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quarta-feira, maio 13, 2015

TAP empresa chave no principal sector da economia tem que ser auto sustentável

Como se assegura o serviço público?
Mariana Abrantes de Sousa, economista e autora do blogue PPP Lusofonia, entende que, por esta altura, a privatização ou a manutenção da TAP enquanto empresa pública já é irrelevante no que toca a assegurar a sustentabilidade financeira. "O que é preciso garantir é que a empresa é gerida de forma rigorosa e profissional". Mas a privatização é um instrumento que tem de ser utilizado para proteger os contribuintes. "A privatização é um meio, não um fim, para retirar o contribuinte deste processo e forçar a TAP a viver dentro das suas possibilidades e a ser eficiente. A TAP - e quem diz a TAP diz o Metro de Lisboa, o Metro do Porto, a CP e a maioria das empresas públicas - está a andar com o cartão de crédito dos contribuintes e isso não é sustentável", critica.
Seja qual for o desfecho para a companhia aérea, acrescenta, o que não pode acontecer são os "subsídios avulsos". A especialista em parcerias público-privadas defende um modelo em que, sendo privada, a TAP continuaria a beneficiar dos chamados smart subsidies, ou subsídios inteligentes (em quesmart, na sigla em inglês, significa específico, mensurável, alcançável, relevante e com limite de tempo), através dos quais o Estado continua a subsidiar algumas rotas (como os arquipélagos dos Açores e da Madeira ou os PALOP, por exemplo). Assim, continuam a assegurar-se os serviços públicos.
"O que é proibido pelas regras europeias é aquilo a que chamo de subsídios avulsos, em que se acumulam perdas, abrem-se buracos, os pilotos fazem as greves que quiserem e, no fim do ano, o Estado paga a diferença", explica. Não é o caso dos smart subsidies. "O Estado pode assegurar, por exemplo, um voo por semana para a Graciosa, mesmo que só leve 5 pessoas e que não seja rentável. Nesse caso, não seria uma ajuda de Estado, mas uma compra de serviço, que não dura indefinidamente, mas por um período determinado".

É imprescindível melhorar a gestão da TAP, e o o desempenho financeiro, operacional da TAP, e se para isso é necessário privatizar, então privatize-se. Alguns dos empregados da TAP querem ir ao bolso do contribuinte quando há perdas.

A TAP é uma empresa chave no maior sector da economia portuguesa,  o turismo.  Mas o sector da aviação está cada vez mais concorrencial, não há margem para erros.   Se a TAP estiver mal estruturada, mal gerida e com problemas laborais persistentes, o Estado terá que pagar um  investidor para ficar com ela, para suportar as perdas que ficavam por conta do contribuinte no passado. 
Em 38 anos, a TAP teve lucros apenas em 11 anos. 

sábado, maio 09, 2015

Inputs Outputs Outcomes Impact- Education

See in English below  
A mais recente evolução nos mecanismos de pagamento por serviços públicos é quase uma revolução na gestão das finanças públicas. O Estado tradicionalmente pagava os recursos   necessários para a prestação dos serviços públicos  entradas (inputs, salários dos professores, salas de aula, livros) ou às vezes a produção (outputs, número de alunos, horas de aula).  Agora alguns Governos passaram a pagar por resultados (outcomes, aproveitamento escolar dos estudantes, desempenho nos exames nacionais e internacionais).  

Claro, o que realmente importa nos serviços públicos é o impacto, os benefícios a longo prazo de mais e melhor educação, a nível pessoal e em termos  sócio-econômicos tais como a  empregabilidade, a versatilidade, a produtividade ea  remuneração da força de trabalho.  Estes resultados finais raramente podem ser medidos no contexto do   ciclo de orçamental  anual.

 O que sabemos é que mais professores (recursos) e mais horas de aula (produção) não é garantia de melhores resultados de aprendizagem, nem de maior impacto em termos emprego e crescimento económico.
Como o artigo abaixo indica , os alunos portugueses passam mais tempo em sala de aula, mas esse esforço extra não se reflecte em melhores resultados em testes internacionais.

