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sexta-feira, setembro 20, 2019

Caveat Creditor 4 - Devedores e contribuintes pagam por credores irresponsáveis

Quem deve, treme
Caveat creditor ?
Não, na Europa os credores tremem pouco, raras vezes são obrigados a perdoar parte excessiva dos créditos que concederam. Portugal orgulha-se (?) a reembolsar tudo o que pode ... e o que não pode. Os credores (abusivos) geralmente passam a sua parte da perda aos contribuintes (coitados). Vai a Ministro quem aperta os contribuintes para salvar os erros dos credores e dos seus acionionistas. Ver o artigo no meu blog PPP Lusofonia, 21-fevereiro-2012 "It takes three to generate moral hazard": credores, devedores E contribuintes.  
Ver Creditor moral hazard  21-fevereiro-2012   https://ppplusofonia.blogspot.com/2012/02/it-takes-three-to-generate-moral-hazard.html 

Os credores, na mó de cima, conseguem quase sempre manter a sua narrativa de negação, pelo menos no curto prazo.  Para o credor como  "pai incógnito", a divida excessiva é sempre um problema apenas para a devedora "mãe solteira".  O credor "não esteve nem lá", estava em Londres, em Frankfurt, em Amsterdam ou em Shangai nesse dia quando crédito excessivo foi concebido, não concedido. 

Denial- Mostly on the part of the creditors, who refuse to take responsibility for their part in the credit bubble, and prefer to believe that it's all the borrowers' fault. Credit by immaculate conception, fatherless,  one might say. (Dívida de pai incógnito, we would say in Portuguese).

But the foolish creditors can be SWIFTly traced.  
After all, it was the German banks that reached leverage of 49X....


Ver: Creditor denial of responsibility  sábado, abril 07, 2012  Stages of Grief in the Eurozone, Debt workout 101 - part 8 

Eventualmente, haverá analista que apontam o dedo para os credores:  Creditor moral hazard during EMU debt crisis http://www2.aueb.gr/conferences/Crete2014/papers/Bratis.pdf

Credito sonhos dá pesadelos 
Mas os bancos "salvos" pelos contribuintes rapidamente voltam a  a criar mais uma bolha de crédito ao consumo, para financiar "Casamentos (leia-se Boda) de Sonho, Viagens de Sonho, foram os mesmos bancos que criaram os nossos pesadelos.




Novo credito sonhos dará velhos pesadelos
E quanto maior o SONHO do crédito ao consumo, consumista e improdutivo,  maior voltará a ser o PESADELO para os devedores e para os contribuintes.

´São estas tendências que se podem antever já nas importações "fiadas", e na degradação das contas do comércio externo.  Ver http://ppplusofonia.blogspot.com/2019/09/pt-contas-externas-invertem-tendencia.html

Mariana Abrantes de Sousa, Economista





sábado, março 09, 2019

Figura de corpo presente sai caro aos contribuintes

Não necessitamos de saber muito de crédito nem de intermediação financeira para fazer perguntas importantes sobre os negócios propostos. Os membros de um coletivo de decisão são pagos para estudar os dossier fazer perguntas. E não há perguntas más.  Falta mesmo é ter coragem, ter  uma cultura de confronto cordial e profissional, "willingness to dissent".

A governação com base em  "homens de confiança", que "fazem figura de corpo presente", e que "entram mudos e saiem calados" sai bem cara aos contribuintes.

Figura de corpo presente https://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/carlos-costa-nao-participei-nos-25-grandes-creditos-que-geraram-perdas-para-a-cgd    via @revistasabado

Entrar mudo e sair calado sai caro aos contribuintes. Ex-administrador do BES que chegou a ter 17 administradores a ganhar, quando mandava só um: “Eu sabia tanto de bancos como de calceteiro”
https://observador.pt/2014/09/05/ex-administrador-bes-sabia-tanto-de-bancos-como-de-calceteiro/  via @observadorpt

Prescisamos urgentemente de uma campanha de responsabilização (accountability). 

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Refletir sobre os novos desafios de gestão financeira

Hoje tive a grata oportunidade de ouvir especialistas falar de estratégias de investimento  e as mega-tendências de longo prazo numa conferência do banco BIG, mais uma vez premiado com o banco mais sólido do mercado português.  É bom parar para refletir sobre os bons conceitos fundamentais em face dos novos desafios de gestão financeira familiar e empresarial. 

Image result for BIG perspectivas de investimentoO passado recente foi risonho.  Gostei da analogia da conjuntura Goldilocks em 2017 de contexto geralmente favorável, da sopa nem quente demais nem fria demais, mas sim "just right".  Mas quem vai "cultivar os legumes e fazer a sopa" no futuro para os velhinhos de 100+ anos com o envelhecimento da população mundial ? 

Constituir poupanças é o primeiro passo essencial, especialmente para quem tem muito "equity-risk" na sua atividade principal e precisa de aplicar o seu pé-de-meia em instrumentos financeiros seguros.   Com taxas de juro nominais negativas, como é que se vai poupar  e gerir  as poupanças necessárias  para sustentar uma população cada vez mais dependente? 

Parece-me que há um desajuste entre a perceção atutal das autoridades monetárias e do mercado financeiro focados no curto prazo e a realidade demográfica de longo prazo.  Este "reality-perception gap" representa uma boa oportunidade de arbitragem, para quem conseguir acertar.   A distorção económica causada por manter taxas de juro nominais negativas meses e anos a fio cria uma  situação francamente assustadora em termos de sustentabilidade. 

A baixa taxa de poupança em contra-ciclo com taxa de dependência demográfica são mega-tendências insustentáveis e difíceis de inverter.  E que não se resolvem com supostas "inovações financeiras" como o "crédito na hora" nem o bitcoin, mas sim com menos consumo, mais poupança, e com melhor investimento com mais valor acrescentado. 

Sobre o bitcoin, podem ver o artigo que publiquei recentemente sobre as moedas digitais, que fazem lembrar o tempo em que cada banco criava o seu próprio papel-moeda que colapsava de tantos em tantos anos em sucessivas crises bancárias.   Quando houver um único emissor oficial de cripto-moedas, aí sim pode servir de meios de pagamento e de reserva de valor...para as parcas poupanças, se as houver. 

quarta-feira, novembro 15, 2017

As Good as it Gets, in EURO bond yields

What is the stable equilibrium bond yield differential between Germany, with persistent chronic CAB surplus, and a country like Portugal just overcoming chronic CAB deficits ?
Will the PT-DE bond differential, currently around 1.5%, go below 1% as it did from 2000 to 2005 or will it test new peaks above 10% as in early 2012, when international investors were putting the entire burden of adjustment of the trade imbalances on the borrowing countries?

Just looking at the historical charts, 1% may be the lower limit for the differnential, and 2.5 % may be the upper limit, in part because of liquidity premia and other scale and structural differences.    But since investment decisions are in the hands of surplus countries by definition, the risk of the differential increasing is greater, as the threat of a flight to "quality" is always present.
Quality really is the eye of the (be)holder, always skewed in  favor of the imprudent lender at the expense of the the imprudent borrower.   Stability is still missing.
















yield 10 years, %pa   diff PT
USA 2,23 0,24
PT 1,99  
CA 1,92 -0,07
ES 1,54 -0,46
DE 0,36 -1,63

Portugal-Germany 10 Year Bond Spread Chart


segunda-feira, novembro 13, 2017

Banco que é BANCO não vende relógios

Uma notícia  num jornal económico on-line detalha, com toda a naturalidade,  os artigos de luxo que pode adquirir no seu banco, desde TVs, computadores, vinhos, relógios, etc, a pagar a suaves prestações de crédito ao consumo, como se vê no anúncio da CGD em anexo.

Isto demonstra bem o desnorte que vai na supervisão e gestão bancária, quando comprar uma televisão ou um colar diamantes num banco parece natural e aceitável.  Entretanto os depósitos são desprezados a taxas de juro perto do zero, e o crédito comercial produtivo é penalizado e sobrecarregado de todas as formas e feitio. 

E o jornalismo económico "cala a desgraça", suspende o "critical thinking".

Encontrar uma montra de relógios e televisões num banco é um BOM sinal de alerta de MÁ gestão bancária.  Havemos de continuar a pagar bem caro estes "erros de intermediação financeira" cujas consequências só transparecem muito mais tarde e por vias indiretas.

Continuava a confiar no seu dentista se ele instalasse uma montra de relógios e  no seu consultório ?

Já dizia o velho ditado da minha aldeia:  A quem for mau dispenseiro não confies o teu dinheiro. 

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 

Fonte:  https://eco.pt/2017/11/13/no-balcao-do-banco-ja-nao-ha-so-dinheiro-pode-comprar-televisoes-vinhos-e-ate-alarmes/

No balcão do banco já não há só dinheiro. 
Pode comprar televisões, vinhos e até alarmes
Catarina Melo  Eco online 

Não são apenas produtos financeiros que se podem comprar nos bancos. Desde trens de cozinha, televisões ou computadores até terços de Fátima, há muito por onde escolher ao balcão do seu banco.

