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segunda-feira, dezembro 16, 2019

A prova das PPPs está na disciplina financeira da gestão dos contratos...

Texto integral da entrevista no   Público   16-Dez-2019

Luísa Pinto 16 de Dezembro de 2019, 7:00

Mariana Abrantes de Sousa, uma das mais experientes especialistas portuguesas em Parcerias Público Privadas, diz que o ministro da Economia, Siza Vieira, conhece as PPP “de trás para a frente”. E sobre o facto de a nova lei retirar às Finanças o poder de veto, diz tratar-se de “um retrocesso de controlo, especialmente nas regociações”

Mariana Abrantes de Sousa foi controladora financeira do Governo na época em que os dossiês das PPP-Parcerias Público Privadas ganharam uma dimensão tal que se tornaram posteriormente numa das principais ameaças à sustentabilidade financeira do país.

A perita financeira foi mesmo contratada pelo Ministério Público para analisar à lupa os contratos de PPP rodoviárias, no âmbito das investigações à actuação do Governo de José Sócrates, tendo feito um conjunto de recomendações no relatório final da sua perícia financeira. Agora que a lei das PPP voltou a flexibilizar as concessões, eliminando alguns travões impostos pela troika, uma das maiores especialistas desta área faz uma análise crítica da iniciativa de Pedro Siza Vieira.

Publicada em Diário da República a nova lei das PPP, que primeiro comentário lhe merece as alterações que encontrou?
Ainda não se percebe o total alcance destas alterações da lei e é impossível saber quais são os seus efeitos, porque sabemos que no imediato não são visíveis. Mas a mim traz-me algumas preocupações. A lei anterior, de 2012, teve o grande efeito de criar a UTAP – a Unidade Técnica de Acompanhamento de Projectos, que faz um trabalho essencial. Qualquer redução do profissionalismo da UTAP é um mau sinal. Há muitos critérios, premissas, que passam para o Conselho de Ministros, e há coisas que tipicamente deveriam estar no Ministério das Finanças e não no Conselho de Ministros, que serve para conciliar diferenças e não para definir os detalhes das concessões.


Compreende a razão desta alteração?
Não sei quais são as razões. Sei, apenas, que acho estranho que esta alteração tenha vindo da pasta da Economia. A decisão de optar ou não por uma PPP não é uma decisão do Ministério da Economia, mas dos ministérios que têm a obrigação dos serviços públicos, que têm de fazer uma estrada, uma escola. Eles tomam a iniciativa e escolhem o regime de contratação, e com o Ministério das Finanças há que decidir onde há mais value for money [melhores serviços e menores encargos orçamentais], se fazendo uma concessão ou uma empreitada de obra pública. Havia no Conselho de Ministros um equilíbrio, uma certa dialéctica, que todos conhecem bem e que faz sentido. O ministro das Finanças pode querer cortar a eito, não tem que saber do volume de tráfego, nem do número de passageiros ou utentes, não entra no negócio em si. Mas é essencial que o ministro das Finanças tenha uma decisão final em termos dos custos para o contribuinte e para o OE. Se é afastado e a sua influência é diminuída, ou mal aplicada, isto levanta-me muitas suspeitas.

A iniciativa veio do ministro da Economia, mas ele é também ministro de Estado, o segundo na linha orgânica do Governo.
Como observadora muito pouco atenta da política, percebo que ele está a ganhar peso no Governo e isso não é algo que consiga avaliar. O que sei é que ele deve ser uma das poucas pessoas do Governo e do Conselho de Ministros que conhece as PPP de trás para a frente.

E essa experiência é factor de perturbação ou de tranquilidade?
Estamos a falar de uma opção política. Eu concordo e considero que o ministro é experiente, mas não sei se concordo com as opções políticas que aqui toma. Excluir as parcerias municipais da abrangência deste diploma, que são as que precisariam de maior acompanhamento central, reduzir o poder da UTAP e reduzir o controlo financeiro potencialmente servido pelo Ministério das Finanças é uma opção política. Estas medidas são retrocessos, aparentemente, que podem ter um maior ou menor impacto dependendo do que vier a acontecer. Esta lei de 2012 não servia apenas para resolver a crise em que estávamos mergulhados, servia para evitar crises no futuro.

Podemos repetir esse cenário?
O descontrolo das PPP e concessões foi uma das principais causas da crise financeira de 2010. Umas das primeiras medidas que a troika impôs a Portugal foi a suspensão do programa das PPP. O cálculo que fizeram foi que o valor do passivo contingente das PPP, que não estava no orçamento, era de 14% do PIB. Não aparecia na dívida pública, nem no Orçamento de Estado, era dívida escondida. A verdade é que sofremos uma grande derrapagem e todos pagámos a factura. E agora facilitamos até que ponto? Só um bocadinho, para poder respirar, ou facilitamos muito e fazemos uma nova acumulação de dívida escondida? É isso que está em causa. Nos comentários a estas alterações ainda não vi ninguém garantir que, nas PPP “vamos manter a bolsa do contribuinte a salvo”. Ainda ninguém o garantiu e é isso que importa saber.


