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domingo, dezembro 25, 2022

Só faz greve quem pode

Todos os trabalhadores têm o direito de fazer greve em Portugal, exceto os militares, forças de segurança, juízes e deputados, em termos legais. 

Na prática, grande parte das greves ocorrem nos serviços públicos como os transportes coletivos, com as greves marcadas para coincidirem com picos da procura para provocar maior impacto, quer no patronato quer nos utentes.

Veja-se as notícias de greves nos transportes ferroviários e aéreos pela Europa fora este Natal de 2022.  Porquê esta coincidência?

https://www.forbes.com/sites/ceciliarodriguez/2022/12/16/christmas-in-europe-travel-chaos-looms-as-air-and-rail-strikes-spread-full-list/?sh=7f94be855d7a

Em termos económicos, os serviços públicos operam em regime de (quase)monopólio.  Assim os trabalhadores descontentes não conseguem facilmente encontrar novos empregadores, nem os utentes encontrar outros prestadores de serviços.

O custo das desrupções são suportados por todo o resto economia, e também com os contribuintes que no caso de operadores públicos deficitários e mal tutelados

Ser gestor numa empresa pública portuguesa deficitária com uma TUTELA mole até pode ser lucrativo. 

Sim, uma empresa deficitária até pode ser "capturada" pelos  fornecedores, os empreiteiros, os prestadores de serviços, os empregados, com exigência onerosas.  Afinal, os Contribuintes Pagam Tudo, tampam buracos e recapitalizam a empresa deficitária todas as vezes que for necessário. 

O/A gestor(a) público(a) de uma empresa deficitária pode receber "um prémio de risco" no salário para aguentar a queixas do utentes/clientes. E nem sequer necessita de mostrar trabalho, de apresentar lucros, nem sequer de reduzir o défice. 

Segundo Miguel Sousa Tavares, os sindicatos também sabem aproveitar bem a situação: 

"A CP esteve em greve a 23, 25 e 26 de Dezembro se 2022, uma greve cirurgicamente marcada para impedir que todos aqueles que queriam viajar de comboio na época do Natal (e muitos seriam) o não pudessem fazer...Mas justamente por saberem que é maior a procura nesta época ou quando há feriados é que os inúmeros sindicatos da CP já têm nova greve marcada para 1 de Janeiro e neste ano de 2022 tiverem greves em 22 e 24 de Junho, 10, 12, 13 e 16 de Julho, 15 de Agosto, 15 e 30 de Setembro, 5 de Outubro e 30 de Novembro — sempre em cima de feriados, com o duplo objectivo de causarem o maior dano possível aos utentes e o maior prejuí­zo financeiro à empresa. 

Se o(a) Gestor(a) não aguentar tantas pressões, pede que seja demitida pela Tutela amiga, quando mais cedo melhor, para otimizar a sua passagem ... 

Quanto aos passageiros ... que esperem sentados...e vão fazendo poupanças para pagar mais impostos, para tapar mais buracos no SEE, Sector Empresarial do Estado, empresarial mas pouco. 

Mariana Abrantes de Sousa, 

Economista e ex-Controladora Financeira. 

 https://expresso.pt/opiniao/2022-12-30-A-gozar-com-o-pagode-472ebbec






quinta-feira, dezembro 15, 2022

Alterações Climáticas 2016 e a Lusofonia à beira mar plantada

Dizemos que Portugal está à beira mar plantado, e o mesmo acontece com o resto da Lusofonia, onde os portugueses chegaram precisamente por mar.  Por isso, era previsível que todos os países da Lusofonia aparecessem na lista dos países MAIS VULNERÁVEIS às Alterações Climáticas e à subida do mar. 

Isto tornou-se evidente para mim em 2015 quando fiz um trabalho relativo ao GCF-Fundo Verde do Clima no Peru, seguido de várias conferencias em Portugal em 2016, para a CPLP, para a PWN, etc.  

Mas esta análise de riscos climáticos parece não ter chegado aos responsáveis governamentais. 