Ir ao banco já não é como “no antigamente”. Já não são só depósitos, levantamentos ou créditos, as operações que pode fazer ao balcão dos bancos. Cada vez mais, as instituições financeiras disponibilizam-se a vender produtos não financeiros, funcionando em alguns casos quase como se fossem centros comerciais. Para além das tradicionais barras e moedas de ouro, também é possível adquirir joias, relógios, computadores e televisões até vinhos, trens de cozinha, serviços de jantar, cabazes de Natal ou mesmo alarmes para a casa, através dos bancos...

domingo, setembro 10, 2017

Portugueses voltam a cair na tentação do crédito fácil e Divida Externa Bruta volta crescer

A tentação do crédito fácil continua, mesmo para os devedores subprime que já foram forçados a apertar cinto para para satisfazer os credores (externos).  Os mesmos credores irresponsáveis que voltaram agora  abrir os cordões à bolsa vão voltar a exigir sacrifícios, é o ciclo clássico do crédito, mas só se deixa enrolar outra vez quem quer.

As famílias Portuguesas voltam a cair na tentação e o crédito ao consumo bate recordes.  O crédito à habitação aumenta.  Foram celebrados mais 34% de contratos de crédito à habitação em 2016 e os montantes aumentaram mais de 39% em relação a 2015, apesar de  11% dos empréstimos hipotecários estarem em situação de incumprimento.  Os empréstimos para a compra de automóvel alcançaram, os 234 milhões de euros em Junho 2017 , mais 20% em termos homólogos.

Todos estes excessos são alimentados e reflectidos nos aumentos da Dívida Externa Bruta. Em 2017, com um historial de crises de sobre-endividamento sucessivas,  os Portugueses já podiam ter ultrapassado a ilusão que o endividamento em Euros não implica  problemas de reembolso, uma ideia peregrina que levou o rating da República Portuguesa ao lixo e quase levou a Eurozone ao colapso.

Portugal:  Divida Externa Bruta 2014-2017Portugal Total Gross External DebtA evolução de todos os indicadores de endividamento externo de Portugal  é preocupante, mas qual é o indicador mais importante que devemos acompanhar, aquela que representa maior risco ou que está mais sob o nosso controlo?
- A Divida Externa Bruta (GED Gross External Debt) a aumentar para  EUR 406,6 mil milhões, o que os residentes em Portugal devam ao estrangeiro, o passivo externo das administrações públicas, as empresas, os bancos, as famílias;
- A PII Posição (negativa)  de Investimento Internacional de EUR 198,2 mil milhões, o passivo externo menos os activos externos, avaliados a preços de mercado (marked to market);  ou 
- A Dívida Externa Líquida de de Portugal, que resulta da PII- Posição de Investimento Internacional, excluindo os instrumentos de capital e derivados financeiros, atingiu, no final de Junho de 2017 EUR  176,1 mil milhões.


Estas diferenças não são indiferentes, pois somos os mesmos 10 milhões de Portugueses (ou menos) a ter que reembolsar a Divida Externa Bruta aos credores, independentemente do disponibilidade de ativos financeiros sobre o estrangeiro.

Economistas focam geralmente a Divida Externa Líquida como a principal medida da dívida externa, especialmente, considerando o vai e vem normal de ativos e passivos financeiros, em situações de "business as usual".  Mas em tempos de crise, quando o endividamento ameaça passar a insustentável, os analistas de crédito e de rating fazem outras contas, com base no conceito de "liquidation analysis" que se pode aplica a devedores em incumprimentos, não apenas empresas mas também a países.

A análise da capacidade de reembolso do "endividamento  em tempos de crise" é simples de fazer:
1.  O passivo bruto revela-se sempre mais elevado do que está registado pelo devedor, devido a divida escondida, ou à aplicação de juros de mora, coimas e outras alcavalas.  E os credores passam a exigir o pagamento de imediato, através de mecanismos de cross default, etc.  Assim , em tempo de crise, o valor do passivo bruto registado é geralmente majorado em pelo menos 10%.
2.  O valor do ativo bruto revela-se quase inferior ao que está registado pelo devedor, considerando a necessidade de vender ativos ao desbarato e o efeito dominó da crise financeira a jusante.  Este efeito inclui o impacto da redução do preços dos ativos no mercado, do mark-to-market. Ou o valor dos ativos sofre simplesmente pelos custos de cobrança quando quem deve dinheiro a um devedor fragilizado se aproveita dessa debilidade para não pagar.  Na pratica, alguns dos ativos financeiros simplesmente "desaparecem", ficam indisponíveis.  Assim, em tempo de crise, o ativo deve ser minorado em pelo menos 10%.

Com valor do passivo a aumentar e o valor do ativo a diminuir, torna-se mais evidente a importância de controlar o passivo, a Dívida Externa Bruta  (agora em EUR 406 mil milhões e crescendo), que depende essencialmente das decisões de sobre-endividamento e de alavancagem insustentável, não apenas do Estado no que respeita à Dívida Publica, mas também dos bancos, das empresas e das famílias Portuguesas.

Portugal: Divida Externa Bruta, 20 anos 1996-2017
Portugal Total Gross External Debt

Em Portugal, as crises de sobre-endividamento ocorriam uma vez por geração, mas agora podem tornar-se mais frequentes ou até permanentes, se continuarmos no mesmo caminho... errado.

Já perguntava Ricardo Cabral em 2012:  Portugal tem emenda ?

Mariana Abrantes de Sousa

Fontes: https://pt.tradingeconomics.com/portugal/external-debt
Ciclo de crédito http://ppplusofonia.blogspot.pt/2017/09/recuperacao-de-credito-como-fator-de.html
Cabral  2012 Portugal tem Emenda?   http://www3.uma.pt/rcabral/Ficheiros/Opinion/divida.pdf 
Crédito à habitação aumenta em 2016 - http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2017-08-04-Credito-para-consumo-aumentou-175-no-ano-passado-face-a-2015
Crédito pessoal aumenta em 2017 http://observador.pt/2017/08/16/credito-pessoal-aumenta-63-em-junho-para-219-milhoes-de-euros/
Banco de Portugal, Junho 2017 Nota de Informação Estatística https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/documentos-relacionados/pii_201706.pdf
Quantos anos para pagar a dívida externa ? http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/07/quanto-anos-para-pagar-divida-externa.html

quinta-feira, setembro 07, 2017

Recuperação de crédito como fator de sucesso bancário - 2

Quase um década depois do início da crise financeira anunciada pela queda do Bear Stearns em Julho 2007, que destapou os excesso do crédito subprime, três dos grandes bancos portugueses preparam-se para criar um ACE Agrupamento Complementar de Empresas (uma vaquinha entre os três) para recuperar o crédito malparado de empresas, a atividade conhecida como contencioso bancário. (Ver abaixo

Faz todo o sentido que o crédito mal parado seja gerido pelo próprio banco credor, ainda que em ACE com outros credores, de uma forma dinâmica e criativa para preservar,  recuperar e aumentar o valor existente nas empresas devedoras, potencialmente solventes mas aflitas com falta de liquidez.  Identificar e salvar essas empresas é essencial para a economia.   Quando o crédito malparado é entregue a um "banco mau", o valor acaba por degradar-se ainda mais e tem que ser o contribuinte a suportar as perdas.  Quando o crédito mal parado é vendido ao desbarato a um "vulture fund", o fundo abutre vai picar o que pode aproveitar, deitando a perder o que resta das empresas devedoras, destruindo valor, postos de trabalho, etc.

O que faz menos sentido é entregar a recuperação de crédito apenas a "auditores e consultores", se estes tiverem apenas a vocação de assessores (agents) e se não tiverem experiência de tomada de risco como empreendedor (principal)  e  se não tiverem "skin in the game", se não tiverem nada a perder nem a ganhar.

No meu artigo de 1992,   "A gestão de risco de crédito com principal factor de sucesso bancário, Revista da Banca, Setembro 1992"  eram apontados alguns elementos da gestão da carteira de crédito em contencioso.

"Como especialista de crédito, um banco deve demonstrar uma boa capacidade de recuperação e de contencioso de crédito" diz-se na página 29 de 38.   E conclui-se que "a gestão de riscos competente e eficiente é uma capacidade institucional essencial num banco (core skill ).  

Resultado de imagem para credit cyclePassados 25 anos, este  artigo sobre recuperação de crédito mantém-se atual, porque os ciclos de expansão e contratação de crédito são isso mesmo, ciclos que se repetem de geração em geração.  

Mariana Abrantes de Sousa
VER "A gestão de risco de crédito com principal factor de sucesso bancário, Revista da Banca, Setembro 1992"  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2011/03/gestao-de-riscos-de-credito-distingue.html

Banco de fomento vai financiar solução para malparado na banca
Governo prepara-se para anunciar solução para os créditos problemáticos nos próximos dias. Veículo vai juntar dívidas em risco na CGD, BCP e Novo Banco.
 CRIS TINA FERREIRA 7 de setembro de 2017
O Governo chegou a acordo com a CGD, o BCP e o Novo Banco para resolver o problema do crédito malparado empresarial que está a contaminar o sistema financeiro. Uma solução que vai envolver a Instituição Financeira de Desenvolvimento, vulgarmente designada de banco de fomento, como uma das fontes financiadoras do mecanismo. A solução encontrada visa melhorar o balanço dos bancos e impedir que empresas em dificuldades, mas viáveis, acabem liquidadas.

O PÚBLICO apurou que a equipa de António Costa, em articulação com o Banco de Portugal, se prepara para anunciar nos próximos dias, que fechou as condições de financiamento e o modelo de gestão da entidade que será constituída para resolver o tema dos empréstimos em moratória (cujo reembolso ou pagamento de juros decorre fora dos prazos, em dívida a mais de 90 dias), conhecidos por non performing loans (NPL, na sigla em inglês). Na prática, o veículo terá a figura de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE) que será criado pelos três bancos e ficará responsável pela recuperação dos activos problemáticos e sua possível comercialização.
Em causa estão apenas os créditos problemáticos de empresas (e não de particulares) que se encontram em situação financeira desequilibrada, ou seja com níveis de dívida insustentáveis, mas que se considera terem viabilidade económica.

