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quinta-feira, março 22, 2012

TdC chumba contrato TGV


Tribunal de contas chumba TGV
O Tribunal de Contas chumbou ontem o contrato de construção do troço Poceirão-Caia, que integra a linha de alta velocidade ferroviária (TGV) Lisboa-Madrid, no valor de 1,6 mil milhões de euros, levando o Governo a anunciar o "abandono definitivo" do projecto.
    Por:Raquel Oliveira
Governo abandona projecto


Em causa estão várias "ilegalidades", de acordo com o acórdão, que refere que a adjudicação recaiu "numa proposta que deveria ter sido excluída". O consórcio Elos (vencedor), liderado pela construtora Soares da Costa e pela Brisa, estima em mais de 264 milhões os custos com TGV, até Dezembro, e vai procurar um acordo ou avança para tribunal arbitral. O ministério da Economia vai analisar "com pormenor" os termos do acórdão do Tribunal de Contas, "tendo em vista as suas consequências jurídicas e económicas, de modo a defender o interesse público e os contribuintes portugueses". "[A decisão] vem, na perspectiva do Governo, encerrar a polémica em torno do projecto do TGV", afirma o ministério.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

It takes three to generate moral hazard

In economic theory, moral hazard is a tendency to take undue risks because the costs are not borne by the party taking the risk, so says wikipedia succintly.
We can find moral hazard both on the borrower and on the creditor side, as long as the taxpayers bail  out the borrower or the creditor, or both.

Let us take:
1. a weak borrower (ex.  REFER),
2. a foolish creditor  taking undue credit risks with more money than credit analysis skills (a Schuldschein bond investor), and
3. a hapless taxpayer (o contribuinte coitado) on the side of the borrower or of the creditor having to bear the cost of the doubtful loans

When a borrower cannot afford to repay its excessive debt, the loss may be shared more or less equitably between borrower and creditor, or taken by the borrower's or the creditor's Government .  REFER borrowed money it could not afford to repay, the Schuldschein investor did not even bother to demand the Guarantee of the Portugusese Republic.   Now the bonds are trading at deep discounts, but when they come due, the Portuguese Goverment pays them off at par, and inevitably assumes the debt of the State owned companies, keeping the full loss for the account of the Portuguese taxpayers.

See SOE debt coming home to roost 
Estado assume dívida do SEE de transportes

terça-feira, novembro 29, 2011

TdC: Sociedades pouco comerciais facilitam desorçamentação do investimento público

No Relatório de Auditoria nº 29/2011 –divulgado hoje, 28-Nov-2011, o Tribunal de Contas examinou 14 empresas públicas, criadas apenas para a realização de investimentos públicos, que absorveram mais de €974 milhões de esforço financeiro do Estado em 16 anos,  de 1993 a 2009.  A maioria destas sociedades ditas comerciais quais nunca chegaram a facturar ou a apresentar quaisquer volume de negócios. 

Segundo o Tribunal de Contas, a criação de empresas públicas tais como a Parque Expo, RAVE ou Viana Polis, “reveste um fenómeno de desorçamentação, na medida em que estas entidades escapam à disciplina orçamental, não estando sujeitas às regras orçamentais e financeiras” da  Lei do Enquadramento Orçamental (LEO) que não as integrava nas contas da Administração Pública. 

Uma vez que estas empresas, apesar de formalmente comerciais, não cumprem os requisitos de classificação como empresas mercantis (proveitos superiores a 50% do custo de produção) o Instituto Nacional de Estatística (INE) indica anualmente a lista das entidades que são consolidadas nas contas das Administrações Públicas para efeitos da contabilidade nacional.  Segundo a recente revisão da Lei de Enquadramento Orçamental (a recente alteração do artº 2 operada pela Lei n.º 22/2011, de 20 de Maio, as entidades assim reclassificadas pelo INE passam a ter que ser incluídas no Orçamento do Estado como SFA-Serviço e Fundo Autónomos.