O que a preocupa mais, as Finanças perderem o direito de veto no lançamento de novas concessões?
O mais preocupante nem são as novas parcerias, até porque eu acho que vão ser lançadas muito poucas novas PPP. O mais importante é estar atento às renegociações. Nas PPP, como noutros contratos públicos, o negócio está num ponto de equilíbrio no final de um concurso internacional muito concorrido, mas depois há duas ou três alterações e a factura aumenta. Essas alterações, se forem numa empreitada pública, têm limites e têm de ser publicadas em detalhe. Nas PPP isso não acontece, são menos transparentes, até confidenciais. Quando são publicados, só vemos um montante global, não se consegue saber por que é que se está a pagar mais. E depois, estes contratos são a 30 anos, e alguns têm uma renegociação por ano. Enfim, ao fim de quatro ou cinco anos, os custos para o Estado ou concedente podem ultrapassar bastante o que estava previsto inicialmente. Nós já pagámos muito caro este descontrolo. Quem me garante que a gestão é rigorosa ao longo das próximas décadas e que as renegociações, não podendo ser proibidas, serão justificadas e eficientes?

A UTAP já não acompanhava as parcerias municipais, mas agora os projectos das câmaras saem mesmo da alçada desta lei das PPP. O que é que isso significa?
Isto deve ser visto à luz da última crise.

  1. Primeiro, alguns dos erros mais grosseiros em concessões e parcerias aconteceram em contratos municipais que têm muito menos visibilidade. 
  2. Depois, os municípios não conseguem ganhar experiência, fazem parcerias uma vez a cada 30 anos… na melhor das hipóteses estão a aprender fazendo, na pior das hipóteses, fazem o que alguém lhes indica e que frequentemente é errado. 
  3. Em terceiro lugar, as PPP são contratos complexos, de muito longo prazo, e com pouca “standardização” – não há contratos iguais. 
  4. E em quarto lugar são quase sempre tratados com muita confidencialidade, pouca transparência. Já do lado dos privados, são sempre os mesmos concorrentes e os mesmos advogados, que têm uma visão do que se passou no mercado. 

Por isso eu acho que é grave aligeirar a legislação das PPP para as autarquias. Há muitos serviços públicos que são municipais, como a água, o saneamento, os resíduos, agora a habitação, as escolas. Podem parecer contratos mais pequenos, mas se formos a ver as concessões municipais no seu todo, vemos que há facturas grandes que acabam diluídas nas tarifas e que acabam por ser pagas pelo utilizador. A ERSAR faz um trabalho notável no controlo da qualidade das concessões no sector da água e saneamento, mas nem sempre tem conseguido evitar derrapagens.

A lei refere que irá existir um acompanhamento dos projectos.
Dizer que vai haver um acompanhamento é um bocadinho lato. É importante saber quem vai fazer o controlo e limitar os acréscimos de custos para os contribuintes. Porque há alternativas às PPP, por exemplo emitir obrigações do Tesouro. E nesse caso, saberíamos que teríamos de reembolsar X milhões de euros, à taxa Y no prazo de 15 anos. Havia um limite, o custo estava definido. O contrato de PPP não tem um limite, depende da disciplina financeira do gestor do contrato.

Não está claro se estas alterações vão no sentido de aumentar ou manter essa disciplina financeira.

Até agora, a UTAP intervinha na análise das propostas de renegociação e no reporte da situação final. A partir de agora, eles podem ser solicitados a dar pareceres, mas o parecer da UTAP e a decisão do Ministro das Finanças pode deixar de condicionar a decisão final, porque passa para o Conselho de Ministros. Isto implica claramente um retrocesso de controlo, especialmente nas renegociações. Se vai ter consequências nefastas, só vamos ver com o tempo. Esta alteração não determina que vai haver novo descontrolo, mas que esta decisão facilita o descontrolo, disso não tenho dúvidas

Fontes: Público https://www.publico.pt/2019/12/16/economia/noticia/nova-lei-ppp-facilita-descontrolo-contas-publicas-1897248
Expresso https://expresso.pt/economia/2019-12-16-Mariana-Abrantes-de-Sousa-Ha-um-retrocesso-no-controlo-das-parcerias-publico-privadas

sexta-feira, outubro 11, 2019

PPPs em dólares, crise financeira à vista

As PPPs não são más, são é MUITO mal desenhadas e mal geridas.  
Eis uma má ideia muito popular com os concessionários e os credores, mas que fica cara  contribuintes:  Denominar os contratos de concessão de obras e serviços públicos e especialmente os contratos de financiamento em USD moeda estrangeira,  para proteger os credores das desvalorizações da moeda local. Assim, se houver desvalorização os utentes e os contribuintes locais é que vêm as tarifas e os encargos do Concedentes e dos contribuintes. a disparar. Quem paga os aumentos do passivo em última instância ? Pagam os contribuintes locais  quando os Governos têm que pagar as crescentes "PPP Contingent Liabilities" para proteger os ratings AAA dos grandes bancos internacionais e MDBs. 
Deveria haver melhores soluções para financiar e pagar investimento em infraestrutura e serviços públicos em países com deficits externos, países emergentes e não só. 