Portugueses são os que têm mais aulas de matemática da Europa
Fonte:   http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=772054

The latest evolution in the mechanisms for paying for public services is nearly a revolution in public financial management.  Where the State traditionally paid for inputs (teachers' salaries, classrooms, books) or sometimes for outputs (number of students taught, class hours),  it is increasingly paying for  outcomes or results such as student academic perfomance in national and international testing.

Of course, what really matters in public services is impact, the long term personal and socio-economic benefits of more and better education in terms of employability, versatility, productivity and remuneration of the labour force, but these cannot be measured in the context of the annual budget cycle.

What we do know is that more teachers (inputs) and more class hours (outputs) is no guarantee of better outomes (learning and test results), nor of greater impact (employment and economic growth).
As the  article  above  reports, Portuguese students spend more time in class, but this extra effort is not reflected in better results on international tests.


quinta-feira, maio 07, 2015

TAP - Gaivotas em terra anunciando tempestade


O direito à greve foi conquistado ainda no século XIX pela grade maioria de trabalhadores maltratados e abusados. 

Mas agora no século XXI, o direito à greve passou a ser abusado pelos empregados mais bem pagos de empresas monopolistas,  como os transportes e a aviação. Só nestes sectores é que os empregados conseguem apropriar-se de algum do poder monopolista dos seus patrões para capturar mais algumas regalías, frequentemente em detrimento não dos capitalistas mas dos utentes ou consumidores.  
E mesmo nas empresas publicas monopolistas, cujas perdas são suportadas pelos contribuintes como accionistas acidentais, apenas os empregados mais especializados  tais como os maquinistas os pilotos ou os médicos conseguem exercer este “direito”, que virou um privilegio de uma minoria exclusiva.

Podemos continuar a falar de direitos de todos, ou passamos a falar de privilégios de alguns? 

Quantos trabalhadores por conta própria conseguiriam exercer o direito à greve, por um único dia que fosse? 

Afinal de contas, são os  operários indiferenciados, os pequenos empresários, os trabalhadores independentes que suportam os custos das greves em termos de inconveniência para os clientes e em termos de perdas para os contribuintes, para que os "bem empregados" possam acumular ainda mais regalias e mais direitos.

Direitos que deram para o torto. 

Mariana Abrantes de Sousa

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Convite a candidaturas ao Prémio Europeu do Sector Público

EPSA 2015 Award

EPSA 2015: CONVITE À APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS

Já foi lançada a edição de 2015 do Prémio Europeu para Serviços Públicos “EPSA 2015” promovido pelo Instituto Europeu de Administração Pública (EIPA) com o objetivo de reconhecer as melhores práticas na Administração Pública europeia.
Sob o tema "O Setor Público como parceiro para uma melhor sociedade", o "EPSA 2015" pretende premiar a excelência no Setor Público.
As candidaturas online decorrem até 17 de abril em http://www.epsa2015.eu/ sendo os projetos apoiados pelo Fundo Social Europeu especialmente convidados a participar.
Os oito critérios de avaliação dos projetos são: inovação, envolvimento dos stakeholders, relevância das ações, impacto/resultados, sustentabilidade, transferibilidade e capacidade de aprendizagem, inclusão social e efeito na sustentabilidade financeira e no crescimento económico.
Consulte a brochura EPSA 2015 e visualize o vídeo de lançamento.
A Cerimónia de Entrega de Prémios terá lugar em Maastricht (Holanda), a 17-18 de novembro.

Fonte: EIPA
6/02/2015http://www.igfse.pt/news.asp?startAt=1&categoryID=304&newsID=4560

terça-feira, janeiro 06, 2015

Webinar sobre financiamento por resultados no sector social

The webinar on Green bonds and social impact investing, 
Green bonds and social impact investing       Green bonds and social impact investing
IFLR, Mofo

Many investors are increasingly seeking to align their financial goals with their social objectives. Various legal entity structures have evolved, such as...