Em 2008, o Ministro do Ambiente Nunes Correia, negacionista, ainda dizia que a culpa das cheias é das autarquias,  A   Associação Nacional de Municípios respondeu que essas acusações faziam "ricochete" no próprio Ministério. Certo, a culpa e a responsabilidade por estas calamidades climática chega bem para todos

Em Dezembro 2022, com cheias catastróficas em vários pontos do país o atual Ministro do Ambiente e Ação Climática Duarte Cordeiro ainda nem apareceu nas notícias. Estará estar fora de da capital à espera que "a tempestade passe". 

Esta semana em que Lisboa sofre sucessivas inundações relâmpago (flash floods), finalmente ouvimos os novo PCML Carlos Moedas falar da necessidade de corrigir erros de ordenação do território ribeirinho e de precaver e adaptar para resistir ao agravamento de riscos climáticos com investimentos criteriosos na Adaptação.  

Repito a proposta que fiz em 2015 numa sessão na Aula Magna (?), quando uma oradora académica propôs a criação de um Observatório Lusófono das Alterações Climáticas.  Falando logo a seguir, eu recomendei que criássemos um Fundo Lusófono de Ação para as Alterações Climáticas, menos para estudar  e mais para ajudar os países da Lusofonia a planear e financiar ações para PRECAVER e promover a ADAPTAÇÂO às Alterações Climáticas. 

O Forum Energia e Clima já faz um trabalho importante na sensibilização e mobilização.  Mas temos que passar rapidamente da Observação para a cooperação para a AÇÂO e ADAPTAÇÃO, o que passa pelo estudo, mas tem de ir muito mais além.  E para ir mais LONGE, temos que ir JUNTOS.  Não podemos ficar sós nesta tempestade, tão previsível no geral como imprevisível no específico,  mas sempre potencialmente  calamitosa.

Mariana Abrantes de Sousa  

Economista e Consultora de Financiamento de Projetos 

Beijoz, Carregal do Sal, 15-Dezembro-2022

VER: https://www.dn.pt/dossiers/cidades/inundacoes-em-portugal/noticias/ministro-do-ambiente-diz-que-a-culpa-das-cheias-e-das-autarquias-1042041.html 

Forum Energia e Clima https://www.energiaeclima.org/

quinta-feira, dezembro 08, 2022

Festa de Nossa Senhora da Conceição e o Abono de Família

Na minha aldeia, Manda a Tradição festejar a Nossa Senhora da Conceição com missa e procissão no feriado religioso de 8 de Dezembro. 

À devoção religiosa junta-se o estatuto especial de Nossa Senhora, que é considerada padroeira e "Rainha de Portugal" desde que o futuro Rei D. João IV invocou o seu apoio, bem sucedido, na Guerra da Restauração contra a ocupação castelhana em 1640. 

Mas eu sou do tempo em que o dia 8 de Dezembro era considerado o Dia da Mãe.  

Por isso as Mordomas que organizam a festa e procissão são sempre Mães de família. 

E as Mães portuguesas bem precisam de uma padroeira.  

  • A natalidade  das mais baixas da Europa. A população cada vez mais envelhecida. 
  • Os inquéritos sociológicos revelam que muitas famílias gostavam de ter mais filhos.
  • Os apoios continuam escassos.  O abono de família  de €41 euros/mês ou menos,  creches gratuitas apenas para crianças com menos de 3 anos nascidas depois  de 1 de setembro de 2021, infantários e ATLs de 200 3 300 euros/mês. 
Valha-nos Nossa Senhora! Da Conceição, de Fátima, dos Aflitos... 






domingo, dezembro 04, 2022

População urbana vai chegar a 84% na Europa em 2050, agricultores procuram-se

As notícias de pé de página também podem ajudar a criar uma visão de conjunto. 

Urbanização Europa 84% 2050

As cidades médias crescem mais e estima-se que a a população urbana vai chegar a 84% na Europa em 2050. 

