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quinta-feira, maio 30, 2019

Eleitor - Circulos uninominais para maior representatividade

Como conhecer e acompanhar a ação do "seu" representante no parlamento ?

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Circulos uninominais ou plurinominais, com voto  no candidato e não apenas no partido, seriam importantes para aproximar os deputados representantes dos eleitores representados.

Mas necessitam de uma formula simplex, mais linear e transparente e menos "matemática".

Ou será o cálculo proporcional pelo  método de Hondt o equivalente moderno do "direito divino dos reis absolutistas" do antigamente?



Ver mais sobre a campanha "Por uma Democracia de Qualidade"  https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade/ e em https://ionline.sapo.pt/622524?source=social


domingo, maio 26, 2019

Eleitor- Quem quer votar para uma Europa mais equilibrada, vota HOJE


Os votos dos portugueses serão ouvidos no Parlamento Europeu?

Resultado de imagem para parlamento europeu edifícioDizem alguns eleitores (abstencionistas) e comentadores políticos que as eleições europeias não servem para nada, senão para "legitimar a concentração de poder nos grandes partidos dos grandes países membros".
Talvez, mas isso não justifica ficar em casa hoje.  
De facto, mesmo se os portugueses votassem todos no mesmo partido, os nossos 21 Deputados seriam sempre diluídos nos 751 Membros do Parlamento Europeu em Estrasburgo. 

A União Europeia ainda é uma federação jovem, com pouca tradição de representatividade. Compare-se o PE com o Congresso da federação americana, um modelo desenhado para ser mais equilibrado com um parlamento de duas câmaras, em que ambas têm que aprovar toda a legislação.  O número de Representantes para câmara baixa, a House of Representatives, depende da população do Estado, e são eleitos pelo nome, não pelo partido, por mandatos de 2 anos. São apenas 435 no total, de maneira que cada Congressman pode ter bastante mais influencia. O Senado tem 2 Senadores por Estado com mandatos mais longos de 6 anos.  Assim, o Alaska tem (2-1=)3 representantes em Washington, e a California tem (53+2=)55 representantes seus em Washington, todos eleitos em círculos uninominais. Mais, cada eleito tem liberdade de voto na legislação, os votos, os votos desalinhados dos partidos são frequentes e conhecidos pelos eleitores. 

Não havendo modelos ideais em democracia, uma federação diversa e dispersa necessita de mecanismos desenhados para encurtar distâncias e  aproximar e aumentar a representatividade entre os eleitos e os eleitores.  

O Winston Churchill teria razão quando disse um dia que "a democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros".  Mas as democracias não são todas iguais, e todos estamos interessados em que funcionem e governem cada vez melhor.

Mariana Abrantes de Sousa 


segunda-feira, maio 20, 2019

EU-UE - Quem quer votar ... vota de CRUZ ?

Quem não vota não conta.
Eu vou votar nas Eleições Europeias para escolher o próximo Parlamento Europeu, que eu considero uma das eleições mais importantes dos últimos anos. 

Mas como não gosto de votar apenas segundo os logotipos dos partidos,  fui ver as listas dos candidatos. Isto é, "a lista" porque em Portugal só há uma lista nacional, e torna-se difícil saber quem está mais "ligado à terra" e pode representar melhor o meu distrito de Viseu. 

Eu gosto de conhecer os candidatos.
Curiosamente a lista de candidatos ao Parlamento Europeu não é publicada pela CNE, mas sim pelo MAI, num .pdf interminável de 17 páginas, manhoso e inviesado, que não dá para fazer "copy-paste" para poder mais fácilmente ser divulgado.  Uma falha evidente de "eGov".
Cerca 17 páginas de nomes para eleger os 21 Deputados de Portugal para um Parlamento Europeu de 750 membros.    Parece desenhado para promover a abstenção.

Vamos desafiar a CNE Comissão Nacional de Eleições a corrigir a lacuna e divulgar. correctamente a lista de candidatos a Deputado Europeu 2019?
Não tendo tempo para transcrever as 17 páginas, deixo aqui o primeiro nome que aparece...
1. Paulo Teixeira de Morais, partido NC- Nós Cidadãos
2....VER a lista completa em
https://www.sg.mai.gov.pt/…/Parlame…/Documents/ListasDAM.pdf

domingo, novembro 20, 2016

Sleeping with an elephant 2.0

"Living next to you is in some ways like sleeping with an elephant. No matter how friendly and even-tempered is the beast, if I can call it that, one is affected by every twitch and grunt."

