segunda-feira, Outubro 31, 2011

PPPs e o limite que faltava

Uma primeira estimativa do limite que faltava no Orçamentos anuais segundo a LEO-Lei de Enquadramento Orçamental está na página 14 do Relatório da DGTF sobre PPPs e Concessões.

Será que, se soubessem,  os nossos representantes na Assembleia da República teriam aprovado a contratação 2.376 milhões de euros em 2009-2010, quase vinte vezes o valor das  PPPs contratadas em 2005-2006.

Ainda vamos a tempo de incluir este novo limite no OE-2012, que segundo acordado com a troika vai ser muito próximo de zero.  Mas zero novos contratos  não implica necessariamente  uma variação nula dos encargos com PPPs, pois há os riscos assumidos pelo Concedente, renegociações, arbitragens e passivo contingente em geral.

Mas esses serão outros cálculos.

Ver mais em

domingo, Outubro 30, 2011

Managing PPPs for Budget Sustainability

Managing PPPs for Budget Sustainability

The case of PPPs in Portugal, from problems to solutions
Mariana Abrantes de Sousa, PPP Lusofonia, Portugal
September 2011     

Considering that Portugal is currently suffering one of the most severe financial crisis in its history, this paper examines to what extent PPPs have contributed to Portugal’s external debt problems and evaluates how Portugal’s PPP contracts can be managed in order to contribute to the necessary solution.  Although the interests of the various PPP Stakeholders are acknowledged, the focus is on the Government as the public partner, from a sovereign risk and taxpayer perspective. The paper shows how countries like Portugal with large PPP programmes but fragmented PPP institutions and   inadequate budget practices can be exposed to greater fiscal risks, leading to the accumulation of excessive PPP liabilities which later contribute to public sovereign debt problems. 

... ... ...

 5  PPPs as part of the solution

Portugal’s current Economic Adjustment Programme focuses special attention on PPPs, with a freeze on new tenders until a full review of the portfolio is carried out by March 2012, in order to quantify the fiscal risks in each PPP contract and in the PPP portfolio overall, and to assess the scope for renegotiating some PPP contracts so as to reduce government liabilities and also to define annual ceilings on new PPP liabilities (IMF Update 1-September-2011).  An assessment of the 30 most significant PPP contracts is underway (August 2011).

In its response to the IMF and the EU, the Portuguese Government agreed to forego contracting any new PPPs at the national, regional or local level until it takes measures to:
·       Enhance monitoring and control of capital expenditure decisions with the implementation of a public investment information system
·       Set indicative expenditure ceilings and a medium-term budget framework for the 2012 Budget
·       Revise   the Budget Framework Law (LEO)
·       Publish a comprehensive report on fiscal risks as part of the annual budget, consistent with international best practices, including all PPPs

The Adjustment agreement also calls for strengthening of the management of PPPs including the project selection, assessment, approval and tendering, the contract monitoring framework and reporting standards, all under supervision of the Ministry of Finance and in consultation with EC and IMF staff by end-2012. 

The solution to the debt crisis includes deleveraging the Government, the public sector, the banks and the country as a whole, so PPPs must become part of that deleveraging.  Some of the measures   include:

       i.            Increasing user fees in order to reduce reliance on the over-burdened Portuguese taxpayer, such as the introduction of tolls in the former SCUT shadow toll roads. Since Portugal has no through transit traffic, affordability and willingness to pay are real constraints, resulting in traffic diversion.
      ii.          Extending the concession periods could help to reduce the annual payments, but this would require finding a new, non-commercial, source of very long term funding since it is simply not available in the market.  One solution would be for the EIB to release bank guarantees on all projects which have reached completion.  Another initiative would be to create an EU-wide official infrastructure investment fund along the model of the Infrastructure Crisis Facility created in 2009 to help projects nearing financial close in developing countries. 
     iii.          Cancelling marginal projects and problematic contracts that have been subject to too many renegotiations, and which may present the greatest fiscal risks over the next 20-30 years. Contract resolution or buy-back possibilities are complex and will vary project by project, but should be carefully investigated and executed.
    iv.          Restricting bilateral renegotiations of PPPs as much as possible9, ensuring that all rebalancings are subject to the intervention or review by an independent third party as in the case of arbitration.  Publication of all contractual changes and their budget impact is essential in order to demonstrate that the Concedent is not caving in to unjustifiable concessionaire and bank claims. Rigour and transparency are key in order to recover credibility. Although some PPP contracts are considered armoured (blindados) in favour of the concessionaire, it is possible to enforce penalties and remedies in cases of non-compliance.