Com tanta gente nas cidades, como se garante a segurança alimentar dos citadinos? Não será com "hortas urbanas"!

A Europa vai depender ainda mais da alimentos importados. 

Um solução pode ser a redução de desperdício alimentar que atualmente ronda os 20%. 

  
Ou os poucos agricultores europeus podem produzir mais, em resposta ao aumento de preços, pois a inflação alimentar passou de menos de 3% ao ano par mais de 15% ao ano m 2022,


VER Inflação alimentar acelera em 2022

domingo, setembro 25, 2022

Mentoring: Quem não tem padrinhos morre mouro

Quando regressei a Portugal depois de 25 anos no estrangeiro, gostei imenso de voltar a conhecer os ditados populares portugueses. Até escrevi aqui um artigo sobre os provérbios financeiros, que ensinavam os paradigmas de economia que eu tinha aprendido em Berkeley e em Princeton. 

Agora posso continuar a estudar os "provérbios sociológicos" como este que nos fala sobre a mobilidade socioeconómica inter-geracional e os "cross-class friendships", o tema de um estudo importante sobre o publicado em The Economist a 11-Agosto-2022.  

Os resultados são significativos e até expectáveis:  As crianças que têm mais contactos e amizades com pessoas de outras classes socioeconómicas (leia-se pessoas de famílias mais ricas que a sua), têm rendimentos mais altos quando chegam aos 35 anos.

Já sabíamos:  Afinal, "quem não tem padrinhos morre mouro", segundo o ditado popular. 

Mas também:  Os  melhores padrinhos convidam-se,  de fora da família, não se herdam. 

O potencial impacto positivo de mentoring e apadrinhamento continua a ser forte, agora como dantes. 

Mariana Abrantes,  Ecoonomista, 2022-09-25 

Friendships accross class lines 

https://www.economist.com/graphic-detail/2022/08/11/friendship-across-class-lines-may-boost-social-mobility-and-decrease-poverty

VER Tudo sobre Provérbios Financeiros

http://ppplusofonia.blogspot.com/2010/06/tudo-sobre-economia-e-financas-nos.html


terça-feira, abril 26, 2022

Aldrabado, crédulo ou cúmplice circa 2008

"Fui aldrabado, fui enganado" é uma bela desculpa em quase todas as situações. Serve para explicar a derrota tanto no campo de jogo, como no campo da governação. 

As desculpas dos treinadores de futebol são de pouca consequência. Já as desculpas ligeiras dos governantes são muito mais preocupantes. 

Se os governantes, cuja missão é zelarem pelo bem-estar, a segurança e a prosperidade do povo, se deixam "aldrabar" com tanta facilidade, será que devemos confiar mais nos aldrabados do que nos aldrabões? E como os distinguir? 

Será que os aldrabados não foram demasiado crédulos, não ignoraram os alertas, não foram indiferentes ao risco coletivo, não foram imprudentes com os nossos interesses comuns?  

Aldrabões há muitos, sempre houve. Quem não desconfiou dos aldrabões no passado, vai ser mais vigilante no futuro? 

Quem trabalha por conta própria pode deixar-se levar e assumir os risco e consequências.

Quem trabalha por conta de todos nós, por conta do erário público,  tem que ser mais prudente, deve precaver e evitar as consequências negativas, não apenas para si, mas para todos nós. 

Senão, teremos que ser todos a pagar a falta de "devidos cuidados" de alguns, com cortes salariais e de pensões, etc. 

Mariana Abrantes de Sousa, economista 

25-Abril-2022 

Ver Socrates e PS: Quem aldrabou quem?  https://observador.pt/opiniao/socrates-e-ps-quem-aldrabou-quem/

quarta-feira, abril 06, 2022

Sanções e Censura ... em tempo de guerra no século XXI

Eu sou do tempo em que a aldeia não tinha eletricidade e que os poucos carros tinham duas baterias: uma para rolar e carregar, e outra para alimentar um  RÁDIO enorme que ocupava um lugar de honra na sala de visitas. A grande bateria negra ficava debaixo da mesinha do RÁDIO, devidamente escondida atrás de uma cortina. 

