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sábado, março 02, 2024

Alqueva a maior albufeira, um projeto transformativo de investimento de longa gestação E duração

Sendo responsável pelo negócio de Financiamento de Projetos durante os anos 1990's, recordo-me ter o projeto da grande barragem do Alqueva no rio Guadiana na lista dos  potenciais "projetos para o próximo ano" desde então. Mas os grandes projetos têm longos períodos de gestação e prepação, com inúmeros estudos técnicos, ambientais e financeiros ao que é essencial acrescentar visão estratégica e vontade política consistente... e financiamento. 

Ainda bem que a campanha eleitoral serve para recordar as boas praticas de como os governos que se seguem, quase de ano a ano, devem gerir  projectos do investimento público de tão longo prazo. 

Pena é haver tantos outros projetos importantes que que passam de estudo em estudo mas que não saiem  da gaveta. 

Aproveitemos para visitar o Alentejo e apreciar as amendoeiras em flor!

Ver o Poligrafo: https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/nuno-melo-alianca-democratica-concretizou-antecipacao-da-construcao-do-alqueva-em-10-anos

"De facto, os primeiros esforços no sentido de potenciar uma aceleração do projeto remontam a 2004, sob a égide de um Governo PSD/CDS-PP. Na altura, segundo noticiado pelo jornal “Expresso”, deu-se a inauguração e entrada em funcionamento, pelo então Primeiro-Ministro, Durão Barroso, da Central Hidroelétrica do Alqueva.

 Em causa declarações proferidas no decurso da cerimónia de assinatura de contratos de adjudicação de seis empreitadas do projeto para construção de infraestruturas de distribuição de água para servir 20.285 hectares de terras no Baixo Alentejo, num investimento superior a 132 milhões de euros. Algo que Nuno Melo fez questão de recordar ao Polígrafo: “este Governo lançou concursos, empreitadas, e conseguiu financiamentos, concluindo o projeto para a campanha de rega de 2016”.

De facto, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) viria a concluir a construção de todas as infraestruturas para regar os 120 mil hectares da primeira fase do projeto em 2016, nove anos antes da data inicialmente prevista, 2025 – e numa altura em que o socialista António Costa era já Primeiro-Ministro, embora apenas há poucos meses. Mas, como disse Melo ao Polígrafo, foi o Governo de Passos Coelho que “lançou a última empreitada para concluir os 120 mil hectares em 2014 e tudo ficou concluído em 2016, num esforço de antecipação enorme”."

quarta-feira, setembro 16, 2020

Energia e Clima, Como Financiar a Economia VERDE, online hoje, 16-Setembro, 21h00

 

Conferência Digital "Financiamento da Economia Verde"

16-Setembro-2020  , 21h00 online 
 Organizado por Forum da Energia e Clima 

para registar https://www.facebook.com/events/366701034722122/


Tenho muito gosto em participar na sessão de  16-setembro-2020

Muito obrigada pela oportunidade de participar na sessão de ontem sobre Financiamento Verde.  

São muito importantes os comentários sobre a dificuldade em alinhar as prioridades dos promotores e beneficiários locais com as prioridades dos fianciadores, e vice-versa. 

Este alinhamento é a função e o valor acrescentado pelo "Intermediário", não apenas financeiro, mas também politico e diplomático. 

Ajudar promotores e beneficiários a preparar projetos e a apresentar candidaturas é da maior importância, particularmente para projetos de Adaptação Climática, já que os países da Lusofonia somos especialmente vulneráveis, incluindo Portugal 

O video do encontro online pode ser visto em

https://www.youtube.com/watch?v=6sc2S7W9IB4&feature=youtu.be

Mariana Abrantes de Sousa, Economista 

Ver o Forum Energia e Clima no Facebook e em  https://www.energiaeclima.org/

segunda-feira, agosto 10, 2020

Tribunal de Contas para que te quero - salve-nos dos mega-projetos desnecessários ?

O Tribunal de Contas servira para ajudar a disciplinar a despesa pública e minimizar os riscos de sobreendividamento e crises financeiras. Ou não ? 

 Gestores do Meo Arena vão ajudar a criar Viseu Arena - Meios ...A notícia de que a Câmara Municipal de Viseu vai endividar-se para construir a mega "Viseu ARENA", a maior sala de espetáculos e recinto multiusos do Centro de Portugal, com uma capacidade superior a 5.500 espetadores (aumento de 83% da sua lotação) e uma arena de 2.500 metros quadrados" deixa-me com a má sensação de "dejá vu all over again".  

