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sexta-feira, maio 17, 2013

Curso intensivo para contribuintes - consumo

Os cortes nos salários e nas pensões públicas têm um objectivo imediato:  reduzir o consumo dos portugueses.  Isso não mata, mas mói, e muito.  No mínimo, acaba com as ilusões da vida boa.

Para compreender a justificação destas medidas  drásticas de austeridade, basta ver um dos gráficos da Pordata , e recordar as contabilidade nacional.
 Cp + Ip + G + X - M = PIB, em que:
Cp -consumo privado
Ip - investimento privado
G - Governo, despesas do Estado
X - exportação
M - importação
Em Portugal, mais consumo implica sempre mais importações pois importamos de tudo, por isso parte do aumento do consumo interno não se reflecte no PIB (leakages).

Portugal tem um rácio de Consumo total / PIB dos mais elevados da Europa, 84,5%, acima da Espanha com 79,4% e da média de 80% dos E U-27.

A França reporta um rácio de Consumo Total / PIB de 82,4% bem acima dos 77% da Alemanha, tal cigarra extravagante e tal formiga frugal.

O nosso consumo privado representa 66,3% do PIB em 2012, quase 9 pontos acima na média de 57,5% da Eurozone-17, e da EU-27 com 58,3%, da Espanha com  59.%.  

E o consumo privado português, que ainda mal descolou do pico de 66,8% do PIB em 2008,   tem-se mantido consistentemente  elevado, há anos, um desvio em  relação aos nosso vizinhos que a crise revelou ser insustentável.   Acima de nós, praticamente  só a Grécia.

Este dificuldade em aumentar a poupança e reduzir o consumo, depois de quase 3 anos de recessão  devia servir de aviso à navegação dos que reclamam a retoma do estímulo ao consumo interno e às grandes empresas portuguesas que são,  na sua  maioria, importadoras.

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia