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segunda-feira, abril 11, 2016

Finalmente uma medida a favor da poupança, 2

Resultado de imagem para fatura da sorteParabéns à nova equipa da AT ! 
Levou sete anos depois da crise rebentar em 2009, mas a AT finalmente deixou de promover a importação de automóveis, e passou a promover a poupança nacional, com se tem vindo vindo a recomendar neste blog.  
Diziamos em 2012 que todos os caminhos para sair da crise passariam por aumentar a taxa de poupança, que entretanto caiu para um mínimo absolutamente insustentável de 5% do PIB em 2015.  

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 

Autoridade Tributária e Aduaneira [mailto:info@at.gov.pt],  8 April 2016  
VER Fatura da Sorte no Portal das Finanças 
 

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) informa que os prémios atribuídos no sorteio "Fatura da Sorte" deixam de ser veículos automóveis e passam a ser "Certificados do Tesouro Poupança Mais", emitidos pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida pública - IGCP-

Estes novos prémios visam estimular a poupança e o aforro das famílias.O Sorteio é transmitido pela RTP 1, às 5ª feiras, cerca das 18:50H.

A periodicidade e as condições do Sorteio mantêm-se as mesmas que estavam em vigor até 31 de março, deste ano. A única alteração é o objeto do prémio. Para se habilitar, basta que solicite a inserção do seu número de contribuinte nas suas faturas. Exigir sempre fatura é um direito e um dever de cidadania.

Medidas a favor da poupança nacional precisam-se ! Um país que não poupa é um país que não investe, um país que não cresce, um país que empobrece. Um país que não poupa não consegue reembolsar a dívida externa. Mas os incentivos à poupança nacional são inexistentes. A taxa de juro nos depósitos é 0,15% a.a., antes de impostos, o que dá um sinal enganador aos aforradores locais. Se não há poupança nacional, os riscos da dívida pública aumentam, pelo menos para alguns credores. Quando em 2012 a Grécia acordou um hair-cut na sua dívida pública, os credores da Grécia que detinham obrigações emitidas ao abrigo da lei e jurisdição inglesa, não sofreram qualquer perda, sob ameaça dos tribunais inglesas protegeram mais os credores do que os tribunais nacionais. Na prática, a lei inglesa protege os credores (internacionais) quando comparada com a protecção da lei do país devedor. Assim os aforradores locais, não só são confrontados com taxas de juro anormalmente baixas, como podem vir a ser desfavorecidos no caso de eventuais problemas, em que a divida pública externa pode vir a ser privilegiada em relação à dívida pública local. Esta tragédia de erros, precisamente o inverso do que seria necessário para sair da crise, deixa o país atolado num ciclo vicioso de baixa poupança e de sobre-endividamento.