O processo do projeto Viseu Arena ainda depende de entidades financeiras e do visto do Tribunal de Contas.  Mas onde vão estar os milhares de espetadores em tempo Covid ?  Justifica-se investir mais de 6 milhões de euros com dívida a mais de 20 anos, mesmo com juros bonificados. ? 

Já vi este filme, não gostei.  

Já paguei para o peditório das grandes obras tipo  elefante branco , não quero voltar a pagar.  

Estávamos nos últimos meses de 2009. A Divida Pública (ver imagem) e a Divida Externa de Portugal tinha subido a galope. O colapso do banco Bear Stearns em Março 2008 e do banco Lehman Brothers em Setembro 2008 refletiam os excessos de financiamento de hipotecas subprime e aconselhavam prudencia. 

Mas as eleições legislativas portuguesas de Setembro 2009 determinavam um novo impulso de investimento público e  o Governo coninuou com o programa ambicioso de subconcessões rodoviárias, apesar das previsões de tráfego ficarem cada vez mais baixas e das taxas de juro cada vez mais altas. 

Tráfego, tráfego, onde está o tráfego ? 

A meio dos procedimentos concursais, os concorrentes deram passos atrás, apresentando segundas  propostas menos vantajosas.

Tribunal de Contas arrasa Câmara de Gaia – Aventar Tribunal de Contas chumbou esses  contratos de subconcessões mas logo aprovou contratos ditos  "reformados", com menos e menos tráfego.  Algumas das auto-estradas construidas ficaram sempre abaixo do tráfego necessário, aumentando os encargos para os contibuintes. 

Ganhar, ganhar, só continuam a ganhar os advogados com renegociações sobre renegociações e ações em Tribunal.  

Mariana Abrantes de Sousa 

Economista 

VER Municipio de Viseu https://www.cm-viseu.pt/index.php/diretorio/noticia-mensais/82-noticia/6067-municipio-de-viseu-aprova-financiamento-do-viseu-arena-atraves-do-ifrru-2021

VER   Tribunal de Contas  2029 "chumbou" cinco das seis concessões lançadas pela Estradas de Portugal

VER Divida Portuguesa: https://eco.sapo.pt/2017/04/16/os-altos-e-baixos-da-divida-publica-portuguesa/

quarta-feira, novembro 14, 2018

Como financiar projetos climáticos nos PALOP no Miranda Forum Africa, 15-Nov

Foi uma honra e um prazer participar como oradora Keynote Speaker na conferência Miranda Forum Africa, que promoveu o debate sobre “O Papel do Setor Privado na Promoção do Crescimento Económico em África", no dia 15 de Novembro de 2018, em Lisboa.

Na minha intervenção sobre “Financiamento de Projetos Climáticos nos PALOP: Necessidades e Oportunidades”,  abordamos sobretudo as fontes e formas de financiamento dedicadas a projetos climáticos, tais como o  blending de recursos do Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF), com outras fontes.  Analizamos  também vários  casos de estudo de projetos africanos relevantes e replicáveis. 

Um dos projetos  discutido foi Bambadinca Sta Claro, uma mini-rede de energia solar criada e implementada pela TESE Associação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e financiada pela União Europeia, a Global Environmental Facility GEF e o Instituto Camões. 

Falamos também de um dos temas mais críticos, as PPF ou  Project Preparation Facilities,  iniciativas que apoiam a formulação de projetos para apresentar candidaturas aos organismos financiadores. Sem bons dossiers de candidaturas não há financiamento nem investimento. Mais uma vez, lancei o desafio à criação de uma "incubadora de projetos para os PALOP",  que dinamizasse a elaboração de dossiers e candidaturas de projetos nos países Lusófonos. 

O evento reuniu representantes governamentais e multilaterais bem como promotores e consultores privados,  que partilharam as  melhores praticas para trabalharmos juntos a favor do Desenvolvimento Sustentável em Africa, articulando  capacidades e vontades do setor publico e e do setor privado nesta grande campanha. 
Consulte o programa e as apresentações da conferência M-Forum em: https://mirandaforafrica.com/program/

Os países da Lusofonia, alguns dos PALOP mas também Portugal, estão entre os países mais vulneráveis às alterações climáticas. 

