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quinta-feira, novembro 05, 2020

Ordem dos Economistas - Conferência OE 2021

Em 2012, eu tive o prazer de participar como oradora na
Conferência da Ordem dos Economistas sobre a proposta de Orçamento de Estado 2013 no grande auditorio da Fundação Gulbenkian, para falar sobre o tema crítico da gestão dos contratos de PPP e concessões

Como membo da Ordem de Economistas, tenho assistido a esta conferência orçamental importante quase todos os anos, e 2020 não foi excepção, graças à transmissão em direto da conferência de hoje no canal de  videocast.fccc.pt/live/   https://videocast.fccn.pt/live/fccn/fcgulbenkian?p=html5&r=1.   

Muitos parabéns e agradecimentos! 

Assistir online não é bem a mesma coisa do que ver e conversar com os colegas. Perdi parte do conteúdo devido a problemas de transmissão e outras distrações. Mas eis algumas ideias que retive:  

- A crise economica 2020 é mais conjuntural ou mais estrutural? 

Sem dúvida que as causas desta crise são mais exogénas como a Covid-19 e portanto conjunturais, mas as consequencias vão ser mais estruturais e talvez permanentes. Por isso se fala tanto da descontinuidade e do "novo normal". O turismo senior dificilmente vai ser como dantes, porque os idosos de 80+ anos não vão querer correr o risco de adoecer noutro continente. Os grandes eventos presenciais vão tardar em recuperar, e vão ter de alterar de forma. Mesmo que se encontre uma vacina  milagrosa anti-Covid-19 dentro de poucos meses, a percepção de risco de sanitário vai ficar elevada durante muito tempo. Para Portugal, com forte dependência dos setores de turismo e de eventos presenciais, devemos considerar esta crise como estrutural. 

Mais, se há vida para além do defice, também há crises para além da Covid-19.

Enquanto muitos dos oradores falaram do esforço necessário para recuperar da recessão de quase -10% do PIB em 2020, o  economista Ricardo Arroja fez comentários mais arrojados!

-  O Orçamento do Estado de 2021 vai preparar Portugal para enfrentar os 3 grandes desafios de longo prazo

1. O sobre-enndividamento elevado, que apenas se atenua com as rendibilidades negativas de mais de dois terços da divida publica, e que vai exigir poupar mais.

2. O defice demográfico, num país cada vez mais envelhecido e de baixissma natalidade, onde ainda faz falta um cheque-creche e mais apoio aos lares de idosos.

3. O defice de produtividade e a necessidade de reciclagem e recapacitação professional dos trabalhadores. Muitos ficam cada vez mais limitados ao teletrabalho, para quem sabe e quem pode, ou vão ser obrigados a sair dos setores mais sacrificados. Precisamos de mais programas como o ATIVAR promete ser mais transformacional, não apenas assistencional.

4. Eu acrescentaria um quarto grande desafio, da adaptação às alterações climáticas. Neste "ano de todas as crises", a vulnerabilidade de Portugal às alterações climáticas está cada vez mais evidente. Esta questão central, estrutural, e de curto, médio e longo prazo devia beneficiar de uma boa parte do investimento público, para projetos da gestão florestal sustentável, entre outros. Portugal pode aguentar melhor sem mais ferrovia, sem a energia à base de hidrogénio, do que pode aguentar com outro ano de incêndios florestais como 2017.

Os desafios conjunturais, de sustentar as familias necessitadas e as empresas viaveis fustigadas pelo confinamento e o desemprego não esperam. Toda a atenção imediata é pouca para gerir e minimizar as consquencias das crises sanitária, economica e social. Mas quando esta crise conjuntural desanuviar, esperemos ainda ir a tempo de resolver as crises estruturais cada vez mais graves e prementes.

