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quarta-feira, junho 03, 2020

Para eletrificar aldeias em Africa, treinar mais eletricistas

How many electricticians are there in an African village ? Not enough 
Quantos eletricistas havia na sua aldeia ?

Eu tinha cerca de 10 anos quando a eletricidade chegou à minha aldeia na Beira Alta, um grande dia. Algumas famílias tinham um enorme aparelho de rádio, alimentado com a bateria suplente de um carro. Abriram logo cafés com televisão, mas era obrigatório consumir, nem todos podiam entrar. 

Acho que não havia eletricistas na aldeia até então. Só mais tarde compensava aos rapazes investir numa bicicleta para ir à vila mais próxima "aprender eletricidade".

Recordei este passado que me pareceu muito presente em Africa em 2019.  Vários países Africanos ainda não chegaram a 20% de eletrificação e estão agora a investir em mini-redes solares. 
Faltam os eletricistas, para a instalação e ainda mais para a manutenção, para que o equipamento continue em serviço ano após ano. 

E não basta só treinar rapazes.  Há 40 anos que a
Barefoot International treina mulheres e raparigas nos mistérios da energia elétrica em 1300 aldeias em  80 países.
Mas parece que ainda não chegaram aos PALOPs. 
Desta vez não podemos desperdiçar 50% do talento se queremos progredir mais depressa.

Fez-se LUZ  https://antoniopovinho.blogspot.com/2007/06/e-de-repente-fez-se-luz.html

terça-feira, junho 02, 2020

NOVAFRICA fala de migrações Africa-Europa em tempo de Covid19

O podcast da NOVAfrica sobre migrações no contexto da grande divergencia demográfica entre Europa e Africa é importante.
Apenas 30 minutos, em inglês

Episode 1: “The Impacts of #Covid19 on Migration”, with Simone Bertoli (CERDI)

segunda-feira, junho 01, 2020

Carmen Reinhart especialista em crises no Banco Mundial

Carmen Reinhart, a nova Chefe Economista do Banco Mundial, vai poder aplicar os seus grandes conhecimentos de crises financeiras do passado para precaver as diversas crises em curso em 2020, o Ano de Todas as Crises
Um dos seus artigos mais importantes foi a análise dos riscos do sobre-endividamento quando a divida de um país sobe acima de 90% do PIB, que ajudou a perceber a crise da Eurozone que rebentou sobre Portugal. 
Recentemente ela tem estado a investigar o aumento dos créditos da China a diversos países que vai certamente levar a novas crises financeiras.  
Eis uma teoria para analisar: porque é que a China empresta tanto dinheiro a países tão frágeis ? A China concede créditos insustentáveis porque tem que fazer algo com os seus superavites comerciais insustentáveis. O "CAB surplus" da China leva à acumulação de divida externa de muito países, a começar pel dívida dos Estados Unidos. 
O credor não tem sempre razão, mas tem sempre responsabilidade pelo crédito malparado.

2020 Ano de Todas as Crises

A  crise #Covid19  continua
e vai- se desmultiplicando
em crise  económica,
em crise  social,
em crise  política nas ruas...
Quando estas as crises acalmarem, poderemos então enfrentar ...
a Crise Climatica

E diziam que ia haver tumultos e pilhagens nos países mais pobres e mais mal governados 

sábado, maio 23, 2020

Caveat Creditor 3 - Argentina falha pagamento de juros de dívida externa

Bandeira da Argentina | A grama da vizinhaNotícia do dia: A Argentina entrou em default pela 9ª vez na sua história.
Os títulos de jornal não contam a história toda, nem contam a história bem. Depois de oito defaults, os credores internacionais voltaram a AVALIAR MAL a capacidade de reemboso da Argentina e tomaram decisões de crédito erradas, pela 8ª vez.
O sobreindividamento resulta de uma MÁ DECISÃO A DOIS, o Credor e o Devedor, em que o credor tem mais controlo e mais responsabilidade ao facilitar a acumulação de crédito insustentável, que fica rapidamente "mal parado" e em incumprimento.
Triste é o povo Argentino voltar a sofrer a austeridade pela 9ª vez.