M-Forum  15-Nov-2018, 9h00-19h00  
Conference Miranda Forum Africa brings over 20 speakers,  including  DG DEVCO,  BAfD and government officials. 
Climate Finance: Financing Climate Projects in Portuguese-speaking countries in Africa, Mariana Abrantes de Sousa 

A conferência pode ser acompanhada em direto (streaming) e no youtube.
As apresentações, incluindo a minha, estão disponíveis aqui:  https://mirandaforafrica.com/program/

Favor ver no Linkedin: 

quarta-feira, setembro 06, 2017

Euro Development Days 2017: Todos os seres humanos são empreendedores

Resultado de imagemMuhammad Yunus é um economista e banqueiro bengali. Em 2006 foi laureado com o Nobel da Paz. É autor do livro Banker to the poor. 
Yunus fez uma apresentação brilhante  nos Dias do Desenvolvimento 2017. 

Ver a partir do minuto 52 ao minuto 68 


Minuto 54;  Financiamento é o oxigénio económico do povo
Minuto 55:  Como criar um banco com 9 milhões de clientes, todas mulheres?  Ver como fazem os bancos convencionais e fazer o contrário.
Minuto 59: Todos os seres humanos são empreendedores por natureza, não nascem para trabalhar por conta de outrem.
https://youtu.be/kvHJ-UV5iWU











quarta-feira, agosto 09, 2017

BEI oferece curso sobre impacto ambiental e social de projetos

 O BEI oferece um curso importante, essencial para quem trabalha com projetos e com avaliação e compliance e quer trabalhar com o BEI e com acesso a  fundos EU.

New EIB e-learning course on its environmental and social standards Date: 01 Augu st 2017
Resultado de imagem para environmental social standards
The European Investment Bank (EIB) has just launched an e-learning course providing the required knowledge and skills to implement its EU-based environmental and social standards.
Primarily focused on the needs of the EIB’s financial intermediaries outside the EU, this course will suit the needs of anyone interested in integrating environmental and social dimensions to ensure sustainable investment projects.
Why an e-learning course?
The EIB is the European Union's bank and is owned by the EU Member States. Being the world’s largest multilateral financier, we provide funding and expertise for sustainable projects in more than 160 countries.
The sustainability of our investments is a prerequisite as much as their bankability. This is why the 10 environmental and social standards apply to all EIB’s investment projects:
·       When the EIB invests directly in projects, EIB’s experts are in charge of applying these standards at the appraisal and monitoring stages
·       When the investment is intermediated, it is the responsibility of the local financial intermediaries to apply these standards to the projects eligible for EIB funding
In order to fulfill this contractual obligation, financial intermediaries already have access to the EIB Environmental and social handbook. The EIB has now developed an e-learning course to better meet the needs of its intermediaries, tailored to the type of projects that they usually fund.
How does the course work?
The e-learning course consists of four modules allowing participants to progressively acquire the ability to manage environmental and social (E&S) risks:
·       Module 1 gives an overview of the relevance for a financial institution to include E&S dimensions when assessing an investment
·       Module 2 details the 10 EU-based EIB E&S standards
·       Module 3 explains how to implement an E&S management plan
·       Module 4 provides case studies for users to test their knowledge
The course includes videos, audio tutorials, PDF scripts as well as online tests. The content can be downloaded allowing for users to work off-line.
Resultado de imagem para environmental social standardsThe course is self-paced but would require about 40 hours to be fully completed. Users do not need to complete each module.
The e-learning course is free of charge.
Once successfully completed, participants receive a course certification.
Who should register?
The e-learning course is primarily targeted at the EIB’s financial intermediaries outside the EU. However, all stakeholders interested in environmental and social standards applied to investments would benefit from the course and are welcome to join!
How to access?
The EIB E&S standards e-learning course is accessible here: www.fs.de/EIB-ESSM
Contact info: civilsociety@eib.org

sábado, outubro 22, 2016

ALER colabora com o Programa África-UE para a Cooperação nas Energias Renováveis

ALER
A ALER e o RECP - Programa África-UE para a Cooperação nas Energias Renováveis assinaram um acordo de cooperação, a 19 de Setembro, para apoiar a promoção dos mercados das energias renováveis ​​nos Países de Língua Portuguesa.

No âmbito do acordo, ambas as partes irão cooperar para contribuir para o desenvolvimento amplo e sustentado do mercado das Energias Renováveis ​​(ER) em África. O objectivo específico é a mobilização das empresas Europeias e Africanas de ER para o desenvolvimento conjunto de negócios na área das ER nos mercados Africanos de Língua Portuguesa.

A Directora Executiva da ALER, Isabel Cancela de Abreu destaca que: "Estamos muito felizes de começar a cooperar com o RECP. Este acordo concede-nos a oportunidade e os recursos para organizar ainda mais actividades de forma a alcançarmos os nossos objectivos de aprofundar o desenvolvimento destes mercados de energia renovável e colocar todos os actores em contacto. Também irá contribuir para posicionar os países lusófonos no mapa de energias renováveis, chamando a atenção da comunidade internacional e evidenciando as oportunidades existentes".

Michael Franz, Coordenador do Programa do RECP acrescenta que "O RECP está orgulhoso de receber a ALER na sua lista de associações parceiras e rede de negócios. Sob o acordo, ambos os parceiros irão promover os mercados de ER nos países Africanos de Língua Portuguesa. Além disso, a parceria visa facilitar investimentos adicionais através da criação de uma plataforma para os promotores de projectos, financiadores e prestadores de serviços dos dois continentes se conhecerem e interagirem."

O acordo prevê diversas actividades a fim de reunir stakeholders Africanos e Europeus a operar no mercado das ER, proporcionando uma plataforma para criação de negócios e projectos nos países Africanos de Língua Portuguesa. As actividades previstas incluem a tradução para Português de documentos relevantes, a recolha e divulgação activa de informação sobre as ER nos mercados Africanos de Língua Portuguesa e dos serviços e instrumentos de apoio internacionais, e a organização de eventos informativos e de matchmaking.

O projecto tem a duração inicial de 16 meses, e estará em vigor até Dezembro de 2017.

O RECP é um instrumento multilateral da Parceria Energética África-EU (AEEP). O objectivo do programa é apoiar o desenvolvimento do mercado das tecnologias de energias renováveis ​​de meso-escala em África, a fim de aproveitar o potencial inexplorado e satisfazer as necessidades energéticas actuais e futuras. O RECP apoia as empresas Africanas e Europeias a unir forças e investir, ao mesmo que se envolve com as instituições financeiras e governos, com o objectivo de aumentar o investimento privado em energia renovável em África. Apoiando-se nos largos anos de experiência internacional e envolvimento dos parceiros africanos, o RECP tem um vasto conhecimento dos mercados Africanos e dos instrumentos de financiamento. O RECP é financiado pela União Europeia.
Setembro 2016
Para mais informações: http://www.aler-renovaveis.org/pt/comunicacao/noticias/aler-colabora-com-o-programa-africa-ue-para-a-cooperacao-nas-energias-renovaveis/   e
http://www.africa-eu-renewables.org/  ,
 o Catalisador Financeiro http://www.aler-renovaveis.org/pt/comunicacao/noticias/catalisador-financeiro-do-recp-agora-operacional/ 

quarta-feira, março 30, 2016

O que é um projecto bancável

Podemos distinguir  entre os três tipos de projectos:  

1.  Projecto não viável, sem tráfego, sobre-dimensionado, custos superiores aos benefícios em termos económicos, etc 
(passeios no meio das vinhas como vejo perto em alguns sítios, também conhecido por "elefante branco") 

3.  Projecto viável, muitos utilizadores, mas difícil de cobrar tarifário por vários motivos, técnicos ou de comportabilidade das tarifas em relação aos rendimentos das famílias.
(passeio muito movimentado no bairro mais pobre da cidade) 

3.  Projecto bancável, em que se consegue cobrar algo ao utilizador directa ou indirectamente, ou em que o contribuinte paga um subsidio à exploração em função do volume 
(passeio movimentado numa cidade, gera mais receita fiscal em termos de IVA, IMI, IRC/IRS;)  
Até  posso consignar uma parte da receita fiscal ao "concessionário dos passeios", ou conceder-lhe um pagamento mensal por "disponibilidade", com direito a desconto por buracos, lixo, etc.
Combinar receita dos utilizadores com subsídios do contribuinte para compensar a insuficiência de receita, o viabiity gap, é uma arte.  O importante é que o subsídio ao investimento para diminuir os custos iniciais ou o subsidio continuado à exploração sejam bem dimensionados e calibrados para viabilizar o projecto sem onerar demasiado o orçamento do Concedente.  Os subsidios devem fazer parte de um mecanismo de pagamento ou remuneração bem formulados em função dos resultados,  para manter incentivos à eficiência e à eficácia.

Em qualquer caso estes encargos do Concedente representam dívida publica não-financeira, e devem ser cuidadosamente orçamentados e controlados.

Um projecto bancável é um projecto  economicamente viável  em que se consegue transformar o beneficio económico em receita q.b. (quanto baste)  para o concessionário.  

Também se pode transformar um projecto não economicamente viável, sem utilidade, num projecto aparentemente "bancável", para credor ver.  
Mas tais habilidades custam caro ao contribuinte, e aos filhos e netos do contribuinte...

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia
Bancável, bankable, viável, viability gap, blending, RBF results based financing, payment mechanisms