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sábado, agosto 25, 2012

LISBOR indexante de outras eras

(see in English below)
Os indexantes de taxas de juro, ou as taxas de referência do mercado monetário inter-bancário,  são um instrumento essencial  para um mercado financeiro eficiente, pois permitem a contratação de financiamentos a longo prazo com base em taxas de juro de curto prazo renovadas automaticamente.

Para isso, o indexante tem que ser considerado credível por todos os participantes do mercado, tanto os investidores como os emitentes de obrigações de taxa variável.

Em 1992, com um mercado financeiro pequeno e ainda incipiente, havia em Portugal vários indexantes, TRO, DP's, APB,  BTs, ..., cada um menos fiável que o anterior.   Por isso, foi criada a LISBOR, a Lisbon Interbank Offered Rate que prometia cumprir os requisitos de um bom indexante, sendo
  • uma taxa efectuada ou  firme, (vinculativa), não meramente indicativa
  • representativa de um mercado com numerosos participantes, sem monopolista nem monopsonista
  • com prazos e riscos homogéneos e previsíveis, e
  • conveniente para a maioria dos investidores e emitentes.
Naquele tempo, um artigo publicado na  Revista Valor identificou-se como modelo a taxa dos empréstimos cristais (RUF- revolving underwriting facility) que eram determinadas em leilão. No artigo já se referia como garantir a credibilidade e fiabilidade da LISBOR:  "ao definir uma nova taxa de referência, seria necessário criar mecanismos de auto-regulação do mercado para minimizar o risco de distorção e manipulação".  Quanto o Escudo foi substituído pelo Euro, houve substituição do indexante LISBOR pelo indexante EURIBOR.

As recentes notícias sobre as irregularidades na formação da taxa de juros LIBOR (rate-rigging scandal) demonstram como é importante aplicar e respeitar sempre estes bons princípios, mesmo nos mercados financeiros ditos mais sofisticados como o de Londres e nas taxas de referências mais utilizadas em todo o mundo.

Fonte:  Mariana Abrantes de Sousa, 1992, Lisbor, Indexante para Nova Era, Revista Valor https://dl.dropbox.com/u/13583205/Abrantes%201992%20Lisbor%20Indexante%20para%20Nova%20Era%20Revista%20Valor.pdf
e  Euribor menos representativos das taxas inter-bancárias


The base interest rates, the reference or inter-bank money market rates, are an essential tool for an efficient financial market as they allow the contracting of long-term loans  and bonds based on  short-term interest rates reset automatically each 90 or 180 days. 

The base interest rate in a given market has to be considered credible and reliable by all market participants, both investors and issuers of floating rate bonds, lenders and borrowers 

In 1992, with a small and incipient financial market,  Portugal had  several interest rate benchmarks, TRO, DP's, APB, BTs, ..., each less reliable than the other. The creation of  LISBOR  -  he Lisbon Interbank Offered Rate -  promised to fulfill the requirements of a good reference interest rate, namely 

  • a transacted rate, or firm (binding), not merely indicative
  • representative of  a market with many participants and  without any monopolist or monopsonist 
  • with  homogeneous and predictable tenors and risks, and
  • convenient for most investors and issuers.

At that time, an article published in Revista Valor identified  as the underlying model of Escudo interest rates,  the rated charged by banks on  "cristal" loans  (RUF-revolving underwriting facility)  to top rated corporate borrowers, since they  were determined at auction by a tender panel, each 90 or 180 days.    The article cited above also referred the need to ensure the credibility and reliability of LISBOR: "to set a new benchmark, it would be necessary to create mechanisms for self-regulation of the market in order to minimize the risk of distortion and manipulation." As the  Escudo was replaced by the Euro,  LISBOR was replaced by  EURIBOR.

Recent reports of the irregularities in the formation of the LIBOR interest rate (rate-rigging scandal) show how important it is to apply and respect these good  market governance principles, even in the most so-called sophisticated financial markets  such as London and for the mostly widely used references rates.   

Most emerging markets  could benefit from this LISBOR model in order to facilitate long term local currency lending. 

Mariana ABRANTES de Sousa 
PPP Lusofonia