Nada disto surpreende quem conhece a Argentina, os mercados financeiros internacionais, e a imprensa internacional.
- A gestão financeira da Argentina continua a ser caracterizada pela falta de prudencia, por ciclos de altos e baixos
- Os credores continuam a ser irresponsáveis e a fazer crédito "mal parado" desde a assinatura.
- Nos titulos dos jornais, a culpa de um incumprimento é sempre atribuida ao Devedor, salvo rarissimas excepções, como no artigo citado abaixo (Turner 2013) sobre as falhas do sistema financeiro internacional.
Se os credores internacionais fossem obrigados a sofrer a "first loss", um pequeno "haircut" de 5%, haveria muito menos casos de sobreendividamento e de austeridade, e menos crises financeiras.
Com a Crise Económica 2020 resultante da Crise Covid19 vamos ver mais notícias destas, especialmente se os "apoios" oferecidos aos países pobres mais afetados vierem na forma de crédito (insustentável) e não na forma de subsídios ou grants. #caveatcreditor, #Divergence, #Imbalances
Mariana Abrantes de Sousa, Economista
VER https://www.dnoticias.pt/mundo/argentina-falha-pagamento-de-parcela-da-divida-e-activa-processo-de-default-LC6150508

BIS Working Papers, No 419, Caveat creditor, by Philip Turner, July 2013
"One area where international monetary cooperation has failed is in the role of surplus or creditor countries in limiting or in correcting external imbalances. The stock dimensions of such imbalances - net external positions, leverage in national balance sheets, currency/maturity mismatches, the structure of ownership of assets and liabilities and over-reliance on debt - can threaten financial stability in creditor as in debtor countries.
Creditor countries therefore have a responsibility both for avoiding "overlending" and for devising cooperative solutions to excessive or prolonged imbalances."
VER https://www.bis.org/publ/work419.htm

sexta-feira, maio 22, 2020

PPP Lusofonia: Eurozone tests the limits of divergence - 2020

Um sistema sustentável tem que ter mecanismos de auto-correção continua, para evitar desequilibrios insustentáveis.

É por isso que transpiramos para arrefecer  e trememos para aquecer o corpo.

Na Eurozone, os mecanismos de ajustamento automático estão desligados.  Os desequilibrios economicos que favorecem os Países Grandes  deveriam ser corrigidos e não apenas compensados pelos sistemas politicos, dominados pelos ... Países Grandes.
Que (se) governam bem ....
Assim os desequilibrios económicos e politicos da Europa agravam-se mutuamente, numa tragédia de erros, que já acabou mal várias vezes na história secular.

Eurozone imbalances are not self-correcting,  NOT  in 2010, NOT in 2020 
PPP Lusofonia: Eurozone tests the limits of divergence - 3: The stakes are getting higher as the Eurozone continues to tests  the limits of divergence  What are some of the key differences betw...

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
Beijoz, Portugal
#Divergence


quarta-feira, maio 20, 2020

Vamos promover mais Literacia na Lusofonia


A Lingua Portuguesa é um idioma vivo, crescente, mas podia ser muito mais valorizada. 
Não basta falar português, é essencial ler, comentar, escrever, publicar, transmitir, divulgar o conhecimentos em português para apoiar toda a Lusofonia 

Vamos celebrar a Lingua Portuguesa promovendo muito  
+++ Literacia na Lusofonia



https://blog.poemese.com/a-minha-patria-e-a-lingua-portuguesa/

https://ppplusofonia.blogspot.com/2014/04/dia-da-lingua-portuguesa.html

sexta-feira, maio 15, 2020

Cá se vai escapando ... da crise COVID19...das outras não

Em 2020, no Ano de Todas as Crises, sanitárias, economicas, financeiras, sociais e politicas...