Quando chegou a eletricidade, nos anos 1960s, apareceu um pequeno rádio vermelho, com menos botões mas mais capacidade de captação que já ficava na cozinha, a acompanhar a preparação das refeições. 

À noite sintonizavam-se outras emissoras de onda curta, que traziam as notícias censuradas nos jornais e na radio nacional pelo regime de Salazar, que passou a ter os anos, senão os dias, contados. 

Passados 60 anos, continuamos a ver regimes autocráticos e totalitários a conseguirem controlar as opiniões e as informações que chegam aos públicos equipados de smartphones e habituados à Internet. 

Alguns analistas sugerem mesmo que esta censura permite controlar a opinião publica e assim reduzir o efeito doméstico das sanções económicas internacionais.  

VER Iran Censorship and Sanctions

Campanhas DBS Divestiture, Boycotts, Sanctions levaram 30 anos a cerrar as lacunas e a ter efeito na Africa do Sul, uma sociedade relativamente "democrática" e aberta. 

As sanções atuais contra a Russia dificilmente terão efeito em tempo útil na Russia, e a Ucrania não pode esperar quando qualquer soldado em retirada pode fazer dezenas de vítimas. 

As Sanções funcionam através do impacto na população e na opinião pública do agressor. Mas isso pode acontece com uma censura tão apertada? 

Falta examinar como é que um regime ditatorial consegue HOJE controlar mais as opiniões, a informação e os media, com Internet, smartphones e satélites, de que  Salazar conseguia com a censura dos anos 1950-60s com uma população pobre e pouco letrada.

Mariana Abrantes de Sousa 

Economista 

2022-04-06 


 

segunda-feira, abril 04, 2022

A arte de bem subsidiar ... em tempo de guerra

Eis mais subsídios pendurados uns nos outros: 
Para receber o novo subsídio de gás de botija é necessário estar a receber o "subsídio" da Tarifa Social de eletricidade! 
A mesma coisa para receber o Vale Eficiência Energética de 1300 euros? 
Será que a EDP sabia tudo sobre as necessidades continuadas dos portugueses quando aplicou a Tarifa Social a este ou a aquele cliente? 
Será que o Estado devia fazer o outsourcing da gestão de subsídios, com o dinheiro dos contribuintes, para empresas privadas ? 

Subsídios assim tão "simples" são os mais apropriados? 


Subsídios têm má fama nas Finanças Públicas por boas razões, porque pesam sobre os contribuintes e podem mesmo ter consequências indesejadas. 

Mas os subsídios existem por  razões ainda melhores, para colmatar necessidades e carências insustentáveis, para neutralizar falhas de mercado, para promover uma sociedade mais justa e mais solidária.

Criar subsídios eficientes, eficazes e equitativos é uma arte, não apenas um cálculo cientifico ou um processo político.  Exige procedimentos de gestão administrativa igualmente inteligentes 

O conceito de SMART subsidies é difícil de aplicar e implica tempo de análise, negociação e de ajustamento.   

S - especifico

M - mensurável 

A - acordado e negociado

R- realista e revisto

T - limitado no tempo 

Numa palavra, subsidiar bem dá trabalho... 

Mariana Abrantes de Sousa 

Economista 

SMART subsidies https://sswm.info/safe-water-business/prepare/smart-subsidies---creating-markets-instead-of-distorting-them

Investidores internacionais e a divida soberana russa com juros em dia

Alguns dizem que a presidente do banco central russo está a "ajudar os investidores internacionais" continuando a pagar juros através das contas bancárias congeladas! 

Ou serão os investidores internacionais a "ajudar o agressor " ao aceitar o pagamento de juros em "blood money"? 

É sempre útil ouvir posições e interpretações diversas, e demais teorias da conspiração. 
Eis aqui as minhas teorias: 

Os investidores internacionais de obrigações da dívida russa deviam "doar os juros recebidos enquanto durar a invasão da
Ucrânia" a entidades internacionais que apoio os refugiados ucranianos, com a Cruz Vermelha, a UNICEF, etc. 