      v.          Implementing and enforcing the annual budget limit for new and existing PPP liabilities, as required by the Budget Framework Law since 2001, so that PPP projects and the resulting PPP liabilities are subject to the same budget discipline and procedures as any other public investment and direct public debt. 
     vi.          Creating and maintaining  a Central PPP Agency in the Finance Ministry with executive rather than merely advisory powers, to monitor and manage the financial aspects the PPP portfolio as a whole and the resulting PPP liabilities, in much the same way as the Ministry manages the public debt.
   vii.          Creating and maintaining PPP units in each of the sector ministries to assume the permanent role of Concedent in all phases of PPP projects.  Ensuring that the Net Present Value of all PPP liabilities, revised annually, are including in each department’s annual budget, alongside the traditional capital investments.  Monitoring and setting caps on the total PPP liabilities per ministry. 
In conclusion, the major lesson learned from the Portuguese PPP experience is that countries which exclude and exempt PPPs from the normal budgetary discipline, procedures and constraints do so at their peril, since these complex, opaque and very long term contracts carry greater fiscal risks than traditional procurement, and require more, not less, scrutiny, monitoring and limits.  It is critical to collect PPP contract monitoring data and publish further studies in order to promote transparency and protect the long term interest of the taxpayers. 

See article published in the LIQ Latin American Infrastructure Quarterly  or 
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sábado, Outubro 22, 2011

OE-2012 em debate no ISCSP, 27-Outubro, 15h

Debate do Orçamento do Estado para 2012
Data: Quinta-feira, 27 de Outubro, 15h 
Local: Auditório do piso 2,  ISCSP, à Ajuda 
Entrada livre 
Moderador:  Pedro G. Rodrigues

Miguel St Aubyn
Austeridade sem equidade? 
Mariana Abrantes de Sousa 
Os desafios da re-orçamentação e da re-intermediação bancária 
João Ricardo Catarino 
Alterações às leis fiscais: a necessidade pública com a última lei 

A atualidade política nacional dá o mote a esta iniciativa que procura debater o conteúdo do Relatório e Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2012 (OE 2012).    Os objetivos deste debate passam ainda por identificar quais os efeitos que OE 2012 produzirá quer sobre a economia portuguesa, quer sobre a Administração pública.
Organização:  Professores Pedro G. Rodrigues e João Ricardo Catarino, ISCSP/UTL
Economia Pública e Políticas da Tributação, do Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) 

sexta-feira, Outubro 21, 2011

INIR pressionado na regulação de Estradas

Presidente do Inir ouvido no Parlamento
Regulador das estradas admite ter sido alvo de "coação" por ex-secretário de Estado
21.10.2011 - 16:13 Por Sofia Rodrigues

Paulo Campos não terá gostado de um relatório do Inir sobre a renegociação das concessões (Pedro Cunha/arquivo)
O Presidente do Instituto Nacional das Infra-estruturas Rodoviárias, regulador do sector, admitiu hoje ter sido alvo de "coação" por parte do ex-secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, depois de ter enviado um relatório crítico sobre a renegociação dos contratos de concessões rodoviárias.

Alberto Moreno, presidente do organismo, está a ser ouvido esta tarde na comissão parlamentar de Obras Públicas, a propósito da renegociação dos contratos das concessões rodoviárias realizada pelo anterior Governo PS. Depois de receber um documento com a análise financeira à renegociação das concessões, em Novembro de 2010, o antigo secretário de Estado fez um despacho onde manifesta “preocupação” sobre a qualidade do relatório e repreende o Inir. “É uma coação típica de quem não quer ouvir a verdade”, afirmou o presidente do Inir, em resposta à deputada Carina Oliveira do PSD, acrescentando que na altura não se demitiu por valorizar o trabalho em equipa.

Apesar de assegurar “não sentir pessoalmente nenhuma ameaça”, Alberto Moreno afirmou ainda não haver “independência objectiva” do Inir.

O PS, pela voz de Duarte Cordeiro, argumentou que a análise do Inir foi corrigida quatro dias depois, pondo em causa a credibilidade dos dados. “Corrigi o que tinha de corrigir sem que as correcções alterassem as conclusões”, contrapôs Alberto Moreno.

Segundo a análise financeira feita pelo Inir, as renegociações de duas ex-Scut resultaram num prejuízo para o Estado de cerca de 600 milhões de euros.

Fonte: Público 
VER renegociações passam rsco para o Concedente 

terça-feira, Outubro 18, 2011

O SNS do Apocalipse

O SNS do Apocalipse
 por José Maria Albuquerque*,  1-Julho-2011 

Do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já todos quiseram tudo e tanto quanto ao sangue da Górgona, que mesmo morta, cura[1]. Se exagero, a crise económica, que a crise financeira desvelou e transformou em crise social de dimensão histórica, impõe-nos reflexão, resposta e escolha no domínio do nosso Sistema de Saúde. Daquelas que não se negoceiam no programa de assistência externa, mas das que se votam a 5 de Junho.

Está claro que um corte anual de 9000 milhões de euros do Orçamento de Estado (OE) de forma a reduzir o deficit para 3% em 2013, terá impacto nas maiores parcelas da despesa pública, como são os encargos com a saúde[2].

Se importa saber o que se compromete dos fundamentos do nosso Estado Social, a análise dos riscos para a sustentabilidade do SNS e da manutenção dos seus princípios, tem de ser feita à luz do investimento no sector. Ora o rácio de despesa total em saúde sobre o produto ultrapassou os 10% já em 2005, está acima da média dos países normalmente usados como comparação, sendo o seu quinhão do OE cerca de 15,5%, também acima da média dos países europeus de referência. Para além disso, o financiamento privado do sistema, em pagamentos directos, é superior a 24% do total, dos quais mais de metade vão para medicamentos. E são o crescimento do rendimento percapita; a cobertura de cuidados; a inflação específica do sector (superior à taxa de inflação geral) e a diminuição de gastos com uma melhor referenciação pelos médicos de medicina geral e familiar, os factores com maior impacto na despesa, comparando com variáveis sociodemograficas, como o envelhecimento da população tantas vezes invocada (embora potencialmente mais séria e menos controlável na saúde do que nos encargos com as pensões).

Por isso, se recusarmos como recuso o aumento da prestação directa dos cidadãos (além das taxas moderadoras a partir de agora indexadas à inflação, cujo âmbito subjectivo será revisto, mas que representam menos de 1% do orçamento do SNS); o racionamento dos serviços (limitando o acesso a alguns procedimentos, medicamentos ou dispositivos inovadores, por exemplo) ou a tendência da saúde ser paga à medida e proporção do risco individual, do rendimento ou da idade… resta como forma de conter os custos, dar aos prestadores dos serviços incentivos à produtividade e eficiência, reduzindo os pagamentos aos prestadores e fornecedores. Sabemos que a despesa pode ser contida em tudo o que promova o desperdício. Dois exemplos: nos meios complementares de diagnóstico ou nos transportes, externalizando a aquisição de serviços como terceiro pagador, o Estado vem financiando a sua própria concorrência…

Temos presente que o cenário de poupança de 550 milhões de euros em tês anos, representa 6% do orçamento anual total do Ministério da Saúde. A redução de 200 milhões nos custos operacionais dos hospitais até 2012 é cerca de dois terços das dívidas acumuladas anualmente. Isto implica uma acção prioritária sobre os factores conducentes a ganhos de eficiência e produtividade: ensaiando economias de escala das equipas clínicas; gerindo com critério a capacidade ociosa (de espaço e de tempo); simplificando a complexa e onerosa gestão de recursos humanos com a harmonização dos diversos regimes de contratação; coordenando especialidades e partilhando informação em tempo real entre o médico de saúde familiar e o especialista.

