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segunda-feira, setembro 10, 2012

Consumo/PIB continua insustentável


While reeling from economic austerity packages which pack an ever bigger punch, the Portuguese must  continue to “mind the gap”created by historic excessive consumption.

Considerando que as medidas de austeridade cada vez mais severas vão deixando os portugueses cambaleantes e desorientados, convinha recordar a origem fundamental da crise:  o Consumo excessivo que se mantém acima de 86,4% do PIB, um nível francamente insustentável quando comparado com a média da Eurozone (a 17) de 78,9%. 

Já não se chamam PECs, Programas de Estabilidade e Crescimento, os pacotes de medidas anunciadas periodicamente pelo Governo, mas nem por isso pesam menos no bolso dos portugueses.  De Março 2010 a Março 2011, o Governo Socialista foi anunciando pacotes de medidas económicas, do PEC I  ao PEC IV, que apesar de tímidos levaram à mudança politica e à entrada da nova coligação PSD/CDS para o Governo, depois das eleições de Junho 2011.  

Desde então, o agravamento da crise económica portuguesa vem-se contando pelas visitas trimestrais da Troika, desde a assinatura em Maio 2011d o Memorando de Entendimento com o FMI, o ECB e a EC, pelo Governo cessante, mas com apoio multipartidário. 

A actual visita, a Troika V, coincide com as más notícias do desempenho orçamental do primeiro semestre de 2012, o que levou o Governo a anunciar o pacote da desgraça, que vai eliminar, provavelmente de uma vez para sempre, cerca de 7% do rendimento de quase todos os portugueses.

Enquanto se discutem as consequências económicas e políticas, seria bom ponderar se estas medidas serão ainda suficientes para eliminar o diferencial do Consumo/PIB entre Portugal e os seus parceiros, ou se será necessário continuar a apertar o cinto até reduzirmos o C/PIB para abaixo dos 80%.  Esta é a meta verdadeira ainda que inconfessada.

E os constitucionalistas, da rua do Século a Karlsruhe, poderiam bem reflectir mais sobre a (in)constitucionalidade das causas do excesso de crédito e do sobreendividamento, do que das suas consequências.

Pelos menos, podemos dizer que Portugal está no bom caminho, já que reduziu o diferencial excessivo de Consumo/PIB de  10 p.p. em 2007 para 7,5 p.p. em 2011.  Entretanto, a Grécia viu o seu indicador de Consumo/PIB agravar de 90,7% para 92,9%, uma divergência claramente insustentável.  A Espanha também agravou o Consumo, mas apenas de 76,7% para 78,5% do PIB .  A Irlanda continua bem abaixo da média, com um Consumo/PIB que reduziu de 69,8% para 67,9%. 

A Estonia, que é apontada como o com o exemplo de boa gestão económica pelo Vice Chancellor alemão, reduziu o consumo para apenas 70% do PIB.  

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 
9-Sept-2012