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sexta-feira, julho 19, 2013

O que tem de ser tem muita força ... para sair da crise


http://videos.sapo.pt/7t4a2NSYR41BOBvJ0HWQ
DESCRIÇÃO A análise de Mariana Abrantes de Sousa, António Gaspar, Mário Caldeira Dias e Rogério Fernandes Ferreira, num debate conduzido por Catarina Tavares Machado. "Conselho Consultivo" de 19 de Julho de 2013.

Na gestão da crise de sobre-endividamento externo dos países mais fracos da Eurozone, o que tem de ser tem muita força, embora leve tempo aos políticos  aos eleitores, e sobretudo aos credores, "cair na real".  

Com as negociações   em curso entre os "partidos do arco do poder" em Portugal,  visando um suposto acordo de salvação nacional por insistência do Presidente da República,  parece que entrámos numa nova fazer da crise, a Negociação 
(ver  Negação, Fúria, Negociação, Depressão, Aceitação http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/04/like-one-armed-midgets-ireland-and.html. )

O país, e os seus credores no mercado financeiro, aguarda com ansiedade que os principais partidos cheguem a um acordo profundo e alargada para a reforma profunda do Estado, a reestruturação do sector publico e a promoção da competitividade da economia portuguesa.

E parece que os outros  partidos com  representação Parlamentar estão dispensados, pelo próprio Presidente da República,  do corrupio entre o Rato,o Caldas e a Lapa.  Ser Deputado de um partido pequeno é mesmo o melhor “job” em Portugal, rendimento garantido e responsabilidade politica quase nula.  Já agora; duvido que a ideia de "partidos do arco do poder" seja um conceito constitucional.  O conceito verdadeiro são os "partidos com representação parlamentar".  Serão 5 ou 6, perdi a conta pois  parece haver partiditos que se desdobram para ter mais financiamento e mais tempo de antena no Canal Parlamento.  

Neste projecto ambicioso mas complexo e delicado de colocar o país no caminho certo da prosperidade sustentável, Portugal precisa de um "club deal", isto é do compromisso firme e do contributo do todos os partidos políticos e de todos os parceiros. 
(ver Club deals the norm http://ppplusofonia.blogspot.pt/2008/10/club-deals-now-norm-in-project-finance.html)

Sem um pacto de não-agressão entre os partidos, baseado num consenso alargado sobre os princípios e medidas fundamentais,  nenhum politico, qual marinheiro de água doce, terá coragem para fazer o que precisa de ser feito. Talvez  por isso o Presidente da República tenha ido às Ilhas Selvagem, para demonstrar que temos que sair da nossa zona de conforto.  
  • Mas afinal, quem quer governar este "país da carochinha", para parafrasear uma das piadas ouvidas no Canal Parlamento, em que muitos privilégios inconfessados são defendidos como se fossem direitos fundamentais
  • Quem tem coragem e  capacidade de comunicação e mobilização para ser o mensageiro da desgraça da desgovernação acumulada ao longo de décadas? 
  • E precisamos de uma coligação a dois, a três, a cinco ou a seis? 
  • Ou seria melhor um governo de gestão sem ambições eleitorais, já que qualquer governante que faz apertar o cinto fica queimado politicamente?
  • Estaremos a condenados a entender-nos
Certamente estamos condenados a continuar com a austeridade e com cortes permanentes no Estado e na despesa pública, porque os credores não vão voltar a abrir os cordões à bolsa. Alguns políticos continuam em negação a este respeito.  Mas a austeridade é apenas uma condição necessária e não suficiente para o ajustamento económico. O sector privado, e alguns organismos do sector público, já estão a trabalhar para reforçar a competitividade da nossa economia, mas as reformas do Estado e da economia precisam de ir muito mais a fundo. E os esforços actuais não bastam, pois  vemos que nem redução dos défices externos tem sido suficiente para reconquistar a confiança dos mercados financeiros. 

E é isso que torna um acordo multi-partidário ainda mais premente, uma frente comum perante os credores externos.  Precisamos de renegociar as condições de reembolso de dívida, prazos mais longos, taxas mais baixas.  O regresso aos mercados é mais uma ilusão promovida pelos credores, enquanto  a dívida externa se mantiver em níveis, insustentáveis, acima de 100%.

Mas temos mesmo que garantir a protecção aos aforradores locais, até ao Fundos de Estabilização da Segurança Social.  A promoção da poupança doméstica é um dos elementos essenciais de qualquer solução para a crise de  Eurozone, mas que as autoridades europeias ainda não levam a sério.  Falta um Seguro Europeu de Garantia de Depósitos.  E há que minorar os riscos de eventuais haircuts virem a aplicar-sr também aos investidores e depositantes locais, que não fizeram parte do problema e têm que fazer parte da solução, paira sobre todos nós.  Como se viu com o exemplo de Chipre, sem uma redução do endividamento externo, com protecção assimetrica dos investidores locais, não haverá bailout que aguente, e o sistema financeiro da Eurozone ainda corre o risco de implodir,  

Porque é isso que está em causa:  Como restaurar a sustentabilidade de uma união monetária em que os parceiros ficaram sem os instrumentos essenciais para o  ajustamento económico, sem estabilizadores automáticos,  e parecem condenados a uma divergência crescente e, portanto, insustentável
(ver Eurozone tests the limits of Divergence http://ppplusofonia.blogspot.pt/2011/12/eurozone-crisis-tests-limits-of.html)

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia