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domingo, julho 26, 2020

Adapt or Die – to make 2020’s the Double Adaptation Decade

When the Green Climate Fund was envisioned in 2010, it was designed to allocate its funding of climate actions 50% to Mitigation projects and 50% to Adaptation projects, in a two-pronged approach to overcoming the “crisis of the XX Century”.

Mitigation projects were always easier to identify, formulate, finance and implement: A new wind farm here, a PV solar mini-grid there, better public transportation, proper sanitary land-fills, less consumption of meat from beef cows and other burping animals…

And Mitigation projects were easier to scale up and centralize, as promoters and investors implemented bigger and bigger capital-intensive “utility-sized” PV solar farms, from the initial 11 MW in Serpa, Portugal in 2011, to the 500 MW  Ouarzazate complex in Morroco in 2018 and more since.

By contrast, Adaptation projects are the poor relation of Climate Finance, being people-intensive, requiring local solutions and behavioral changes village-by-village, such as a new water source, new climate-resistant seeds, new irrigated agriculture, new climate-adapted school buildings and covered schoolyards, new water, and sanitation WASH practices. In complex countries like Peru, I saw how difficult it was just to take the first steps, to identify local needs and to structure local options

Lo-and-behold, (eis senão quando), the  new Covid-19 mass confinement arrives in March 2020 to temporarily facilitate Mitigation and reduce greenhouse gas emissions. But the Covid-19 health crisis permanently complicates Adaptation and protection of the most exposed and vulnerable populations from increased risks, worsening living conditions and more difficult resilience.

How can we cope with so many intertwined crises, when we hardly understand all their ripple effects and consequences as “pebbles thrown in the pond” become boulders?

>Climate crisis >



>Covid-19 health crisis>

>Confinement economic crisis>

>Unemployment and poverty crisis>

>Social services safety net crisis >

> Government budgets and debt crisis>

> Social conflict crisis>

> Political polarization crises>

>International conflict crises...

In 2020, the year of all crises, it seems we need to rethink (absolutely) everything, from intercontinental air travel, to having grand-parents around to help with child-care in 3-generation family homes.  

To get through it all, we will need to Rethink Everything to make the 2020’s Adaptation Decade

for example...Urbanization and fast-growing cities, trends are likely to change.

Urban growth is likely to slow down as 2020 Smart Cities may need to reduce, not increase, density and traffic. Double adaptation to Covid-19 and to Climate Change suggests less population density and less frequent travel, less daily commuting, with people staying more time in self-contained communities, with more open spaces and fewer  huge shopping malls,  working closer to home, delivering and receiving more services on-line, concentrating  transportation mostly in essential goods, single-family road trips, etc.

Adaptation is not optional, never has been.  #Clima, #Covid-19, #Adaptação 

Mariana Abrantes de Sousa

Senior Project Finance Specialist

See article on 2020's the Adaptation Decade 

quinta-feira, março 22, 2018

Floresta portuguesa tem que dar uma volta de 360º

A nossa floresta vai ter que dar uma volta de 360º !

Pergunta: 
360 graus é a volta completa, ou seja, vai parar ao mesmo sítio.
Não será antes uma volta de 180º ? 

Resposta:
NÃO, tem mesmo que ser mesmo uma volta de 360º, de um equilíbrio antigo quando as matas eram o mealheiro de muitas famílias, para um equilíbrio novo agora que a floresta absorve, não liberta, recursos, e acrescenta, não reduz, riscos.  Tem tudo que ser repensado desde a base, que é a estrutura fundiária,  os minifúndios que passaram a valer ZERO.
Bjz carro do tojo

Senão vejamos.

Era uma vez uma aldeia na floresta circa 1960, antes da emigração em massa. 

As pessoas, sobretudo as mulheres, juntavam a caruma dos pinheiros e as pinhas para queimar nas lareiras e nos fogões a lenha.  Os arbustos rasteiros eram cortados (roçados) e retirados para aplicar no cultivo dos terrenos. Tudo se aproveitava "roçando o estrume" e carregando o "carro do tojo". A floresta ficava efetivamente limpa de biomassa, palavra então desconhecida.
Nascia alguma erva, que alimentava pequenos rebanhos de ovelhas e cabras, à guarda da criança mais nova da família.
Gestão de biomassa aos molhos 1965

Os pinheiros eram resinados e serviam de mealheiro para a família.  Quando casava a filha, vendiam-se uns tantos pinheiros para pagar a boda. A rama que os madeireiros não levavam era cuidadosamente aproveitada para lenha, ou para estacas e espeques nas vinhas.

A floresta até servia para suplementar os magros "rendimentos" da agricultura de subsistência orientada para o auto-consumo.  Os pinheiros e a resina faziam parte dos "excedentes agrícolas" comercializados, junto com algum azeite, feijão, batatas, milho e vinho. Os da casa bebiam "água-pé".

Bjz rebanho capela
Este humilde equilíbrio ambiental, mas não económico, foi-se perdendo no interior do país.
Famílias inteiras emigraram, para as cidades ou para o estrangeiro, e as que ficaram têm poucos filhos.
Já não há quem junte a caruma e as pinhas, também porque as pessoas que ficaram envelheceram ou passaram a cozinhar com a botija de gás. Já não há crianças para guardar ovelhas.  A resina acabou com a concorrência da China.

As matas foram acumulando matéria orgânica de ano para ano, ardendo aqui e ali.
As silvas tomavam conta de muitos terrenos e matas "abandonadas" sem oposição.
Afinal de contas "as silvas não pedem pão", o "mealheiro" parecia intacto, até reforçado com a plantação avulso de eucaliptos.

Até que vieram os incêndios florestais catastróficos de 2017. 

Boa parte deste "mealheiro florestal" na Região Centro ardeu, deixando a nu as pedras e calhaus e todas as fragilidades da uma "gestão florestal" que não merece o nome.  Os numerosos proprietários de tiras de floresta sofreram grandes perdas patrimoniais  não cobertas por nenhum seguro, nem pelo  Estado que se limita a indemnizar a perda de vidas e de explorações agrícolas: 16 euros por oliveira, 5 euros por videira...

Os pinheiros ardidos ficam desvalorizados. Os maiores vendem-se ao desbarato pois os madeiros não têm mãos a medir. Os pinheirinhos pequenos, é necessário pagar para os tirarem.    Os terrenos que escaparam têm que ser "limpos" dentro de poucas semanas.  Tem que se cortar o mato rasteiro, des-ramar ou esgalhar as árvores, mas a biomassa pode-se deixar no local.  Isto é "limpeza da floresta", tirar as migalhas de cima da mesa e deixá-las no chão?

Trata-se de um trabalho sujo, pesado, perigoso, trabalhar com serras eléctricas, roçadoras, tractores.  O trabalho de desmatação, de áreas queimadas ou não, é urgente, chega para todos, até para agricultores de fim de semana.

Pergunta-se, em que condições está a ser feito ? Os trabalhadores têm seguros de acidentes de trabalho adequados, quando estão a trabalhar nos seus próprios terrenos, ou uns dos outros em regime de entreajuda, ou "ao dia fora" por conta de algum proprietário, ou como voluntários informais ?

O mealheiro da floresta entrou em rotura. 
O desequilíbrio ambiental e económico está à vista. 

A Tia Maria, que tem uma pequena  mata onde guardou ovelhas em criança, tem que pagar a alguém para cortar o mato, que felizmente não ardeu,  talvez 50 euros por dia, acrescido de 30 euros por dia para seguro de trabalhador ocasional.   A pensão de reforma média de 365 euros/mês não chega nem para os medicamentos quanto mais para isto.  Se não cortar o mato, a Câmara Municipal vai fazê-lo e vai-lhe exigir o reembolso das despesas com os sapadores e provavelmente aplicar alguma coima.  Lá se vai a pensão de reforma, naquele mês não vai poder comprar os medicamentos.  Confirma-se que a mata da sua infância passou de ativo a passivo, vale muito menos ou mesmo nada se for pequena e inacessível, terreno de cabras.  Será que a Câmara aceita a dita mata como dação em pagamento?

Perdas patrimoniais não cobertas.

As matas que arderam perderam boa parte do valor.  Em alguns casos os madeireiros já não oferecem dinheiro para cortar os pinheiros queimados. E vai levar anos até voltarem a produzir lenha ou madeira.  Esta perda devido à calamidade dos incêndios está a ser suportada por cada proprietário, que geralmente não tinha seguros.  Em alguns países, estas perdas não cobertas (uninsured casualty losses) poderiam ser deduzidas  em sede de IRS, mas em Portugal não.
O povo que aguente.

Destruição de valor de propriedades no interior.

Com as perdas já sofridas e os riscos acrescidos reflecte-se no valor das propriedades.
Quintas que valiam 500.000 euros são agora vendias por 280.000 euros. E é quando se consegue vender.  Agricultores de 60 ou 70 anos já não conseguem retomar a exploração.

Em busca do equilíbrio perdido: Novo  equilíbrio florestal precisa-se.  

E o povo vai aguentando, empobrecido,  á espera de um novo equilíbrio económico que permita voltar a considerar as matas como uma fonte de receita, em vez de fonte de despesa
Alguém tem que organizar uma gestão florestal sustentável  e remunerar os prestadores de serviços eco-sistémicos, como a gestão da biomassa, a gestão das águas pluviais, etc, que não são auto-financiáveis.  Para já, vamos ter uma Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais.   

Não haverá sustentabilidade e segurança ambiental e ecológica sem sustentabilidade económica.  E não haverá sustentabilidade económica com o rendilhado de minifúndios.

Da gestão florestal sustentável, em termos económicos, ambientais e de segurança ainda pouco se fala e menos se sabe.

Necessitamos uma campanha contra o minifundio e a favor de uma floresta sustentável com emparcelamento e serviços ecossistémicos remunerados e subsidiados. 

Mariana Abrantes de Sousa
Beijós, Aldeia+VERDE