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terça-feira, novembro 25, 2014

Os países não são todos iguais

No fim de semana em que os jornais saíram com edições especiais e títulos garrafais sobre a detenção do ex-primeiro ministro, sobre  a detenção de responsáveis pela emissão de vistos dourados, sobre as  fracas explicações do colapso da PT e do BES, sobre as condenações no caso BPN...

... o blog PPP Lusofonia tinha,  para não variar,  um pequeno artigo sobre a DIVIDA EXTERNA BRUTA de 410 biliões de Euros a Setembro 2014, 240% do PIB, um número de nos fazer cair da cadeira.   (ver  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/11/ged-ttip-and-supplier-diversity-in.html)

Se há alguma notícia que merece títulos garrafais, é  a DIVIDA EXTERNA BRUTA, o horror  por trás de todas as outras histórias.  Pois é a divida que os nossos netos e bisnetos estarão ainda a pagar quando já ninguém se recordar de quem cortou as fitas e de quem assinou os contratos da nossa desgraça.   

Não há prosperidade com endividamento excessivo, há apenas bancarrotas sucessivas, três em Portugal desde 1890. Se queremos que a bancarrota de 2010 seja a primeira e última do século XXI, temos que enveredar por uma gestão financeira muito mais prudente, com tolerância zero para com a corrupção, e temos que manter viva a memória da crise como VACINA  contra novos abusos e governação  imprudente. 

É pelo prisma da bancarrota, bem visível por trás da ilusão e negação colectiva de devedores e credores, que este nosso povo de brandos costumes,  deve olhar de frente as verdades que agora vêm ao de cima,  por muito asquerosas que sejam. Mais do que AGUENTAR, temos que superar os erros da nossa história. 
  • Para onde foi TODO o dinheiro que dizem que devemos?  
  • Para além dos políticos corruptos e devedores imprudentes, onde está a co-responsabilidade dos credores externos igualmente irresponsáveis?
  • De que forma é que estes eventos tóxicos podem servir para transformar a crise numa oportunidade para dar um salto qualitativo na governação de Portugal ? 
  • Houve imprevisibilidades, negligência ou apenas corrupção mascarada de incompetência,  “erros” fraudulentos e intencionais destinados a passar a factura ao contribuinte incauto ?  

Os países, como os políticos, não são todos iguais.  
Alguns países são bastante mais pobres que outros, geração trás geração. 
Se continuarmos com a mesma governação, se não conseguirmos mudar, bem podemos preparar os netos e bisnetos para para segunda e a terceira bancarrota do século XXI. 

Já dizia Acemoglu (Why Nations Fail, 2012):  Os países POBRES são POBRES porque quem os governa escolhe opções que criam pobreza, frequentemente de propósito.  

Já dizia Piketty (Capital in the XXI Century 2013): O aumento em desigualdade de rendimentos e riqueza nos últimos 200 anos deriva sobretudo da crescente desigualdade entre países ricos (credores) e países pobres (devedores).     


Já dizia o povo:  Quem não tem dinheiro não tem vícios, mas quem tem crédito a mais tem os vícios todos.  

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia