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sábado, agosto 21, 2021

Trade not aid: comprar é melhor que dar, mas alguns só querem vender

Um artigo em The Economist de 31-Julho-2021 recorda as teorias de  crescimento económico baseado na industrialização e no comércio internacional

A transição da economia agrária, para a economia industrial e depois para a economia de serviços parecia a caminho natural para o desenvolvimento económico;  os trabalhadores rurais excedentários tornavam-se mais produtivos nas fábricas exportadoras, e educavam os seus filhos e netos para a economia de serviços passando a importar produtos de outros países de salários mais baixos. 

China Balance of Trade 25 years
Segundo o artigo, a China resistiu a esta tendência de diversificação porque optou por uma politica de auto-suficiencia. A sua economia continua muito mais dependente do sector industrial do que seria de prever de acordo com os seus níveis de rendimento. 

Germany Balance of Trade 25 years 
Mais do que a auto-suficiencia, esta contenção das importações reflete uma cultura de "exportação uber alles" dos países que fazem tudo para defender os seus excedentes comerciais internacionais. 

Crescer por via das exportações era mal visto como um politica comercial predadora de "beggar-thy-neighbor" que passou agora a ser praticada pelos grandes países exportadores  e que parece ter-se tornado aceitável nesta era de divergencias e 
desequilibrios persistentes
no comércio internacional.

Resta recordar que o impacto destas políticas para os pequenos países importadores com economias frageis é bastante mais negativa, para quem a convergência económica por via da industrialização vai ficando cada mais distante.  O empobrecimento persistente instala-se em alguns países em desenvolvimento em Africa e em muitos outros que nunca conseguem  "apanhar o comboio" dos outros.

China ...Germany 
Current Account as Pct GDP
Noutros tempos, a politica de exportar, Exportar, EXPORTAR chamava-se mercantilismo e não era bem vista. 

Neste contexto, para muitos países, a promessa de convergência e a conversa de "inclusive growth" acaba por ser mesmo só... conversa. 

domingo, julho 26, 2020

Adapt or Die – to make 2020’s the Double Adaptation Decade

When the Green Climate Fund was envisioned in 2010, it was designed to allocate its funding of climate actions 50% to Mitigation projects and 50% to Adaptation projects, in a two-pronged approach to overcoming the “crisis of the XX Century”.

Mitigation projects were always easier to identify, formulate, finance and implement: A new wind farm here, a PV solar mini-grid there, better public transportation, proper sanitary land-fills, less consumption of meat from beef cows and other burping animals…

And Mitigation projects were easier to scale up and centralize, as promoters and investors implemented bigger and bigger capital-intensive “utility-sized” PV solar farms, from the initial 11 MW in Serpa, Portugal in 2011, to the 500 MW  Ouarzazate complex in Morroco in 2018 and more since.

By contrast, Adaptation projects are the poor relation of Climate Finance, being people-intensive, requiring local solutions and behavioral changes village-by-village, such as a new water source, new climate-resistant seeds, new irrigated agriculture, new climate-adapted school buildings and covered schoolyards, new water, and sanitation WASH practices. In complex countries like Peru, I saw how difficult it was just to take the first steps, to identify local needs and to structure local options

Lo-and-behold, (eis senão quando), the  new Covid-19 mass confinement arrives in March 2020 to temporarily facilitate Mitigation and reduce greenhouse gas emissions. But the Covid-19 health crisis permanently complicates Adaptation and protection of the most exposed and vulnerable populations from increased risks, worsening living conditions and more difficult resilience.

How can we cope with so many intertwined crises, when we hardly understand all their ripple effects and consequences as “pebbles thrown in the pond” become boulders?

>Climate crisis >



>Covid-19 health crisis>

>Confinement economic crisis>

>Unemployment and poverty crisis>

>Social services safety net crisis >

> Government budgets and debt crisis>

> Social conflict crisis>

> Political polarization crises>

>International conflict crises...

In 2020, the year of all crises, it seems we need to rethink (absolutely) everything, from intercontinental air travel, to having grand-parents around to help with child-care in 3-generation family homes.  

To get through it all, we will need to Rethink Everything to make the 2020’s Adaptation Decade

for example...Urbanization and fast-growing cities, trends are likely to change.

Urban growth is likely to slow down as 2020 Smart Cities may need to reduce, not increase, density and traffic. Double adaptation to Covid-19 and to Climate Change suggests less population density and less frequent travel, less daily commuting, with people staying more time in self-contained communities, with more open spaces and fewer  huge shopping malls,  working closer to home, delivering and receiving more services on-line, concentrating  transportation mostly in essential goods, single-family road trips, etc.

Adaptation is not optional, never has been.  #Clima, #Covid-19, #Adaptação 

Mariana Abrantes de Sousa

Senior Project Finance Specialist

See article on 2020's the Adaptation Decade 

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Universidades iluminam duas vezes para conhecer melhor Portugal

Diz um ditado popular que a "candeia que vai à frente ilumina duas vezes", para a frente e para trás. 

Faz parte do contributo que esperamos da academia, trabalhar para tornar o futuro melhor, mas nem todos os académicos são visonários.  Muitos catedráticos também vão em modas, também se limitam aos seus próprios interesses mais imediatos. 

Resultado de imagem para politécnico viseu
Por isso faz sentido a sociedade e o governo passar alguns TPCs (trabalhos para casa)  aos alumos e professores para que estudem os problemas mais importante do país, e dos contribuintes que lhe pagam os salários e as bolsas. 

Parabéns ao Ministério do Ensino Superior pelo novo programa “Conhecer Portugal”, que vai atribuir  mais de 1.500 bolsas a estudantes que se desloquem para o Interior por períodos de três a seis meses. Seria bom  prepararem trabalhos empíricos sobre as regiões e populações mais esquecidas, trazendo novos contributos e criando novas ligações. 
Ver  https://www.publico.pt/2020/02/26/sociedade/noticia/programa-conhecer-portugal-1500-bolsas-va-interior-1905614

Cerca de 2003, perguntei a um professor de uma notável universidade pública de Lisboa, se havia professores ou alunos a estudar o "Mercado Espanhol", um mercado muito complexo e diverso, quatro vezes maior do que o português e bastante mais rico, com quem tinhamos e temos um défice comercial crónico.  Não havia então nenhum especialista a estudar nuestros hermanos,  pois os professores e alunos todos tinham "outras prioridades".  

Estranhei bastante esta falta de interesse pelos vizinhos, pois na Universidade da California tive um pequena disciplina sobre o mercado mexicano, que era considerado uma prioridade já naquele tempo. 

Agora estamos muito satisfeitos om o  elevado número de estudantes alemães que aproveitam o sol e os preços mais baixos em Portugal. E quantos alunos portugueses vão estudar para a Alemanha, para conhecer melhor e aprender a vender no maior e mais exigente mercado da Europa? 

Mas a Sustentabilidade não passa apenas por vender mais na Alemanha, 
A Sustentabilidade em geral  vai passar mais por Africa. 

Se queremos mesmo contribuir para a SUSTENTABILIDADE global deveriamos ter muito mais estudantes Africanos ... 

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 



quinta-feira, fevereiro 20, 2020

A electricidade já não tarda a chegar às aldeias

A electricidade chegou à minha aldeia apenas em 1962. 
Foi uma grande transformação! 
Antes disso, tinhamos o gasómetro e um rádio enorme com muitos botões que funcionava com uma bateria suplente do carro debaixo de uma  mesa no canto da sala, cuidadosamente tapada com uma cortina.

A água canalizada e os esgotos chegram muito mais tarde.
Agora as aldeias de Africa não precisam de esperar pela "rede electrica" que nunca mais chega. 
Os  novos micro-kits "pico solar" servem para iluminação, para carregar telefones, e outras pequenos equipamentos.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

Repensar a electrificação em Africa

Eis uma nova abordagem para a expansão do serviço público de electricidade em Africa,
Resultado de imagem para malawi flag+ mais  Verde,
+ mais  Inclusivo,
+ mais  Rápido,
+ mas   Acessível
+++ mais  Sustentável !

Vamos VIRAR ? Tu VIRAS ? Nós VIRAmoS !

RMI Malawi 2019.10 Sustainable Energy Investment Study

Here is a very interesting study for green energy approach in Africa
see the link ! 
http://unohrlls.org/event/study-launch-sustainable-energy-investment-study-in-malawi/

sábado, agosto 03, 2019

Alterações Climáticas nas entrelinhas

O título do artigo é sobre políticos, mas a história verdadeira subjacente é sobre o impacto desastroso das Alterações Climáticas. Nem é necessário ler nas entrelinhas ...
"Desde os anos 1960, o Lago Chade, do qual dependem agricultores e pescadores, encolheu para metade ... A vida é muito mais difícil agora. Fora da capital, muitas pessoas estão com grandes dificuldades e há um sério descontentamento ..."
Vejam a imagem brilhante do Lago Chade tirada do espaço pelos astronautas do Apollo 7 em 1968. 

Infelizmente, vai piorar... para todos 
The title of the article in the Economist is about politicians, but the real story is about the disastrous impact of Climate Change.  You don't even need to read between the lines...
"Since the 1960s Lake Chad, on which farmers and fisherfolk depend, has shrunk by half...Life is much harder now. Outside the capital, lots of people are struggling and there is serious discontent..." 
Sadly, it will get worse 

domingo, julho 14, 2019

Recycling "petrodollars" 6.0 - Chinese style in Africa

Como Reciclar "Petrodollars" 1.0,  OPEC, anos 1970's
Eu sou do tempo em que o sistema bancário internacional se ocupava a receber depósitos dos países membros da OPEC nos seus anos dourados, quando tinham acabado de descobrir o seu poder de monopólio, cortando a produção de petróleo para subir o preço e acumulando ENORMES superavites de comercio internacional.
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Os "money center banks" como o Chase onde eu trabalhava recebiam os EXCEDNTES da Venenezuela e da Arabia Saudita,  que intermediavam em EMPRESTIMOS a outros países que necessitavam continuar a IMPORTAR  petróleo, como o Brasil.
Eu própria assinei muitos desembolsos para financiar a construção da mega-barragem do Itaipu, entre outros empréstimos menos produtivos. 
Obviamente, que estes ENORMES fluxos acabaram mal.  A CRISE de SOBRE-ENDIVIDAMENTO da America Latina nos anos 1980's, que eu também vi de perto na Cidade do México, necessitou reestruturação de divida externa de dezenas de países.

O fenómeno repete-se, pois parece que não aprendemos nada com o sofrimento de tantos países endividados:
i.   Superavites comerciais excessivos (X-M)>>>0 , desequilíbrios comerciais persistentes, não auto-corrigidos
ii.   Excessos de crédito internacional.  Países excedentários, como a Alemanha, a China, a Holanda,  persistem  em financiar suas exportações (vendor financing) muito para além da capacidade de reembolso dos países deficitários.
iii. "Sudden stop", corte brusco nos financiamentos à importação dos países deficitários
Resultado de imagem para imagem mo de cima mó de baixoiv.  Pressão dos credores "over-extended", da "mó de cima" sobre os devedores sobre-endividados da mó-de-baixo para passar TODO o custo de ajustamento e partilhar os custos entre credores e devedores.  Juntam os três à esquina, numa TROIKA. Na narrativa dos media financeiros, os credores são  desresponsabilizados pelos créditos mal parados, toda  a CULPA é dos devedores.
v.  Apertão e repressão financeira nos países devedores, com cortes de GDP, de  salários e de rendimentos, de pensões, de investimento e de serviços públicos.  Vendem-se ativos ao desbarato ("anéis"como as ações  da EDP e da REN) para continuar a importar pechisbeque (t-shirts).
vi. Recuperado algum equilíbrio financeiro dos devedores, o Ciclo do sobre-endividamento recomeça com excesso de credito externo ...

