o consumidor, ao gerente da agência, aos administradores dos bancos e aos  supervisores bancários. 

Quando rebentar a próxima crise bancária (sim, e não tarda), nenhum administrador bancário se vai recordar de ter aprovado tolice nenhuma. 

Se não fosse trágico, seria cómico.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e ex-gestora bancária 

Ver mais em Literacia Financeira circa 2012 https://ppplusofonia.blogspot.com/2012/02/falta-de-literacia-financeira-promoveu.html

sábado, março 09, 2019

Figura de corpo presente sai caro aos contribuintes

Não necessitamos de saber muito de crédito nem de intermediação financeira para fazer perguntas importantes sobre os negócios propostos. Os membros de um coletivo de decisão são pagos para estudar os dossier fazer perguntas. E não há perguntas más.  Falta mesmo é ter coragem, ter  uma cultura de confronto cordial e profissional, "willingness to dissent".

A governação com base em  "homens de confiança", que "fazem figura de corpo presente", e que "entram mudos e saiem calados" sai bem cara aos contribuintes.

Figura de corpo presente https://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/carlos-costa-nao-participei-nos-25-grandes-creditos-que-geraram-perdas-para-a-cgd    via @revistasabado

Entrar mudo e sair calado sai caro aos contribuintes. Ex-administrador do BES que chegou a ter 17 administradores a ganhar, quando mandava só um: “Eu sabia tanto de bancos como de calceteiro”
https://observador.pt/2014/09/05/ex-administrador-bes-sabia-tanto-de-bancos-como-de-calceteiro/  via @observadorpt

Prescisamos urgentemente de uma campanha de responsabilização (accountability). 

quinta-feira, outubro 11, 2018

Crise da Eurozone: Entre credores e devedores salva-se quem pode

In English below
 Um artigo importante de Marcello Minenna publicado no blog FT Alphaville examina a partilha de risco entre os países credores (do centro) e devedores (da periferia ou da suposta "convergência")  ao longo da crise da Eurozone de 2008-2018 para determinar quem efectivamente beneficiou mais com os resgates da Troika, do ECB e das instituições europeias.  
Consolidated position of foreign banks on counterparties resident in Portugal

Com base nos dados do   o Bank for International Settlements (BIS),  a exposição total das instituições financeiras francesas e alemãs aos países mais endividados da periferia foi rapidamente reduzida de 2010 até 2012 graças à substituição de credores comerciais (bancos e investidores privados) por credores oficiais (ECB/BCE, EU, FMI)


Consolidated position of foreign banks on counterparties resident in Ireland
Esta substituição de credores, muito visível no caso da Irlanda, evitou que o Bundesbank e o Banco de França tivessem que apoiar tanto os seus bancos imprudentes. 


Diz o artigo: 
"A narrativa comum é que os programas de resgate ajudaram países profundamente problemáticos a evitar a falência soberana ou as falências bancárias generalizadas. Mas, ao evitar resultados extremos, esses programas também protegeram os bancos dos países centrais - Alemanha e França, em particular - que tinham acumulado enormes exposições aos países da periferia antes da crise. À época, esta partilha  de riscos (embora desagradável) era a melhor opção disponível para os governos dos países centrais. Isso salvou-os de ter que intervir (à custa de seus próprios contribuintes) para sustentar seus próprios sistemas bancários nacionais."

O aumento de exposição dos credores espanhóis desde 2014 está a tornar Portugal numa colónia financeira de Espanha, diz o FT Alphaville

Digo eu: 
Também podíamos afirmar que o novo endividamento externo de Portugal está a criar uma bolha à vista desarmada que há-de rebentar mais cedo e não mais tarde. 

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 

Consolidated exposure of Franco-German banks to counterparties resident in the Eurozone periphery
"According to the Bank for International Settlements (BIS), in 2010 the total exposure of French and German financial institutions to the pheriphery countries. 

The common narrative is that rescue programs have helped deeply troubled countries avoid sovereign bankruptcy or widespread bank failures. But, by avoiding extreme outcomes, these programs also protected the banks of the core countries — Germany and France, in particular — that had accumulated huge exposures to the periphery before the crisis. At the time, risk sharing (however unpleasant) was the best available option for the governments of the core countries. It saved them from intervening (at the expense of their taxpayers) to prop up their own national banking systems.

The size of all of this deleveraging can be measured by using BIS data on the consolidated position of foreign banks to counterparties residing in Italy, Greece, Spain, Portugal and Ireland.