 Para isso, há que orientar os sistemas de informação em saúde para a decisão clínica, colmatando os desalinhamentos da sua arquitectura; promovendo a prescrição electrónica, mas também análises custo-benefício da avaliação das tecnologias de saúde; a avaliação de impacto em saúde e sobretudo, das desigualdades em saúde (analisando todos os outros sectores com efeito nela). O cumprimento dos objectivos do serviço público na permanência, continuidade, coerência, qualidade e segurança dos cuidados de saúde, deve obrigar a avaliação dos riscos, da selecção adversa dos privados (deixando situações crónicas ou mais complexas para o SNS) ao risco dos custos de inovação tecnológica ou a indução artificial da procura, para referir alguns que uma recessão dura e duradoura acentue.

Falta-nos agora quem revele o que uma revisão constitucional gorada possa ter ocultado: um referencial comum (não negociável) de estratégia, planeamento, monitorização e avaliação em políticas de saúde. Saberemos cooperar trimestralmente com a troika sem a impassibilidade interior dos fatalistas (de que falava Antero)[3] se não soubermos colaborar com a providência?

*Investigador no IET-FCT, Universidade Nova de Lisboa ( ex-Alto-comissário Adjunto da Saúde 2007-2010)

[1] O leitor diligente é remetido para a mitologia grega, vide Jean-Pierre Vernant “L’Univers, Les Dieux, Les Hommes” ed. Seuil, Octobre 1999. Das três górgonas somente uma é mortal, Medusa. Asclépio usa o seu sangue para curar os moribundos. O autor quer ilustrar o facto de alguns políticos pretenderem que enfraquecendo os seus fundamentos (e.g. gratuitidade tendencial) ou destruindo o SNS, se manterão os ganhos em saúde das últimas décadas. 
[2] Escrito antes de serem conhecidos os pormenores do acordo, sic “Reduzir o défice das Administrações Públicas para menos de 10.068 milhões de euros (equivalente a 5,9% do PIB baseado nas projecções actuais) em 2011, para 7.645 milhões de euros (4,5% do PIB) em2012 e para 5.224 milhões de euros (3,0% do PIB) em 2013, através de medidas estruturais de elevada qualidade e minimizando o impacto da consolidação orçamental nos grupos vulneráveis (…)”
[3] Cartas Inéditas de Antero de Quental a Oliveira Martins. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1932.

Tolerância Zero com o OE-2012

Depois de descobrir buracos atrás de buracos orçamentais, o contribuinte não pode senão sentir-se aliviado ao ouvir o Ministro das Finanças professar “tolerância zero” contra as derrapagens orçamentais. E essa nova disciplina financeira deveria começar no próprio Ministério das Finanças, em duas das áreas que estão sob o controlo directo da DGTF, o Sector Empresarial do Estado (SEE) e as Parcerias Público-Privadas (PPP).

A reestruturação do SEE vai certamente no bom caminho, com a fusão e extinção de empresas desnecessárias, as reduções salariais para níveis da Administração Pública, etc. A redução dos planos de investimento e a racionalização da prestação de serviços públicos serão justificados em muitos casos, ainda que a diminuição significativa dos níveis de serviço e o redimensionamento dos quadros de pessoal venham a ser bastante contestados. Não é por acaso que as empresas públicas quase-monopolistas continuam a sofrer greves. Já a privatização ou concessão de serviços públicos deficitários a privados será bastante mais difícil de implementar, e talvez pouco recomendável. Pior que uma empresa pública mal gerida, só mesmo um mau contrato de concessão em que o concessionário acaba por ditar condições ao Concedente.

Faria todo o sentido que todas as empresas do SEE, e não apenas aquelas que são integradas no perímetro da Administração Pública, passassem a ter obrigações de reporte análogas às dos Fundos e Serviços Autónomos, pois elas são geralmente caracterizadas pela mesma dependência do contribuinte. Por isso, todas as empresas deveriam ficar obrigadas ao reporte mensal de compromissos assumidos, de pagamentos em atraso e de prestação de contas não apenas junto da DGTF, mas sobretudo junto do próprio Ministério da tutela. Efectivamente, seria bastante mais transparente que toda a despesa e todo o passivo das empresas de transporte figurasse nas contas do Programa Orçamental de Transportes, as despesas e passivos dos hospitais nas contas do Programa de Saúde, etc.   