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Especialista em PPP 

VER "Pacote prevê dolarização de contratos para agilizar concessões e PPPs
Estadão  05/10/2019]
 https://www.gazetadopovo.com.br/republica/concessao-dolarizacao-estudo-ppps-novo-pacote/


A Câmara Federal e o governo preparam um pacote para simplificar e dar mais garantias nos contratos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), com o objetivo de destravar investimentos em infraestrutura no país. Entre as medidas em estudo estão incluir permissão para que contratos de concessão cobrem tarifa em dólar, desde que o cliente também tenha receita em moeda estrangeira.

Relator do pacote na Câmara, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) quer apresentar seu relatório até o fim de outubro, prevendo um novo marco regulatório para PPPs, concessões e fundos de investimento. O deputado tem mantido conversas sobre o projeto com integrantes da equipe econômica do governo, que deve encaminhar sugestões oficialmente ao Congresso nos próximos dias.

Uma delas propõe a possibilidade da "dolarização" dos contratos de concessão. A medida altera um decreto-lei de 1969 que veda a existência de contratos com pagamento em moeda estrangeira e prevê algumas exceções. Entre elas, o contrato entre concessionária em infraestrutura com exportadores. Uma concessionária que tem receita em real poderia contrair uma dívida em dólar e se proteger da variação ao fechar contrato em dólar com empresa que recebe na moeda estrangeira. Um exemplo é a operadora de ferrovia fechar contrato em dólar com uma exportadora.

Uma das alternativas em análise pelo relator é a criação de um fundo garantidor para suportar o hedge cambial, forma de proteção contra a variação da moeda. O fundo poderia ser lastreado com recursos das concessões.

Prazo
A ideia é também retirar o prazo máximo dos contratos de PPPs, que hoje é de 35 anos. Para o deputado, muitos projetos precisam de uma perspectiva de investimento mais duradoura para terem viabilidade. "Tem investimento em que não se pensa nesse prazo. É mais do que ampliar, queremos que não se tenha um limite de prazo", observou. Está em análise também se, o tempo mínimo, de cinco anos, seria mantido.

Um modelo de concessão simplificada também deve constar do relatório do deputado. O formato seria usado para projetos de menor porte e complexidade. Para integrantes do Ministério da Economia, o padrão poderia ser aplicado, por exemplo, para serviços de mobilidade urbana.

A ideia é encurtar o "ritual" pelo qual passa uma concessão de menor estrutura. Em sentido similar, o deputado Arnaldo Jardim ainda quer ampliar o uso do modelo de autorização, pelo qual o poder público permite à iniciativa privada a exploração de uma atividade fora do regime tradicional de concessão ou PPP.

O relator estuda ainda impedir que as concessionárias de serviços públicos entrem com pedido de recuperação judicial. "Nós achamos que recuperação judicial não combina com concessões", disse o deputado. Dessa forma, a ideia é que a lei de falência e recuperação judicial não seja aplicada às concessionárias, assim como não pode ser usada por empresas públicas e sociedades de economia mista, por exemplo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo."
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/concessao-dolarizacao-estudo-ppps-novo-pacote/
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segunda-feira, agosto 27, 2018

G20 Reorçamentar PPP para Investimento Público Sustentável

As PPPs, as concessões de obra e/ou serviços públicos, são investimento publico como qualquer empreitada de obras públicas do saudoso PIDDAC (Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central).  Só que os contratos de PPP foram criados fora do Orçamento publico anual, o que tem gerado sobre endividamento e gravíssimos riscos fiscais e orçamentais incomportáveis para uma economia frágil. 

Quando uma estrada  não tinha cabimento no orçamento do investimento publico anual, contratavam-se duas estradas em regime de PPP, com previsões de tráfego e de receita de portagem imaginárias, a pagar a prazo.  A fatura do investimento publico passava dos pais e filhos, para os netos e bisnetos pagarem a dobrar. Os investidores foram quase sempre protegidos, fora alguns projetos que entraram em bancarrota. 

A organização G20 quer promover PPPs mais equilibradas e eficientes para executar as grandes obras de infraestrutura necessárias em países emergentes 

Mas, como diz um artigo recente de Ricardo Seabra ( https://sol.sapo.pt/noticia/605665/a-infraestrutura-do-g20)
"Ora, existe claramente um ponto de confluência entre Estados endividados – que necessitam de parceiros para atingir as suas metas de investimento – e investidores privados que procuram diversificação de ativos num mundo de rendibilidades historicamente baixas."
...
"A uniformização de questões contratuais e regulatórias (dos contratos de PPPs recomendado pelo G20) é crucial para dar confiança aos privados, o que por sua vez permitiria também um escrutínio público mais simples que mitigasse os riscos de captura por interesses rentistas. Esperemos que deste modo se evite o triste exemplo que testemunhamos em Portugal na década passada, onde um conceito eficiente para infraestruturas – as PPP – foi completamente desfigurado pelo conluio entre rentistas e os governantes da época."

Quem esconde o que gasta, deixa dívidas para pagar a dobrar.

Foi o icebergue extra-orçamental bem visível já no final de 2007, a desorçamentação sistemática e abusiva do investimento público e a redução do PIDDAC, um dos mecanismos que facilitou a rápida passagem da confluência ao ... conluio. 

Seria bom se o novo manual de PPPs criado e publicado pelo G20 Initiative servisse para evitar futuras crises financeiras previsíveis, alimentadas com despesas extra-orçamentais, com os seus impactos negativos para as populações mais vulneráveis, como aconteceu em Portugal . 

Mariana Abrantes de Sousa 
Financial Consultant and PPP Specialist 
Ver o iceberg das PPP e das empresas publicas de transportes SEE  http://ppplusofonia.blogspot.com/2009/12/encargos-extra-orcamentais-com-servicos.html 
e G20 Managing PPP https://managingppp.gihub.org/


quarta-feira, abril 01, 2015

Não haverá regresso às PPP com risco para os contribuintes

Passos Coelho: 'Não haverá seguramente nenhum regresso às PPP' com risco para os contribuintes - Economia - Jornal de Negócios

O Governo anuncia investimento total do plano Juncker para Portugal no valor de 31,9 mil milhões de euros e as PPP ascendem a 13,6 mil milhões, mas promete o nosso "plano de investimento Juncker" não contempla parcerias público privadas (PPP) que sejam danosas para o Estado português.

Esperemos bem  que tenhamos aprendido a seleccionar, realizar e monitorizar projetos inteligentes em Portugal,  com os erros do investimento inprodutivo anterior, francamento "burro" que contribui significativamente para as crises duplas do baixo crescimento e do sobre endividamento. 

quarta-feira, junho 25, 2014

Conferência - Futuro das concessões de águas e saneamento em Portugal, 4-Julho, 17h30, Fac Direito U. Lisboa

O Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) organiza  a Conferência 
Que futuro para as concessões e para a participação  privada na gestão dos serviços de águas em Portugal?

icjp logótipoNum contexto de reorganização do setor da água em Portugal, a conferência final do curso pós graduado de Direito da Água será o palco para reflexão e debate em torno do papel das entidades privadas na gestão dos serviços de água em Portugal.

 Tratando-se de um tópico que está na ordem do dia, o painel de oradores convidados visa proporcionar uma reflexão que exprima a diversidade de posições em termos dos benefícios e desvantagens da atuação dos privados na gestão dos serviços de água.

Moderador        Prof. Doutor Rui Cunha Marques (IST)

Oradores             (http://www.icjp.pt/conferencias/4685/programa )
  • Presidente do Tribunal de ContasJuiz Conselheiro Guilherme d’Oliveira Martins
  • Presidente da Direção da Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente (AEPSA)  Eng.º Diogo Faria de Oliveira  
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da FozJuiz Desembargador João Albino Rainho Ataíde das Neves
  • Presidente da Câmara Municipal de ElvasDr. Nuno Miguel Fernandes Mocinha
  • Presidente Executivo do Conselho de Administração do Grupo Águas de PortugalEng.º Afonso Lobato de Faria

Data:         Faculdade de Direito, Alemeda da Universidade de Lisboa
Local:        4 de Julho,  17h30 
Entrada  livre,  sujeita a inscrição prévia para icjp@fd.ul.pt

Curso sobre o Direito de Água    http://www.icjp.pt/cursos/4413/programa 

domingo, junho 08, 2014

Portagens o preço que deve descriminar

As portagens não podem descriminar,  diz-se agora para justificar a introdução de portagens na Autoestrada Transmontana.  Sendo um preço, e não uma contribuição,  a realidade  é que  portagens podiam bem descriminar tanto como outros preços de transportes. 