Um grupo que inclui não só créditos em incumprimento comuns à CGD, ao BCP e ao Novo Banco, mas os de outras empresas financeiramente degradadas e expostas a apenas um destes bancos. A condição para integrarem o mecanismo “de resgate” é que os devedores sejam economicamente viáveis.

Esta é uma matéria crítica para a estabilidade do sistema financeiro (a limpeza de balanços) e a sua resolução (a falta de capital empresarial) é tida como essencial para a recuperação económica. E os números do primeiro semestre são conhecidos. Dos cerca de 30 mil milhões de euros de crédito malparado contabilizado pelo sector bancário, apenas metade está devidamente provisionado, com o restante valor a necessitar de limpeza: 4,5 mil milhões estão no Novo Banco, quatro mil milhões estão na CGD, mais de três mil milhões estão no BCP e cerca de dois mil milhões no Montepio. E deste bolo à volta de 30% resultam de uma exposição a empresas afogadas em dívidas.
O contexto difícil exigiu negociações com as autoridades europeias e impôs acertos na regulação, o que tem servido para justificar que o dossiê se arraste desde final de 2015.
Nos últimos meses, o primeiro-ministro António Costa, em articulação com a actual administradora e futura vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, tem-se desdobrado em contactos com os banqueiros Paulo Macedo, da CGD, Nuno Amado, do BCP, e António Ramalho, do Novo Banco. No conjunto, os três grupos dominam 60% do mercado.

É expectável que as autoridades não só tornem públicos os detalhes da operação de resgate das empresas viáveis e de limpeza do balanço dos bancos, mas dêem também a conhecer os nomes da equipa que irá integrar o Agrupamento que vai gerir os activos problemáticos. Nomes que terão de ter experiência nas áreas e auditoria e de consultoria e que apesar de serem escolhidos pelos bancos terão de garantir a não oposição do Governo.

Uma das fontes de financiamento desta plataforma (que recebe fundos e os injecta nas empresas endividadas) será a Instituição Financeira de Desenvolvimento, que tem por missão apoiar de forma mais alargada o segmento de pequenas e médias empresas (PME). E que nos últimos meses tem vindo a solicitar aos reguladores a extensão de âmbito e do seu perímetro de actuação.Apesar de nova sociedade ter na origem a CGD, o BCP e o Novo Banco, é de adesão voluntária, pelo que os restantes bancos podem sempre envolver-se, como já tinha sublinhado o jornal digital Eco.

Ao contrário do que chegou a ser admitido pelas autoridades, o plano que vai ser apresentado exclui a criação de um banco mau e a venda das carteiras de crédito problemático da banca a agentes privados, como fundos de investimento, que se propunham adquiri-las com forte desconto e garantias públicas. Uma situação que levantou objecções nomeadamente junto do sector e de responsáveis políticos. E por duas razões: ao terem os activos registados nas contas a preços mais elevados, caso aceitassem vendê-los abaixo desse valor, os bancos seriam obrigados a assumir perdas (imparidades) o que poderia forçar a aumentos de capital. Por outro lado, o Estado não garantia que empresas economicamente viáveis fossem resgatadas.
https://www.publico.pt/2017/09/07/economia/noticia/banco-de-fomento-vai-financiar-solucao-para-malparado-na-banca-1784611


domingo, novembro 06, 2016

Crédito ao consumo mais que meio caminho andado para um novo resgate

São se fala dos riscos de um novo resgate, do regresso da troika, nunca se fala do aumento do crédito ao consumo, nem mesmo da quebra acentuada da poupança nacional para níveis insustentavelmente baixos.

Mas se as famílias não poupam, se Portugal continuar a ser o país mais endividado do mundo, já devíamos saber que um segundo resgate vai tornar-se cada vez mais necessário.

Falta reunir as notícias dispersas para ter a visão de conjunto:

+ Crédito ao consumo acelera
+  Sobre endividamento sobe
+  Taxas de juro de depósitos baixas penalizam aforro
+  Taxa da poupança sobre rendimentos abaixo de 5%
+  Crédito mal parado aumenta
=  Necessidade de resgate  aumenta

Até agosto 2016 , o valor e o número de créditos para consumo dispararam.

A estratégia de marketing dos bancos regressou ao período pré-crise. A média mensal do montante dos novos créditos pessoais concedidos aos portugueses nos primeiros oito meses deste ano disparou 75% face a 2012, quando a troika já estava no país. Segundo o Banco de Portugal (BdP), a média mensal deste ano ronda os 471,1 milhões de euros, enquanto, que em 2012 era de 268,7 milhões de euros. Em termos de novos contratos, o número médio mensal aumentou 18% naquele mesmo período, passando de 97 037 (2012) para 114 485 (média mensal de oito meses de 2016). A associação de consumidores Deco alertou para o fenómeno atual da subida do crédito pessoal e, essencialmente, para o regresso em força da “publicidade feita pelas instituições bancárias para este tipo de produto”. 

 Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/banca/credito-pessoal-subiu-75-em-apenas-quatro-anos/?utm_source=Push&utm_medium=WebApp#sthash.ZNX8Gmuj.dpuf

DN Crédito ao consumo é o único que não só cresce como acelera 

domingo, setembro 25, 2016

PMEs criam mais postos de trabalho com acesso a clientes e a capital

As PMEs são o principal motor da criação de emprego em quase todos os países.    Na União Europeia, 85% dos novos postos de trabalho no período 2002 a 2010  foram criados por pequenas empresas, inclusive pelas  micro-empresas com 9 trabalhadores ou menos.   
Em alguns países, as mulheres têm sido ainda mais empreendedoras. Quando a economia americana entrou na “grande recessão” a partir de 2007, as empresas detidas por mulheres continuaram a expandir, enquanto as empresas detidas por homens contraíram.
(Center for Women’s Business Research. (2009). Biennial Update 2008, Businesses Owned by Women in the United States)
Mas nem todos os novos negócios são bem sucedidos.  Menos de metade das novas empresas criadas na EU em 2008  ainda estavam a laborar ao fim de 5 anos.   
As principais dificuldades enfrentadas pelas PMEs são
- a angariação de  clientes,   
- o acesso  a financiamento, e
- a contratação de colaboradores qualificados a um custo comportável.
Considerando a importância das E empresas detidas e geridas por mulheres (WOB Women Owned Businesses)  para o crescimento e a criação de emprego,  ajudar as mulheres empreendedoras a vencer os desafios da criação dos novos negócios pode ser  um grande contributo para a recuperação económica e a segurança financeira das famílias.  

As empresas detidas e geridas por mulheres que se destacam pela positiva, que conseguem ultrapassar as dores de crescimento são aquelas que estabelecem objetivos ambiciosos,  baseados em planos de negócio cuidadosos e indicadores de desempenho mensuráveis  e que são (2) mais  são eficazes na gestão financeira, usando o capital com frugalidade e eficiência.    

Nos Estados Unidos, como  fornecedores desfavorecidos as PMEs têm boas  oportunidades comerciais no grande mercado americano  graças aos programas de Supplier Diversity (Diversidade de Fornecedores).   O Office of Small & Disadvantaged Business Utilization serve mesmo para ajudar as pequenas empresas a tirar proveito das compras publicas.  
Nos pequenos países da Europa, onde não há preferências de Supplier Diversity, as questões comerciais são mais prementes e urgentes do que o acesso a capital.

Como dizem em Silicon Valley, "Sales cure all".    Sem vendas, não há quem  queira financiar.
Os financiadores olham primeiro, antes e depois para o volume de negócios, para os resultados e para a quota de mercado e de exportações.  No sector das PMEs, os financiadores precisam de  avaliar bem as empresas e os seus gestores e ir ajustando o financiamento à situação da empresa, o que é mais fácil de fazer num banco do que no mercado de capitais.

Por isso os programas para promover o acesso das PME ao mercado de capitais não convencem. Seria muito mais importante promover programas de acesso a clientes, de preferências de Supplier Diversity que iriam ao cerne da questão:  a procura de um "mercado com saída. 


Eis o perfil das mulheres empresárias, segundo o Global Entrepreneurship Monitor
- mulheres usam menos capital que os homens, apenas $10.000
-mulheres  dependem mais da família para financiar os seus negócios
- mulheres começam os seus negócios mais tarde, por volta dos 40 anos, enquanto os homens começam por volta dos  30 anos

As mulheres lançam-se nos negócios com mais idade, mais encargos familiares e com menos dinheiro.  Mulheres d'Armas, todas elas.

A Embaixatriz Kim Sawyer que criou um negócio inovador de serviços jurídicos em Boston, vai ser a Convidada de Honra do American Club of Lisbon no almoço de  segunda-feira, 26-Setembro, onde vai falar,  em inglês, sobre o programa de Connect to Success da Embaixada Americana. que apoia mulheres empresárias em Portugal desde 2014   (Favor contactar events@americancluboflisbon.com)