Como Reciclar "Petrodollars" 2.0,  .... anos 1980's (ver detalhes em separado)
Ciclos de sobre-endividamento repetem-se apesar da criação do Cook Ratio em 1988. 

Como Reciclar "Petrodollars" 3.0,  Asia, anos 1990's (ver detalhes em separado)

Como Reciclar "Petrodollars" 4.0,  ..., anos 2000's  (ver detalhes em separado)

Como Reciclar "Petrodollars" 5.0,  Eurozone, anos 2010's  (ver detalhes em separado sobre o sobre-endividamento de Portugal e outros países da Eurozone)

Como Reciclar "Petrodollars" 6.0, crédito escondido da China a Africa,  anos 2020's  

As falhas de (auto)-regulação do sistema financeiro internacional, e dos centros de decisão dos internacionais dominados pelos credores, são  pagas pelas populações dos países devedores mais vulneráveis, com menos MBA's per capita.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Consultora Financeira

Ver detalhes nos estudos de Reinhart sobre Africa:   https://www.cnbc.com/2019/07/12/chinas-lending-to-other-countries-jumps-causing-hidden-debt.html

China’s lending to other countries has surged since 2000's, causing debt levels to jump dramatically, and as much as half of such debt to developing economies is “hidden,” a new study has found.
Such “hidden” debt means that the borrowing isn’t reported to or recorded by official institutions such as the International Monetary Fund (IMF), the World Bank, or the Paris Club — a group of creditor nations.
Between 2000 and 2017, other countries’ debt owed to China soared ten-fold, from less than $500 billion to more than $5 trillion — or from 1% of global economic output to more than 5%, according to the study from Germany-based think tank the Kiel Institute for the World Economy.
“This has transformed China into the largest official creditor, easily surpassing the IMF or the World Bank,” the report’s researchers said...


quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Nos PALOP, projetos bancáveis precisam-se

Em Africa, os projetos bancáveis não se encontram, fazem-se, constroiem-se, montam-se.
O mesmo foi feito em Portugal nos anos 1990's quando foi necessário criar a LISBOR para poder financiar em moeda local os projetos de muito longo prazo como a Tejo Energia.

CIP 005Esta dura realidade subjacente ao dilema de quem trabalha  para o desenvolvimento nos países emergentes é ainda mais aguda nos países da Lusofonia.

Na sessão de apresentação do BEI e da SOFID de ontem 27-Fev-2019 no CCB,  organizada pela CIP, houve uma troca de comentários significativos:


--Só estamos interessados em projetos bancáveis, disse um participante...

-- O que não falta  é dinheiro para financiar projetos, disse outro, há dinheiro a rodo, mas os países não oferecem condições...

-- Falta dinheiro mas é para a preparação e desenvolvimento de projetos, disse outro... 

-- O que falta são dossiers bem preparados e estruturados de acordo com os ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para atrair os investidores e financiadores... 

-- É necessário investir na preparação,  "incubar" os projetos...

Resultado de imagem para SOUTHERN AFRICA CLIMATE FINANCE PARTNERSHIPSIM, sim  todos têm razão, e nunhum tem a razão toda.

Senão vejamos o que fazem os outros países, como no caso da Southern Africa Climate Finance Partnership, a parceria para o financiamento de projetos climáticos na Africa austral.

DfID, o Departament for International Development do Reino Unido, aplicou GBP 4.9 milhões (EUR 5.7 milhões)  como "capital semente" de um  progama regional de desenvolvimento e preparação de projetos climáticos para alguns países da Commonwealth,   Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, Zambia and Zimbabwe.