Em resumo, a tendência de desorçamentação que transferiu grandes quantias de despesa do controlo da DGO-Direcção Geral do Orçamento para o controlo muito menos eficaz da DGTF-Direcção Geral de Tesouro e Finanças deveria ser definitivamente invertida. Para isso, o novo enquadramento jurídico do SEE esperado até ao final de 2011, deveria ter como objectivo a reintegração dos operadores de serviços públicos no respectivo programa orçamental, reforçando a tutela sectorial.

As empresas do SEE têm cerca de 4.460 milhões de dívida a refinanciar em 2012, ao qual acresce 1.950 milhões de novas necessidades de financeiras (leia-se prejuízos e novos investimentos). As necessidades de financiamento em 2012 podem ainda ser maiores se a divida que vence até ao final de 2011 for refinanciada por períodos inferiores a um ano.

Assiste-se agora a um jogo do empurra no que toca à dividado SEE. A dívida (distressed debt) das empresas públicas portuguesas como a REFER e a Parpública está a ser negociada a grande desconto no mercado secundário, até ao momento em que se aproxima da data de vencimento e é reembolsada ao par, graças a empréstimos do Tesouro ou de bancos locais. Os investidores nacionais não têm liquidez para poder aceder a este negócio e capturar o desconto. Por isso os bancos propõem ao Estado a criação de um banco ou fundo de investimento especializado para deter estes activos. Como sempre, falta dinheiro para ganhar dinheiro.   

Quanto às PPP, as surpresas têm sido ainda piores. Entre 2008 e 2010, o montante dos encargos líquidos anuais com as PPP mais do que duplicou para 1.128 milhões de euros em 2010, mais 19% face ao valor previsto.

Em 2011, os encargos líquidos chegarão a 1.590 milhões de euros, mais 41% face ao ano anterior, devido em parte à reclassificação de alguns projectos como Administração Pública. Os encargos líquidos previstos para o ano de 2012, de cerca de 1.036 milhões de euros, podem aumentar se a quebra de tráfego decorrente da introdução de portagens for superior à prevista. A suspensão de novos contratos de PPP é uma medida prudente, bem como a reavaliação dos projectos e a criação de uma Agência de PPPs para centralizar a informação e a gestão dos contratos de concessão. De facto, Portugal tem mais de 100 contratos PPP mas não se pode dizer que existe um “Pograma de PPP”, pois não tem havido uma gestão devidamente articulada e centralizada. Mais uma vez, os encargos e a gestão dos contratos de PPP devem ser integrados no orçamento do respectivo programa sectorial a fim de minorar a natural assimetria de informação que favorece o concessionário à medida que o Concedente vai ficando cada vez mais afastado da prestação do serviço público.

Mas os riscos orçamentais com os contratos de PPP são certamente superiores aos indicados no Relatório do OE, incluindo os 78 milhões de euros para os pórticos nas SCUT. As reclamações de concessionários são um risco constante. Naquelas que foram submetidas a arbitragem, o Concedente têm pago menos de 20% do montante reclamado. Mas algumas concessões têm sido renegociados diversas vezes, em regime de ajuste directo, e com alteração significativa das condições negociais, incluindo o prazo da concessão e a afectação de riscos entre o Concedente e o concessionário. 

O valor actualizado dos pagamentos futuros do Concedente aos parceiros privados é agora estimado em 26.004 milhões de euros o que representa 15,1% do PIB actual (15.129 milhões de euros (8.8% do PIB), em termos de encargos líquidos da respectiva receita).    

Mas a lacuna mais grave é mesmo a falta de definição de um limite máximo anual para a contratação de parcerias publico-privadas, de acordo como o artº 31º 1(l) da Lei de Enquadramento Orçamental.  Esta é, mais uma vez, uma falha injustificável quando se procura recuperar a credibilidade da gestão orçamental do programa de PPPs. Ao contrário de outros tipos de contratação que têm que estar devidamente cabimentados dentro das restrições orçamentais do OE, as PPPs continuam em regime de “via verde”, com a factura a aparecer muito mais tarde. A disciplina, a transparência e tolerância zero deveriam começar por aqui.

Uma primeira estimativa do limite que faltava no Orçamentos anuais está na página 14 do Relatório da DGTF sobre PPPs e Concessões.

