Tradutor

quarta-feira, março 13, 2013

Lusofonia Ecónomia - Plataformas CPLP, 19-Março, 14h30, AIP


Conferência de apresentação do Projeto Lusofonia Economia - Plataformas CPLP,uma pareceria entre a  Associação Industrial Portuguesa-Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), com a parceria estratégica da ELO - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e a Cooperação. 

O projeto tem como objectivo dinamizar a competitividade das empresas portuguesas, fomentando os investimentos e as exportações para os países da CPLP e para os respectivos mercados regionais onde os países se encontram inseridos, assim como tornar Portugal um destino preferencial de investimento. A Conferência “Lusofonia Económica – Plataformas CPLP” procurará dar a conhecer às empresas os desafios e as oportunidades que o projecto poderá impulsionar.

Data:  19-Março-2013, 14h30
Local: Centro de Congressos de Lisboa, AIP 
Inscrição: geral@elo-online.org 

Programa da Conferência Lusofonia  Económica - Plataformas CPLP

15H00 ABERTURA 
JOSÉ EDUARDO CARVALHO, PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DA AIP-CCI
FRANCISCO MANTERO, PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DA ELO,
EMBAIXADOR ISAAC MURARGY, SECRETÁRIO EXECUTIVO DA CPLP
PEDRO REIS, PRESIDENTE DA AICEP 15H30
APRESENTAÇÃO DO PROJECTO
ENQUADRAMENTO ECONÓMICO DOS MERCADOS REGIONAIS DA CPLP
JAIME ESTEVES, PWC
PROJECTO LUSOFONIA ECONÓMICA - PLATAFORMAS CPLP
NORMA RODRIGUES, AIP-CCI

16H30 MESA REDONDA - LUSOFONIA ECONÓMICA:
JORGE BRAGA DE MACEDO, REPRESENTANTE PESSOAL DO SENHOR PRIMEIRO- MINISTRO NO CONSELHO ESTRATÉGICO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA (CEIE)
JOSÉ LOBATO, SECRETÁRIO-GERAL DA CONFEDERAÇÃO EMPRESARIAL DA CPLP
JOÃO PROENÇA, SECRETÁRIO-GERAL DA COMUNIDADE SINDICAL DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA 

17H30 SESSÃO DE ENCERRAMENTO 
PRESIDIDA PELO SENHOR MINISTRO DA ECONOMIA E DO EMPREGO, ÁLVARO SANTOS PEREIRA

Fonte: http://www.elo-online.org/


Project bonds and the limitations of credit enhancement

The EU Project Bond Initiative aims to mobilize third party guarantees to make projects bankable and attractie, even by risk averse investors, especially in situations of "market failure" as we might be experiencing in the current credit crunch.

But there are real limitations and even arguments against excessive reliance on "credit enhancements".


Clearly "credit enhancements" do not make a BAD project GOOD, they just add counterparty risk by transferring project risks to the guarantor. If the guarantor is the EIB with counter-guarantees from the European Union, that's one thing.  If the EIB as guarantor requires a sovereign counter-guarantee (ultimately from the taxpayers)  that adds to the sovereign debt burden,  the project should reclassified and budgeted within public debt limits and the long term public expenditure limits like the MTEF. 

It is questionable what is the value added by a guarantor/investors which won't take project risks  and which will participate only on the basis of sponsor/bank/sovereign guarantees.  Rather,  this raises issues of potential moral hazard.
As has been said by other commentators, in order to ensure investment efficiency,  investors and creditors should have "skin in the game" and incentives to do their own due diligence, and their own project monitoring and control.  Those so-called "investors" who have only their reputations at risk, no real "skin" in the project,  are like the rating agencies and the multitude of advisors:  just agents  not principals.

For good productive projects, sustainable for ALL project parties, we need a risk underwriting approach by professional investors who are rigourous and highly selective, and with a sufficiently large portfolio to absorb   the expectable thoughinfrequent losses, without having to burden the taxpayers with bailouts of poor projects.

Just as there are negative feedback loops between bank and sovereign risks,   there are negative feedback loops between infrastructure and sovereign risks.
So,  the Concedent Government should think twice if creditors are not willing to take volume or traffic risk. Or else, prepare to pay for a few white elephants.

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 

As you may  read in Irwin's book on Government guarantees   http://www-wds.worldbank.org/external/default/WDSContentServer/WDSP/IB/2007/04/13/000310607_20070413163547/Rendered/PDF/394970Gov0guar101OFFICIAL0USE0ONLY1.pdf

segunda-feira, março 11, 2013

Bailing out the bank shareholders


It's one thing to lose confidence in the European solution, it's another to gain conviction that the European Union, as it is, may actually be at the root of the problem of persistent and unsustainable divergence.  



