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quinta-feira, dezembro 24, 2009

O Euro Forte em tempo de crise

A crise financeira parece estar a afectar mais alguns países da Euro-area do que outros, na medida em que os mercados avaliam a competividade económica e a sustentabilidade orçamental de uma forma diferenciada.

Segundo alguns analistas, boa parte do problema resulta da politica do "Euro Forte" que tem sido seguida pelo ECB desde a criação da moeda única, e antes disso pelo Bundesbank. O câmbio EUR/USD, que rondava 1,011 em Dezembro 1999, está agora em 1,4230 uma década depois.

Segundo os HCI (Indicadoes Harmonizados de Competitividade) calculados pelo BCE de 1999 a Nov-2009, a Euro-area perdeu alguma competitividade desde a fixação do Euro em 1999, quer em termos do CPI (preços ao consumidor) quer em termos do GDP-deflator (deflacionador do PIB).


No entanto, as tendências intra-europeias mostram bastante divergência. A Alemenha até conseguiu melhorar a sua competividade, enquanto outros países como a Irlanda e a Grécia perderam bastante competitividade. São estes "países da Coesão", que beneficiaram mais da convergência das taxas de juro, da alavancagem, e dos fundos estruturais da EU, que agoram estão a ser mais penalizados pelos mercados financeiros.

O "Euro Forte" estará forte demais, estará sobreavaliado?

Depende bastante da perspectiva de cada país membro.

Mas o tempo das desvalorizações sucessivas passou à história, deixando poucas saudades. Importa recordar que estes indicadores de competitividade HCI também apontam para alterações relativas dentro da Euro-area, problemas que não se resolvem com alterações do cambio USD/EUR, mas sim com ganhos de produtividade.
ECB's Harmonised Competitiveness Indicators point to considerable intra-euro divergence.
For countries like Germany, France, the Netherlands, Belgium, the Euro is still quite competitive relative to the USD. For other countries like Ireland, Spain, Greece, Portugal, the strong Euro further aggravates external imbalances and productivity gaps.
This is why some analysts recall the concept of optimal currency zones to suggest that the strong Euro is part of the problem, rather than a part of the solution to the financial crisis. But the time of successive devalutions is long past, thankfully.