O objectivo é  criar uma carteira de (dossiers de) projetos  que possam ser candidatos ao financiamento concursado do novo Fundo Verde do Clima, Green Climate Fund (GCF).  Com um investimento, modesto mas imprescindível, na identificação e preparação de vários projetos, o Reino Unido vai ajudar alguns países a passarem à frente na corrida ao Fundo Verde do Clima.

É que tudo começa pelo início: Sem e dossiers bem estruturados de projetos ditos "bancáveis", não há financiamento, não há investimento, não há impacto para o desenvolvimento sustentável.  E criar um bom dossier de projeto, visionário, tanto ambicioso como rigoroso, leva meses e anos, custa milhares e milhões...

Sem o capital semente, na forma de subsídios a "fundo perdido" mas bem aproveitados, no final acabamos  sempre no mesmo BECO sem saída - a falta de projetos ditos "bancáveis, prontos a financiar, com tudo que isso exige.  E os países  vão ficando cada vez mais ultrapassados pelos seus vizinhos.   

E os PALOP, os países da Lusofonia, como vão financiar este  "trabalho de casa" de identificação e formulação, de estudos prévios, e toda a preparação de candidaturas aos financiamentos disponiveis ?

Mariana Abrantes de Sousa
Economista e Consultora Financeira 

Ver mais em: 
Southern Africa Clima Finance Partnership - https://southsouthnorth.org/portfolio_page/southern-africa-climate-finance-partnership-sacfp/
DfID - https://www.gov.uk/government/organisations/department-for-international-development
LISBOR - http://ppplusofonia.blogspot.com/2012/08/os-indexantes-de-taxas-de-juro-ou-as.html
Como financiar projetos climáticos - http://ppplusofonia.blogspot.com/2018/11/como-financiar-projetos-climatico-nos.html
Fundo Verde do Clima (GCF) - http://finance.southsouthnorth.org/

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com o BEI – Banco Europeu de Investimento e a SOFID – Sociedade para o Desenvolvimento do Financiamento, está a organizar o Seminário “Investment Financing in Africa“, que terá lugar no próximo dia 27 de fevereiro 2019, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre as 9h00 e as 13h00.  
O evento tem como objetivo a apresentação dos instrumentos financeiros do BEI para a região ACP – África, Caraíbas e Pacífico, destinados às empresas europeias. 
Programa:  http://cip.org.pt/financing-investment-in-africa-27-fevereiro/

A Gulbenkian e outras fundações tiveram um Mecanismo de Apoio à Elaboração de Projetos bastante bem sucedido com um efeito catalizador e multiplicador notável. https://gulbenkian.pt/project/mecanismo-de-apoio-a-elaboracao-de-projetos/

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Africa XXI - Substituição de Importações



Resultado de imagem para McKinsey how to win in business in AfricaDoze anos atrás, a Nigéria importavatodo o seu cimento.


As licenças de importação foram eliminadas ao longo de 4 anos, quando foram construídas fábricas de cimento locais. Avanço rápido: hoje a Nigéria é um exportador líquido de cimento.

Resultado de imagem para how to win in Africa
Twelve years ago, Nigeria imported all of its cement.  
Import licenses were phased out over 4 years, as local cement plants were built. Fast forward: today Nigeria is a net exporter of cement. 

The right strategy can unlock strong, profitable growth, explain the authors of Africa’s Business Revolution.

 McKinsey senior partners Acha Leke and Georges Desvaux about the opportunity before companies to develop and grow their businesses in Africa.
Source:  https://www.mckinsey.com/featured-insights/middle-east-and-africa/how-to-win-in-africa 

quarta-feira, novembro 14, 2018

Como financiar projetos climáticos nos PALOP no Miranda Forum Africa, 15-Nov

Foi uma honra e um prazer participar como oradora Keynote Speaker na conferência Miranda Forum Africa, que promoveu o debate sobre “O Papel do Setor Privado na Promoção do Crescimento Económico em África", no dia 15 de Novembro de 2018, em Lisboa.