The President of the European Parliament Martin Schulz questions why Europe put €700 billion to bailing out  the bank creditors but cannot find the resources to bail in the "lost generation" living with 40% and 50% unemployment in the debtor countries.
The risk of a banking  collapse is certainly very serious and very real, but banks, their shareholders  and their (im)prudential regulators made a lot of mistakes, and could well stand taking some losses.   Correction, they are continuimg to make a lot of mistakes.  

Tell it to Frankfurt, London and Paris, in that order.

The risk of a social collapse is  no less severe, and much more unpredictable and difficult to deal with.

Losing hope in the future, losing confidence in the European Union is one problem.
Even worse becoming convinced that the European institutions do not not guarantee an equitable development among the 27 member countries.


" Em entrevista à Reuters, o alemão Martin Schulz identifica a perda de confiança dos cidadãos na capacidade de a União Europeia resolver os seus problemas como “uma das principais ameaças” da própria UE. “E se a nova geração perde confiança, penso que é a UE que está verdadeiramente em perigo”, diz.

Para Schulz (do partido Social Democrata da Alemanha), se a zona euro encontrou “700 mil milhões de euros para estabilizar o sistema financeiro”, terá de investir um montante idêntico para “estabilizar” as novas gerações nos países em dificuldades. “Somos os campeões do mundo dos cortes orçamentais, mas temos menos ideias quando é preciso estimular o crescimento”.

Ler mais em http://www.publico.pt/economia/noticia/europa-salvou-os-bancos-mas-arriscase-a-perder-uma-geracao-diz-martin-schulz-1587415 
ver http://ppplusofonia.blogspot.pt/2011/12/eurozone-crisis-tests-limits-of.html

domingo, março 10, 2013

2013 – Ano Internacional da Matemática do Planeta Terra


 Coimbra“Foi durante o Congresso Internacional de Matemática de 2010, na Índia, que Christiane Rousseau (Montreal) lançou o desafio Matemática do Planeta Terra 2013. O ano MPT2013 está a desenvolver actividades que visam mostrar como a matemática desempenha um papel central em questões relacionadas com o Planeta Terra. Veja aqui as ideias sugeridas pela comissão internacional para o MPT2013.
A abertura oficial do ano MPT2013 em Portugal decorreu no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Durante a cerimónia foiestabelecido contacto com Paris e com S. Tomé e Príncipe.

Missão
Por todo o mundo diversas sociedades, associações, universidades, institutos de investigação e fundações vão dedicar o ano 2013 ao projeto MPT2013. É missão do projecto MPT2013:
  • Incentivar a investigação na identificação e na resolução de questões fundamentais sobre o Planeta Terra;
  • Incentivar educadores de todos os níveis de ensino para comunicar os problemas relacionados com o planeta Terra;
  • Informar o público sobre o papel essencial das ciências matemáticas para enfrentar os desafios do planeta Terra.
Grandes temas
Para o programa MPT2013 são sugeridos quatro grandes temas:
  • Um planeta para descobrir: oceanos; meteorologia e clima; processos do manto; recursos naturais; sistemas solares;
  • Um planeta suportado por vida: ecologia, biodiversidade, evolução;
  • Um planeta organizado por humanos: sistemas políticos, económicos, sociais e financeiros, organização das redes de transporte e de comunicação, gestão dos recursos, energia;
  • Um planeta em risco: mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, epidemias; espécies invasoras, desastres naturais.
Comité nacional
Tendo em vista a dinamização desta iniciativa, atribuindo-lhe simultaneamente um cariz nacional e alargado à CPLP, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), liderou o processo de criação de um Comité Nacional, o qual funcionará sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO (CNU), ao longo de 2013. O Comité Nacional para o MPT2013 é constituído por:
Aprender mais matemática, participar nesta grande aventura que é conhecer melhor o mundo e tudo o que nos rodeia. Encontrar algumas respostas mas também formalizar mais perguntas é uma responsabilidade de todos, estudantes de todas as idades, professores, pais, avós, tio, etc. Temos uma tarefa imensa mas ao mesmo tempo maravilhosa que é a de aumentar substancialmente os conhecimentos em matemática por toda a gente e fazer com que todos amem a matemática em vez de fugirem dela.
Se 90% da população chegasse a um conhecimento da matemática ao nível dos programas actuais de matemática do 12º ano Portugal seria, quase de certeza, um dos países mais avançados e desenvolvidos do mundo. É uma meta impossível? Não creio.
A. Abrantes
Fonte:  http://www.mat.uc.pt/mpt2013/

sexta-feira, março 08, 2013

Chafariz d'El Rey em Alfama mostra presença Africana na Europa circa 1600

It would be great see this exhibition at the Princeton  Art Museum about the African presence in XV century Europe? http://artmuseum.princeton.edu/visit/calendar/201211/panel-discussion-revealing-african-presence and attend the, panel discussion on 25-April 