O Tribunal de Contas critica directamente o recurso à forma societária, como empresa pública ou sociedade anónima de capitais inteiramente públicos, para a prossecução de projectos de investimento público, geralmente capitalizáveis em termos contabilísticos.  Em alguns casos, trata-se mesmo de investimento do domínio público e esta opção surge em detrimento do instrumento tradicional de gestão do investimento público, o PIDDAC –Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central. 

Em consequência desta avaliação, o Tribunal de Contas recomenda  
1.     A redefinição de quais as empresas que, atentas as suas especificidades e características não mercantis, devem fazer parte integrante do Sector Público Administrativo
2.     A avaliação prévia das múltiplas opções possíveis em matéria de formas de organização de entidades públicas
3.     A recapitalização das empresas públicas cujos capitais próprios se encontrem abaixo do limite previsto no art.º 35.º do Código das Sociedades Comerciais

A avaliação pelo Tribunal de Contas dos resultados destas empresas instrumentais destinadas a gerir projectos públicos é uma componente importante do processo orçamental.  Do esforço financeiro do Estado de €974 milhões, apenas €79 milhões do PIDDAC e os €192 milhões de comparticipação da EU foram correctamente orçamentados e cabimentados como despesa de investimento. O resto aparece sobretudo como dotações de capital e garantias do Estado.  

A facilidade com que se criaram empresas que de comercial só tinham a forma, é mais um exemplo do “soft budget constraint” de Portugal, conforme apontado pelo OCDE em 2008. Numa SA, evitava-se o controlo cada vez mais apertado e por vezes desajeitado feito pela DGO às despesas do PIDDAC, e evita-se também algumas das normas mais restritivas aplicáveis à Administração Pública na contratação de funcionários, de fornecimentos e de empreitadas. 

No entanto, responsabilizar o INE pela decisão de quais projectos e entidades devem ou não ser reclassificados e integrados no Orçamento, parece ser um “outsourcing “ de um função própria do Ministério das Finanças e da DGO.   


Não basta avaliar o veículo ou instrumento utilizado para a realização do investimento público, é essencial avaliar os resultados, o impacto do investimento no crescimento económico, na dívida pública e externa,  e na sustentabilidade orçamental.

Por isso é importante ir mais além do que as recomendações do Tribunal de Contas.
O investimento público deveria ser todo reintegrado no PIDDAC, sujeito a uma restrição orçamental firme mas inteligente, e gerido de uma forma rigorosa pelos respectivos ministérios, a fim de garantir que apenas os projectos prioritários com bons rácios de custo-benefício avançam. 

Pior do que usar o instrumento errado para gerir projectos de investimento público, é fazer investimento improdutivo, financiado com dívida externa a perder de vista. 

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 

sexta-feira, novembro 18, 2011

Os contratos PPP são, por definição, opacos...

Entrevista a Mariana Abrantes de Sousa publicada no Jornal de Negócios de 15-Novembro-2011

"Banca teve muita responsabilidade no descontrolo orçamental"
15 Novembro 2011 | 10:30
Elisabete  Miranda - elisabetemiranda@negocios.pt 
Rui  Peres Jorge - rpjorge@negocios.pt

Entre 2006 e 2008 o crédito às empresas públicas era tanto e tão barato, que abalroou a pouca disciplina orçamental. A banca internacional tem a maior parte da culpa.

Oriunda da banca de investimento internacional, e com experiência pública como controladora financeira dos ministérios da Saúde e das Obras Públicas, duas das áreas de maior risco, onde abundam empresas e parcerias público-privadas (PPP), Mariana Abrantes de Sousa tem um olhar privilegiado sobre a situação financeira do Estado. Em entrevista ao Negócios, é elogiosa em relação aos pequenos passos, aparentemente insignificantes mas relevantes no seu todo, que o Governo está a dar. Aponta as falhas do passado, onde o sector bancário não está isento de responsabilidades, e deixa algumas sugestões para a difícil reforma financeira…

(Ver continuação em parte 2 e parte 3)

O ministro das Finanças está a descobrir buracos orçamentais de dois em dois milhões de euros. O nosso sistema de reporte e controlo tem uma margem de erro tão grande?

