Portugal é (um dos) países mais endividados da Europa
Até meados dos anos 1990s, havia pouca experiência de crédito em Portugal. Assim esta é a
primeira geração a ter acesso fácil ao crédito, fora do antigo “rol de fiados”
na mercearia do bairro.
Por isso somos novatos no crédito. E como um motorista inexperiente ao
volante de um Ferrari, somos um “perigo na estrada”.
- O crédito automóvel
era proibido até 1992-3
- O crédito à
habitação era muito escasso e condicionado.
Em 1992, mais de metade das casas vendidas eram pagas a pronto pagamento
- O crédito ao consumo e os cartões de crédito eram sujeito a
um imposto do selo especial superior a 7%.
Agora vamos ter todos que fazer uma desalavancagem forçada,
vamos ter que voltar a esses tempos, reaprendendo as lições fundamentais da literacia financeira.
Mariana ABRANTES de Sousa
PPP Lusofonia
Mariana ABRANTES de Sousa
PPP Lusofonia
As questões financeiras podem ser organizadas em cinco grandes temas:
1. Orçamento familiar, rendimentos e despesas e gestão de prioridades Só 25% das crianças têm semanada ou mesada, as outras “vão pedindo”, por isso não aprendem a gerir o seu orçamento. Agora é necessário reduzir no consumo supérfluo, mantendo o investimento. Por exemplo, uma ida ao dentista é um investimento na saúde, uma ida ao cabeleiro é consumo não essencial.
2. Gestão de riscos financeiros, como as taxas de juro variável no crédito à habitação, quedas inesperadas nos rendimentos, perda de clientes, desemprego, doença, através de seguros, ou através um bom pé de meia para aguentar os maus momentos
3. Gestão do crédito e do endividamento em função do rendimento disponível e da taxa de esforço, prestação sobre o rendimento mensal (rácio de cobertura de serviço de dívida) e da alavancagem, passivos totais sobre o rendimento disponível anual. A divida de particulares (household debt) representa 140% fo PIB, o faz de Portugal um dos países mais endividados da Europa. Em parte, isto reflecte os elevados níveis de crédito à habitação, para casa própria e também para habitações secundárias. Diz-se que os gerentes bancários tinham objectivos para fazer crédito, mas não para angariar depósitos.
Neste momento, muitas famílias não conseguem continuar a pagar o crédito à habitação e vêm-se obrigadas a entregar a casa ao banco, uma dação em pagamento. Mas se o valor da casa for inferior ao saldo em dívida, há bancos que obrigam o mutuário a contratualizar o remanescente como um crédito pessoal, com fianças e taxas elevadas. Nos Estados Unidos, os clientes "subprime" conseguem livrar-se da dívida excessiva com o mecanismo de "short sale", um tipo de bancarrota parcial que obriga os credores a partilhar a perda de valor do bem financiado. Adicionalmente, o crédito ao consumo deveria voltar a er fortemente restringido. A palavra de ordem para os cartões de crédito é: CORTAR.
4. Poupança, pois o que conta não é o que se ganha, mas sim o que se guarda. É preciso poupar, isto é deixar de consumir, para investir, para aguentar os altos e baixos, para poupar para a terceira idade, inclusive para suportar algumas despesas de saúde. Não podemos depender totalmente do Estado, da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde, temos que ter alguma autonomia financeira. É necessário promover a poupança com taxas de juro de depósitos positivas em termos reais, e com um fundo de garantia de depósitos que deveria ser europeu e não apenas nacional.
5. Numeracia, precisamos de aprender ou reaprender a fazer contas, neste país de baixo aproveitamento a matemática. Saber calcular o montante das prestações, juros sobre juros, custo total. Um estudo de Gerardi, Goette e Meier (2010) para o Fed Atlanta encontrou uma grande correlação negativa e entre a capacidade numérica do mutuário "subprime" e várias medidas de crédito mal parado. Todos os mutuários "subprime" eram, por definição, pessoas com mau historial de crédito, propensos a problemas financeiros, mas nem todos entraram em incumprimento. O estudo revelou que o que faz a diferença são os conhecimentos básicos de matemática do mutuário. Os mutuários que reprovaram num teste simples de matemática eram muito mais propensos a deixar de pagar os seus créditos, talvez por não saberem bem "deitar contas à vida". Teste a sua numeracia aqui.
Em resumo, podemos bem recuperar a literacia financeira patente nos provérbios e ditados populares.
- Quem compra o que não pode, vende o que não quer
- Quem tudo quer tudo perde
- Poupe hoje, ou trabalhe amanhã
- Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão...
PPP Lusofonia
Fonte: ETV http://tv.economico.pt/
Ver também APB Educação Financeira, Estudo da Fed Atlanta sobre o crédito subprime,
Inquérito do BdP à literacia financeira ; Conferência sobre literacia financeira;
Plano Nacional de Literacia Financeira ; literacia financeira no mundo,
DECO , SEFIN ; OCDE Espanha, OECD Gateway for Financial Education ,
Mediador de Credito, http://www.mediadordocredito.pt/SiteCollectionDocuments/literacia_financeira.pdf
Blog on financial literacy http://annalusardi.blogspot.com/
Large segment of American K-12 student population is not being exposed to #economicsand #personalfinance education bit.ly/CEEsurvey2011
See financial literacy seminar series http://business.gwu.edu/flss/