Os Portugueses continuam atolados numa crise económica das mais persistentes da Europa com a pior evolução salarial desde 2000, numa Europa cada vez mais divergente, sem solidariedade eficaz.

VER https://www.economist.com/briefing/2020/05/14/the-covid-19-pandemic-puts-pressure-on-the-eu


Entretanto Portugal é apontado como um caso de sucesso, escapando ao pior da COVID19 com uma resposta rápida e eficaz
https://www.politico.eu/article/how-portugal-became-europes-coronavirus-exception/
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quinta-feira, maio 14, 2020

TARGET2 aponta para outra crise, pior

TARGET2  rising (in)balances point to another Eurozone crisis  in 2020, worse than 2018-2012 

Os saldos do sistema TARGET2 de pagamentos entre os Bancos Centrais da Eurozone são um indicador-chave da crise da balança de pagamentos intra-europeia e continua a ser um marcador da instabilidade financeira da Eurozone.  A partir de setembro de 2015, o BCE fornece os valores num banco de dados comum.

Os saldos a receber e a pagar entre os Bancos Centrais nacionais deveriam reverter sempre para perto de zero. 

Parte do superavite do Bundesbank alemão reflete a fuga de capitais voláteis (hot money) para a Alemanha, que aumenta em momentos de incerteza e de maior risco e podem moderar em tempos da acalmia.

Mas outra parte destes desequilibrios refletem os saldos comerciais em desquilibrio persistente, crescente e perigoso.

A divergência acentuada e progressiva dos saldos TARGET2 desde 2015 vai ser, mais uma vez,  insustentável.
A crise financeira e politica vai rebentar, só não sabemos quando e como.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
Fonte: http://www.eurocrisismonitor.com/

The problem with GERMANY is not the ECB nor COVID19

The problem with GERMANY is the same as always.

Mais uma vez, a Europa tem um problema com a Alemanha. E desta vez não é diferente.
Na visão da Alemanha e dos mercados financeiros, a Europa é a Alemanha e o resto é paisagem.

Em vez de perguntar se a politica do BCE de comprar  Obrigações dos  Tesouros nacionais é legal, deve-se perguntar porque é necessário aumentar a liquidez no  mercado financeiro europeu de tal forma que as taxas Euribor se tornam negativas e deixam de dar os sinais necessários para a poupança.
A excessiva liquidez do BCE é necessária porque a União Europeia é INCAPAZ de instaurar o estímulo fiscal necessário e urgente nesta crise Covid19 como foi nas outras crises.
O grosso do estimulo orçamental europeu é lançado na Alemanha para os alemães, incluindo para os produtores de automóveis que enganaram os consumidores no Dieselgate  durante anos mas não indemnizaram a maioria dos clientes europeus, como eu.
EU Court Faces 'Declaration of War' From German Top Judges - Bloomberg

O Tribunal  STJ alemão até pode ter razão em temos jurídicos, bem argumentados em latim. 


Mas a Alemanha está muito errada em termos económicos. 

A lei dos homens não se consegue sobrepôr às leis da economia, que ditam que todos os deselibrios económicos têm que ser corrigidos, mais cedo num suave vai e vem ou bruscamente em fortes crises mais tarde.

Se a Alemanha não quer ser a "locomotiva da Europa" , se quer defender os seus excedentes comerciais e os seus superavites orçamentais a todo custo de todos nós, o Sonho Europeu desvanece-se.  Por isso se deixou de falar da "convergência" prometida até 1999.