Resultado de imagem para republican elephantÊtre votre voisin, c'est comme dormir avec un éléphant; quelque douce et placide que soit la bête, on subit chacun de ses mouvements et de ses grognements.
 Pierre Trudeau, Washington, DC 1969

Dizia o Primeiro Ministro do Canada Pierre Trudeau em 1969 que morar ao lado dos Estados Unidos era como dormir como um elefante.
Afinal, onde é que um elefante se deita ?    Onde quiser!

Que estarão dizendo o Mexico e Canada, os vizinhos do elefante,  em 2016?


sábado, novembro 12, 2016

Numa democracia, não há candidatos errados, apenas eleitores tontos

Resultado de imagem para hillary never stop believingPrognósticos só no fim das eleições

Economista não deve fazer previsões políticas, mas todo o cidadão deve ter uma opinião bem informada, e sobretudo preparar-se para enfrentar as consequências da decisão colectiva.  Apesar de ter ganho o voto popular, Hillary Clinton ganhou apenas em 20 dos Estados.  E nos Estados Unidos, a eleição presidencial depende do sumatório das eleições estaduais, o tal Electoral College.  
Fala-se muito do apelo de  Donald Trump aos eleitores sofredores e esquecidos, mas a taxa de desemprego americana é de apenas 4,9%, o que pode ser considerado pleno emprego.
Dos 20 Estados com desemprego acima da média, 8 Estados votaram em Hillary, incluindo New Mexico. Dos 30 Estados que votaram no Trump, 17 Estados têm desemprego abaixo da média nacional americana.

Em Portugal o desemprego  é bastante superior (acima de 12% desde 2019) mas os portugueses votam com os pés, emigram.  Em suma,

      In a democracy, people get the leaders they deserve.
      In a democracy, there are no wrong candidates, only foolish voters.

A 5-Novembro-2016 o DN convidou para almoço e conversa acerca das eleições americanas.  Eis alguns excertos da entrevista no DN, que pode ser vista em:
http://www.dn.pt/mundo/interior/hillary-e-uma-mulher-de-armas-se-for-eleita-sera-historico-5480896.html  

"Quando Mariana chegou aos Estados Unidos, Lyndon Johnson era o presidente. Seguiram-se Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan. Confessa que desde que obteve a dupla cidadania passou a votar, mas "nunca automaticamente". Olha sempre com atenção para o boletim de voto, que costuma ser complexo, com candidatos a presidente, a congressista, a mayor, e admite que votou já "ocasionalmente num ou noutro partido. O meu voto não está cativo".

Por isso hoje vota, à distância, como residente de Nova Jérsia. Pousa o garfo e a faca e procura mais uma folha com gráficos. Desta vez é o peso eleitoral de cada um dos 50 estados e de como os americanos no exterior valeriam tanto como o Colorado se fossem considerados um círculo.

pergunto se alguma vez teve atividade partidária. Responde que não, que não a atrai. Mas que sente vontade de intervir na sociedade, seja como economista seja como cidadã. Por isso tem os blogues PPP Lusofonia e beijozxxi, integra a Soroptimist Portugal (uma espécie de Rotários só para mulheres) e é tesoureira da Sousa Mendes Foundation (dos Estados Unidos), além de presidente do American Club de Portugal.

Regressamos à política americana. Mariana não gosta quando ouve falar mal dos Estados Unidos. "Têm coisas más e coisas boas, como qualquer país. Mas têm de ter muitas coisas boas mesmo, já que são tão bem-sucedidos." Sobre estas eleições, em que o favoritismo de Hillary Clinton no campo democrata se comprovou apesar do desafio de Bernie Sanders, mas em que os republicanos se deixaram surpreender nas primárias e têm agora Trump como candidato, a economista admite ter feito um esforço para estar a par. Conta que há uns meses, para se preparar para uma entrevista, esteve a ver vários vídeos de Trump: "Tinham todos três ou quatro minutos. E sempre o mesmo formato. Os primeiros 30 segundos era a falar de barbaridades, tipo excluir os imigrantes. Mas depois, quem ainda não tivesse desligado, ouvia Trump a falar do desemprego de longa duração, de cidades que já tinham tido tempos bons mas agora viviam os maus, como Cleveland. E isto fez-me pensar nos riscos que é a democracia ignorar os perdedores da globalização. É que se em Portugal esses votam com os pés, emigram;  nos Estados Unidos votam nas urnas."

Que Trump consiga apelar a muitos americanos "é assustador", acrescenta a luso-americana. "Não está preparado para ser presidente. Aproveitou-se da notoriedade para ganhar apoio. E muitos republicanos tardaram demasiado a afastar-se. Ainda no outro dia ouvi a Condoleezza Rice a dizer que era contra Trump. Não percebo porque só agora." Além de impreparado, que seja sexista e xenófobo também a incomoda.


Já sobre Hillary, realça que se trata de "uma mulher muito inteligente, o que nem sempre é fácil. Tem uma capacidade de assustar muita gente. Mas tem sido uma líder desde a universidade. E possui uma visão estratégica. O problema é que para ganhar não é preciso o mesmo que para governar". Insisto se não quer mesmo dizer em quem votou para as presidenciais de dia 8. "O voto é secreto", responde, com um sorriso.

Pedimos a conta e preparamo-nos para nos despedir. Chega um licor de menta, oferta da casa (quando chega a conta, descubro que também as entradas foram uma gentileza). Mariana elogia o restaurante (Ingrediente no Alto de Algés), diz que almoça aqui várias vezes, outras vezes compra-lhes comida para levar para casa, ali perto. "Gosto do comércio de proximidade. Nos Estados Unidos é comum o zoning, zonas bem separadas para habitação e comércio. É um daqueles casos em que prefiro Portugal à América. Mas temos de dar o nosso contributo para defender estes restaurantes de bairro", salienta. É a tal "citizenship", ou cidadania, palavra que ouviu pela primeira vez quando chegou à América. Outra foi "leadership", liderança.


Em 2017, o American Club celebra 70 anos como forum de diálogo e discussão. E prepara uma grande conferência em outubro com os American Club da Europa. Entretanto, continuará a promover os "american values", diz Mariana, e os almoços-debate. Há dias foi Catarina Albuquerque a convidada, a portuguesa que foi a primeira relatora da ONU para a Água. No dia 9-Nov, acontecerá um jantar Day After, com Nicholas Kralev, um politólogo americano, que vai analisar o resultado das eleições da véspera. Falará certamente da clivagem entre democratas e republicanos, que a presidente do American Club considera um dos grandes problemas dos Estados Unidos." 

quarta-feira, março 02, 2016

Mulheres americanas vão derrotar Trump

Mariana Abrantes de Sousa sobre as eleições americanas: Mulheres vão derrotar Donald Trump 

  

Ver eleições americanas no minute 21 do video. 
Os Estados Unidos têm uma tradição de eleições primárias dentro de dos dois partidos  em sequência, atrasando o apuramento dos finalistas durante meses.  A Super Tuesday de 1-Março em  11 Estados,  incluindo o grande Texas foi definidor. 

O Republicano Donald Trump apresenta-se como "not a politician",  anti- estabelecimento, contra o aparelho do próprio Partido Republicano, caso raro nos últimos 50 anos.   Trump é um “artista de palco”, um comunicador que passou anos num programa de televisão a dizer “You’re fired”.  Assim ele criou um “movimento” e não precisa do apoio da hierarquia do partido  para mobilizar vos eleitores.  

Trump tem um discurso sedutor, anti-livre comércio, anti-imigração e pro-emprego que tem resonância junto dos que se identificam como "lesados da globalização", apesar da taxa de desemprego americana ter caído para apenas 4,9% em Janeiro 2016. 

 

Isolacionista, America first, Trump quer construir muros na fronteira com o Mexico, uma das mais permeáveis do mundo.  Diz que a China, México e o Japan levaram empregos, quer renegociar acordos comerciais, a WTO, o GATT, quer ser o "jobs President" e criar incentivos ao trabalho, mais eficácia nos serviços públicos como a educação. 