Acho que sim, que havia margem de erro em alguns sítios, noutros casos havia uma margem de interpretação. A Madeira é nitidamente um caso de margem de erro: fizeram obras para as quais não tinham cabimento, não tinham um orçamento aprovado, não tinham pré-cabimento antes de adjudicar, não receberam as facturas atempadamente, mas acumularam dívida. Resta saber quem financiou, por que os empreiteiros na Madeira devem ter pago o cimento, o aço, aos trabalhadores, à segurança social… quem financiou isso? Os bancos provavelmente financiaram os empreiteiros que iam metendo a factura na gaveta em vez de a entregarem no sítio certo.

No caso da Madeira não havia hipótese de ter sido detectado?
Acho que havia. É impossível numa ilha daquele tamanho não se sentirem 2 mil milhões de euros de despesa. Quanto mais não fosse, nos bancos via-se.

Temos também o caso do BPN. Como é possível que ainda sejamos surpreendidos com novas responsabilidades por cobrir?
O processo de buracos sucessivos é normal nas condições em que estamos. Mas a falha foi do Banco de Portugal: se tivesse garantido os depósitos e pago aos depositantes, assumia um encargo pesado, mas teria estancado os efeitos da medida.

O argumento na altura foi de que havia risco sistémico. Não concorda?
Para um banco daquele tamanho é difícil. O que acho é que a situação apanhou muita gente desprevenida, que naquele momento não estava disponível para liquidar o banco e pagar aos depositantes. Para além de não gostarem de o fazer, há um problema de quase não acreditarem no que têm de fazer, de perplexidade.

Teme mais más surpresas no sector empresarial?
Parece que o Governo já tem uma ideia bastante boa da realidade da dívida das empresas públicas, não obstante poderem aparecer algumas coisas. Já nas PPP talvez possam aparecer mais más surpresas. Nos municípios há bastante risco, nomeadamente nas empresas municipais.

Porque é que o Tribunal de Contas, que tem capacidade de responsabilização financeira, e de envio para o Ministério Público, não funciona?
Acho que o Tribunal de Contas faz um bom trabalho, até onde vai. Por exemplo, os projectos em parceria (PPP) deviam ser cabimentados. Há uma alínea do art. 31º da LEO - Lei de Enquadramento Orçamental - que desde 2001 não está a ser aplicada. Todos os anos a Lei do OE deveria incluir um limite total para despesas de funcionamento, para despesas de investimento, para nova divida, para emissão de avales e garantias do Estado, e para a assunção de novos compromissos com PPPs. Se for às leis do orçamento estão lá os primeiros 4, mas não está lá o 5º. Como nunca foi hábito incluir o limite para PPPs na Lei do  Orçamento, o TC também não chamava a atenção. A única entidade que funcionava de uma forma mais forte era a DGO, mas apertava a despesa de uma forma tão quase cega que havia um enorme incentivo de lhe tirar o controlo da despesa. Foi o que acabou por acontecer.

A Direcção-geral do Tesouro (DGTF) foi uma das grandes responsáveis pelas falhas de controlo orçamental nos últimos anos?
Na parte que conheço, que é a dos transportes, sem dúvida. Acho que era bastante visível que as empresas públicas estavam em roda livre.

Os problemas nestas áreas estavam relativamente bem identificados pelo Governo anterior. E houve um discurso de rigor. Foi mais aparente do que efectivo?
No início do período houve um esforço verdadeiro e eficaz. Mas temos de nos lembrar que estávamos em 2006, 2007, 2008. Nessa altura, quando alguém alertava que a Refer está a endividar-se em excesso, ouvia-se como resposta que os bancos não estavam a levantar quaisquer problemas. Os bancos alemães estavam a dar crédito sem sequer exigir o aval do Estado. O dinheiro que estava a entrar era tanto que abalroou a pequena disciplina orçamental.

É a segunda vez que menciona o papel da banca. Que responsabilidades é que ela teve no nosso descontrolo financeiro?
Teve muitas responsabilidades, mas sobretudo a banca internacional no financiamento às empresas públicas e às PPPs. As nossas empresas públicas tomavam crédito directamente lá fora e conseguiam taxas e condições mais favoráveis do que as que eram exigidas cá.

Os bancos estrangeiros estão a tentar transferir as suas responsabilidades para a banca nacional. Há alguma forma de nós defendermos desse risco?
Haveria uma, que seria a de não pagar, mas isso causaria um “default” cruzado, o que seria bastante perigoso. Outra forma seria criar um fundo que comprasse os empréstimos dessas empresas a desconto, porque há créditos da Parpública, Refer, a desconto de 10%, 15%, 20%. Esses descontos deviam ser capturados por nós. Mas para isso seria preciso que tivéssemos dinheiro e que fossemos comprar ao mercado de dívida secundária para extinguir a dívida.

Essa proposta vale também para a dívida pública?  
Sim, o problema é que precisaríamos de ter financiamento de terceiros.

O Estado diz que vai assumir este ano 8 mil milhões da Refer, BPN, EP, à banca. É o início de um processo mais longo de substituição dos bancos pelo Estado?
Acho normal que o Estado reorçamente estas empresas sem sustentabilidade financeira e assuma essa dívida.

Mas os bancos tomaram o seu risco. Isto é quase um “bail-out” à banca.
É um “bail-out” à banca. É um “bail-out” e é o preço a pagar por decisões infelizes do passado...


Entrevista com Mariana Abrantes de Sousa publicada no Jornal de Negócios de 15-Novembro-2011
Contacto:  ppplusofonia...gmail.com
Ver também
http://oinsurgente.org/2011/11/15/o-que-se-tem-de-fazer-aos-contratos-lesa-patria/
http://beijozxxi.blogspot.com/2011/11/o-negocios-dedica-hoje-3-pags-uma.html
http://fastcredito.com/?p=5735

terça-feira, outubro 18, 2011

Tolerância Zero com o OE-2012

Depois de descobrir buracos atrás de buracos orçamentais, o contribuinte não pode senão sentir-se aliviado ao ouvir o Ministro das Finanças professar “tolerância zero” contra as derrapagens orçamentais. E essa nova disciplina financeira deveria começar no próprio Ministério das Finanças, em duas das áreas que estão sob o controlo directo da DGTF, o Sector Empresarial do Estado (SEE) e as Parcerias Público-Privadas (PPP).

A reestruturação do SEE vai certamente no bom caminho, com a fusão e extinção de empresas desnecessárias, as reduções salariais para níveis da Administração Pública, etc. A redução dos planos de investimento e a racionalização da prestação de serviços públicos serão justificados em muitos casos, ainda que a diminuição significativa dos níveis de serviço e o redimensionamento dos quadros de pessoal venham a ser bastante contestados. Não é por acaso que as empresas públicas quase-monopolistas continuam a sofrer greves. Já a privatização ou concessão de serviços públicos deficitários a privados será bastante mais difícil de implementar, e talvez pouco recomendável. Pior que uma empresa pública mal gerida, só mesmo um mau contrato de concessão em que o concessionário acaba por ditar condições ao Concedente.

Faria todo o sentido que todas as empresas do SEE, e não apenas aquelas que são integradas no perímetro da Administração Pública, passassem a ter obrigações de reporte análogas às dos Fundos e Serviços Autónomos, pois elas são geralmente caracterizadas pela mesma dependência do contribuinte. Por isso, todas as empresas deveriam ficar obrigadas ao reporte mensal de compromissos assumidos, de pagamentos em atraso e de prestação de contas não apenas junto da DGTF, mas sobretudo junto do próprio Ministério da tutela. Efectivamente, seria bastante mais transparente que toda a despesa e todo o passivo das empresas de transporte figurasse nas contas do Programa Orçamental de Transportes, as despesas e passivos dos hospitais nas contas do Programa de Saúde, etc.   