Especially as they say that "the most illuminating work in the show is “Chafariz d’el Rey in the Alfama District”, a large, panoramic view of a busy quayside in Lisbon. White Portuguese mingle with black knights on horseback, vendors, boatmen, water bearers and slaves; Africans are believed to have made up a tenth of the city’s population"
Princeton Art Museum http://artmuseum.princeton.edu/about/press-room

Especialmente porque  dizem que "o trabalho mais esclarecedor do exposição de arte  é" Chafariz d'el Rey no bairro de Alfama ", uma vista panorâmica de um cais cheio de actividade, em Lisboa. Portuguêses brancos se misturam com os cavaleiros negros, a cavalo, vendedores, barqueiros , carregadores de água e escravos.  Acredita-se que os africanos fossem então cerca de dez por cento da população da cidade "

Os jovens e a crise



Uma mensagem de Joana Manuel 

domingo, março 03, 2013

Divida Alemã perdoada há 60 anos

A 27-Fevereiro-1953, o Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs  perdoou 50% da dívida alemã estão a 26 países, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substantial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros. (5 anos) 

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo, 27 de Fevereiro de 2003

Outras fontes:  London Debt Acord 1953 http://www.independent.ie/opinion/letters/germany-owes-us-for-its-economic-miracle-29096882.html

Trabalho com UNICEF Angola


UNICEF ANGOLA Responsável de Nutrição, Emergência

Angola registou níveis de precipitação abaixo da normalidade em 2012, com um impacto significativo sobre a produção agrícola, segurança alimentar e nutrição em determinadas províncias angolanas. O impacto da seca sobre a segurança alimentar provocou também consequências negativas sobre o estado nutricional de crianças e mulheres. Para solucionar esta situação o Governo de Angola, com o apoio das Nações Unidas, planeou intensificar a gestão da desnutrição aguda e promover activamente práticas de optimização da alimentação. No âmbito deste apoio, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Delegação de Angola, pretende contratar um consultor de nutrição qualificado para prestar assistência técnica às autoridades provinciais e municipais.

O objectivo primordial do trabalho de consultoria consiste em apoiar o lançamento da gestão da desnutrição aguda e promoção de práticas de alimentação de recém-nascidos e crianças pequenas.

Local de serviço: A nível provincial no Kwanza Sul, Huíla, Benguela ou Zaire
Relativo a: Especialista em Nutrição
Duração do Contrato: 4 Meses
Nível de honorários: Correspondente a Responsável Nacional de Nível 1, Baseado na capital da província, estão previstas deslocações extensas ao interior da província

Qualificações e Experiência
-Cidadão Angolano, detentor de Mestrado em Ciências Sociais ou licenciatura em nutrição ou com especialização em Saúde Pública ou equivalente;
-Mínimo de dois anos de experiência profissional, responsável com progressão na carreira a nível nacional, com experiência em programas de saúde ou nutrição baseados na comunidade. O conhecimento sobre questões humanitárias e de desenvolvimento é considerado uma mais-valia;
-Aptidão para trabalhar em equipas diversas e contribuir para o sucesso global da equipa;
-Aptidão para demonstrar uma abordagem flexível e adaptável ao trabalho;
-Capacidade para comunicar fluentemente em Português.

Apresentação de Candidaturas:

Apenas serão consideradas as candidaturas acompanhadas de CV actualizado e de Formulário de História Pessoal das Nações Unidas (P-11) devidamente preenchido, bem como uma carta de apresentação dirigida a: UNICEF Delegação de Angola, e-mail luandarecruitment@unicef.org . 
Para obter mais informações sobre a consultoria solicitar a: aichangai@unicef.org. T
odas as candidaturas serão tratadas com a máxima confidencialidade.

A data limite para recepção das candidaturas é 7 Marco de Fevereiro de 2013

A UNICEF usufrui de um ambiente livre de fumo.

A UNICEF empenha-se na diversidade e inclusão do seu grupo de trabalho, e incentiva a candidatura de indivíduos qualificados do sexo feminino de todas as origens nacionais, religiosas e étnicas, incluindo pessoas com deficiência, a fim de se tornarem parte de nossa organização.

Reflexão sobre PPPs em Saúde, Porto 1-Março-13


A 1-Março-2013, a ARS Norte  promoveu, com o apoio da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, uma jornada de reflexão com o intuito de clarificar, partilhar experiências e dar a conhecer as especificidades das PPP’s em Saúde.
Contacto:  conferencia.ppp@arsnorte.min-saude.pt



O Secretário de Estado da Saúde Manuel Teixeira  fez   um «balanço positivo» das parcerias público-privadas (PPP) no setor, assegurando que permitem «ganhos de custos e eficiência», mas admitiu que «o SNS ainda não retirou a mais-valia possível» do modelo".

Fontes:  ARS Norte,  http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=69140

sábado, março 02, 2013

Superavit comercial aumenta divergência insustentável


Desiludam-se os analistas que contavam com o fim da divergência das balanças de pagamentos, como seria de esperar num processo de ajustamento envolvendo a redução tanto dos défices como dos superavits de comércio externo dentro da Eurozone.  