Ver mais: 
Acesso de PMEs ao mercado de capitais 
https://www.dinheirovivo.pt/empresas/governo-quer-facilitar-acesso-das-pme-ao-mercado-de-capitais/ 
Supplier Diversity http://ppplusofonia.blogspot.pt/2016/08/supplier-diversity-in-europe-decades.html 
Women start businesses later and with less money
https://womenpresidentsorg.wordpress.com/2016/08/05/new-york-magazine-women-can-start-a-business-with-half-as-much-money-as-men/

terça-feira, maio 10, 2016

Convénio de pagamentos de comércio externo a replicar na Lusofonia

 CCR , o Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos firmado em 1982, sob os auspícios da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é um acordo entre 12 bancos centrais (BCs) latino-americanos , que estabelece um mecanismo de compensação entre os débitos e créditos referentes aos pagamentos oriundos da atividade comercial no bloco. Tal acordo também prevê um sistema de garantias aos pagamentos e torna os BCs participantes co-responsáveis por eventuais inadimplementos.
De caráter extremamente técnico e pouco conhecido pelo grande público o convénio e´ popular entre os exportadores brasileiros ...

segunda-feira, abril 11, 2016

Finalmente uma medida a favor da poupança, 2

Resultado de imagem para fatura da sorteParabéns à nova equipa da AT ! 
Levou sete anos depois da crise rebentar em 2009, mas a AT finalmente deixou de promover a importação de automóveis, e passou a promover a poupança nacional, com se tem vindo vindo a recomendar neste blog.  
Diziamos em 2012 que todos os caminhos para sair da crise passariam por aumentar a taxa de poupança, que entretanto caiu para um mínimo absolutamente insustentável de 5% do PIB em 2015.  

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 

Autoridade Tributária e Aduaneira [mailto:info@at.gov.pt],  8 April 2016  
VER Fatura da Sorte no Portal das Finanças 
 

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) informa que os prémios atribuídos no sorteio "Fatura da Sorte" deixam de ser veículos automóveis e passam a ser "Certificados do Tesouro Poupança Mais", emitidos pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida pública - IGCP-

Estes novos prémios visam estimular a poupança e o aforro das famílias.O Sorteio é transmitido pela RTP 1, às 5ª feiras, cerca das 18:50H.

A periodicidade e as condições do Sorteio mantêm-se as mesmas que estavam em vigor até 31 de março, deste ano. A única alteração é o objeto do prémio. Para se habilitar, basta que solicite a inserção do seu número de contribuinte nas suas faturas. Exigir sempre fatura é um direito e um dever de cidadania.

Medidas a favor da poupança nacional precisam-se ! Um país que não poupa é um país que não investe, um país que não cresce, um país que empobrece. Um país que não poupa não consegue reembolsar a dívida externa. Mas os incentivos à poupança nacional são inexistentes. A taxa de juro nos depósitos é 0,15% a.a., antes de impostos, o que dá um sinal enganador aos aforradores locais. Se não há poupança nacional, os riscos da dívida pública aumentam, pelo menos para alguns credores. Quando em 2012 a Grécia acordou um hair-cut na sua dívida pública, os credores da Grécia que detinham obrigações emitidas ao abrigo da lei e jurisdição inglesa, não sofreram qualquer perda, sob ameaça dos tribunais inglesas protegeram mais os credores do que os tribunais nacionais. Na prática, a lei inglesa protege os credores (internacionais) quando comparada com a protecção da lei do país devedor. Assim os aforradores locais, não só são confrontados com taxas de juro anormalmente baixas, como podem vir a ser desfavorecidos no caso de eventuais problemas, em que a divida pública externa pode vir a ser privilegiada em relação à dívida pública local. Esta tragédia de erros, precisamente o inverso do que seria necessário para sair da crise, deixa o país atolado num ciclo vicioso de baixa poupança e de sobre-endividamento.

terça-feira, março 29, 2016

Crise financeira faz 8 anos com queda de um banco


A primeira grande crise financeira do século XXI fez agora 8 anos.   
Resultado de imagem para bear stearns bank imagemNa quarta-feira 12 Março, 2008, um jornalista financeiro perguntava durante um programa da televisão da CNBC se outros bancos continuavam a aceitar o banco Bear Stearns como contra-parte em operações de crédito.  
A resposta foi positiva, para tranquilizar, mas o mercado não acreditou. 
Antes do fim de semana, a sociedade financeira Bear Stearns, que foi criada em Maio 1923 e que sobreviveu ao colapso de  Wall Street de 1929,  tinha chegado ao fim da linha, sendo vendida a grande desconto ao  banco J.P. Morgan.  


O mercado financeiro foi e será sempre assim. Fazem-se milhares de transacções por hora, entre entidades que se conhecem e reconhecem como sendo fiáveis.  
Quando uma dessas sociedades financeiras assume demasiados riscos, pode perder a confiança dos outros operadores de mercado num instante.  
Antigamente, os clientes de retalhos faziam fila para retirar os seus depósitos. Agora os clientes grossista fazem uma "corrida ao banco" com um mero clic.  

Os bancos, como as bicicletas, não param:  caiem de lado.  
Sempre assim foi.  Financial crisis - that time in 2008, it was the same.

