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domingo, janeiro 27, 2013

Depressão económica do meu vizinho é pior que a minha

Qual é a diferença entre uma depressão económica  e uma mera recessão?
Uma recessão é quando o meu vizinho fica desempregado, uma depressão é quando eu fico desempregado.

Pelos critérios deste piada gasta, a nossa vizinha Espanha, com "el paro" superior a 26%,  está a sofrer uma recessão há mais de 21 trimestres ainda mais profunda de que em Portugal, com desemprego de "apenas 16%".  As diferenças regionais são ainda mais pronunciadas, com 16 das 52 províncias reportando desemprego superior a 30%.   Em Andalucia, Extremadura, Canarias y Castilla La Mancha, a periferia da periferia, os números acabam por se inverter e são as taxas de emprego que rondam apenas 30 a 40%.

Uma observação interessante é que o País Basco, cuja capital Bilbao ganhou um Prémio Europeu de boas práticas na Administração Pública por conseguir chegar a dívida zero, tem desemprego de menos de 16%.  Sugere que quanto menor a bolha de crédito, menores osestragos quando rebenta, ao contrário do que aconteceu em Cataluña e Valencia, as Comunidades mais endividadas.   Com o endividadmento do sector público, esta é uma das primeiras crises onde também há grande destruição de emprego público, e não apenas privado.  Eis boa matéria para estudar se a correlação entre sobre-endividamento  e desemprego implica causalidade!

Como em todo lado, a drama do desemprego espanhol é ainda maior para os jóvens (paro de 40% abaixo dos 30 anos), mulheres e desocupados de longa duração, há mais de 12 meses (55% do total). Será que Espanha consegue dar a volta a  "el drama del paro" sózinha, com medidas diversas?

Soluções de longo prazo
  • Entrada de capitais estrangeiros para investimento produtivo e com elevado valor acrescentado nacional, o que está prejudicado pela cada vez mais elevada carga fiscal e pela impossibilidade de desvalorizar para tornar a produção local mais competitiva na exportação
  • Enquadramento laboral mais competitivo, talvez com um "contrato de trabalho europeu"
Soluções transitórias e temporárias de curto prazo
  • Politicas activas de emprego, para reciclar e formar profissionalmente  especialmente ex-trabalhadores de baixa qualificação como os da construção 
  • Favorecer a mobilidade dos trabalhadores, entre regiões e países num "mercado laboral único europeu"
  • Medidas temporárias de criação de emprego, tipo WPA americano de 1935
No entanto, a depressão económica de maior ou menor dimensão está quase exclusivamente concentrada   nos países importadores e devedores (sobre-endividados) e por isso ainda preocupa pouco os principais decisores europeus dominados pelos países exportadores e credores.

O New Deal americano lançado por Roosevelt era um programa federal, pois a recessão afectada quase todos os Estados Unidos, apesar de alguns estados como Oaklahoma sofrerem bastante mais. Mas a Europa como um todo não está em depressão e nem sequer em recessão, está apenas em divergência muito acentuada e praticamente sem mecanismos de reequilíbrio  pois os custos de ajustamento depois do rebentamento da bolha de crédito estão a ser suportados quase inteiramente pelos devedores.

O paralelo americano é mais a divergência económica dos 1850s do que quebra generalizada dos 1940s.
Parafraseando o velho ditado, com a desgraça dos meus vizinhos convivo eu bem. Mas até quando?

Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia

Fonte:  economia.elpais,com, http://economia.elpais.com /economia/2013/01/24/actualidad/1359030144_508502.html,
 mapa regional http://elpais.com/elpais/2013/01/24/media/1359021100_446241.html
correlação e causalidade entre sobre-endividamento e desemprego   http://10envolver.wordpress.com/2012/02/16/cuidado-nem-tudo-o-que-parece-e/

DESCRIÇÃO: A análise dos comentadores Etv, Mário Caldeira Dias, Mariana Abrantes de Sousa e Rogério Fernandes Ferreira, num debate conduzido por Sandra Xavier. "Conselho Consultivo" da ETV de 25 de Janeiro de 2013
http://videos.sapo.pt/Kfz5sm1uYtFpqyFBc1eN