O excedente comercial da Alemanha aumentou em 2012 para 188,1 mil milhões de euros, face aos 158,7 mil milhões de euros atingidos no ano anterior,  o segundo maior superavit dos últimos 60 anos atrás do superavit de  195,3 mil milhões em 2007.


O recorde histórico do excedente comercial da Alemanha em 2012, mesmo com um Euro relativamente forte, quase sempre acima de USD1,30/EUR, demonstra que as vantagens comparativas se acumulam a favor dos grandes exportadores.   Os exportadores líquidos são também os maiores credores,  beneficiando de um circulo virtuoso de superávits tanto comerciais como  financeiros.  A assimetria comercial reflecte-se numa forte assimetria de liquidez e de crédito, sem o qual os pequenos países importadores ficam condenados a défices comerciais sucessivos e a endividamento crescente.

Assim, o excedente comercial recorde da Alemanha em 2012,apesar de alguma inversão no quarto trimestre, é altamente preocupante pois indica a falta de ajustamento e da convergência entre parceiros comerciais que é imprescindível para a resolução de crise financeira.

Esta divergência comercial persistente, devida em parte à falta de instrumentos e de empenho no ajustamento entre os vários parceiros comerciais, é a causa fundamental que afasta qualquer solução sustentável para a crise de sobre-endividamento insustentável.

A eleições italianas, ou as manifestações portuguesas, são apenas sintomas do arrastamento  e agravamento da crise de comércio internacional, ainda que bastante graves.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

Testing the limits of divergence in the Eurozone   http://ppplusofonia.blogspot.pt/2011/12/eurozone-crisis-tests-limits-of.html

sábado, fevereiro 23, 2013

Saldo de turismo sobe em 2012

Sector do Turismo em Portugal
Foi preciso uma fortíssima recessão para fazer descer as despesas dos Portugueses com viagens e turismo no exterior em 2012, pela primeira vez.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Empresas publicas refreadas mas pouco


Finalmente, o Ministério das Finanças quer puxar as rédeas ás empresas públicas que andaram a endividar-se em roda livre.  Agora as empresas públicas só poderão endividar-se por prazos superiores a um ano com um parecer prévio do  IGCP, o que no entanto não  equivale a um aval da República Portuguesa.  .

DE: "A lei que autoriza o Governo a alterar as regras do sector empresarial do Estado, hoje publicada em Diário da República, visa criar mecanismos que ajudem a controlar o endividamento do sector público, reforçar as condições de eficácia e eficiência destas entidades e assegurar a coordenação entre o sector empresarial do Estado e o sector empresarial local."

Isto representa uma mudança no bom sentido, mas ainda não garante  a sustentabilidade financeira do Sector Empresarial do Estado, cujos passivos representam  mais de 25% do PIB.

Para uma gestão financeira prudente, as empresas públicas sistematicamente deficitárias deveriam ser proibidas de acumular qualquer tipo de divida sem o aval do Estado,  e  sem o respectivo enquadramento e cabimento orçamental.  Isto deveria aplicar-se  a todo o tipo de passivo,  quer financeiro, quer comercial e muito especialmente aos encargos com contratos e longo prazo como os contratos de concessão, ou de subconcessão no caso da Estradas de Portugal.

Se o objecto social (purpose) de uma empresa é de prestar um serviço público essencial, e se essa empresa não tem os meios necessários para reembolsar dívida (means), todo e qualquer endividamento que contrair é, em termos de substancia económica, dívida pública desde o primeiro dia, seja qual for a forma  legal ou a classificação contabilística do INE/Eurostat.

Outra alternativa seria reincorporar algumas empresas como as Estradas de Portugal e  a REFER na Administração Pública, uma solução bastante mais radical, mas provavelmente mais eficaz do que o que o modesto  "parecer prévio obrigatório" que anunciaram hoje que os credores podem facilmente ignorar.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofona

Fontes:  economico.sapo.pt

Encontro de Cooperação, INA, 6-junho-2013


2º Encontro “Conhecimento e Cooperação”
6 de junho de 2013

O INA promove a realização do 2º Encontro “Conhecimento e Cooperação”, a decorrer no dia 6 de junho de 2013, em Lisboa, assim dando continuidade à iniciativa levada a efeito com o “Encontro Conhecimento e Cooperação: aprender, intervir e partilhar”.
A participação é gratuita.
Objetivos e destinatários: Promover o encontro de formadores e ex-alunos do DECODE, de consultores, peritos e organizações que se dedicam à execução de programas e projetos de ajuda ao desenvolvimento e sociedade civil, de modo a possibilitar a partilha de experiências e de informação bem como a reforçar as capacidades de todos os que trabalham na cooperação.
Esta realização radica na ambição que o INA continua a ter de ajudar a melhor gerir o Conhecimento orientado para a Cooperação, o que se traduz, naturalmente, em melhor conseguir captar e extrair valor da informação disponível e saber acompanhar a evolução das questões essenciais.
Como participar: a participação pode ser feita através da apresentação de comunicações (10 minutos/cada), da exposição de posterssobre projetos em curso ou recentemente realizados, ou da simples presença.
Será dada prioridade aos autores de comunicações e/ou posters, sendo sempre necessária a inscrição prévia.
Informação completa aqui