A descriminação de preço para o mesmo produto ou serviço é uma pratica comercial bastante generalizada, especialmente no sector de transportes.  O caso clássico de "price descriminatation" é a politica de preços de companhias aéreas, o textbook case, que cobram preços em função do preço que os passageiros estão dispostos a pagar e do excesso de procura ou de oferta de lugares.   As formulas de descriminação de preços são muito variadas, não só entre classe executiva e classe turística, mas também em termos da antecipação da compra, do dia da semana, descontos de passageiros frequentes, etc. No caso de portagens, o preço pode ser aplicado por quilometro, distance-based toll, ou por tempo, time-based toll.

Em termos económicos, a definição do preço das portagens deve ser baseada noutras considerações.
Em primeiro lugar, a cobrança de portagens na autoestrada  impõe um custo adicional que leva muitos motoristas a preferir  estradas tradicionais, o efeito conhecido como desvio de tráfego.  Em compensação, as autoestradas geralmente oferecem um melhor serviço em termos de qualidade e segurança, e sobretudo menos congestionamento.  Por isso alguns especialistas têm a natureza de "congestion pricing"
Uma autoestrada com baixo tráfego dificilmente pode suportar portagens sem sofrer desvios de tráfego. Foi por isso que as autoestradas do interior, de baixa densidade de população, foram inicialmente estruturadas como SCUT, sem cobrança ao utilizador.  A introdução de portagens em locais de baixo tráfego implica uma distorção económica sem compensação.

Depois, as portagens têm que ser comportáveis para o utilizador e têm que ser cobráveis (affordability and willingness to pay).

Menos de 16% do 2 942,6 km de auto-estradas ainda não têm portagens.

A União Europeia também está a considerar a imposição de portagens a nível geral na Europa.  Isto acentuaria o aspecto mais discriminatório das portagens que é o efeito "ponte terreste" do centro em relação à periferia. Toda a Europa tem que pagar portagens na França, mas só os portugueses, e alguns espanhóis, pagam portagens em Portugal.
VER  EU tolls   http://www.euractiv.com/sections/transport/transport-expert-eu-wide-road-toll-quick-fire-solution-301767
Portagens na Transmontana e no Baixo Tejo http://economico.sapo.pt/noticias/governo-estuda-cobranca-de-portagens-na-transmontana-e-na-baixo-tejo_194939.html
Toll descrimination passes in the US http://tollroadsnews.com/news/rhode-island-bridge-defeats-law-suit-claiming-unconstitutionality-of-residence-discount 



terça-feira, junho 03, 2014

Conclusões e recomendações para um programa de PPP

  • Potenciais projectos de investimento em regime de PPP devem ser rigorosamente avaliados, quer em termos da necessidade (estudos de tráfego) quer em termos da sustentabilidade orçamental de longo prazo.
  • A opção de contratação de um projecto em regime de PPP deve ser justificada por encargos com a concessão inferiores ao Custo Público Comparado, e transferência efectiva de riscos para o parceiro privado, nomeadamente o risco tráfego,  a fim de evitar elefantes brancos a pagar pelos contribuintes. 
  • O Estado Concedente necessita criar um enquadramento regulamentar estável e transparente e maior capacidade de gestão para contratos de concessão de muito complexos e de muito longo prazo do que para contratos de empreitadas obras públicas. 
  • Os encargos orçamentais com PPP devem ser orçamentados e cabimentados num Quadro Orçamental de Médio Prazo (MTEF) e na dívida pública, cumprindo a LEO, Lei de Enquadramento Orçamental, para evitar que o mero tratamento  contabilístico venha a distorcer as decisões económicas e orçamentais.
  • Os contratos de concessão e PPP, os respectivos pagamentos, o desempenho dos concessionários e as respectivas alterações devem ser divulgadas, de acordo com as normas de transparência do Banco Mundial. 


quinta-feira, abril 24, 2014

SEE acumula dívida em excesso com consequências apenas para contribuintes

As empresas do sector empresarial do Estado (SEE/SOE)  continuam a ser o calcanhar de Aquiles da gestão financeira portuguesa.  Sujeitas à Tutela técnica do respectivo ministério, transportes ou saúde, e à Tutela financeira do Ministério das Finanças, pouca das empresas públicas cumprem princípios básicos de disciplina financeira apesar da tutela dupla.

Apesar da redução louvável dos  défices de 699,4 milhões de euros  em 2012 para   330 milhões de euros em 2013,   a dívida financeira continua a aumentar mais do que o previsto em algumas das empresas (CP, Metro do Porto, STCP, Carris, Estradas de Portugal, RTP),  provavelmente devido a passivo comercial ou outros riscos escondidos. O  passivo financeiro ultrapassou  os 32.500 milhões de euros, uma parte do qual já estará classificado como "divida pública" na em que algumas das empresas já estão incluídas no perímetro da consolidação da Administração Pública. 

Durante anos, senão décadas, as empresas apresentavam IPG-instrumentos provisionais de gestão no inicio do ano, com  orçamentos detalhados às duas Tutelas, mas não acontecia nada quando os resultados finais mostravam o dobro do défice ou de dívida.    Consequências negativas da acumulação de dívida pública em excesso, só mesmo para os contribuintes. 

Um dos problemas fundamentais é a separação artificial das tutelas, que permite demasiada liberdade aos gestores, como filhos malcriados de pais desavindos.  A tutela principal devia ser a tutela técnica, que tem a função equivalente a "concedente" nestas "concessões de facto".
Todo o esforço financeiro do Estado, incluindo subsídios ao investimento,  subsídios à exploração deviam passar pelo orçamento sectorial, pelo Programa Orçamental de Transportes ou o Programa Orçamental da Saúde, etc. Até os aumentos de capital, créditos e garantias de pagamento deveriam ser reconhecidos como encargos com a prestação daquele serviço público, para assegurar que a contabilidade reflecte a realidade económica dos encargos para o contribuinte de cada passageiro transportado e de cada doente tratado. 

A prazo, seria necessário transformar os mecanismos de remuneração e financiamento da prestação de serviços públicos para "performance based financing",  uma metodologia de financiamento promovida pelo Banco Mundial para os países emergentes.

Fonte: http://www.publico.pt/economia/noticia/empresas-publicas-violam-limites-ao-endividamento-1633360 
Performance based financing http://www.publico.pt/economia/noticia/empresas-publicas-violam-limites-ao-endividamento-1633360 

terça-feira, abril 22, 2014

Novas PPP só com MUITO mais rigor

A retorno às PPPs para financiar e executar projectos de investimento publico em Portugal está a ser negociada pelo Governo com a Troika, mas ainda se sabe pouco sobre quais as novas directrizes que podem vir garantir melhores resultados do que no passado. 

Convém recordar que Portugal tem mais de 100 contractos de PPP,  mas de facto  não tem um verdadeiro programa de PPP, pois não há  legislação nem nenhum organismo que se aplique a todo o tipo de PPP or concessão.  
Voltar às PPPs, sem fazer um verdadeiro balanço e sem responsabilizar ninguém pela desastrosa experiência portuguesa com estes contractos ultra-complexos, não augura nada de  bom para os (netos dos) contribuintes.  
Eis algumas recomendações de directrizes para as PPPs, velhas e novas, que deveriam ser imprescindíveis 
  1. Publicação pelo concedente e discussão pública dos estudos de procura do serviço publico (de tráfego) 
  2. Transferência de boa parte  do risco de tráfego para os concessionários e para os seus credores, incluindo para o BEI, ao contrário da pratica recente.  Se o risco de tráfego de um projecto não é aceitável para o BEI, com toda sua capacidade técnica e o seu rating AAA, dificilmente é aceitável para os contribuintes portugueses.  Contratos baseados em pagamentos do concedente meramente por disponibilidade criam o pior tipo de "moral hazard".  
  3. Orçamentação integral dos encargos orçamentas com o contrato PPP no cenário base e aplicação de limites a encargos contingentes, permitindo a resolução e rescição de contratos no caso de reclamações e variações superiores a 20-25% dos encargos previstos adicionalmente. 
  4. Definição de um limite global para encargos com PPP, tal como previsto no art. 31 da LEO, Lei de Enquadramento Orçamental 
  5. Autoridades concedentes que assumam compromissos ou riscos não orçamentados devem ser responsabilizadas por gestão danosa
  6. O visto prévio do Tribunal de Contas deverá considerar não apenas a conformidade e legalidade mas também a viabilidade económica e sustentabilidade orçamental. 
  7. Monitorização regular e publicação, pelo menos de 3 em 3 anos,  de resultados obtidos comparados com o indicadores de desempenho previstos e aprovados inicialmente, com análise de desvios e soluções. 
Em suma, o Governo tem que demonstrar aos contribuintes portugueses que saberá contratar PPPs sem assumir novos riscos fiscais, e sem hipotecar o futuro dos nossos filhos e netos 
E não podemos contar com qualquer controlo eficaz da parte da Troika, ou de qualquer autoridade externa.  Afinal, nenhum dos membros da Troika,  nem o FMI, nem Comissão Europeia, nem o Eurostat nem o ECB  alertaram atempadamente para os excessivos riscos fiscais sendo assumido pelas entidades concedentes.  
O primeiro organismos internacional a questionar a quantidade e qualidade das PPPs em Portugal foi a OCDE, em 2008.  

Em boa defesa da verdade, Portugal não precisa de novas PPP.  Tudo o que é mesmo necessário fazer no âmbito das infraestruturas e serviços públicos pode ser feito melhor, mais barato, e sobretudo com mais transparência e menos riscos orçamentais pela Administração Pública através de obras públicas tradicionais e gestão directa profissionalizada.  