Hilary Clinton lidera os Democratas,  consegue mais votos dos Afro-Americanos do que o próprio Obama. Hilary Clinton passou mais de 20 anos em Washington, conhece bem os cantos da Casa Branca.  Ela está a fazer um óptima campanha, quer uma "America inteira" com um discurso também virado para os "direitos", atendendo aos 50 milhões de Americanos que vivem em pobreza.  

Os candidatos concorrentes faria bem em olhar para lá dos modos grosseiros de Donald Trump para as questões que vão sendo levantadas.  

A violência será reduzida com o controlo da circulação de armas.   Para Clinton, os bancos maus podem bem desaparecer,  "No bank too big to fail, no executive to powerful to jail".  

Nos Estados Unidos as eleições nacionais, legislativas, regionais e locais ocorrem em simultâneo.  O Congresso poderá continuar Republicano, mas bastante dividido e em pânico.  Custou muito a eleger o líder da maioria Republicana Paul Ryan que diz que apoiará Trump se ele ganhar as primárias.  Outros lideres Republicanos indicam o contrário.   

Resultado de imagem para you're firedHá novos factores a considerar nestas eleições tais como  a fragmentação da comunicação social, e as redes sociais que facilitam o assalto ao poder por “outsiders".    

No final, confia-se que as mulheres americanas acabem por derrotar o Donald Trump, se ninguém mais o fizer.  

E assim teremos a primeira mulher Presidente Hilary Clinton. 

Mariana Abrantes de Sousa 
US citizen 






quinta-feira, janeiro 07, 2016

Eleições à Portuguesa, como defender os Direitos de todos não apenas os direitos de alguns

Em Portugal, às vezes parece que temos eleições mês sim, mês não, um exagero de democracia, mas nem por isso somos bem governados.  Temos um calendário de eleições tonto, contra-producente, caro,  com sobreposições e atropelos.  Não admira que os eleitores se cansem e se afastem do processo. É bem provável que a abstenção nas próximas Eleições Presidenciais de 27-Janeiro-2015 venha a ser superior à abstenção de 53,5%  registada nas presidenciais de 2011.

Porque não fazer eleições em datas fixas, alternando as legislativas com as presidências de 2 em 2 anos ? 
Entretanto, para quem quer ser bem governado vale bem a pena assistir aos debates eleitorais em directo, entre as telenovelas  os jogos de futebol, ou ler os resumos nos jornais. Não podemos ignoar que são sempre os cidadãos e os contribuintes que pagam a factura dos erros de governação. Qualquer pequeno empresário ou trabalhador independente tem que pagar mais impostos para dar mais 3 dias de férias aos funcionários públicos com os seus "empregos" e ordenados garantidos.   Se queremos escolher um bom zelador, é importante não o fazer  às cegas, mas sim fazer perguntas e aplicar critérios de selecção para um Presidente da República, tais como:

O PR  "garante a independência nacional",  o que deve incluir a independência financeira.
- Que deveria ou poderia ter feito, ou pode vir a fazer, o Presidente da República,  para evitar que Portugal continue a sucumbir ao  endividamento externo ou para reduzir o grave impacto da crise financeira ? Pode estar mais vigilante, mais atento aos sinais de alerta, mais actuante? Digam-nos como. 
-
O PR "garante o regular funcionamento das instituições democráticas", o Bom  Governo
-  Alguns candidatos, entre académicos e comentadores,  nem sequer têm experiência governativa, executiva, como podem zelar pela boa governação  e promover o rigor, a transparência e sobretudo o consenso  ?  

O PR "mobiliza  o País e os cidadãos", com ambição e alinhamento.
-  Qual é a visão e ambição dos candidatos para Portugal e para os Portugueses e como tencionam mobilizar e alinhar a malta para a superação, ou como já o fizeram no passado? 

Enquanto vamos ouvindo os debates , a fim de preparar a nossa decisão nas urnas a 27-Janeiro, podemos ir colocando perguntas:

- Será que o comentador Marcelo Rebelo de Sousa  vai perder influência ao passar de Queluz de Baixo para Belém ? 