Se não pretender receber mais infomails clique aqui
INA - Direção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas
Divisão de Comunicação e Relações Públicas

Na origem da crise

domingo, fevereiro 17, 2013

Por onde poupar na despesa pública ...

O blog Brutos de Jorge Paz Rodrigues oferece uma lista de susgestõesde como aplicar cortes definitivos na despesa pública, e respectivas estimativas de poupança.  
Não faltam sugestões, falta determinação
Propostas alternativas à austeridade e sem diminuir o Estado social
Já anteriormente escrevi textos com propostas para a redução das chamadas “gorduras” do Estado. Entretanto, chegaram às minhas mãos mais uma série de ideias, via net, de autor desconhecido. Por isso e por estar ainda por fazer uma séria discussão sobre a Reforma do Estado, a que a Oposição lamentavelmente foge, tive a ousadia de as agrupar, divulgando-as a todos, sendo certo, porém, que as propostas abaixo vão à especial atenção tanto do Governo como da Oposição.



I - Tomem nota quanto a reformas no Estado e redução de despesa pública:

- Reduzam 40% do Orçamento da Assembleia da República e vão poupar cerca de  40.000.000,00€, e mais se conseguirá se o nº de deputados for reduzido para 151 (implica alterar a Constituição) ou pelo menos para 181 (basta alterar Estatuto da AR);

- Cortem 40% do Orçamento da Presidência da República e vão poupar + ou - 6.000.000,00€;

- Reformulem as pensões de favor pagas a ex-governantes, ex-deputados e ex-gestores públicos, bem como as subvenções vitalícias a ex-PR’s, passando os mesmos só a receber em conformidade com o que efetivamente descontaram para a CGA ou CNP, e  assim se pouparão cerca de 8.000.000,00€;

- Cortem 10% nos vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, adjuntos, secretários e companhia e vão poupar + ou - 1.500.000.00€;

- Reduzam 50% das subvenções estatais aos partidos políticos e pouparão + ou - 40.000.000,00€;

- Cortem, com rigor, os apoios às Fundações e bem assim os benefícios fiscais às mesmas e irão poupar + ou - 500.000.000,00€;

- Reformulem os efetivos militares dos 3 ramos da FA’s, de 38.000 para cerca de 20.000, começando por diminuir o nº de oficiais generais de 200 para 20, etc, com o que se pouparia pelo menos 40.000.000,00€;

- Aglutinem as atuais 308 Câmaras Municipais e diminuam-nas para 200, sem medo, ou, pelo menos, reduzam, em média, 1,5 Vereador por cada Câmara e irão poupar cerca de 13.000.000,00€;

- Renegociem, a sério, as famosas PPP’s (Parcerias Público Privadas) e as Rendas Energéticas e pouparão + ou - 1.500.000.000,00€.

Só nestas “coisitas”, o país reduz a despesa em cerca de 2 MIL e CEM MILHÕES de Euros.

II - Mas nas receitas também se pode melhorar e muito:

- Combatam eficazmente a tão desenvolvida ECONOMIA PARALELA e as receitas aumentarão mais de 10.000.000.000,00€;

- Procurem e realizem o dinheiro que foi tirado do BPN, começando por apreender/expropriar bens e valores da SLN e dos responsáveis pelos roubos e encontrarão mais de 7.000.000.000,00€;

- Vendam 200 das tais 238 viaturas de luxo do parque do Estado e as receitas aumentarão + ou - 5.000.000,00€;

- Façam o mesmo a 308 automóveis das Câmaras, 1 por cada uma, e as receitas aumentarão cerca de 3.000.000,00€.

- Fundam a CP, CP/Carga, Refer e outras empresas do grupo e ainda com a Soflusa e pouparão em Administrações cerca de 7.000.000,00€

Apenas nestas “coisitas” as receitas aumentarão pelo menos QUINZE MIL MILHÕES DE EUROS, sendo certo que ainda se podiam fazer contas com a redução das despesas com combustíveis, telemóveis e outras mordomias, por força da venda das viaturas, valores esses que não são desprezíveis.

Assim, é ou não possível, reduzir o défice, reduzir a dívida pública, injetar liquidez na economia, para que o país volte a funcionar? Afinal parece que há alternativa.

Ver mais em  Blog Brutos 

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Vendo, logo invisto

A recessão económica é caracterizada por  forte quebras  não só no consumo mas também no investimento, o que tem levado alguns decisores a reclamar por mais investimento, ainda que tenha que ser financiado por mais dívida externa.

Durante as décadas em que economia portuguesa sofria de baixos níveis de infraestrutura  fazia algum sentido pedir emprestado para investir (borrow to invest).  Infelizmente, algum do investimento  não foi suficientemente produtivo para reembolsar a respectiva dívida externa.  Assim, a actual crise financeira portuguesa parece não ter sido causada pela falta de investimento, mas mais pela falta de retorno, devido a criação de excesso de capacidade. 

No momento actual de 2013,  faz sentido Portugal virar-se de novo para o investimento (público) para  estimular o crescimento económico? 

Depende das previsões de vendas, sector a sector, e do retorno esperado.  
Na ausência de congestionamento de tráfego, não precisamos de mais auto-estradas nem mais rotundas, Precisamos de mais escolas? Não.  Precisamos de mais habitação? Não, precisamos é de recuperar os centros históricos das nossas cidades para rentabilizar a infraestrutura urbana existente. 
Precisamos de mais transportes públicos?  Se continuarem a ser deficitários, provavelmente não? 
Precisamos de mais educação, mais justiça, mais saúde?  Sim, desde que se demonstre melhores resultados e mais eficácia e eficiência. 

No sector privado, onde se deve investir? Nos sectores que estão a vender bem, ou que podem vender melhor, sobretudo para o exterior.  Isto implica, por exemplo, investir no marketing internacional, na certificação de qualidade antes de investir na capacidade instalada.  

O investimento depende das perspectivas de vendas. Se não conseguirmos ultrapassar as barreiras à exportação para vendermos mais no exterior e até em substituição de importações no mercado interno,    o esforço de investimento pode decepcionar.  

Investment follows sales

sábado, fevereiro 09, 2013

Fazer desaparecer a dívida, só por magia

E agora, o que é que os portugueses têm que fazer? Duas coisas:
1. Pagar as dívidas contraídas, e
2. Não deixar que se volte a acumular encargos para os contribuintes

Os economistas estrangeiros convidados  dizem que é preciso manter viva a memória do descalabro do sobre-endividamento para ficarmos "vacinados" contra a indisciplina orçamental.  


Depois de um dos maiores terramoto financeiros da nossa geração, senão da nossa história milenar, seria muito mau não mudar nada e deixar que o descalabro orçamental voltasse a acontecer. O é bastante provável se não houver responsabilização e mudanças de fundo. 

Oliveira de AzeméisReza a história que depois do terramoto de 1755, a palavra de ordem  «enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos».  

A menos que alguém faça desaparecer a dívida externa  como que por magia, ou obrigando os credores a sofrer a sua quota parte da perda.
Ou se venha a descobrir petróleo no Beato.

domingo, fevereiro 03, 2013

Apoios ao investimento e crescimento não dependem só da Banca e do Estado

Com o sector público numa cura de emagrecimento forçado e permanente, a economia só pode crescer através do sector privado.  Assim sendo, o que se pode fazer para relançar as empresas e promover o investimento e crescimento da economia real, e disto o que compete à Banca, ao Estado,  e  sobretudo aos próprios empresários e às associações empresárias sectoriais.



A Banca:

  • Orientar o crédito para o sector exportador e melhorar as condições de financiamento às empresas 
  • Reinvestir lucros para reduzir a alavancagem, que  tem permitido impolar o retorno aos accionistas, e cria uma ilusão de rentabilidade acima da rentabilidade verdadeira.
  • Aproveitar o funding especial para apoiar e reestruturar o crédito às empresas viáveis, para prazos mais longos 


O Estado:

  • Ajudar a reduzir os custos de contexto, justiça, regulação, ordenamento de território, licenciamento
  • Estabilizar o regime fiscal e reduzir, para reduzir a incerteza,  e  a carga fiscal na economia 
  • Reduzir os custos de serviços públicos de energia, de transportes 
  • Racionalizar e melhorar a produtividade da Administração Pública e dos serviços públicos 
  • Estabilizar e melhorar o desempenho do AICEP 
  • Reforçar apoios como o Fundo de Garantia Mútua, capital de risco
  • Negociar linhas especificas de crédito à exportação com os credores e parceiros comerciais externos, e a criação de um EX-IM BANK Europeu 
  • Tributar fortemente o crédito ao consumo 
  • Apoiar o investimento na  formação de gestão e de marketing dos pequenos empresários 
  • Obter apoio dos credores para melhorar a penetração de produtos e serviços portugueses. 