Os consumidores e as empresas estão a "pagar a crise" através da inflação e da disrupção das transações comerciais. Como se justifica que as transações financeiras continuem "normalmente" nesta situação de anormalidade sangrenta

As sanções económicas a um regime tão rico podem funcionar apenas a muito longo prazo. Entretanto vão sendo criados atalhos para aproveitar as oportunidades de lucro. O bloqueio de comércio e  pagamentos pode ser contornado com muitos mecanismos tais como triangular o  comércio, barter ou permutas em espécie. No curto prazo, as sanções pesam mais sobre os parceiros comerciais SE estes sofrerem multas e coimas.  Mas as sanções económicas pesam muito pouco sobre os investidores internacionais e os mercados de capitais "anónimos", faceless, como os investidores em obrigações negociáveis "ao portador".  

A primeira vez que eu vi esta escapatória (loophole) foi com os BONEX argentinos em 1982 quando outro autocrata Galtieri se lembrou de invadir as ilhas Malvinas/Falklands, fez agora 40 anos.

Esta invasão em 2022 "surpreendeu" toda a gente, mas provou que o Putin e o seu regime, não são de confiança, não são bons vizinhos de ninguém, muito menos dos "povos-irmãos." O rating de divida soberana pode ser cortado para JUNK, mas isso ainda é bom demais e não reflete a ameaça russa persistente em toda a linha, com ou sem Putin. Aceitar o pagamento de juros russos para proteger os investidores imprudentes que avaliaram MAL o "risco soberano de Putin" é um erro crasso, que nos vai custar muito mais caro do que as menos valias. O "blood money" recebido dos juros russos devia ser doado para apoiar os refugiados e as vítimas da invasão.  

A Ucrânia não pode esperar pelo efeito das sanções. Urge negociar um cessar-fogo JÁ. 
Sem perder tempo a especular sobre o que vai na cabeça de Putin, nem quem tem mais ou menos razão, haverá alguma proposta negocial, alguma combinação de "carrots & sticks", que poderia convencer os russos a cessar-fogo JÁ?  

Talvez fechar a porta da NATO enquanto se acelera a abertura da porta da EU para a Ucrânia?
E mesmo fechar o acesso ao mercados financeiros e estes  "serial agressors" e senhores da guerra. 

Mariana ABRANTES de Sousa, Economista 
2022-04-04 

2022 Putin bombs Ukraine 

2015 Putin bombs Syria https://www.pbs.org/wgbh/frontline/article/putin-airstrikes-syrian-war-assad-ukraine/

1999 Putin bombs Chechenia https://www.npr.org/2022/03/12/1085861999/russias-wars-in-chechnya-offer-a-grim-warning-of-what-could-be-in-ukraine?t=1649062786265

segunda-feira, março 21, 2022

Ucrania não pode esperar 30 anos: Governos contemporizam, sociedade civil apoia principios independentistas

 O mundo parece paralisado e impotente perante a crueldade da invasão de Putin e dos ataques militares russos que procuram acabar com as ideias independentistas, ou então com os próprios ucranianos, sejam eles  militares, civis, crianças hospitalizadas ou até idosos em lares. 

Quais são as noticias mais aflitivas?  

As imagens dramáticas da resistência ucraniana, ou as discussões burocráticas com que os governos grandes poderes mundiais demarcam as suas posições de não interferência, de mera condenação e de mera aplicação de sanções politicas e económicas, lentas e cheias de exceções e loopholes

China diz que é a favor da paz, mas o vice-ministro de Negócios Estrangeiros disse a 19-Março que as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia após a invasão da Ucrânia são cada vez mais "inaceitáveis" e que não funcionam. 

Pelo contrário, as campanhas de Boycott, Desinvestimento e Sanções (BDS funcionam, mas muito lentamente, enquanto a guerra mata rápido

Vejamos as sanções contra o apartheid na Africa do Sul que começaram em Novembro de 1962 com a Resolução 1761 das Nações Unidas, e que foram sendo generalizadas e apertadas ao longo de três décadas. Só em 1990 o presidente de Klerk reconheceu o insustentabilidade económica do impacto das sanções internacionais e libertou  l  Nelson Mandela que depois venceu as eleições 1994. 

Se quisermos, a Europa pode adaptar-se, ao longo de três décadas, a viver sem o petróleo russo. Mas os ucranianos não podem aguentar bombardeamentos durante mais 30 anos, nem sequer mais 3 meses, nem mais 3 semanas. 

Mariana Abrantes de Sousa, Economista 

VER 

Ataque a crianças  https://www.dn.pt/internacional/autoridades-militares-ranianas-dizem-que-a-russia-atingiu-hospital-em-trostianets-14694880.html

Ataque a idosos https://cnnportugal.iol.pt/russia/ataques-atingem-escola-e-lar-de-idosos-na-ucrania-zelensky-alerta-para-perigo-de-a-guerra-escalar-para-outros-territorios-o-que-aconteceu-ate-agora-no-25-dia-da-guerra/20220320/623755360cf21847f0b26e5a

China contra sanções inaceitáveis https://www.dn.pt/internacional/autoridades-militares-ucranianas-dizem-que-a-russia-atingiu-hospital-em-trostianets-14694880.html

 Boycott desinvestimento sanções https://bdsmovement.net/what-is-bds 

O "erro" de Yeltsin em 1991? https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/a-ucrania-nao-existe-como-pais-porque-nao-registou-as-fronteiras-na-onu-desde-1991

No referendo realizado a 1 de dezembro de 1991, mais de 90% da população ucraniana disse "sim" à independência, o então presidente Yeltsin reconheceu a indepedência no dia seguinte. 

sábado, março 12, 2022

Congresso dos Economistas reflete sobre as crises cumulativas

A Ordem dos Economistas convidou-nos a refletir sobre como superar as crises cumulativas que nos atormentam. 

Ainda mal estávamos refeitos da crise do sobre-endividamento de 2008, e tivemos que aguentar a crise Covid-19.  Agora teremos que sobreviver à crise de Putin que em 2022 cisma em querer acabar com a Ucrânia e com os Ucranianos. 

Temos que abreviar a guerra, e proteger e acolher os refugiados. Mas, NÓS os portugueses, a salvo, por enquanto, na outra ponta ocidental da Europa, temos que continuar com a nossa própria luta. 

Nas palavras do Governador do Banco de Portugal: 

Crescimento, com investimento e desalavancagem, é um fenómeno raro em economia. Nós fizemos esse trajeto. A maior restrição que o mercado coloca nestes processos é o seu financiamento.

Sim, a nossa luta é fazer crescer a economia portuguesa, conseguir uma prosperidade sustentada, que não seja construída sobre o endividamento com foi na primeira década do século XXI.     

Mas não, o maior desafio não é o financiamento.  O fator de sucesso para o crescimento-com-desalavancagem, é  um bom ROI, Return on Investment, projeto a projeto e no conjunto (com atenção às externalidades).

Seguindo a “regra de ouro”, os créditos recebidos, e porque não os subsídios, são aplicados em projetos prioritários com rendimento elevado, superior ao custo do financiamento. Só assim conseguiremos crescer e desalavancar ao mesmo tempo.

A primazia do ROI, do Retorno do Investimento aplica-se tanto no investimento privado como no investimento publico, e até nas famílias. Um bom ROI exige uma gestão do investimento rigorosa: bons projetos, boa execução e melhor acompanhamento para assegurar que os resultados positivos são efetivamente alcançados.

Nas palavras do Senhor Presidente da República, esta seria uma grande ambição de gestão económica, com resistência às habituais pressões e mobilizando todos  para uma verdadeira prosperidade partilhada e sustentável.

Mariana Abrantes de Sousa 

Economista 

2022-03-11