After having accumulated a whopping credit towards the periphery in the period 2000-2008, these banks have dismantled 64 per cent of their exposures in the following decade. Indeed, at its peak (June 2008) the total exposure of the Franco-German banking system to the periphery exceeded $1.9trn; in June 2012 it had already fallen to $800bn and in the following five years, it decreased further, reaching $680bn at the end of 2017.
In terms of direct exposures, on the eve of the crisis, Germany was leading in Spain ($315.5bn), Ireland ($240.7bn) and Portugal ($52bn), while France in Italy ($553.4bn) and Greece ($86.1bn). But in reality, a good chunk of French investment in Southern Europe was channeling German savings.  This was followed by a colossal disinvestment from the periphery countries– over $1.2 trn"


So much for convergence ! 
Ler mais em https://ftalphaville.ft.com/2018/10/10/1539147600000/A-look-back--what-Eurozone--risk-sharing--actually-meant/ 

Ver artigos anteriores sobre a problemática da GED-Gross External Debt, Divida Externa Bruta e a Crise https://ppplusofonia.blogspot.com/2012/06/us-and-uk-banks-increased-potential.html


segunda-feira, junho 11, 2018

Banco que foi banco agora é Fintech

Agora os banco comerciais  fogem dos depósitos, que remuneram mal, para evitar o risco de serem acusados de facilitar o branqueamento de capitais.

E fogem do crédito comercial para não terem que analisar diversos projetos de investimentom a fim de avaliar a capacidade de reembolso  e resiliência e escolher os melhores.  Bancos preferem investir em titulos do Tesouro e evitar o risco de crédito comercial que está cada vez mais condicionado.

Efetivamente, os bancos já não são o que eram. Bancos já não fazem intermediação financeira tradicional. 

Os bancos de hoje preferem dedicar-se à venda de diamantes, pois o negócio de ourivesaria parece ser mais seguro.

Mas os aforradores continuam a necessitar de encontrar empreendedores e vice versa.

Eis que surgem as empresas Fintech, que facilitam esses encontros.   http://revistabusinessportugal.pt/cristina-alcobia-um-exemplo-de-trabalho-e-de-empreendedorismo/

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Bolha e euforia do bitcoin segue modelo estudado por Kindleberger

Um corretor  brasileiro de bitcoin vem agora dizer que não há bolha no bitcoin, até investe algum (!?) dinheiro da sua família em cripto-moedas digitais. 
Aposto que esse corretor entusiasta e eufórico nunca leu um dos meus livros favoritos, que gosto de reler quase todos os anos, e que  já referi neste blog,  um  clássico de história económica:
Charles Kindleberger, 1978,  Manias, Panics and Crashes
Kindleberger foi professor de economia internacional em MIT e é considerado um dos grandes economistas pela elegância em que apresentava  conceitos económicos complexos de uma forma acessivel para o público em geral.
(ver obituário de 2003  http://www.economist.com/node/1923462

A bolha é definida como um fenómeno financeiro em que investidores especulativos
compram um ativo sabendo que o preço está muito acima de qualquer "valor fundamental", na expectativa de que os preços continuem a subir e a subir.

Kindleberger estudou vários eventos de bolhas e pânicos  financeiros, desde a bolha das tulipas no século XVII e identificou um modelo elegante em 5 fases:
  1. Displacement - Deslocamento de investimentos para um negócio novo, por vezes prometedor mas mal conhecido; os primeiros investidores que ganham bastante dinheiro.
  2. Boom - Expansão desenfreada do novo negócio, geralmente alimentada a crédito.
  3. Euforia  e bolha - Pequenos investidores procuram "apanhar a onda" do novo negócio sem analisar.  Primeiros investidores "profissionais" começam a retirar-se vendendo aos novos "investidores de retalho" no pico dos preços.  
  4. Crise -  Expansão revela-se excessiva, muito para além do potencial fundamental do novo negócio, debandada em pânico provoca perdas para quase todos os investidores.
  5. Revulsion - Revulsão e colapso dos preços para níveis abaixo do "valor fundamental subjacente", que pode depois tocar fundo estabilizar se o novo negócio trouxer mesmo valor acrescentado à economia. 
Fonte: https://www.pragcap.com/anatomy-of-bubbles-and-crashes/ 

Para além dos investidores inexperientes e incautos, tipo "maria vai com as outras" na fase atual da Euforia do bitcoin, o que está em causa na bolha do bitcom, é mesmo o "valor fundamental subjacente" das cripto-moedas como novo instrumento financeiro, como meio de pagamento, como reserva de valor, etc.    Será a nova moeda digital se vai tornar tão respeitado e omnipresente como o papel-moeda? 

Uma pista para a análise do "valor fundamental" do bitcoin é a referência frequente nos artigos cheios de entusiasmo à não-tributação dos rendimentos e dos valores aplicados em bitcoin.  Um negócio cujo valor depende da evasão fiscal é um desafio ao fisco de todos os países, assim convidados a fazer esvaziar a bolha com uma penada de legislação. 

Melhor esperar que o Uncle Sam e as outras autoridades tributárias e os reguladores financeiras comecem a tirar o seu quinhão dos negócios em bitcoin antes de aplicar qualquer parte da fortuna familiar na nova moeda-sem-papel

Mariana Abrantes de Sousa
Janeiro 2018

Ver também: http://ppplusofonia.blogspot.pt/2008/10/efficient-market-fallacy.html