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segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Vendo, logo invisto

A recessão económica é caracterizada por  forte quebras  não só no consumo mas também no investimento, o que tem levado alguns decisores a reclamar por mais investimento, ainda que tenha que ser financiado por mais dívida externa.

Durante as décadas em que economia portuguesa sofria de baixos níveis de infraestrutura  fazia algum sentido pedir emprestado para investir (borrow to invest).  Infelizmente, algum do investimento  não foi suficientemente produtivo para reembolsar a respectiva dívida externa.  Assim, a actual crise financeira portuguesa parece não ter sido causada pela falta de investimento, mas mais pela falta de retorno, devido a criação de excesso de capacidade. 

No momento actual de 2013,  faz sentido Portugal virar-se de novo para o investimento (público) para  estimular o crescimento económico? 

Depende das previsões de vendas, sector a sector, e do retorno esperado.  
Na ausência de congestionamento de tráfego, não precisamos de mais auto-estradas nem mais rotundas, Precisamos de mais escolas? Não.  Precisamos de mais habitação? Não, precisamos é de recuperar os centros históricos das nossas cidades para rentabilizar a infraestrutura urbana existente. 
Precisamos de mais transportes públicos?  Se continuarem a ser deficitários, provavelmente não? 
Precisamos de mais educação, mais justiça, mais saúde?  Sim, desde que se demonstre melhores resultados e mais eficácia e eficiência. 

No sector privado, onde se deve investir? Nos sectores que estão a vender bem, ou que podem vender melhor, sobretudo para o exterior.  Isto implica, por exemplo, investir no marketing internacional, na certificação de qualidade antes de investir na capacidade instalada.  

O investimento depende das perspectivas de vendas. Se não conseguirmos ultrapassar as barreiras à exportação para vendermos mais no exterior e até em substituição de importações no mercado interno,    o esforço de investimento pode decepcionar.  

Investment follows sales