- A antiga Ministra da Saúde Maria de Belém Roseira vai ter  mais capacidade para construir acordos, compromissos e consensos alargados? 

- O empresário Henrique Neto vai ser mais eficaz em evitar falhas de previsão e de gestão de riscos para o erário público e para a economia ?

- O antigo reitor António Sampaio da Nóvoa vai poder  mobilizar os professores e alunos para a excelência na educação a todos os níveis? 

- A socióloga Marisa Matias vai querer  defender os "direitos adquiridos" de funcionários da administração e das empresas públicas, ou os Direitos de todos os portugueses aos Direitos Humanos e à prosperidade sustentável? 
  
- O antigo autarca Paulo de Morais vai conseguir devolver a dignidade às pessoas que vivem em pobreza, com rendimentos de menos de 200 euros por mês,  combatendo  os privilégios ilegítimos como as isenções fiscais abusivas, as "rendas" nos serviços públicos, e a corrupção ? 

 Comissão Nacional de Eleições http://www.cne.pt/

terça-feira, novembro 10, 2015

Economista explica por que é que défice não pode exceder 3%

Resultado de imagem para déficitOs portugueses, contrafeitos, lá vão "fazendo o curso intensivo" de economia e finanças,  a duras penas.

A contragosto, os contribuintes já tiveram que aprender demasiado sobre os temas mais esotéricos e complexos: sobre PPPs, sobre swaps, sobre o plafonamento de pensões, sobre divida pública, sobre credit workout, sobre desvalorização fiscal, etc.

Mas parece que ainda nos falta alguma literacia financeira, sobretudo para quem não recorda os ditados populares dos mais velhos da aldeia.

Mesmo sem curso universitário, pode-se aprender o essencial de economia e finanças a partir dos provérbios financeiros, tais como:

   "Quem compra o que não pode, vende o que não quer"


Portugal tem andado a consumir o que não tem, a viver fiado há décadas.  Um défice orçamental dito "aceitável" de 3% implica gastar 103% do que se recebe, acumulando dívida todos os anos.  Se a divida estava apenas 50% do PIB, grandes défices sucessivos podem levar a dívida a 100%, 130% ou 150% do PIB.

Ano 1                                              Ano 2                             Ano 3
Produto    100                               Produto   100                  Produto   100                    
Consumo 103                               Consumo 103                  Consumo 110 
Défice        -3                               Défice        -3                 Défice     -10
Dívida       53                                Dívida       56                  Dívida      66  

Como tivemos vários anos de défice mais perto de 10%, a divida foi acumulando rapidamente, às escondidas, até que os credores, anteriormente imprudentes, finalmente decidiram fechar a torneira, dizendo: 

"Só continuamos a "vender fiado" se reduzirem o vosso défice para 3%.   Se não reduzirem o vosso excesso de consumo, não financiaremos o vosso défice, terão que passar a viver a  pronto pagamento .  Ganhem primeiro e gastem depois." 

  
Essa é que é essa:  A alternativa a um défice de 3%, não é um défice de 4%, mais sim um défice de zero por cento.  

Seria mais que lamentável que os aspirantes a governantes tivessem que aprender à nossa custa, conceitos tão fundamentais de economia e finanças como:   
 Os juros comem à mesa com a gente

A palavra de ordem par um país sobre-endividado a todos os níveis tem de ser zero: 

  • Zero défice orçamental 
  • Zero défice externo 
  • Zero tolerância para com os governantes despesistas que hipotecam o nosso futuro sem sequer saberem o que estão a fazer. 


Com troika ou sem troika, a boa governação obriga-nos mesmo a preparar para viver apenas com o que conseguimos produzir, com um défice zero. Se não caminharmos para um défice zero, vamos ter que conseguir superavits apesar da iludencias alimentadas pelas taxas de juro zero enganadoras, que têm levado os portugueses às taxas de poupança de apenas 5%, das mais baixas de sempre.  

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 

VER: Tudo sobre economia e finanças nos provérbios financeiros  http://ppplusofonia.blogspot.pt/2010/06/tudo-sobre-economia-e-financas-nos.html
Tudo sobre a falta de literacia financeira http://ppplusofonia.blogspot.pt/2012/02/falta-de-literacia-financeira-promoveu.html
Aspirante a governante diz:  "Gostava que um economista me explicasse por que é que o défice tem que ser de 3% em vez de 4%

quarta-feira, novembro 04, 2015

Programa de governo continua dentro de instantes, para portugueses cansados de crise

O povo português está cansado de austeridade, cansado de sobre-endividamento, e sobretudo cansado da má governação que nos trouxe e nos mantém à beira da bancarrota. Uma crise financeira muito mais endógena (auto infligida) do que as crises anteriores.

A coabitação entre o executivo de um partido e o parlamento controlado por outro partido é frequente em democracia. Negociar com os Deputados para conseguir maiorias caso-a-caso para cada projecto- lei é a regra em democracia.  A  “disciplina de voto” absoluta do sistema politico português não é a regra em democracia,  é mais a excepção, senão uma aberração.  Devemos reflectir melhor sobre o actual modelo português de governação e reconhecer honestamente que os resultados foram … MAUS.  

O modelo politico português excessivamente hierárquico,  e top-down,  estará ultrapassado.  Estamos no fim da disciplina absoluta de voto.  Os Deputados devem votar de acordo com a sua consciência e responder perante os seus eleitores, não apenas perante o chefe do seu partido.  

A tentativa de coligação à esquerda impunha-se e impõe-se pelos números que retiraram a maioria à coligação à direita, ainda que se venha a revelar difícil ou mesmo impossível agregar a esquerda, desta vez. Não se pode continuar a ignorar e a afastar 20% do eleitorado e deixar a esquerda num degredo, numa “prateleira vermelha com tons de dourado”.

Não havendo acordo de coligação à esquerda, provavelmente não haveria chumbo no final do debate do programa do governo.  Tão pouco faria sentido nomear um novo governo liderado pelo PS sem maioria consolidada.  
O mais provável seria manter um  governo de gestão PSD/CDS  com eleições legislativas à vista dentro de  6 meses.  

Dizem que um governo de gestão seria “péssimo”?  O executivo teria que estar em negociação continua com a oposição para procurar consensos alargados, se quiser tomar iniciativas.  E depois? Dificilmente os resultados poderão vir a ser piores do que os resultados da governação das maiorias absolutas alternadas dos últimos 20 anos. 

"Há um conflito entre Bloco de Esquerda e Partido Comunista"

A análise às negociações à esquerda por um painel composto por Jorge Neto, Mariana Abrantes de Sousa, Jorge Ribeirinho Machado e Hélder Oliveira, num programa conduzido por Ana Sanlez. Conselho Consultivo de 4 de Novembro de 2015 

segunda-feira, outubro 26, 2015

Austeridade é o verso da medalha do sobre-endividamento externo

Segunda reunião entre coligação PSD/CDS e Partido Socialista adianta pouco

A análise de Mariana Abrantes de Sousa, economista, Jorge Neto, advogado, e Hélder de Oliveira, economista, num programa conduzido por Inês Andrade. "Conselho Consultivo" de 14 de Outubro de 2015.

NB: Para um país sobre-endividado como Portugal, a alternativa ao défice de 3% do Tratado Orçamental é um défice orçamental de zero. ou melhor, e um superavit na Balança de Transacções Correntes.



quarta-feira, outubro 14, 2015

PS partido charneira vira noiva mais cobiçada

A análise de Mariana Abrantes de Sousa, economista, Jorge Neto, advogado, e Hélder de Oliveira, economista, num programa conduzido por Sandra Xavier. "Conselho Consultivo" de 7 de Outubro de 2015.  
Na campanha, o  Partido Socialista foi o adversário e alvo preferido do fogo cruzado de todos os outros partidos.  Depois de perder a a eleições, passou a ser o alvo de todas as advertências dos outros partidos, e até dos empresários. 

quarta-feira, setembro 30, 2015

Prepare-se para VOTAR e escolha bem o seu Deputado na AR

Como se vai preparar para votar ?