Dec 09 2014 4:00 pm | 90 mins








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sexta-feira, maio 23, 2014

Programas apontam para medidas que pecam por tardias

Mariana Abrantes de Sousa:
Para começar a reembolsar os financiamentos de emergência à Troika, já em 2015, não haverá espaço para repor cortes nos salários e nas pensões nem para descer impostos, a menos que a balança comercial venha a dar um grande salto.
Quanto aos programas "Caminho para o Crescimento" do Governo PSD/CDS e "Contrato de Confiança" da oposição PS, os eleitores  deveriam ficar impacientes com meras  intenções. No século XXI, ainda só agora  "vamos" criar indicadores de de gestão e de desempenho  para a Administração e os Serviços Públicos. Estes KPI's, Key Performance Indicators, que já deviam estar definidos, acordados, alinhados e visíveis para todos.  Como contribuintes, deveríamos ser mais exigentes com o "Value for the Public's Money", o valor gerado pelos fundos públicos, na metade da economia que está sob o domínio directo dos políticos. As reformas medem-se pelos resultados.



Hélder Oliveira: "É preciso criar condições para as empresas investirem"
Os comentadores do ETV Mariana Abrantes de Sousa, Hélder Oliveira e Jorge Ribeirinho Machado, analisam as propostas do Governo e do Partido Socialista para Portugal, num programa conduzido por Marina Conceição. "Conselho Consultivo" de 21 de Maio de 2014.

quinta-feira, maio 22, 2014

Quem vota manda ?

Em tempo de eleições, somos todos políticos.  Quem vota talvez mande pouco, mas manda mais dos que ficam em casa.   O resto do tempo somos  "meros" contribuintes. 


Um dos temas da actual campanha para o Parlamento Europeu, o único órgão da EU eleito directamente pelos cidadãos, centra-se precisamente na composição desta  assembleia, uma das maiores  do mundo. O Parlamento Europeu  tem uma única câmara com  751 Eurodeputados, eleitos por 5 anos, representando os 500 milhões de cidadãos dos 28 Estados-Membros, e partilha o poder legislativo com o  Conselho da União Europeia que agrega os Governos. 

Segundo o Tratado de Lisboa de 2009, nenhum  país pode ter menos de 6 nem mais de 96 Eurodeputados, em função da sua população.  O maior país, a Alemanha tem agora 99 Eurodeputados. Portugal tem 22 Eurodeputados, dois terços dos quais servem apenas um mandato.

Em comparação, o ”US Congress” têm duas câmaras, com 100 Senadores e 435 Representantes,  para uma população de 317,8 milhões.  Cada Estado americano tem dois Senadores, seja qual for a população, que servem  mandatos de 6 anos. O número de Representantes, que servem mandatos de 2 anos, é proporcional à população.  

O modelo parlamentar de duas câmaras foi a solução encontrada  logo no século XVIII para conciliar os interesses dos Estados pequenos e grandes. Assim, o Alaska tem dois Senadores e um Representante e a California tem dois Senadores e 53 Representantes. 

Outra grande diferença é que nos Estados Unidos vota-se na pessoa, enquanto em Portugal vota-se nos partidos, como se os Deputados fossem peças intercambiáveis no xadrez politico.  

Mais,  alguns outros países europeus aproveitam para fazer eleições locais ou regionais no mesmo dia das eleições europeias.  Em Portugal, gastamos dinheiro em eleições frequentes. 

quinta-feira, abril 24, 2014

SEE acumula dívida em excesso com consequências apenas para contribuintes

As empresas do sector empresarial do Estado (SEE/SOE)  continuam a ser o calcanhar de Aquiles da gestão financeira portuguesa.  Sujeitas à Tutela técnica do respectivo ministério, transportes ou saúde, e à Tutela financeira do Ministério das Finanças, pouca das empresas públicas cumprem princípios básicos de disciplina financeira apesar da tutela dupla.

Apesar da redução louvável dos  défices de 699,4 milhões de euros  em 2012 para   330 milhões de euros em 2013,   a dívida financeira continua a aumentar mais do que o previsto em algumas das empresas (CP, Metro do Porto, STCP, Carris, Estradas de Portugal, RTP),  provavelmente devido a passivo comercial ou outros riscos escondidos. O  passivo financeiro ultrapassou  os 32.500 milhões de euros, uma parte do qual já estará classificado como "divida pública" na em que algumas das empresas já estão incluídas no perímetro da consolidação da Administração Pública. 