Em resumo, a tendência de desorçamentação que transferiu grandes quantias de despesa do controlo da DGO-Direcção Geral do Orçamento para o controlo muito menos eficaz da DGTF-Direcção Geral de Tesouro e Finanças deveria ser definitivamente invertida. Para isso, o novo enquadramento jurídico do SEE esperado até ao final de 2011, deveria ter como objectivo a reintegração dos operadores de serviços públicos no respectivo programa orçamental, reforçando a tutela sectorial.

As empresas do SEE têm cerca de 4.460 milhões de dívida a refinanciar em 2012, ao qual acresce 1.950 milhões de novas necessidades de financeiras (leia-se prejuízos e novos investimentos). As necessidades de financiamento em 2012 podem ainda ser maiores se a divida que vence até ao final de 2011 for refinanciada por períodos inferiores a um ano.

Assiste-se agora a um jogo do empurra no que toca à dividado SEE. A dívida (distressed debt) das empresas públicas portuguesas como a REFER e a Parpública está a ser negociada a grande desconto no mercado secundário, até ao momento em que se aproxima da data de vencimento e é reembolsada ao par, graças a empréstimos do Tesouro ou de bancos locais. Os investidores nacionais não têm liquidez para poder aceder a este negócio e capturar o desconto. Por isso os bancos propõem ao Estado a criação de um banco ou fundo de investimento especializado para deter estes activos. Como sempre, falta dinheiro para ganhar dinheiro.   


Quanto às PPP, as surpresas têm sido ainda piores. Entre 2008 e 2010, o montante dos encargos líquidos anuais com as PPP mais do que duplicou para 1.128 milhões de euros em 2010, mais 19% face ao valor previsto.

Em 2011, os encargos líquidos chegarão a 1.590 milhões de euros, mais 41% face ao ano anterior, devido em parte à reclassificação de alguns projectos como Administração Pública. Os encargos líquidos previstos para o ano de 2012, de cerca de 1.036 milhões de euros, podem aumentar se a quebra de tráfego decorrente da introdução de portagens for superior à prevista. A suspensão de novos contratos de PPP é uma medida prudente, bem como a reavaliação dos projectos e a criação de uma Agência de PPPs para centralizar a informação e a gestão dos contratos de concessão. De facto, Portugal tem mais de 100 contratos PPP mas não se pode dizer que existe um “Pograma de PPP”, pois não tem havido uma gestão devidamente articulada e centralizada. Mais uma vez, os encargos e a gestão dos contratos de PPP devem ser integrados no orçamento do respectivo programa sectorial a fim de minorar a natural assimetria de informação que favorece o concessionário à medida que o Concedente vai ficando cada vez mais afastado da prestação do serviço público.

Mas os riscos orçamentais com os contratos de PPP são certamente superiores aos indicados no Relatório do OE, incluindo os 78 milhões de euros para os pórticos nas SCUT. As reclamações de concessionários são um risco constante. Naquelas que foram submetidas a arbitragem, o Concedente têm pago menos de 20% do montante reclamado. Mas algumas concessões têm sido renegociados diversas vezes, em regime de ajuste directo, e com alteração significativa das condições negociais, incluindo o prazo da concessão e a afectação de riscos entre o Concedente e o concessionário. 

O valor actualizado dos pagamentos futuros do Concedente aos parceiros privados é agora estimado em 26.004 milhões de euros o que representa 15,1% do PIB actual (15.129 milhões de euros (8.8% do PIB), em termos de encargos líquidos da respectiva receita).    

Mas a lacuna mais grave é mesmo a falta de definição de um limite máximo anual para a contratação de parcerias publico-privadas, de acordo como o artº 31º 1(l) da Lei de Enquadramento Orçamental.  Esta é, mais uma vez, uma falha injustificável quando se procura recuperar a credibilidade da gestão orçamental do programa de PPPs. Ao contrário de outros tipos de contratação que têm que estar devidamente cabimentados dentro das restrições orçamentais do OE, as PPPs continuam em regime de “via verde”, com a factura a aparecer muito mais tarde. A disciplina, a transparência e tolerância zero deveriam começar por aqui.

Uma primeira estimativa do limite que faltava no Orçamentos anuais está na página 14 do Relatório da DGTF sobre PPPs e Concessões.

Ainda vamos a tempo de incluir o limite no OE-2012, que segundo acordado com a troika vai ser muito próximo de zero.  

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

quinta-feira, agosto 18, 2011

SOE/SEE debt coming home to roost

As mentioned earlier,  it is best to focus on the levels of GED – Gross External Debt, when evaluating country risk and solvency, together with its maturity profile in order to assess immediate liquidity considerations.  This is a more fundamental and stable measure of indebtedness than “sovereign debt”, which can have any number of definitions, such as:
-        Direct financial debt of the State (, including  Central,  Regional and Local Governments (Republic,  Azores, Madeira and municipalities)
-        Direct financial debt of the Public Administration, including the State, as above, plus the State guaranteed debt (aval do Estado)  and the debt of State-owned entities which Eurostat/INE may classify as part of Public Administration, from time to time (ex.  Estradas de Portugal, REFER, Metros, hospitals, municipal companies, etc).  This is the “Maastricht criteria” debt, based on the national accounts as prepared by INE/Eurostat, and is quite volatile and unreliable as borrowers are reclassified, sometimes retroactively. 

The Gross External Debt includes all the public external debt of the Public Administration (as defined above) which is held by foreign creditors/investors at any one time, plus all the private external debt, which includes banks (funding for mortgages and for PPP project finance loans), corporations (State-owned and private sector companies) and even households.
Only the Gross External Debt includes the debt of the State-owned corporations still classified by Eurostat/INE as mercantile (ex. CP, Parpublica, TAP, etc) and the PPP obligations, which may have to be paid by the taxpayers rather than through user-fees.  

Note that reclassification of State-owned companies from the “mercantile” to the Public Administration by Eurostat/INE does reclassify their debt (Republic Guaranteed or not) as “Public Administration debt) but does not change its legal status, nor the legal obligor/guarantor, nor the effect of any contractual cross-default clauses.  

Given the dimension of the debt of the State-owned companies, much of it held by local banks, the Republic (Tesouro), in its shareholder function has, in practice,  made loans to these companies to allow them to meet their maturing debt obligations, even those which are not Republic guaranteed, since these public service providers cannot “shut down”. 

Thus the  Portuguese Treasury extended EUR 1.3 Bln in loans to State-owned companies in the second quarter of 2011.  
Now , it has been announced even prior to relevant maturity that  Treasury will provide for the repayment of EUR 200 million by Metro do Porto to  PNB Paribas in mid-August.
In the first  trimester, the Portuguese Treasury had made only EUR 32 million  as shareholder loans to State-owned companies which still had access to the market for refinancing purposes. (concedidos pelo Tesouro tinham sido apenas 32 milhões de Euros)
State-owned companies have significant amounts of debt coming due over the next quarters.   


See Iceberg of Government contingent liabilities 

This Treasury assistance in repaying the non-guaranteed debt of State-owned companies represents, to some extent, the  "nationalization"  of the creditors exposure to these companies (SOE/SEE).   In the case of deficit-prone companies that are not yet reclassified by Eurostat/INE as part of Public Administration, these Treasury credits may be reclassified by Eurostat/INE as capital increases, which will have an impact on the  AP/Public Administration deficit for the purposes of the Maastricht criteria. 