Vai vestir a camisola do costume e votar com o coração, como se a politica fosse o futebol?
Assim, poupa-se trabalho, mas o barato pode  sair-nos caro.   Afinal no futebol não sobem os nossos impostos, nem gestionam  os nossos serviços públicos essenciais, a educação, a saúde, os transportes, a justiça.  

Vai votar com o bolso ?  Só se estiver a contar com um “tacho”, um “emprego bom”, se conta vur sentar-se "à mesa do orçamento2.    

Vai votar com a razão, estudando os  políticos como se a politica fosse um teste de matemática? Não, a política é tudo menos linear, apesar de ser  muito importante e controla pelo menos metade da nossa economia.

Votar com "instrução", estudando   as propostas partidárias primeiro, e depois votar em que nos inspira mais confiança.

Ou vai votar com a intuição, depois de fazer algum trabalho de casa?  Vai estudar os programas, conhecer os candidatos locais, avaliar qual lhe oferece mais eficácia e mais confiança?  Tomar decisões acerca do futuro é sempre delicado, e faz-se melhor juntando a razão ao coração.  

Recordemos que o sistema politico em Portugal é hierarquico, top-down.  Os politicos degladiam-se para conquistar as cúpulas do poder, e controlar o "aparelho" .   

Já dizia Acemoglu sobre a governação em Portugal:  Modernizem-se ! 



Indignados com a austeridade?
E indignados com o sobre-endividamento ilícito e a corrupção ?
Receosos da derrapagem, da insustentabilidade e da instabilidade ?

Veja-se como funciona o sistema politico português neste artigo "Ninguém chega virgem à liderança dos grandes partidos"... sobre Vítor Matos, autor do livro "Os Predadores" http://expresso.sapo.pt/legislativas2015/2015-09-25-Ninguem-chega-virgem-a-lideranca-dos-grandes-partidos 
Este artigo sobre o funcionamento interno dos partidos, sempre top-down, deve ser lindo em conjunto com o trabalho de Acemoglu,  Why Nations Fail http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/06/acemoglu-diz-mondernizem-se.html.  Talvez o nosso défice de literacia esteja subjacente ao défice de democracia. 

Nos US, vota-se no "nosso" Deputado, que nos representa, e eles elegem o líder do partido.  
Em Portugal, vota-se no líder do partido e ele escolhe a sua corte de Deputados, que não representam ninguém. 

Mas os Portugueses não estamos condenados a ser governados de cima-para-baixo, podemos vir a ser governados de baixo-para-cima, como uma verdadeira democracia.
Acemoglu diz modernizem-se http://ppplusofonia.blogspot.pt/2014/06/acemoglu-diz-mondernizem-se.html
O primeiro passo é  VOTAR !
Ver também Indignados e Receosos  http://economico.sapo.pt/noticias/a-indignacao-e-o-medo_230303.html e Défice de Literacia http://economico.sapo.pt/noticias/o-assombroso-defice_230298.html

domingo, setembro 27, 2015

ETV - Crise de Refugiados em tempo de Eleições

No   "Conselho Consultivo" de 23 de Setembro de 2015 falou-se

Sobre as eleições:

"Eu não quero saber quem chamou a troika: foram todos.  Quero saber que nos endividou, quem assinou as promissórias".

E sobre os refugiados:



Hélder Oliveira considera que "a UE não tem sido capaz de responder à crise de refugiados" e "quando chegar o Inverno, estas pessoas vão sofrer".

Mariana Abrantes de Sousa lembra que Portugal já recebeu 40.000 refugiadsos num ano, em 1940, graças ao Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes.  E que à luz da lei portuguesa, os refugiados têm que cumprir as nossas leis e que  "não podemos ser tolerantes com práticas culturais ilegais" como a mutilação genital feminina ou o abuso dos direitos das mulheres.

Em termos demográficos, o  Mediterrâneo pode ser visto como uma membrana porosa entre     Norte de Africa e Medio Oriente, com famílias de 4 a 6 filhos, e a Europa o  com menos de 1.5 filhos por mulher.  Os canais de migração legal não davam vasão a este desequlibrio demográfico, por isso as enxurrada de migrantes era previsível. Quando as migrações ordenadas não bastam passam rapidamente a desordenadas à "ponta da espada", seja do regime sírio, dos extremistas islâmicos, etc.