As notícias negativas sempre tiveram a capacidade de  fazer cair um banco.  Agora com a televisão e as redes sociais, a corrida a um banco pode ser despoletada num instante, num processo cada vez mais acelerado.  Por isso os supervisores bancários têm que estar muito mais atentos e agir muito mais rapidamente.   
Nos casso do BANIF, do BES e de outros bancos portugueses, o problema não foi a notícia em televisão, foi a incapacidade do Regulador e do Supervisor de implementar uma solução rápida e eficaz que protegesse os aforradores de retalho, sem onerar demasiado os contribuintes. 

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia



sábado, fevereiro 20, 2016

Limites de eficácia da politica monetária - 2

Europe Should Tighten Monetary Policy And Ease Fiscally,  by David Marsh on 19 February 2016      https://www.socialeurope.eu/2016/02/europe-tighten-monetary-policy-ease-fiscally/

Mario Draghi and Wolfgang Schäuble are experienced people who know the euro bloc is in an impasse. The European Central Bank president and Germany’s finance minister need to seal a monetary and fiscal compact to guide Europe out of crisis.
Beset by immigration upheavals and enhanced support for unorthodox populist parties, euro members are relying on loose monetary and tight fiscal policy to generate recovery, cut unemployment and restore faith in European integration: a difficult-to-achieve combination.
Rather than persist with an approach that risks failure, Draghi and Schäuble, the continent’s two most senior economic policy-makers, should engineer tighter euro-wide monetary policy and simultaneously loosen fiscally. Reining back controversial plans for more ECB government bond asset purchases (quantitative easing) could be balanced by more pragmatic interpretation of euro bloc budgetary objectives, recognising that many southern states are already struggling to meet fiscal goals.
Abandoning further ECB easing could strengthen the euro, countering the ECB’s aspirations for currency weakness and producing unwelcome economic tightening. So the accord would have to embody concomitant fiscal easing, posing problems for the ECB’s independence. Personifying German commitment to economic rigour, Schäuble would need to support the two components of the package, which would be in line with the precepts of the International Monetary Fund.
This more realistic arrangement would meet resistance from budgetary hard-liners arguing EU government debt is out of control. Figures such as Jens Weidmann, the Bundesbank president, would need to be persuaded that the deal represents a satisfactory way of heading off further QE, long opposed by Germany.
In seeking an escape from what its critics term a monetary trap, the ECB faces near-intractable dilemmas. Draghi has been preparing the financial markets for fresh easing when the ECB governing council next makes monetary decisions on 10 March. Yet all the possibilities – increasing the ECB’s €60bn monthly asset purchases, cutting the deposit rate below the current negative 0.3% or widening the range of acquired securities – are opposed by a powerful minority of central bankers on the council.
Further negative interest rate cuts would weaken the profitability of European banks and might undermine the ECB’s obligations to stabilise the banking system. This is a classic conflict between the monetary and financial stability parts of an ECB mandate that has widened since the financial crisis.
For more than two years, inflation has been well below the ECB’s target of just beneath 2%. Yet the zeal with which the ECB president has been promulgating the bank’s desire to meet the target considerably outstrips its ability to do so. Many observers overlook that, although EU treaties enjoin the bank to promote ‘price stability’, the ECB defines what this means in practice. When the ECB was established in 1998, it interpreted its mandate as generating annual inflation of below 2% over the medium term. In response to worries that this might turn out to be deflationary, the ECB in May 2003 redefined the mandate as an inflation rate ‘below, but close to, 2%’.
The religious-like fervour often applied to the mandate by Draghi and Peter Praet, his influential chief economist, is thus somewhat misplaced. The ECB’s guiding parameters are set not by some God-like authority, but by the ECB itself. In the words of the Bible, ‘The ECB giveth and the ECB taketh away.’ Amending the 2003 decision, and restoring the ECB’s own 1998 interpretation of its price stability goal, would require complex deliberations but would allow the bank, without further ado, to meet its statutory mandate.
Draghi himself signalled one route to compromise when, in a speech on 4 February, he outlined (and rejected) the view of some central bankers that the ECB does not need to be ‘overly responsive’ to short-term oil price-induced inflation fluctuations. Draghi cited such critics as saying, ‘We can simply redefine the medium-term horizon over which price stability is maintained and “wait it out” until inflation returns to our objective.’
Another sign of the ECB’s complicated balancing act came on 8 February with a joint Franco-German newspaper article by Weidmann and François Villeroy de Galhau, governor of the Banque de France, calling for more European integration. The German text spoke of eventually setting up a euro area ‘finance ministry’ that would help restore the balance between ‘liability and control’. The French version referred to a ‘treasury’ that would balance ‘responsibility and control’. Weidmann clarified his remarks after publication, saying that the oft-cited euro finance ministry idea was a theoretical option, not realisable for the time being.
This article was originally published by the Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF) in the The OMFIF