Mariana Abrantes de Sousa, economista

Conferência OE 2020-2021 https://www.ordemeconomistas.pt/xportalv3/noticias/noticia.xvw?p=62815438&16-confer%C3%AAncia-anual-da-ordem-dos-economistas

Conferência OE 2012-2013 http://ppplusofonia.blogspot.com/2012/11/oe-2013-em-analise-pelos-economistas-13.html

quinta-feira, outubro 01, 2020

ADAPTAR à Covid19, que veio para FICAR

ADAPTAR ao que veio para FICAR não é facultativo, nem é sinal de fraqueza como pensam alguns.
Em momentos de grandes riscos e incertezas, ser pessimista é útil pois leva-nos a tomar precauções, a aguentar, a ser mais resilientes.  Um artigo publicado em The Economist de 26-Setembro-2020, ajudou a fazer este resumo: 

Porquê a adaptação à Covid19? 

* Covid19 continuará sendo uma ameaça para todos durante meses, possivelmente anos. Na melhor das hipóteses, a pandemia continuará fazendo parte da nossa vida diária até 2021. 
* O inverno do hemisfério norte levará as pessoas a ficarem mais dentro, onde a doença se espalha muito mais facilmente do que ao sol e ao ar livre. 
* A adaptação é uma resposta chave ao grande dilema de fechar a economia para manter as pessoas vivas OU de manter tudo aberto, mas com maiores riscos de saúde pública.
* O recurso a confinamentos gerais é um sinal de que a política anti contágio vai falhando. 

Como se adaptar para conviver com Covid19 o tempo que for necessário?

* A medicina vai mostrando que outros órgãos além dos pulmões, como o coração e os rins, estão sob risco de Covid19 e que esses sintomas precisam ser tratados precocemente.
* O trabalho de saúde pública de "teste e rastreamento" é a primeira linha de defesa contra a Covid19, junto com o distanciamento físico e a comunicação governamental clara.
* Se os teste forem lentos o combate ao contágio falha. Se o rastreamento de contatos não for confiável, talvez porque envolva a polícia, as pessoas infetadas tentarão escapar deteção, enquanto infetam outros.
* O confinamento total é caro e insustentável em todos os aspetos. Em alternativa, alguns países usam testes e rastreamentos detalhados para identificar locais de alto risco de infeção e retardam a propagação usando quarentenas locais e seletivas. Esses locais mais problemáticos podem incluir matadouros, bares, igrejas, eventos desportivos, etc. 
* Para gerir o dilema saúde/economia, os governos devem identificar os trade-offs que fazem mais sentido económico e social. As máscaras são baratas, convenientes e funcionam. A abertura de escolas deve ser uma prioridade para toda uma geração de crianças e para as famílias. Abrir lugares barulhentos e superlotados, como bares e discotecas noturnos deveria esperar. 
* Proteger as populações mais vulneráveis, não só à Covid19 como os idosos, mas também os mais vulneráveis à enorme recessão e disrupção económica como os trabalhadores de setores informais, do turismo, de eventos, etc. Muitos trabalhadores terão de setor. 
* Seria de evitar a confusão de abrir e/ou encerrar tudo precipitadamente. A alternativa seria de estabelecer princípios de combate à Covid19 e de convidar as famílias, escolas e locais de trabalho a desenharem os seus próprios planos de adaptação local, aplicando as novas normas anti contágio com conhecimento e disciplina. 
* Investir na adaptação de espaços públicos e privados, com maior ventilação e redução de ocupação, e adequando procedimentos e rotinas, como segregação de equipes e grupos menores faz a diferença. 
* Investir nos serviços de saúde, proteger os profissionais de primeira linha. Ouvir a ciência. 
* E sobretudo, manter o distanciamento físico mas reforçar as conexões sociais por outros meios de baixo risco.

Esta não é a primeira nem a última grande epidemia. Há-de "ficar tudo bem", mas antes vamos ter que fazer uma grande travessia, várias maratonas em simultâneo.  Juntos iremos mais longe. 

Mariana Abrantes de Sousa, economista 



quarta-feira, setembro 16, 2020

Energia e Clima, Como Financiar a Economia VERDE, online hoje, 16-Setembro, 21h00

 

Conferência Digital "Financiamento da Economia Verde"

16-Setembro-2020  , 21h00 online 
 Organizado por Forum da Energia e Clima 

para registar https://www.facebook.com/events/366701034722122/


Tenho muito gosto em participar na sessão de  16-setembro-2020

Muito obrigada pela oportunidade de participar na sessão de ontem sobre Financiamento Verde.  

São muito importantes os comentários sobre a dificuldade em alinhar as prioridades dos promotores e beneficiários locais com as prioridades dos fianciadores, e vice-versa. 

Este alinhamento é a função e o valor acrescentado pelo "Intermediário", não apenas financeiro, mas também politico e diplomático. 

Ajudar promotores e beneficiários a preparar projetos e a apresentar candidaturas é da maior importância, particularmente para projetos de Adaptação Climática, já que os países da Lusofonia somos especialmente vulneráveis, incluindo Portugal 

O video do encontro online pode ser visto em

https://www.youtube.com/watch?v=6sc2S7W9IB4&feature=youtu.be

Mariana Abrantes de Sousa, Economista 

Ver o Forum Energia e Clima no Facebook e em  https://www.energiaeclima.org/

terça-feira, setembro 15, 2020

Reformar Minifúndios essencial para resistir às Alterações Climáticas

Foi necessário sair de Portugal para ouvir falar de minifúndios.

Começando por estudar Economia Agrária na universidade UC Berkeley, descobri que os terrenos e quintais da minha aldeia beirã afinal não passavam de minifúndios, e que não tinham escala economicamente viável, nem sequer para a agricultura de subsistência de então.

Passadas várias décadas (!), a palavra minifúndio continua a não aparecer no vocabulário de especialistas setoriais nem de governantes portugueses, apesar das consequências do rendilhado rural serem cada vez mais graves.

 Estive a ler um pouco sobre o novo Plano de Recuperação e Resiliência para Portugal que parece tratar mais da Transição Climática (para o crescimento VERDE), do que propriamente de Mitigação Climática e de Adaptação Climática. Sendo Portugal um dos países europeus mais vulneráveis às Alterações Climáticas, deveríamos focar esforços na Adaptação Climática em Portugal desde logo para reduzir riscos e impactes negativos.

 Por exemplo:

Eu considero que juntar as tirinhas de terrenos de minifúndio seria um bom projeto de Adaptação Climática:

- Os terrenos de minifúndio são não-económicos, isto é, não dão para cultivar, nem para plantar árvores, pois atualmente isto só compensa quando é feito em grande escala. Estes terrenos do "marcha-atrás", onde "trator não entra" ou não consegue dar a volta para sair, são um foco de riscos para os vizinhos, próximos e distantes.

-O agravamento da amplitude térmica derivado das Alterações Climáticas, mais chuva no inverno e mais calor no verão, junta-se com a desertificação e com o abandono agrícola para criar a "tempestade perfeita" que agrava fortemente o risco e as consequências de incêndios florestais.

- Devemos reconhecer que é necessário "pagar a quem faça a gestão de biomassa nos territórios desocupados". Isto chama-se "pagamento por serviços eco sistémicos" e é um dos principais mecanismos de Adaptação às Alterações Climáticas.

O Fundo Verde do Clima subsidia "serviços eco sistémicos" na Amazónia com o REDD+, um mecanismo importante, apesar de não ser panaceia e de ser algo polémico uma vez que o desmatamento ilegal continua. (favor ver https://www.greenclimate.fund/project/fp100)

Também em Portugal temos que passar a subsidiar a reflorestação e a gestão anual da biomassa, especialmente nos minifúndios, pois sem sustentabilidade económica a nível local, nunca haverá sustentabilidade ambiental e segurança a nível global.

Os fogos selvagens não respeitam estremas, nem sabem se o proprietário é o Estado, um emigrante ou a velhinha de 85 que está num lar. Agregar propriedades e proprietários é essencial para fazer face aos riscos climáticos cada vez mais graves.

 Os custos socioeconómicos de ignorar a realidade rural de minifúndios abandonados, que não valem nem o custo da escritura barata de doação, contam-se em hectares ardidos e em vidas perdidas.

 Não há panaceias. Se não se evitam incêndios descontrolados, pouco se podem combater

 Mariana Abrantes de Sousa, Economista

 Ver também  Custo de Oportunidade do Minifúndio https://ppplusofonia.blogspot.com/2020/02/agricultura-pt-custo-de-oportunidade-do.html


Para um Portugal +VERDE
Transição Climática
+ Mobilidade Sustentável
+ Descarbonização
+ Economia Circular

Mitigação Climática
+ Redução de emissões de GEI Gases com Efeito Estufa
+ Aterros sanitários e combate a lixeiras a céu aberto
+ Reflorestação com espécies autóctones
+ Gestão e valorização de Biomassa
+ Agricultura local, menos carne de vaca e outros alimentos importados
+ Painéis solares em edifícios públicos e particulares

Adaptação Climática e COVID
+ Gestão e redução do risco de incêndios florestais com apoios ao emparcelamento de minifúndios
+ Recuperação de áreas agrícolas e pagamento por serviços eco-sistémicos de gestão de biomassa
+ Gestão de regadio para combater seca e variabilidade de chuva
+ Eficiência energética, isolamento em edifícios públicos e particulares
+ Espaços públicos verdes ou espaços cobertos e bem arejados

sexta-feira, maio 08, 2020

Conviver com Covid-19 - Reinventar Europa e Portugal como destinos turísticos

O setor europeu de turismo vai ter um Plano Marshall para recuperar e criar resiliência na nova era da Covid-19.

Os setores de HORECA, hoteis, restaurantes e catering e de viagens aéreas estão em cheque. Foram dos mais afetados pelo isolamento social e necessitam de ajudas para se reinventar.
  •  Estadias de turistas serão mais longas, de preferencia de carro ou comboio. Os City Breaks de 3 dias com um saltinho de avião Low Cost deixam de compensar. Desinfetar um quarto após uma estadia de 2 noites fica mais caro, por dia, do que desinfetar a fundo após uma estadia de uma semana.
  • As segundas casas, seja um refúgio na montanha, uma casa de campo, uma casinha de praia, ou até uma caravana ou roulotte, tornam-se mais importantes, mais valorizadas.
  • Os restaurantes grandes podem adaptar-se melhor ao disanciamento social. As tasquinhas necessitam ter esplanadas.
A Europa é um dos grandes destinos turisticos do mundo, pelos seus sítios culturais e históricos, pela oferta organizada, pela sua arte de bem receber. 
O setor de viagens e turismo ocupa  12% dos trabalhadores na Europa, e até 20% nos países do sul como Portugal. O turismo necessita criatividade, vontade e ajudas para se adaptar e resistir.

O Comissario Europeu para o Turismo promete uma  "abordagem de ecossistema" para alinhar todos  em torno de objetivo comum.
Quem quer ir mais longe vai junto.
Mesmo assim, alguns podem acabar por  ficar para trás.

E a nossa linda  Torre de Belém continuará a ser um dos monumentos mais fotografado de todos. 

Ministros Europeus de Turismo  https://www.turisver.com/ministros-do-turismo-manifestam-forte-apoio-a-medidas-para-a-rapida-recuperacao-do-sector/
Travel and Tourism https://www.nytimes.com/interactive/2020/05/06/travel/coronavirus-travel-questions.html
Covid-19 Europe update ECDC https://www.ecdc.europa.eu/en/cases-2019-ncov-eueea?fbclid=IwAR3yNnaZw56tqebmv9wcCWm6EzSCLgT3-TMVBc72iaAe7tt7eHm77Ssq-cM