Não há União, comercial, aduaneira e/ou monetária, que aguente desequilibrios e divergencias permanentes e crescentes.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista
#COVID19 #EuropeanUnion #Divergence

FT ECB and the German court ruling 
The European Central Bank is deluding itself over German court ruling.
A smart response would be for the EU to address the problems of the eurozone head on.
The ruling last week highlighted the toxic idea that the eurozone can forever rely for its survival on its central bankers, and their enthusiasm in pushing EU laws to the limits.
https://www.ft.com/content/fc487cac-9105-11ea-9207-ace009a12028?fbclid=IwAR2q8Z11efZhPlV6AvXLDkgy4B4SPmLX27eHuIlrfa7XhxISSVF0sAk5uf4

 Germany is vastly outspending other countries with its coronavirus stimulus
  • Germany is going to need “as much support as possible” and it has “the fiscal space” to do it, Zsolt Darvas, a senior fellow at the Brussels-based think tank Bruegel and one of the authors of the data study, told CNBC Friday.The data study also shows that European countries with more limited fiscal space have been “cautious” in stepping up their immediate contributions.
  • Volkswagen strikes 'dieselgate' compensation deal with German consumers  https://www.france24.com/en/20200228-volkswagen-strikes-dieselgate-compensation-deal-with-german-consumers The mass lawsuit is one of the biggest legal hangovers from VW's 2015 admission to fitting 11 million vehicles worldwide with software to make the engines appear less polluting in regulatory tests than in real driving conditions.

sexta-feira, maio 08, 2020

Conviver com Covid-19 - Reinventar Europa e Portugal como destinos turísticos

O setor europeu de turismo vai ter um Plano Marshall para recuperar e criar resiliência na nova era da Covid-19.

Os setores de HORECA, hoteis, restaurantes e catering e de viagens aéreas estão em cheque. Foram dos mais afetados pelo isolamento social e necessitam de ajudas para se reinventar.
  •  Estadias de turistas serão mais longas, de preferencia de carro ou comboio. Os City Breaks de 3 dias com um saltinho de avião Low Cost deixam de compensar. Desinfetar um quarto após uma estadia de 2 noites fica mais caro, por dia, do que desinfetar a fundo após uma estadia de uma semana.
  • As segundas casas, seja um refúgio na montanha, uma casa de campo, uma casinha de praia, ou até uma caravana ou roulotte, tornam-se mais importantes, mais valorizadas.
  • Os restaurantes grandes podem adaptar-se melhor ao disanciamento social. As tasquinhas necessitam ter esplanadas.
A Europa é um dos grandes destinos turisticos do mundo, pelos seus sítios culturais e históricos, pela oferta organizada, pela sua arte de bem receber. 
O setor de viagens e turismo ocupa  12% dos trabalhadores na Europa, e até 20% nos países do sul como Portugal. O turismo necessita criatividade, vontade e ajudas para se adaptar e resistir.

O Comissario Europeu para o Turismo promete uma  "abordagem de ecossistema" para alinhar todos  em torno de objetivo comum.
Quem quer ir mais longe vai junto.
Mesmo assim, alguns podem acabar por  ficar para trás.

E a nossa linda  Torre de Belém continuará a ser um dos monumentos mais fotografado de todos. 

Ministros Europeus de Turismo  https://www.turisver.com/ministros-do-turismo-manifestam-forte-apoio-a-medidas-para-a-rapida-recuperacao-do-sector/
Travel and Tourism https://www.nytimes.com/interactive/2020/05/06/travel/coronavirus-travel-questions.html
Covid-19 Europe update ECDC https://www.ecdc.europa.eu/en/cases-2019-ncov-eueea?fbclid=IwAR3yNnaZw56tqebmv9wcCWm6EzSCLgT3-TMVBc72iaAe7tt7eHm77Ssq-cM

quinta-feira, abril 23, 2020

Forum Energia e Clima: Consumidor-poluidor passa fatura a outros

Muitos parabéns pela organização do Forum Energia e Clima e da Conferencia do Dia da Terra 2020 de ontem.

Aprendi imenso, especialmente acerca da Economia Circular, e foi um prazer poder contribuir para a compreensão de um desafio mundial a partir da minha pequena aldeia na Beira Alta e ouvir participantes de toda a Lusofonia.

Na minha experiência, a influência dos financiadores na sustentabilidade ambiental é relativamente modesta, apesar dos movimentos como os Equator Principles facultativos, as novas normas obrigatórias para a concessão de crédito implementadas por bancos centrais para os bancos comerciais que supervisionam e os critérios ESG (Environmental Social and Governance) implementados pelos MDBs Multilateral Development Banks como o Banco Mundial, IFC, BEI, BAD etc para os seus financiamentos.

Na minha opinião, o mais importante seria mesmo obrigar o encerramento de centrais térmicas onde não são essenciais e limitar a cilindrada e as emissões de GEE Gases com Efeito Estufa per capita nos países desenvolvidos, onde a mitigação devia ser obrigatória. Tributar a poluição e os tratamento de resíduos do nosso consumo seria uma forma importante de mitigar as emissões e incorporar o custo da poluição no preço a pagar pelo consumidor-poluidor, que está sobretudo nos países mais ricos.

Se o custo de tratamento de resíduos poluentes parece muito elevado, devemos comparar com o custo económico e social das doenças e outros danos causados pela poluição e pelas “epidemias”, incluindo aquelas de doenças não infecciosas como o cancro.

As atuais proibições de financiar novas centrais térmicas prejudica bastante os países mais pobres, alguns dos quais até têm acesso a depósitos de combustível fóssil e taxas de electrificação de cerca de 50% ou menos.

Seria muito importante assegurar que o combate às alterações climáticas, à Covid e outros grandes RISCOS planetários não aumente as disparidades entre países e entre populações ricas e pobres, aumentando a divergência de fortunas e os riscos de conflitos.

Apoiar os países mais vulneráveis implica aumentar bastante mais os investimentos na adaptação às alterações climáticas e na proteção de populações vulneráveis, sobretudo em WASH, água, saneamento, resíduos e higiene/saúde, e energia renovável barata e acessível.

Podíamos começar por TREINAR mais electricistas e canalizadores nos locais mais carentes.

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Consultora Financeira 

Ver video   https://www.facebook.com/forumenergiaeclima/videos/536429620283819/UzpfSTEwMDAwMTM3NDM5MjExNjoyNzc0OTYxNTU1ODkyOTY0/ 

domingo, março 01, 2020

Portagens para que quero, em estradas SEM utilizadores, SEM receita

O Governo acaba de anunciar a redução de portagens em sete autoestradas (ex-SCUT) e já há contestação da parte dos residentes do Interior que reclamam a eliminação definitiva.  
VER https://www.reconquista.pt/articles/portagens-plataforma-chumba-proposta-para-reducao-de-precos
Quem tem razão ?  
Ambos os lados, como sempre. 

As ex-SCUT são autoestradas sobretudo "horizontais" que ligam o litoral ao interior do país, cada vez mais despovoado. Por isso foram desenhadas Sem Cobrança ao Utilizador (SCUT), pois já se sabia que o volume de tráfego não resistiria ao preço (high price elasticity). Outra autoestrada "horizontal", a concessão Norte (que liga o litoral com o interior montanhoso de Portugal, até próximo da fronteira com Espanha, ao longo de 179Km de paisagens magníficas) foi desenhada com portagens desde o inicio e o tráfego de 2010 estava apenas a 46% do previsto no cenário base. 

Com a introdução de portagens e a recessão, tivemos o pior dos resultados nestas estradas. Pior de que uma estrada desnecessária, mesmo só uma estrada (quase) vazia, sem utilizadores, sem receita de portagens, sem receita do ISP - Imposto sobre Produtos Petrolíferos. Acaba por sobrar sempre mais fatura para os contribuintes. 

Sempre se soube que as portagens provocam DESVIO ou quebras de tráfego.  Quando o Governo decidiu introduzir portagens nas SCUT, o provável desvio de tráfego foi considerado mas menosprezado, estimado quando muito em 15%.  A realidade revelou-se muito pior. 

