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sábado, fevereiro 11, 2012

Falta de literacia financeira promoveu o endividamento

Portugal é (um dos) países mais endividados da Europa

Até meados dos anos 1990s, havia pouca experiência de crédito em Portugal.  Assim esta é a primeira geração a ter acesso fácil ao crédito, fora do antigo “rol de fiados” na mercearia do bairro. 
Por isso somos novatos no crédito.  E como um motorista inexperiente ao volante de um Ferrari, somos um “perigo na estrada”.
-  O crédito automóvel era proibido até 1992-3
-  O crédito à habitação era muito escasso e condicionado.  Em 1992, mais de metade das casas vendidas eram pagas a pronto pagamento
- O crédito ao consumo e os cartões de crédito eram sujeito a um imposto do selo especial superior a  7%.

Agora vamos ter todos que fazer uma desalavancagem forçada, vamos ter que voltar a esses tempos,  reaprendendo as lições fundamentais da literacia financeira.

Mariana ABRANTES de Sousa
PPP Lusofonia



As questões financeiras podem ser organizadas em  cinco grandes temas:

1. Orçamento familiar, rendimentos e despesas e gestão de prioridades Só 25% das crianças têm semanada ou mesada, as outras “vão pedindo”, por isso não aprendem a gerir o seu orçamento. Agora é necessário reduzir no consumo supérfluo, mantendo o investimento. Por exemplo, uma ida ao dentista é um investimento na saúde, uma ida ao cabeleiro é consumo não essencial.

 2. Gestão de riscos financeiros, como as taxas de juro variável no crédito à habitação, quedas inesperadas nos rendimentos, perda de clientes, desemprego, doença, através de seguros, ou através um bom pé de meia para aguentar os maus momentos

 3. Gestão do crédito e do endividamento em função do rendimento disponível e da taxa de esforço, prestação sobre o rendimento mensal (rácio de cobertura de serviço de dívida) e da alavancagem, passivos totais sobre o rendimento disponível anual.  A divida de particulares (household debt) representa 140% fo PIB, o faz de Portugal um dos países mais endividados da Europa.   Em parte, isto reflecte os elevados níveis de crédito à habitação, para casa própria e também para habitações secundárias.  Diz-se que os gerentes bancários tinham objectivos para fazer crédito, mas não para angariar depósitos.

Neste momento, muitas famílias não conseguem continuar a pagar o crédito à habitação e vêm-se obrigadas a entregar a casa ao banco, uma dação em pagamento. Mas se o valor da casa for inferior ao saldo em dívida, há bancos que obrigam o mutuário a contratualizar o remanescente como um crédito pessoal, com fianças e taxas elevadas. Nos Estados Unidos, os clientes "subprime" conseguem livrar-se da dívida excessiva com o mecanismo de "short sale", um tipo de bancarrota parcial  que obriga os credores a  partilhar a perda de valor do bem financiado.   Adicionalmente, o crédito ao consumo deveria voltar a er  fortemente restringido. A palavra de ordem para os cartões de crédito é: CORTAR.

4. Poupança, pois o que conta não é o que se ganha, mas sim o que se guarda. É preciso poupar, isto é deixar de consumir, para investir, para aguentar os altos e baixos, para poupar para a terceira idade, inclusive para suportar algumas despesas de saúde. Não podemos depender totalmente do Estado, da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde, temos que ter alguma autonomia financeira. É necessário promover a poupança com taxas de juro de depósitos positivas em termos reais, e com um fundo de garantia de depósitos que deveria ser europeu e não apenas nacional.

5. Numeracia, precisamos de aprender ou reaprender a fazer contas, neste país de baixo aproveitamento a matemática. Saber calcular o montante das prestações, juros sobre juros, custo total.   Um estudo de Gerardi, Goette e Meier (2010) para o Fed Atlanta encontrou uma grande correlação  negativa  e entre a capacidade numérica do mutuário "subprime" e várias medidas de crédito mal parado. Todos os mutuários "subprime" eram, por definição, pessoas com mau historial de crédito, propensos a problemas financeiros, mas nem todos entraram em incumprimento. O estudo revelou que o que faz a diferença são os conhecimentos básicos de matemática do mutuário. Os mutuários que reprovaram num teste simples de matemática eram muito mais propensos a deixar de pagar os seus créditos, talvez por não saberem bem "deitar contas à vida". Teste a sua numeracia aqui. 


Em resumo, podemos bem recuperar a literacia financeira patente nos provérbios e ditados populares. 
  • Quem compra o que não pode, vende o que não quer 
  • Quem tudo quer tudo perde  
  • Poupe hoje, ou trabalhe amanhã 
  • Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão...
Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia
Fonte: ETV http://tv.economico.pt/
Ver também APB Educação Financeira, Estudo da Fed Atlanta sobre o crédito subprime,
Inquérito do BdP à literacia financeira  Conferência sobre literacia financeira;
Plano Nacional de Literacia Financeira ; literacia financeira no mundo,
  DECO , SEFIN ; OCDE Espanha, OECD Gateway for Financial Education ,
Mediador de Credito,  http://www.mediadordocredito.pt/SiteCollectionDocuments/literacia_financeira.pdf
Blog on financial literacy http://annalusardi.blogspot.com/
Large segment of American K-12 student population is not being exposed to #economicsand #personalfinance education bit.ly/CEEsurvey2011 
See financial literacy seminar series http://business.gwu.edu/flss/