As empresas:

  • Ir lá vender, em vez de ficar à espera que venham cá comprar para consolidar as perspectivas de vendas 
  • Investir mais em marketing e comercialização internacional, não necessariamente nas instalações e equipamentos (importados), a menos de tenham grandes necessidades de aumentar capacidade
  • Investir na certificação de qualidade para exportar para mercados mais exigentes 
  • Recapitalizar, com reinvestimento de dividendos,  e reestruturar os créditos vincendos,
  • Melhorar e consolidar as margens de lucro 

As associações empresariais:

  • Agregar para melhorar o marketing e promoção externo para toda a fileira, para criar massa critica 
  • Potencializar os pontos fortes como a mão-de-obra qualificada e a segurança 

O que não depende de Portugal

  • O Euro demasiado forte,  USD/EUR > 1,30, comparado com os níveis iniciais abaixo de USD/EUR de 1,20 no ano 2000. 
  • Ajustamento nos termos de troca  bilateral, com partilha de sacrifícios pelos nossos parceiros comerciais, e não apenas unilateral através da "desvalorização interna" do corte de salários. 
  • Aumentar quota de mercado nos países e sectores em crescimento
Se os nossos credores não nos ajudarem a exportar e a reduzir importacões, bem podem esperar sentados pelo reembolso da dívida externa. 

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 


quarta-feira, janeiro 30, 2013

As PPP não são todas iguais

As PPP não são todas iguais, e por isso não há boas soluções globais.  Resta saber se há boas soluções individuais, pelo menos na óptica do Concedente e do contribuinte.

Alguns projectos  são basicamente viáveis,  com bons níveis de tráfego, o que produz benefícios para a economia e receita (do imposto sobre produtos petrolíferos) para o erário público.  Estes projectos bons só resultam em encargos insustentáveis para os contribuintes se a estrutura contratual for mal desenhada  (contract design) ou se os processos concursais e de acompanhamento dos contratos de concessão forem muito mal geridos, (mau desempenho do Concedente),  o que  infelizmente tem acontecido em alguns casos.  Nestes casos, pode haver problemas conjunturais criados ou agravados pela crise (como quedas de tráfego), ou pela queda do rating dos próprios bancos credores, mas o projecto aguenta se for estruturalmente são, uma vez que as perdas no curto prazo podem ser recuperadas a prazo.

Outros são projectos fracos e/ou contratos "doentes", isto é, projectos  pouco produtivos ou até desnecessários,  mal estruturados, mal geridos, ou mesmo sujeitos a uma sucessão de vários erros pegados. Nestes casos, os projetos não são viáveis e só são bancáveis à custa de todo o tipo de subsidio, apoio e garantias mais ou menos encobertas do Concedente.  Mas quando o projecto é permanentemente deficitário e alguém tem que perder dinheiro, e não deve ser sempre o Concedente/contribuinte, sob pena de continuar  a prejudicar o rating soberano da República Portuguesa que é considerado de alto risco desde o início de 2011, reflectindo em parte os riscos excessivos do Estado como Concedente.

Nestes casos, os promotores e credores podem procurar escapar ao “risco projecto”, exigindo apoios e garantias do Concedente, mas não conseguem evitar o “risco país”, que consiste em:
  • Risco   macro-económico, da procura, etc.
  • Risco de desempenho do Concedente  (de erros de gestão) contratual e orçamental, uma vez que as PPP são operações extra-orçamentais 
  • Risco de crédito do Concedente como contraparte, se este prometer apoios aos projectos, para os tornar bancáveis, que não pode depois  garantir  por serem insustentáveis em termos orçamentais,(quando a esmola é grande...)
Assim, pela ordem natural das coisas, os promotores e credores de projectos fracos  acabariam por sofrer algumas perdas, na medida em que as promessas de um Concedente de alto risco pode não servir de refugio efectivo dos falta de viabilidade económica do projecto em si, ou se o Concedente  ficar ainda  enfraquecido pelos acumulação de  encargos com projectos pouco produtivos.

Neste momento, o Estado português foi obrigado a suspender a contratação de novas PPP, e procura opções para melhorar a sua situação económica e reduzir os encargos extra-orçamentais com os  mais de 100 contratos de concessão e PPP existentes.  Curiosamente, o Estado ainda continua preocupado com questões de mera contabilização, segundo  as normas do Eurostat, pois "a  inclusão dos custos brutos das PPP e da dívida de todas as empresas do Estado classificadas fora do perímetro de consolidação levaria a um aumento significativo da dívida pública”.  Esta preocupação com a forma contabilística não nos deve distrair substancia económica e da necessidade em melhorar a sustentabilidade orçamental destes contractos que representam "dívida pública a risco".    A reclassificação de PPPs e de empresas públicas SEE  para a Administração Pública não deve ser evitada, mas sim acelerada.  Devem-se incluir já todos os  encargos conhecidos e prováveis com  PPP na dívida publica, a fim de evitar que meras questões contabilísticas continuem a distorcer decisões económicas, em face de projectos em crise e dos contratos sujeitos a reclamações multi-milionárias.  Em termos organizativos, é evidente que a DGO tem muito mais capacidade de controlo financeiro do que a DGTF.