Na minha intervenção sobre “Financiamento de Projetos Climáticos nos PALOP: Necessidades e Oportunidades”,  abordamos sobretudo as fontes e formas de financiamento dedicadas a projetos climáticos, tais como o  blending de recursos do Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF), com outras fontes.  Analizamos  também vários  casos de estudo de projetos africanos relevantes e replicáveis. 

Um dos projetos  discutido foi Bambadinca Sta Claro, uma mini-rede de energia solar criada e implementada pela TESE Associação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e financiada pela União Europeia, a Global Environmental Facility GEF e o Instituto Camões. 

Falamos também de um dos temas mais críticos, as PPF ou  Project Preparation Facilities,  iniciativas que apoiam a formulação de projetos para apresentar candidaturas aos organismos financiadores. Sem bons dossiers de candidaturas não há financiamento nem investimento. Mais uma vez, lancei o desafio à criação de uma "incubadora de projetos para os PALOP",  que dinamizasse a elaboração de dossiers e candidaturas de projetos nos países Lusófonos. 

O evento reuniu representantes governamentais e multilaterais bem como promotores e consultores privados,  que partilharam as  melhores praticas para trabalharmos juntos a favor do Desenvolvimento Sustentável em Africa, articulando  capacidades e vontades do setor publico e e do setor privado nesta grande campanha. 
Consulte o programa e as apresentações da conferência M-Forum em: https://mirandaforafrica.com/program/

Os países da Lusofonia, alguns dos PALOP mas também Portugal, estão entre os países mais vulneráveis às alterações climáticas. 

M-Forum  15-Nov-2018, 9h00-19h00  
Conference Miranda Forum Africa brings over 20 speakers,  including  DG DEVCO,  BAfD and government officials. 
Climate Finance: Financing Climate Projects in Portuguese-speaking countries in Africa, Mariana Abrantes de Sousa 

A conferência pode ser acompanhada em direto (streaming) e no youtube.
As apresentações, incluindo a minha, estão disponíveis aqui:  https://mirandaforafrica.com/program/

Favor ver no Linkedin: 

quarta-feira, julho 11, 2018

EurAfrican Forum 2018 - Of Boats and Dragons

EurAfrican Forum - Barcos sem Porto, Fantasma do Dragão
Estoril, 10-Julho-2018

Foi muito interessante assistir à conferência sobre o EurAfrican Forum e encontrar amigos da Diáspora portuguesa.
O evento reuniu líderes africanos e europeus, de governos, empresas e da sociedade civil para discutir objetivos partilhados e explorar novos tipos de cooperação e coligação num momento em que o contexto geopolítico global está mudando rapidamente, trazendo consigo tanto promessas como riscos.

O evento foi organizado por José Manuel Durão Barroso, antigo Presidente da Comissão Europeia e Primeiro Ministro de Portugal e o Conselho da Diáspora Portuguesa, uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, cujo principal objetivo é valorizar a imagem e reputação internacional de Portugal envolvendo a Diáspora portuguesa de comprovada influência que se tenha destacado em vários campos, nomeadamente em Cultura, Cidadania, Ciência e Economia. Esta Rede Mundial Portuguesa conta atualmente com 92 Conselheiros, de mais de 25 países e 45 cidades, nos 5 continentes.

Entre os oradores do EurAfrican Forum estiveram o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, e numerosos ministros, embaixadores e representantes de países europeus e africanos.

Todos focaram a necessidade de intensificar o diálogo Europa-África, considerando que a África está se tornando cada vez mais importante para a Europa, não só como vizinha o fonte de migrações mas também como parceiro comercial. Os países dos dois continentes necessitam de lidar melhor com os enormes desequilíbrios demográficos, com os fluxos resultantes de migrantes e refugiados e de  saber ajudar a África a responder aos seus enormes desafios de investimento, não apenas em infra-estruturas (EUR 100 biliões/ano), mas também em saúde, educação, segurança alimentar, justiça ...