Ainda vamos a tempo de incluir o limite no OE-2012, que segundo acordado com a troika vai ser muito próximo de zero.  

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

segunda-feira, Outubro 17, 2011

Sustentabilidade é problema de amanhã ...

Secretário de Estado das Obras Públicas e Transportes Sérgio Monteiro:
Sustentabilidade é o problema de amanhã, não do próximo ano ou da próxima década
Não temos dinheiro para tudo, as opções são claras.
Qual é a parte de "não temos dinheiro" que não se entende?

domingo, Outubro 16, 2011

Five recommendations to help resolve the Eurozone debt crisis

1.      1. The failure of prudential regulation, by the  national  Central Banks, has to be corrected. The Basel I, II, III etc, criteria led us to overlook the hidden overleveraging in the banks, and in the rest of the economies. Banks such as Dexia and some Landesbanken continued  to extend credit recklessly, to gain market share, well after other banks retracted and became more selective. British banks were the most imprudent after the German, and the Bank of England should step up to help bail them out. The combination of Basel and Maastricht permitted the accumulation of hidden liabilities off-balance sheet and off-budget, so this needs to be addressed too.  Bank recapitalization is a necessary but not sufficient condition to stabilize the Eurozone financial system,  bank credit and risk management practices have to be corrected as well. 

2.      2.  The Maastricht criteria,  which focus on the domestic imbalances, need to be complemented by criteria which highlight external imbalances, such as the CAB current account deficit, the balance of goods and non-factor services, and the accumulation of short term external liabilities (aka hot money inflows).  Without the  usual external policy instruments which serve as “automatic stabilizers” (exchange rate, import tariffs, interest rates and capital controls),  external imbalances among the Eurozone trading partners become more critical and  must be held low, which means lower CAB deficits AND lower CAB surpluses. 

3.      3. We urgently need long term funding instruments, for residential mortgages, but also to park some long term infrastructure assets like PPP project finance loans, etc, similar to the Infrastructure Crisis Facility funded by KfW (for developing countries only).  Portuguese and other banks are selling good long term assets at huge discounts, just because of funding problems, so a special investment fund would be very useful. This could be funded by the EIB, but with independent directors since the EIB would be conflicted. 

4.      4. We urgently need an European EXIMBANK, and/or European ECA Export Credit Agency, since small countries cannot compete in exports which require financing.  That is, how can Efacec compete with Siemens in a third market, when Siemens can offer very long term low-cost KfW financing? Export finance, both ST and LT, will be  essential if  the small and weak deficit countries are to have a real chance to turnaround their CAB deficits and to overcome their lack of competitiveness and dis-economies of scale.

5.      5. Most importantly of all, local savers have to be protected from suffering ANY “haircuts”.  The first rule of balance of payments rebalancing is to promote local savings.  The absurd 50-60% discounts   being discussed for Greece are a sure sign of a badly managed debt restructuring and disorderly default.  Perhaps they will reduce imprudent lending and moral hazard for the next few years.  But if the discounts are applied also to local savers, depositors and investors, the same ones who have to pay more local taxes,  there will  be  no solution to the crisis at all.   We urgently need to ensure that the savings instruments of local retail savers, both families and corporates, are held harmless, since local savers were never part of the problem and must be part of the solution. 

       Mariana Abrantes de Sousa 
       PPP Lusofonia, Portugal 

SE    See also the webcast of  the public audition by the European Parliament Commission on Monetary Affairs 
       Audição pública da Comissão de Assuntos Monetários e Económicos do Parlamento Europeu. Se tiverem interessados em seguir a mesma, será transmitida pela internet a partir do endereço

sexta-feira, Outubro 14, 2011

Economistas em Congresso, 19-21Outubro, no ISCTE

Data:  19-21 de Outubro 2011
Local:  ISCTE
(ATENÇÃO: o local do evento foi alterado para o
 Grande Auditório ISCTE - IUL  Edifício II ]A Economia Portuguesa enfrenta actualmente desafios extraordinários.

Por um lado deparamo-nos com a necessidade de antingir um maior equilíbrio no plano das contas do Estado, a qual tem vindo a ser a pedra de toque dos sucessivos Programas de Estabilidade e Crescimento. Porém, este desiderato enquadra-se num contexto mais vasto da necessidade de reduzir os desequilíbrios da Economia Nacional face ao exterior (nomeadamente pautados por um elevado e galopante endividamento externo) e, acima de tudo, voltar a atingir níveis aceitáveis de crescimento económico e de endividamento dos agentes económicos, que evitem o padrão de divergência real dos níveis de vida dos portugueses face aos nossos principais parceiros que têm ocorrido na última década.
É neste enquadramento que se vai realizar entre 19 a 21 Outubro deste ano o 4º Congresso Nacional dos Economistas, organizado pela Ordem dos Economistas, para o qual propomos o tema "Portugal 2020 - O nosso país no contexto global" e em que lançamos o desafio de debater que País e que modelo de desenvolvimento económico queremos e somos capazes de criar até 2020.

Para aceder ao site do congresso onde poderá ter acesso ao Programa e Inscriçõesclique aqui

Estabelecemos cinco eixos principais de debate:

1. Modelo global de desenvolvimento macroeconómico, capaz de retomar uma trajectória vigorosa de crescimento, e assente em maior competitividade do País e dos agentes económicos.

2. Ênfase nas empresas, com foco nas exportações e na substituição de importações e na capacidade de atrair investimento de aforradores e empreendedores nacionais e estrangeiros.

3. Melhoria do contexto em que as empresas operam, com acento tónico no sistema fiscal, na justiça e no peso e eficiência do Estado.

4. Reforço das qualificações e capacidade de inovação e gestão dos portugueses. O desafio que colocamos aos economistas portugueses é que o 4º Congresso Nacional dos Economistas seja um espaço de debate profícuo, que contribua para traçar os objectivos e o rumo para a construção, ao longo desta década, de um Portugal mais rico e competitivo.

5. Países de Língua Portuguesa. O desafio da próxima década passa também pela capacidade de Portugal reforçar e consolidar o relacionamento económico e as parcerias em geral com os Países de Língua Portuguesa, os quais têm vindo a assumir uma relevância crescente ao longo dos últimos anos.

Rede Comum de Conhecimento premiada nas Nações Unidas

Portugal em 1.º e 2.º nos Prémios das Nações Unidas para os Serviços Públicos 

Os Prémios das Nações Unidas para os Serviços Públicos atribuíram a Portugal o 1.º e o 2.º lugares em duas das suas categorias. Portugal foi premiado com o 1.º lugar pela Rede Comum do Conhecimento, que permite a partilha de boas práticas de modernização, inovação e simplificação administrativas, e com o 2.º lugar pela vertente participativa do programa Simplex. Estes prémios são a mais prestigiada distinção internacional de excelência e inovação do serviço público.

quarta-feira, Outubro 05, 2011

A falar é que a gente se entende

Longe vão os tempos em que o Português era a língua franca de descobridores e aventureiros.
Agora, nesta era de acordo ortográfico, em que o Português de Portugal tenta acompanhar a evolução do Português do Brasil, é bom recordar os desafios do Portunhol  nesta cena preciosa com a nossa inimitável Ana Bola.

 Portugal e Espanhol estão entre os idiomas mais falados no mundo 
Mas há muitas palavras que atraiçoam ao passar as fronteiras, os falsos amigos, false cognates 

domingo, Outubro 02, 2011

PPPs, the banks and Portugal's external debt crisis

4.4  PPPs and the Portuguese banking system
Portugal’s excessive external debt reflects, in part, the external funding of the local banking system which became highly leveraged. Liabilities to non-residents rose from €155 billion at the end of 2008 to €171 billion at the end of 2010 (including €41 billion of emergency funding from the ECB), 42.2% of the Gross External Debt.
Portuguese banks were enthusiastic about project financing, which promised stable long term income for manageable risks, provided that long term funding could be secured.  Before the Euro was introduced in 2000, the EIB provided the long term Escudo funding needed and local and international banks took project and construction risk by issuing payment guarantees in favour of the EIB. Later, Portuguese banks continued heavily involved in project finance, even when credit spreads dipped below one percent. The crowding out effects were also severe.
 When foreign banks retracted sharply after 2008, local banks stepped up their underwriting. But when bank ratings were cut below the levels required by the EIB for its guarantors, bank guarantors were required to pay additional fees to the EIB. 
As Portugal and its banking system faced ever rising funding costs and eventually lost access to the international financial markets in 2010, the large portfolio of thinly-priced project finance loans caused serious asset-liability and earnings problems, leading banks to sell some PPP loan assets at deep discounts in order to deleverage. Net interest margins on the project finance loans have become negative and a few PPP project have become distressed, although others have benefitted from the generous renegotiations mentioned above.  In the future, the IMF will require that the annual review of PPPs and concessions  be “accompanied by an analysis of credit flows channelled to PPPs through banks by industry and an impact assessment on credit allocation and crowding out effects” (IMF Update 1-September 2011).
4.5   Fiscal risks, PPPs and Portugal severe external debt crisis

According to IMF-FAD (2009) “A survey of selected countries confirms the transmission mechanisms from the financial crisis to PPP programmes”. However, there is no mention of the reverse causality between excessively large PPP programmes and a country’s sovereign rating.

The causal relationship between PPPs and Portugal’s external debt problem can be described as one of quantity and also of quality. In quality terms, the trends towards availability payments and frequent renegotiations damaged the Value for Money and productivity of the projects, due to over investment in costly infrastructure now plagued with excess capacity. But sometimes traffic takes years to ramp up and one or two weak projects need not be a cause for alarm.

The critical problem has more to do with the sheer quantity of PPP transactions and with the negative synergies and duplication which have now, for example, lead the Government to cancel plans for a third north-south motorway nearly parallel to the A1. In addition, the increasing reliance on PPPs promoted the illusion of budget discipline that was in fact achieved by removing a sizable portion of public investment from the visible direct public expenditure and direct public debt. 
Mariana Abrantes de Sousa 
Excerpt from article on "Managing PPPs for Budget Sustainability - Lessons from the Portuguese Experience"

sábado, Outubro 01, 2011

Comissão Executiva 19-JUL-2011 sobre os Transportes

Na Comissão Executiva de hoje falamos do sector dos transportes e dos aumentos que estão previstos ainda este mês. Para a reunião, conduzida por Alda Martins, contamos com a análise de
Mariana Abrantes de Sousa, Economista, Carlos Pestana Barros, Prof Iseg, José Almaça, Economista, e Francisco Banha, Gestor.

Fonte: ETV

Comissão Executiva 13-SET-2011 sobre a Saúde

No programa de 13-SET-2011 debatemos o sector da Saúde, nomeadamente se os cortes anunciados vão pôr em causa o sistema nacional de saúde. Uma análise que fazemos com o comentário de
 Mariana Abrantes de Sousa, Gouveia Pinto, Francisco Banha e José Alamaça,
à conversa com Tânia Madeira  no Económico TV.

Hospitais EPE deviam ser reincorporados na Administração Pública 
Fonte:  ETV

Comissão Executiva de 6-SET-2011 sobre a Banca

A avaliação da banca e as opções é o tema do programa de   6-SET-2011 que conta com o comentário de Mariana Abrantes de Sousa, Francisco Banha e José Almaça,
numa entrevista conduzida por Alda Martins, Económico TV.

O problema mais imediato dos bancos é a liquidez e o funding, ainda que o problema de solvabilidade  continua subjacente. Os bancos estão muito dependentes de funding externo, agora do BCE que fornece liquidez de emergência uma vez que o mercado inter-bancário fechou o acesso aos bancos com ratings inferiores, reflectindo o défice de confiança.

Mas os bancos precisam de uma solução de funding de anos, não apenas de meses.  Especificamente, os bancos precisam de funding estável de muito longo, correspondente aos seus activos de longo prazo de crédito à habitação, de financiamento de projectos de PPP e de financiamento a empresas.

Os bancos estão a fazer um desalavancagem forçada,  a fim de reduzir o rácio de transformação de créditos sobre depósitos  de mais de 160% para um nível mais sustentável 120%.

Os bancos terão que recapitalizar para aguentar as imparidades de activos e eventuais perdas de crédito mal parado.  A crise vai também exigir mudanças de gestão.

Fonte:  ETV