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segunda-feira, janeiro 09, 2012

Hospitais EPE com pior desempenho operacional e financeiro em 2011

O relatório de Monitorização mensal de Hospitais, Centros Hospitalares (EPE e SPA) e Unidades Locais de Saúde (ULS) a nível nacional está disponível em 
http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/TB%20-%20Novembro%202011%20-%20Nacional.pdf e merece boa atenção. 
É bom ver o MdS a divulgar, atempadamente, cada vez mais informação de desempenho operacional e financeiro do SNS.  

Segundo a Nota Técnica, este  quadro nacional inclui apenas os hospitais SPA e ULS,  alguns dos hospitais EPE, nenhum dos hospitais PPP nem das ARS e respectivos centros de saúde.  Por isso, os custos operacionais totais são apenas 3.942 milhões de euros no período, quando os encargos do SNS andam mais perto do 9.000 milhões de euros por ano. 

Apesar das lacunas, os números demonstram a dura realidade de um grande sistema como o SNS:  os custos tendem a ser relativamente inflexíveis (-4,40%) e a não acompanhar a redução de proveitos (-7,33%), o que facilmente provoca défices, com os resultados operacionais negativos desde conjunto de hospitais a aumentar 32% para -407 milhões de euros no período.   Por isso,  flexibilizar os custos, para baixo, é o grande desafio da gestão de qualquer grande empreendimento, especialmente em tempo de contracção económica.  


O rácio de custos operacionais/proveitos operacionais foi de 111,5%,  mas os resultados liquidos poderão ser ainda piores ao incluir encargos financeiros e outros. 

Desde logo, os custos mais difíceis de comprimir são os custos com produtos farmacêuticos que continuaram a aumentar, +0,89%, mesmo com redução de -2,51% do número de doentes saídos.  Sabemos que Portugal tem um consumo de medicamentos relativamente elevado em comparação com outros países europeus do nosso tamanho, e que isto tem sido alimentado a crédito.  Em 2011,  parece ainda não haver indícios de racionalização no consumo de fármacos, muitos dos quais importados, mas isso poderá mudar em 2012 com os cortes no crédito dos fornecedores farmacêuticos, como está a acontecer na Madeira.  

Depois,  há todo um conjunto de indicadores de eficiência e de utilização da capacidade instalada que pioraram em 2011.  A taxa de ocupação reduziu 0,42 pp para 82,55%, mas esta tendência poderá ser invertida em 2012 com a redução anunciada na capacidade instalada.   O número de profissionais de saúde ao serviço neste grupo de hospitais também aumentou, +1,37% de  médicos e 3,74% de enfermeiros, mas os custos com pessoal reduziram substancialmente em -6,57%. Os cortes de -11,87% nos custos com horas extraordinárias e suplementos,  representaram um quarto da poupança com pessoal. 

Em resumo, o desempenho operacional e financeiro deste grupo de hospitais ainda piorou em 2011, com os poucos ganhos de eficiência concentrados na gestão de pessoal (easy wins?).  Conseguir outros ganhos de eficiência e sustentabilidade na gestão de fornecedores (ex. medicamentos) e na gestão da capacidade instalada vai ser o grande desafio em 2012.  

Fazemos  votos para que a vontade política se mantenha, para bem da sustentabilidade, e portanto da cobertura e da qualidade, do nosso precioso SNS. 

Mariana Abrantes de Sousa, ex-Controladora Financeira do Ministério da Saúde 
PPP Lusofonia


Ver citação no artigo do I-online http://www.ionline.pt/dinheiro/resultados-dos-hospitais-pioraram-2011-apesar-poupanca-181-me  e artigo sobre a classificação dos HEPE para efeitos da contabilidade nacional 


Ver apresentação sobre os hospitais PPP