Eis algumas impressões:

1. A ideia peregrina de que a Europa pode "fechar as rotas do Mediterrâneo" do Oriente Médio e da África é uma "ilusão do pior tipo", considerando famílias pobres com 5,2 filhos na margem sul e famílias ricas com 1,2 filhos na margem norte.  Esta tentativa pode vir a acontecer, com um sofrimento incalculável. Recorde-se os barcos superlotados à deriva no Mediterrâneo, sem porto de abrigo.
Os fenómenos são paralelos:  enquanto os "boat people" asiáticos ruma à Austrália, os "refugiados" africanos rumam à Itália.

2. Os oradores africanos falaram da a sua preferência pelo financiamento do livro de cheques (checkbook financing) da China (le modele chinois) comparado  à lista de condições (checklist financing)  da Europa, com exigências numerosas. Sentia-se mesmo a presença do "dragão na sala".   O deslumbramento dos Africanos com "o cliente chinês" que eu detectei pela primeira vez em Angola em 2004 continua.

3. É claro que a China está importando (e às vezes fazendo permutas ou pagando antecipadamente) as matérias-primas da África sob condições menos transparentes.

4. Em alternativa, a Europa poderia concentrar os seus esforços na importação de outros bens e serviços africanos para gerar crescimento económico sustentável, industrialização e empregos ao sul do Mediterrâneo. Os países pobres que não conseguem exportar bens e serviços, acabam por exportar as pessoas, sejam elas classificadas como meros "migrantes" ou "refugiados" desesperados (ver ponto 1 acima).

Mariana Abrantes de Sousa
PPP Lusofonia

It was very interesting to attend the the conference on EurAfrican Forum in Estoril  and to meet friends from the Portuguese Diaspora.  

The Forum brough toghether African and European leaders from government, business and civil society to discuss shared goals and to collectively explore new types of cooperation and coalitions at a time where the global geopolitical landscape is rapidly changing, bringing with it both promises and risks.

The Forum was organized by José Manuel Durão Barroso, a former President of the European Commission and former Prime Minister of Portugal and the Portuguese Diaspora Council, a  non-profit private association, founded in 2012, aiming to enhance Portugal’s image and international reputation  involving the Portuguese diaspora of proven influence who have distinguished themselves in fields such as Culture, Citizenship, Science and Economics. The World Portuguese Network currently comprises 92 Counselors, from over 25 countries and 45 cities, on the 5 continents.

Forum speakers included President of the Portuguese Republic Marcelo Rebelo de Sousa and numerous ministers, ambassadors and representatives from European and African countries, who all focused on the need to step up the Europe-Africa dialogue. Africa is  becoming more and more important to Europe, as a neighbor, as much as a trading partner.  Toghether, countries from the two continents need to deal with the huge  demographic imbalances and the resulting migration and refugee flows and to help Africa meet its huge investment challenges, not just in infrastructure, but also in health, education, food security, justice... 

Here are a few impressions: 
1. The idea that Europe can "close off  Mediterraneum routes" from the Middle East and Africa is a "fantasy, an illusion of the worst kind", considering poor families with 5.2 children on the southern shores and rich families with 1.2 children on the northern shores. It might just happen anyway, with untold suffering.  Recall the overloaded boats bobbing in the Mediterraneum sea. 

2. The African speakers spoke often about their preference for China's "checkbook investments" over Europe's "checklist-based funding"  with all-too-numerous conditions. We could really  feel the presence of "the dragon in the room".  

3.  Of course China is importing (and sometimes bartering or pre-paying for) raw materials from Africa under less than transparent conditions.   

4. Alterantively, Europe might focus its efforts on importing other African goods & services to generate sustainable economic growth, industrialization and jobs south of the Mediterraneum.  Poor countries which cannot export goods & services, WILL export people, whether they are classified mere "migrants" or desperate "refugees" (see point 1 above). 

Sources: https://www.un.org/sg/en/content/sg/statement/2018-07-10/secretary-generals-video-message-euro-african-forum