A própria Estradas de Portugal, SA deveria deixar de ser sociedade Anónima e deveria voltar a ser um instituto público, a fim de permitir uma gestão e supervisão orçamental muito mais restritiva e eficaz, pois está mais que visto que a experiência de empresarialização não poderia ter tido piores resultados em termos de acumulação de encargos extra-orçamentais insustentáveis.

Os objectivos indicados pelas autoridades concedentes  são questionáveis no que diz respeito ao tratamento contabilistico.
• Reduzir os encargos (anuais, globais) em 30%.  O Executivo tem o objectivo de reduzir em pelo menos  em €250 milhões de euros já este ano de 2013 os encargos com as PPP rodoviárias.
• Evitar a reclassificação de alguns contratos de PPP para dentro da Administração Pública,  outra questão de  forma sobre a  substância …

As opções para a gestão da carteira de contratos de PPP e concessões incluem:

a. O Estado assumir o pagamento dívida das concessionárias, das antigas SCUT e de outras concessões, possivelmente comprando os créditos das PPP a desconto, se os bancos estiverem decididos em vender, a desconto.  Isto aplicar-se-ia  especialmente aos créditos  de muito longo com spreads inferiores a 1%, concedidos nos anos da bolha louca, que agravam os problemas de funding dos bancos.  Mesmo com o "regresso  aos mercados", os custos de financiamento da nova dívida a emitir agora pela República para pagar esta compra seriam certamente mais elevados do que muitos dos créditos originais.  A recompra de créditos poderia ser feita em todo, o que permitiria o seu refinanciamento ou extinção, ou em parte.  Os bancos nacionais que sofressem perdas devido às imparidades poderiam recorrer aos fundos de recapitalização previstos no programa de assistência externa.   Recorde-se que o BEI raras vezes aceitou risco-projecto, por isso estaria a salvo desta perdas.   

b Antecipar a reversão das concessões para o Concedente, através de resgate, recompra do contrato de concessão ou outra formas de renegociação.  Naturalmente, os concessionários os privados não querem abdicar das mais-valias futuras  e contariam em ser compensados pelos “lucros cessantes”,  mesmo no caso de projectos deficitários (ver o caso do hospital Alzira, Valencia cerca 2003).

c. Tributar a 100% os lucros das PPP acima dos TIR previstos inicialmente, estimando que isto pode render €120 milhões/ano

d. Introduzir portagens em tudo que é sítio, com mais 15 pórticos automáticos de cobrança de portagens,   criando ainda mais distorções económicas   e dando azo a ainda mais reclamações por desvio de tráfego, sobretudo da parte de estradas de ligação.

e. Moderar exigências técnicas, como por exemplo   aumentar em 20% o limite de carros a partir do qual é exigido o alargamento da via, reduzir exigência de protecção contra o ruído e poupar nas grandes reparações, o que poderia permitir alguns reequilíbrios a favor do Concedente.

f. Reduzir a remuneração TIR dos accionistas, para o mesmo ou maior nível de risco, partilhando assim os sacrifícios com os parceiros

g.  Prolongar o termo da concessão, para reduzir os encargos anuais, o que exigiria encontrar investidores e credores dispostos a aumentar os prazos dos seus financiamentos, pouco provável na actual conjuntura.

Se não houver acordo entre as três partes, o Concedente, o Concessionário e os Credores, as renegociações em curso dos  15 a  20 contratos de PPP,  cujos acordos finais vão precisar de visto prévio  por parte do Tribunal de Contas (TdC), podem acabar por serem decididas por tribunais arbitrais, o que pode ser ainda mais imprevisível e oneroso para o contribuinte.

De facto, a maior parte destas supostas "soluções" abrem oportunidades de renegociação e reclamação que podem ser muito bem aproveitadas para transferir riscos do projecto das concessionárias para o Concedente.

Mas, no final de contas, alguém tem que sofrer as perdas, e não pode ser só o contribuinte a receber a factura, ainda por cima não-descriminada. De facto, a primeira medida a tomar para melhorar a gestão e reduzir os riscos orçamentais nas  PPP é seguir as boas praticas recomendadas pelo Banco Mundial e fomentar a transparência,  divulgando todos os detalhes relevantes para o contribuinte, a fim de reduzir a opacidade de que fala Timothy Irwin, essa que foi uma das grandes causas da nossa desgraça.

E a transparência, o escrutínio, e a prestação de contas,  (accountability)  são imprescindíveis  para a boa gestão financeira e orçamental.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

Ver mais em Transparency essential for good PPP performance, based on best practices of disclosure as recommended by the World Bank  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/07/transparency-essential-for-good-ppp.html
Ver também Timothy Irwin http://ppplusofonia.blogspot.com/2009/07/timothy-irwin-on-how-to-manage.html