Durante anos, senão décadas, as empresas apresentavam IPG-instrumentos provisionais de gestão no inicio do ano, com  orçamentos detalhados às duas Tutelas, mas não acontecia nada quando os resultados finais mostravam o dobro do défice ou de dívida.    Consequências negativas da acumulação de dívida pública em excesso, só mesmo para os contribuintes. 

Um dos problemas fundamentais é a separação artificial das tutelas, que permite demasiada liberdade aos gestores, como filhos malcriados de pais desavindos.  A tutela principal devia ser a tutela técnica, que tem a função equivalente a "concedente" nestas "concessões de facto".
Todo o esforço financeiro do Estado, incluindo subsídios ao investimento,  subsídios à exploração deviam passar pelo orçamento sectorial, pelo Programa Orçamental de Transportes ou o Programa Orçamental da Saúde, etc. Até os aumentos de capital, créditos e garantias de pagamento deveriam ser reconhecidos como encargos com a prestação daquele serviço público, para assegurar que a contabilidade reflecte a realidade económica dos encargos para o contribuinte de cada passageiro transportado e de cada doente tratado. 

A prazo, seria necessário transformar os mecanismos de remuneração e financiamento da prestação de serviços públicos para "performance based financing",  uma metodologia de financiamento promovida pelo Banco Mundial para os países emergentes.

Fonte: http://www.publico.pt/economia/noticia/empresas-publicas-violam-limites-ao-endividamento-1633360 
Performance based financing http://www.publico.pt/economia/noticia/empresas-publicas-violam-limites-ao-endividamento-1633360 

sábado, fevereiro 01, 2014

Associativismo jovem desenvolve competências sociais

Logo
Parabéns ao Ministério da Educação pelo novo Projeto 80   que pretende despertar o associativismo jovem para a participação cívica e para o desenvolvimento sustentável.  Esta iniciativa que faltava em Portugal fez recordar a minha experiência na Monte Vista High School na California, da qual deixo aqui um testemunho sobre como aprender a boa governação.

Passar de uma aldeia beirã para um subúrbio de San Francisco implicou aprender inglês rapidamente, "school desk, textbook,  homework,  school bus", etc. Mas o que é quereriam dizer com  aquelas palavras como "citizenship" e "leadership" que faltavam no meu vocabulário de origem?

No liceu, a tarde de quarta-feira era Open Afternoon, reservada a actividades associativas, desportivas e extra-académicas da iniciativa dos alunos. Havia clubes de todo o tipo, de história, de línguas, de matemática, de música, de xadrez, dos desportos, dos alunos do Quadro de Honra, Girl's League, etc. Cada clube tinha um professor-orientador, elegia a direcção e reunia regularmente, com actas e todas as outras formalidades aplicáveis segundo as regras "parlamentares" do Robert's Rules of Order.

Eu fazia parte do French Club.  Ao contrário dos outros clubes que faziam vendas de "cupcakes" para angariar dinheiro, nós fizemos uma venda de "éclairs au chocolat".   Traduzimos a receita do francês, e vários membros fizeram uma dúzia de éclairs cada um.  Foi talvez a única vez que me aventurei na pastelaria francesa.
Alguns dos éclairs ficaram um pouco tortos, mas venderam-se bem e comeram-se melhor.
Com o trabalho todo voluntário e sem ter de pagar a farinha, o açúcar e o papel de embrulho lá de casa, os proveitos eram tudo lucro, o que serviu para financiar outras actividades do clube.

Nós do French Club fomos com a professora de francês à Universidade de Berkeley, assistir a uma peça de teatro de  Molière, a comédia  "Tartuffe, o hipocrita" que tinhamos andado a ler em aula.

Os do Spanish Club foram mais ambiciosos, e financiaram uma pequena excursão "south of the border", ao Mexico, .

No ano seguinte, apesar do sotaque de estudante estrangeira, concorri e fui eleita presidente da Girls' League.  Saindo dum país curvado pela censura e a repressão, foi um grande privilégio receber estas lições de cidadania e de liberdade de expressão e associação na California, pelo qual continuo muito grata. 

