Tradutor

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Explica-me a vinda do FMI como se eu fosse uma criança de 8 anos

Devemos recorrer ao FMI em 2011 para ajudar a resolver os nossos problemas de endividamento? 

Faz de conta que Portugal é uma pessoa pré-diabética, de constituição e economia frágil, que se deixou viciar em "bolas de Berlin", isto é, em importações.    Cada vez mais dependente das bombas de açúcar importadas, e fiadas, os sintomas de doença económica não tardam em aparecer,  as tonturas, a obesidade, isto é, os défices, o endividamento, a estagnação económica, etc. 

Os familiares e vizinhos apontam o dedo ao comportamento doentio do "importador compulsivo", e recomendam  cortes nas importações das ditas "bolas de Berlin".  Os fornecedores ameaçam deixar de fiar, mas  não há maneira  do "importador compulsivo" cortar o vício das importações e mudar de vida.
Pelo contrário, quando o Governo anuncia que vai subir a tributação dos "bólides de Berlin", os consumidores tocam a enfardar Audis e BMWs antes que aumentem os impostos.  

Então chama-se o "grande médico internacional", o dr. FMI, tão assustador como prometedor, que vem impor uma dieta rigorosa, cortando com as doces importações e outros maus hábitos financeiros.  

Será que precisamos do "dr. FMI"  para (1) diagnosticar os males do abuso de importações e do crédito externo que nos afligem,  (2) para recomendar a receita, ou até (3) para a conseguir aplicar

Será que devemos estar assustados ou esperançados com a eventual vinda do FMI?
Nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário.  

Portugal a viver fiado, dependente de importações e de dívida externa, é como um comedor compulsivo dependente de doces e de bombas de açucar.   Se não aprendermos controlar a nossa "dieta", a governar a nossa própria casa, de pouco nos vai adiantar que venha o maior especialista de fora a  impor temporariamente uma dieta, a cortar nas importações e a cortar no endividamento.  Quando ele virar as costas, voltaremos aos maus velhos hábitos.  Isto é, continuaremos em viver de crise em crise.

VER Portugal e o FMI  
Fonte: Público; Visão

Ver também:
Explica-me o OE como se eu fosse uma criança de 8 anos
Explica-me a Balança Comercial como se eu fosse um estudante de economia de 18 anos