A integração vai ser o grande desafio.  O refugiados têm que cumprir as nossas leis.  Em Portugal é ilegal, 
o   - mutilação genital feminina
o   - burca e niqab, ilegal tapar a cara em Portugal e a maior parte de
o   - mulheres como cidadãos de segunda classe e abusos de direitos humanos

In demographic terms, the Mediterranean is like a porous membrane between a region of poor families with 5 children each and a region of rich families with 1.5 children.
In this severe socioeconomic disequilibrium, migration is inevitable, and the people flow s will quickly overwhelm the drip-drip of the legal migration channels. Especially with repression and persecution on one side and promises on the other. 
When refugees were desperately trying to get OUT of Germany and OUT Europe in 1940, Portugal took in 40.000 refugees in a few months thanks to the Act of Conscience of Aristides de Sousa Mendes. 
Portugal can certainly take in 4.000 refugees now they desperately want to get INTO EUROPE.  







quinta-feira, junho 04, 2015

Abre debate sobre como consolidar a recuperação

Antevisão das linhas do programa do Governo e dados do emprego do INE


A análise de Mariana Abrantes de Sousa, economista, Hélder de Oliveira, Ordem dos Economistas, e Jorge Ribeirinho Machado, professor da AESE, num programa conduzido por Sandra Xavier. "Conselho Consultivo" de 3 de Junho de 2015.

terça-feira, outubro 23, 2012

Cada vez mais fácil votar com os pés

Cada vez mais indignados e apertados com a crise, que fazem os portugueses?
  • Alguns votam com os pés, emigram, saem do país (exit
  • Outros manifestam-se e protestam na rua, muitos pela primeira vez na vida (voice
  • E também os que se mantêm alinhados, calados e obedientes (loyalty
Esta tipologia de reacções perante uma degradação  inaceitável  foi descrita pelo economista Albert O. Hirschmann  já em 1970, mas parece perfeitamente actual.

O conceito baseia-se no seguinte:  os membros de uma organização, seja uma empresa, uma nação ou qualquer outra forma de agrupamento humano, têm essencialmente duas respostas possíveis quando percebem que a organização está a demonstrar uma redução na qualidade ou benefício ao membro:
  • eles podem sair (retirar-se do relacionamento), ou, 
  • eles podem expressar (tentar reparar ou melhorar o relacionamento através da comunicação da queixa queixa, ou proposta de mudança). 
Por exemplo, os cidadãos de um país podem responder ao aumento da repressão política de duas formas: emigrar ou protestar. Da mesma forma, os trabalhadores de uma empresa podem optar por se demitir e cessar o seu trabalho desagradável, ou expressar as suas preocupações às chefias num esforço para melhorar a situação. Clientes insatisfeitos pedem para falar com o gerente, ou optam simplesmente por comprar em outro lugar.

Este conceito oferece uma perspectiva interessante, não sós das nossas interacções sociais diárias, como da crise nacional. Sair  ou contestar podem ser vistos como opções num continuum, desde a acção económica e até à acção política.  A saída está associada com a mão invisível de Adam Smith, em que os compradores e vendedores são livres para mover-se silenciosamente através do mercado, constantemente formando e destruindo relacionamentos. Voz, a contestação  por outro lado, é de natureza política e, por vezes, de confronto.
Diz-se que alguns países tem culturas mas dinâmicas porque têm populações composta de imigrantes e de dissidentes contestatários.

Emigrar,  uma reacção de natureza marcadamente económica, voltou à ordem do dia nesta crise que assola Portugal. Calar e consentir está a cair em desuso.  Mas como não podemos todos emigrar, passamos também a contestar,  enchendo as ruas e praças das cidades portuguesas, e a fazer circular mensagens contestatárias pela internet e pelos blogs.
Modernices. 

Fontes:  http://www.thesocialcontract.com/pdf/four-four/hirschma.pdf e http://en.wikipedia.org/wiki/Exit,_Voice,_and_Loyalty
p.s.   Esta variação da nossa resposta instinctiva de lutar ou fugir (fight or flight) também se pode aplicar nas relações românticas http://www.strongwindpress.com/pdfs/tuijian/hirschmanromantic.pdf