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sexta-feira, abril 05, 2013

Na ausência de pão, afinal há circo


Correndo o risco de   "meter a foice em seara alheia" fora do campo da economia e finanças, eis alguns comentários sobre as notícias da semana.

 1. Moção de censura:  Puro circo politico ou "mera" distração, andam a discutir quem se senta aonde no convés doTitanic, em vez de olhar ao icebergue que se aproxima.
 
2. Demissão de um ministro: Mais circo, desta vez devido à  obsessão doentia com a necessidade de um  "canudo" para um cargo provavelmente dispsensável.

3. Decisão do Tribunal Constitucional  sobre o Orçamento do Estado 2013:  A decisão vai demosntrar se vamos continuar a habitar num "universo paralelo" onde não se podem cortar pensões aos avós, mesmo quando resultam na acumulação de dívida insutstentável a reembolsar pelos netos, bisnetos, tetranetos... Na perspectiva da boa gestão de Finanças Públicas, o que devia ser "insconstitucional" era a acumulação de divida escondida e excessiva, no Estado, nas empresas publicas, nos municipios, nas regiões ditas "autónomas", na contratação de PPP fora da LEO, Lei de enquadramento orçamental, etc.  Será que  ainda não aprendemos a desconfiar das "esmolas grandes" oferecidas por políticos irresponsáveis, financiadas com divida sobre dívida?

O Estado tem que reduzir despesa de uma forma radical e permanente. E como os gastos com pessoal são a maior parcela da despesa pública, isso passa por reduzir a massa salarial do sector público, as remunerações do pessoal, no activo ou aposentado. Ou reduz os salários, subsídios e pensões, o preço, ou reduz o número de funcionários públicos, a quantidade através de despedimentos.  Com salários inflexíveis (sticky wages) haverá mais desemprego.  Só não compreende isto quem não quer.

A dívida pública excessiva e insustentável será constituticional?  Se a Constituição não serviu para evitar a má governação, será que a nossa forma de (des)governação faz parte do  problema?  Se sim, o que é necessário fazer para que a Constituição passe a ser parte da solução? Para evitar novas crises quando, e se, sairmos desta?

4.  Ouvem-se alertas sobre a divisória Norte/Sul, perigosa  e até neo-racista, quando o que importa é a divisória credor/devedor dentro da Eurozone e na União Europeia.   Diz-se de Bruxelas que os  "países em dificuldades devem assumir os seus erros" (DN).  Certo, os devedores cometeram vários erros de gestão financeira, que estamos a pagar com cortes de rendimentos que pareciam inimagináveis na miragem do Mercado Ùnico.

então os credores,  fizeram tudo bem?  Algúem os obrigou a emprestar, a fazer crédito que era mal parado desde o primeiro dia? Quem anda à chuva molha-se, quem empresta mais do que  devia fica sujeito a sofrer perdas. Não há credido mal parado de geração espontânea.   Será que alguém tem coragem para chamar aos credores irresponsáveis (para não dizer "predadores") à responsabilidade?  Ou os supostos "reguladores" estão todos "capturados" pelos credores?

5. Em dois países, a Grecia e no Chipre, os aforradores LOCAIS sofrem "haircuts" quando o problema foi um de excesso de endividamente EXTERNO e de entrada de "hot money". Agora tornou-se evidente que o controlo de capitais devia ter sido introduzido há 5-6 anos para evitar a "tsunami de dinheiro" a entrar a a sair. Actualmente as economias mais pequenas e  frágeis estão praticamente indefesas, para além de estarem também mal governadas.  O Euro só vai sobreviver se consequirmos reduzir a divergência de balança comercial e corrente entre países credores e países devedores, o que ainda não se vislumbra.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia
Quando os reguladores não regulam bem http://ppplusofonia.blogspot.pt/2013/04/reguladores-nao-regulam-bem.html
Creditors are angry? Join the party http://ppplusofonia.blogspot.pt/2013/03/anger-of-creditors-may-not-exceed-anger.html
Moral hazard of the creditors http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/02/it-takes-three-to-generate-moral-hazard.html


http://videos.sapo.pt/NSGLTyfeqDMwnBj3G0v5
DESCRIÇÃO A análise de António Gaspar, Mariana Abrantes de Sousa, Mário Caldeira Dias e Rogério Fernandes Ferreira, num debate conduzido por Maria Nobre. "Conselho Consultivo" de 5 de Abril de 2013.

Como alguém disse, temos um caminho muito estreito para sair da crise: 

1. O Estado tem que emagrecer, cortar despesas e massa salarial, PERMANENTEMENT, ou corta remunações ou corta número de funcionários, ou corta tudo a direito. Ainda há muito desperdício no Estado, despesa inútil. Os cortes deveriam ser "inteligentes", criteriosos, mas isso é improvável, para não dizer impossível, dado os interesses instalados. 

2. Portugal tem que reduzir o Consumo,Consumo/PIB é demasiado elevado, para poupar mais e para reduzir as importações. 

Mas não podemos promover a poupança directamente, pois não podemos subir as taxas de juro. 

O consumo reflecte-se em bens importados ao "preço da chuva", já que temos o "cambio errado", não podendo desvalorizar. 

E não não podemos cortar directamente, comprimir, as exportações, pois não podemos subir as tarifas alfandegarias. Algumas das empresas que se queixam mais da falta de consumo, são os maiores importadores do país, os grandes retalhistas, os importadores de automóveis, de electrodomésticos e electrónica, etc, Podiamos cortar ou tributar o crédito ao consumo de bens duráveis (importados), mas as SFAC contestam.

SE necessitamos de reduzir a despesa com a massa salarial, SE necessiamos de reduzir o consumo e as importações, SE não temos as ferramentas tradicionais de politca cambial, alfandegária e monetária, se não sabemos utilizar correctamente as politicas de crédito, se a politica fiscal já está no máximo...
... ENTÃO, por exclusão de partes, temos que usar a política de rendimentos (wages and incomes policy), praticamente o único instrumento de politica económica que nos resta. 

Depois, se sairmos desta crise, temos que mudar as pessoas e o sistema economico e politico para que NUNCA MAIS volte a acontecer, mas isso são cenas dos próximos capitulos.

Mariana Abrantes de Sousa