Mariana ABRANTES de Sousa 
ex-Controladora Financeira 

Fonte:   http://www.rtp.pt/noticias/index.phparticle=725243&tm=9&layout=122&visual=61

Troika e Governo reabilitam PPP`s 22 -Mar-2014

As parcerias público-privadas vão ser reativadas. Governo e Troika fecharam um acordo em fevereiro, que permite o regresso das PPP's, mas com maior controlo. O modelo foi melhorado ao nível do enquadramento legal e há agora uma maior fiscalização da Troika que vai continuar a acompanhar os negócios das parcerias público-privadas. É o regresso, três anos depois, de um modelo de investimento que foi muito contestado pelos partidos do Governo e que continua a gerar custos elevados aos contribuintes portugueses.

sábado, março 22, 2014

What is right with PPPs in Denmark

Fiquei muito intrigada com o título de um  artigo sobre PPP -  "What is wrong in Denmark?"
Parece que a Dinamarca tem relativamente poucos contratos de concessões e PPPs, o que não impede esse pequeno país de prosperar.

Parece que o Estado social  dinamarquês  é relativamente eficiente e não têm a mesma necessidade de promover a cooperação entre o sector público e o sector privado.   E a taxa de juros para as autoridades públicas é inferior à taxa de juros de mercado para o sector privado,  o "normal" em todos os países.  Isto implica que os ganhos  a partir das parcerias têm que ser substanciais para justificar o envolvimento de privados na construção e operação de infraestruturas e serviços públicos.

Mas,  talvez  a falta de PPPs na Dinamarca seja devido - com razoável certeza dizem os autores do artigo - o exigente enquadramento e jurídico e orçamental  dinamarquês:  Uma entidade publica contratante ou concedente, como por exemplo os municípios e regiões, tem que depositar um montante equivalente aos encargos com o contrato de concessão, que é libertado à medida que vão reduzindo o montante do financiamento privado.

Deve ser a versão dinamarquesa da velha regra, "quem não tem dinheiro não tem vícios", severa mas eficaz.

Em Portugal, continuamos em contramão:  À medida que se aproximam mais eleições, o Governo prepara-se para contratar novas PPPs, com a luz verde da Troika (?).  (A mesma Troika que só mandou fechar a porta das PPPs depois do "cavalo roubado",  ao contrário da OCDE que começou a avisar dos excessos em 2008).  Mas não se vêm as medidas necessárias para acautelar o mais elementar, que é a orçamentação e cabimentação dos encargos de longo prazo com as PPPs (long term PPP liabilities), como manda o artigo 31º da Lei de Enquadramento Orçamental, famosamente ignorado.

É curioso como é que uma norma prudencial, uma "golden rule", que existe na LEO há mais de 20 anos continua a ser ostensivamente ignorada.

O próprio visto prévio do Tribunal de Contas não se aplica à contratação de todo o sector público.
E quando se aplica, limita-se a validar a legalidade do procedimento de contratação pública (procurment), ignorando quer a  orçamentação e cabimentação plurianual (budget appropriation in the MTEF), quer a justificação do projecto e da opção pelo regime de PPP em termos de economia, eficiência e eficácia (value for the public's Money).

Por isso, até os especialistas  se desculpam com a afirmação que o abuso das PPPs em Portugal foi devido a más  "decisões políticas", que se sobrepunham às normas de boa gestão financeiro.  Como se as decisões politicas fossem exógenas,  e fora do nosso controlo.

Está na hora de aprendermos com a Dinamarca, e tornar as "decisões políticas" endógenas.
Afinal de contas, são os cidadãos que pagam as favas nas PPP, seja como utentes seja como contribuintes.
Em última instância, os políticos somos nós.
Desde 1140.

Mariana ABRANTES de Sousa
PPP Lusofonia

Troika autoriza PPPs  http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=725243&tm=9&layout=122&visual=61 
Tvarnø* & Østergaard, PPP versus PPPP: What is wrong in Denmark?
Paper presented at PPP conference, at Sauder – UBC, Vancouver, June 2013  http://www.sauder.ubc.ca/Faculty/Research_Centres/Phelps_Centre_for_the_Study_of_Government_and_Business/Events/UBC_P3_Conference/~/media/Files/Faculty%20Research/Phelps%20Centre/2013%20P3%20Conference/tvarno%20and%20ostergaard%20power%20point5%20for%20posting.ashx
Quem paga a favas nas PPP http://ppplusofonia.blogspot.pt/2013/04/nas-ppp-quem-paga-as-favas.html


sexta-feira, abril 26, 2013

Danish PPP cluster


Danish pension funds enter unique public-private partnership JV

04.12.2012, 15:15
Three of Denmark's biggest pension funds have joined forces to create a "one-stop shop" to help public authorities plan, build and finance construction projects, in a bid to invest as much as DKK5bn (€670m) in infrastructure and real estate via public-private partnerships (PPPs).
PKA, PensionDanmark and Sampension have signed an agreement with property administrator DEAS and Nordic contractor MT Højgaard to cooperate on future construction-related projects within PPPs, said PKA.
The agreement allows for investment of as much as DKK5bn in building PPP projects over the next few years.
Each project will be worth at least DKK50m, which means the investment framework could finance 50-100 new public projects, PensionDanmark said.
Torben Möger Pedersen, managing director of PensionDanmark, said: "We are in a position to enter into partnerships that will ensure the public sector gets better and cheaper solutions, we get a reasonable return and many new jobs will be created once the building work gets underway."
The cooperation between the three funds and two companies was the first in Denmark to combine financial power with building and facility management skills, he said.
He said it would provide a "one-stop shop" for public authorities with construction needs, giving them a single access point for services – from architectural to financing.
Möger Pedersen said the funds would now take the initiative and approach public authorities that had potential projects, rather than waiting for them to make the first move.
"The new joint venture clears the way for the PPP breakthrough people have been talking about for years," he said.

quinta-feira, abril 18, 2013

Nas PPP, quem paga as favas?


Quem sofre as perdas no caso das PPP que se revelarm tão irrealistas que estão com tráfego inferior a 50% do previsto no cenário base, o Concedente (contribuinte), os utentes, ou o Concessinário e os seus credores?

Enquanto o Concedente compensar todas perdas e fizer das tripas coração para manter os pagamentos previstos e não previstos, os Concessionários e os seus credores, incluindo o Banco Europeu de Investimento, não têm qualquer motivação para renegociar prazos, ou taxas.  Noutros países as concessões deficitárias vão à falência, como no caso das Radiales de Madrid, onde o Minisério de Fomento negocia con la banca quitas y créditos para traspasar las radiales.     

Em Portugal, o Concedente, evidentemente capturado, parece não ter sequer conseguido trazer os concessionários e os seus credores à mesa de renegociações.  Agora o Estado muda de chapéu e aparece como Autoridade Tributária, ameaçando com uma espécie de "windfall tax", de imposto especial sobre lucros extraordinários ou "enriquecimento sem causa", considerando que os retornos são superiores ao nível justificado pelo risco assumido pelos concessionários.
Não era sem tempo.
O desafio é claro:  De um lado os coitados dos contribuintes, do outro lado os grandes advogados nacionais e internacionais. Estes últimos vão lucrar certamente.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia
Ouvir entrevista na TSF http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3174441

Governo ameaça com imposto sobre PPP 18 de Abril, 2013
O Governo quer poupar mais 50 milhões de euros com a revisão de contratos de Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias este ano e ameaça com um imposto caso estas poupanças não cheguem pela via negocial.
"[O Governo espera também] poupanças relativas à renegociação de parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias, cujo objectivo é elevado agora para cerca de 300 milhões de euros. O Governo, reafirmando a sua preferência por uma solução negociada como a que tem, aliás desenvolvido, sobretudo dado o seu carácter permanente, não deixará de considerar a possibilidade de aplicar medidas de natureza fiscal sobre estes contratos se o objectivo de poupança não for atingido por via negocial", afirmou o secretário de Estado do Orçamento.

Luís Morais Sarmento falava na conferência de imprensa que apresentou os resultados da reunião do Conselho de Ministros que terminou esta madrugada, onde explicou como pretende o Governo compensar o chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para 2013.

O objectivo de poupança anterior previsto no Orçamento do Estado para 2013 com a renegociação de PPP era de 250 milhões de euros, querendo o executivo que a contribuição da renegociação destes contratos contribua com 50 milhões de euros para o esforço adicional necessário para cumprir as metas do défice deste ano.

Miguel Poiares Maduro, jurista e novo ministro-Adjunto, sublinhou a posição do Governo que não hesitara em avançar com um imposto caso a via negocial não dê os frutos desejados.

Lusa/SOL
Fontes:  http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=73238,  http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-acorda-cortes-de-800-milhoes-1591698http://videos.sapo.pt/aBCiSzTbNocj48gq16Es#sharehttp://economico.sapo.pt/noticias/ppp-alvo-de-imposto-se-poupanca-nao-atingir-300-milhoes_167323.html
Radiales de Madrid http://www.expansion.com/2013/04/09/empresas/auto-industria/1365519207.html
Captura do Concedente http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/11/post-contractual-lock-in-in-uk-pfi.html
Tribunal dá razão à Islândia no diferendo com credores internacionais
http://ppplusofonia.blogspot.pt/2013/01/tribunal-da-razao-islandia.html
Para renegociar a dívida insustentável, ver o "curso" de Credit Workout 101 em http://ppplusofonia.blogspot.pt/p/crise-da-eurozone.html