These repayments represent an enormous refinancing effort on the part of the Portuguese Treasury, which benefits the (mostly external) creditors directly, as shown in the latest repayment, those who  over-extended “unguaranteed” credit to weak companies.   These “clean” unguaranteed credits,  which were quite unrestricted and were favoured by both the borrowers and the lenders, are now receiving the same repayment terms as Republic-guaranteed loans which were tightly restricted by the limits approved by Parliament (AR) in the annual budget law (OE). 

This is an example of moral hazard, and another argument in favour  of  reclassiffication of ALL  State-owned  and Municipal-owned companies which have operating deficits two consecutive years  as part of  Public Adminisration , in order to place them under the strict budget discipline of the DGO-Budget Directorate and of  Parliament (AR) through the budget (OE) law. 


This would imply that ALL public investment should again be included in the Budget (OE) law and subject to prior Parliamentary approval.  The list of central Government investment project,  PIDDAC, should be transformed into PIDDAPA,  the "Programa de  Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Pública Alargada, including all the State-owned and municipal companies and PPP concession contracts, with liabilities up-dated annually.  This would ensure transparency and would force all PPP liabilities, including REF rebalancings and other add-ons, to be subject to the same overall budget restriction regardless of the contractual form used. 

For the time being, it would be important to confirm whether the loans now being repaid with the aid of the Treasury (
empréstimos agora vencidos)  had been previously acquired, prior to maturity, in the secondary markets at discount, by local public or private investors, thus allowing Portugal to at least capture some of the benefit of the sacrifices suffered by the more risk-averse external creditors.   


Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia, PORTUGAL

De Abril a Junho 2011, o Tesouro fez empréstimos de 1300 milhões de euros, incluindo:
REFER - 434 milhões de euros
CP - 250 milhões de euros
Metro do Porto - 175 milhões de euros
Metro de Lisboa - 167 milhões de euros
RTP- 150 milhões de euros
EDIA  - ... milhões de euros
EVC - ...  milhões de euros
Frente Tejo - 3,6 milhões de euros, empresa a extinguir
…

segunda-feira, agosto 15, 2011

Divida de empresas públicas passa para o Estado

Portuguese Treasury extends 1.3Bln in loans to State-owned companies in the second quarter of 2011.  
Com o mercado de capitais fechado até mais ver, o Estado vê-se obrigado a apoiar directamente as empresas públicas com empréstimos do Tesouro para pagar a divida  que vai vencendo.

De Abril a Junho 2011, o Tesouro fez empréstimos de 1300 milhões de euros, incluindo:
REFER - 434 milhões de euros
CP - 250 milhões de euros
Metro do Porto - 175 milhões de euros
Metro de Lisboa - 167 milhões de euros
RTP- 150 milhões de euros
EDIA  - ... milhões de euros
EVC - ...  milhões de euros
Frente Tejo - 3,6 milhões de euros, empresa a extinguir

No primeiro trimestre de 2011, os empréstimos concedidos pelo Tesouro tinham sido apenas 32 milhões de Euros.  Nos próximos trimestres, os montantes a refinanciar vão ser semelhantes.
Não sendo uma transferência directa de dívida, isto representa alguma "nacionalização" da exposição às empresas públicas (SOE/SEE). No caso das empresas deficitárias que não fazem ainda parte a AP, os créditos agora concedidos pelo Tesouro podem vir a ser reclassificados pelo INE/Eurostat como aumentos de capital, com impacto no défice da AP/Administração Pública.

Resta confirmar se os empréstimos agora vencidos tinham sido previamente adquiridos a desconto no mercado secundário por investidores nacionais, a fim de capturar o beneficio dos sacrifícios dos investidores mais adversos ao risco.

fonte:   DGTF
http://www.ionline.pt/conteudo/140332-estado-emprestou-1300-milhoes-aos-transportes-e--rtp-em-tres-meses
http://www.destakes.com/redir/bcf1e32d860b84b50059e70215c5b99a
http://www.netconsumo.com/2011/08/estado-emprestou-1300-milhoes-aos.html