Da última vez que visitei Monte Vista High School com outros ex-alunos, fomos recebidos pelos membros da turma turma de "Leadership Class", seleccionados pelo seu desempenho tanto académico como cívico. 
Mariana Abrantes

Ver mais em Projeto 80   http://projeto80.pt/  candidaturas http://candidaturas.projeto80.pt/
Duas escolas    
Robert's Rules of Order   http://www.constitution.org/rror/rror--00.htm

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Ficam os anéis


Apesar de cerca de uma dezena de manifestações de interesse na TAP, apenas um  pretendente, o accionista da AVIANCA/TACA, apresentou uma proposta vinculativa.  E mesmo esse não demonstrou capacidade financeira suficiente para pagar cerca de €35 milhões ao Estado, recapitalizar a TAP em €330 milhões e libertar as garantias dos Estado ao assumir a dívida de €1,2 biliões.  E parece o Efromavich tão pouco gozava do apoio dos pilotos e outros trabalhadores que têm outros €200 milhões em pensões a receber da TAP.  Aliás, o  SPAC, o sindicato dos pilotos,  reclama 20% da empresa,  provavelmente a  um módico preço zero.  Tudo isto para um grupo com EBITDA de cerca de €110 milhões e perdas de €77 milhões em 2011. As avaliações iniciais dos quatro bancos de investimento mandatados para fazer o negócio apontavam para €1,2 biliões. 

Em tempo de crise, quem comprou o que não podia, tenta vender o que não quer,  mas  é se puder.  
Para vender bem é necessário que haja compradores, mas os  potenciais investidores estratégicos  europeus  andam  mais que ocupados com a reestruturação das suas próprias operações deficitárias.  Segundo a IATA, o prognóstico para transportadoras aéreas europeias é de maiores perdas em 2012 devido ao impacto da crise e da queda de tráfego.   A Ibéria, que agora faz parte do IAG  com a British Airways , talvez consiga um novo fôlego com o corte de cerca de 50% dos salários acordado esta semana com os seus pilotos.   Parece que a TAP continua de fora da consolidação do sector a nível europeu. 

Confrontados com uma única proposta difícil de aceitar, o Governo assumiu a decepção e  não aceitou.  Mas ao cancelar a operação, o Estado passou a bola para os trabalhadores, desafiando-os a ajudar a recuperar a  empresa e a torná-la sustentável

O cancelamento da privatização parece estar a ser vista como uma vitória para os trabalhores, o que não passará de uma vitória pírrica. 

Com situação liquida negativa de cerca de €377 milhões em 2011, e planos ambiciosos de expansão e de renovação de frota, a TAP precisa de ser recapitalizada.  Mas qualquer investidor privado exigiria uma reestruturação de fundo para acabar com as perdas,  um saneamento financeiro e a reestruturação de divida existente.   Isto quer dizer que a TAP tem que ser reestruturada  seja quem for o accionista,  como está a acontecer com a   Ibéria  e outras, sob pena de desaparecer como aconteceu com  TWA e a PAN AM.  Vamos certamente ver  medidas  como  reduções nos destinos (agora 200), na frota (77 aviões),  e nos gastos com pessoal .  E sobretudo, cortes  nos negócios não rentáveis como algumas linhas e a manutenção no Brasil. 

Mas as normas europeias ditam que os "investimentos" ou apoios do Estado têm que  obedecer a condições comerciais,uma espécie de benchmarking com o mercado agora praticamente inexistente.  Talvez o Estado possa justificar a recapitalização da TAP no mesmo montante e nos mesmos termos "comerciais"  propostos por  Gérman Efromovich,   E sobretudo, o Estado tem que encontrar uma maneira de limitar a acumulação de divida e passivos de uma vez por todas,  e de libertar as garantias implícitas e explicitas do Estado 

A TAP é o "inquilino âncora" da ANA, a única companhia aérea com "hub" em Portugal, com mais de 60% do tráfego de Lisboa. por isso a TAP tem que ser parte da solução, não pode causar problemas ao sector importantíssimo do turismo. 

Como "passageira frequente" da TAP Air Portugal, faço votos para que a nossa pequena mas excelente transportadora aérea consiga  resistir e ultrapassar a  turbulência do sector e do país, alcançando a sustentabilidade e deixando de passar facturas para o contribuinte.   

Mais vale guardar os anéis, sim, mas é essencial pô-los a render.
  
Mariana Abrantes de Sousa 
Fontes:  El País