As portagens foram introduzidas em autoestradas SCUT em momentos diferentes em 2010 e 2011. Em contraste, a crise económica terá afetado todas as estradas em simultâneo.

Os dados parciais de tráfego de 2012 nesta imagem mostram uma quebra média de 39% nas estradas com portagens recentes, introduzidas em Dezembro 2011. A descida de tráfego nas estradas com portagens mais antigas era de apenas cerca de 7-10%Isto sugere que a introdução de portagens terá causado desvio de tráfego de cerca de 30%, com todo o risco de tráfego passado para o lado do Concedente. 

Por consequência, a receita de portagens nas ex-SCUT depois das renegociações de 2010 terá ficado muito abaixo do previsto pelo Concedente.  Como a receita de portagens iria compensar parcialmente o Concedente pelo pagamento à concessionária pela "disponibilidade da estrada",  a maior quebra de tráfego agravou o esforço financeiro liquido e o impacto orçamental.  Afinal o contribuinte paga tudo. 

Mariana Abrantes de Sousa 
Economista e Especialista PPP 
( I repeat the challenge I have often made to the students in my Nova SBE  Project Finance course since 2012 to study and publish analyses of  the price-elasticity and income elasticity of traffic volumes using Portugal as laboratory.)  

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Universidades iluminam duas vezes para conhecer melhor Portugal

Diz um ditado popular que a "candeia que vai à frente ilumina duas vezes", para a frente e para trás. 

Faz parte do contributo que esperamos da academia, trabalhar para tornar o futuro melhor, mas nem todos os académicos são visonários.  Muitos catedráticos também vão em modas, também se limitam aos seus próprios interesses mais imediatos. 

Resultado de imagem para politécnico viseu
Por isso faz sentido a sociedade e o governo passar alguns TPCs (trabalhos para casa)  aos alumos e professores para que estudem os problemas mais importante do país, e dos contribuintes que lhe pagam os salários e as bolsas. 

Parabéns ao Ministério do Ensino Superior pelo novo programa “Conhecer Portugal”, que vai atribuir  mais de 1.500 bolsas a estudantes que se desloquem para o Interior por períodos de três a seis meses. Seria bom  prepararem trabalhos empíricos sobre as regiões e populações mais esquecidas, trazendo novos contributos e criando novas ligações. 
Ver  https://www.publico.pt/2020/02/26/sociedade/noticia/programa-conhecer-portugal-1500-bolsas-va-interior-1905614

Cerca de 2003, perguntei a um professor de uma notável universidade pública de Lisboa, se havia professores ou alunos a estudar o "Mercado Espanhol", um mercado muito complexo e diverso, quatro vezes maior do que o português e bastante mais rico, com quem tinhamos e temos um défice comercial crónico.  Não havia então nenhum especialista a estudar nuestros hermanos,  pois os professores e alunos todos tinham "outras prioridades".  

Estranhei bastante esta falta de interesse pelos vizinhos, pois na Universidade da California tive um pequena disciplina sobre o mercado mexicano, que era considerado uma prioridade já naquele tempo. 

Agora estamos muito satisfeitos om o  elevado número de estudantes alemães que aproveitam o sol e os preços mais baixos em Portugal. E quantos alunos portugueses vão estudar para a Alemanha, para conhecer melhor e aprender a vender no maior e mais exigente mercado da Europa? 

Mas a Sustentabilidade não passa apenas por vender mais na Alemanha, 
A Sustentabilidade em geral  vai passar mais por Africa. 

Se queremos mesmo contribuir para a SUSTENTABILIDADE global deveriamos ter muito mais estudantes Africanos ... 

Mariana Abrantes de Sousa
Economista 



quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Agricultura PT - Custo de oportunidade do minifundio continua elevado

A agricultura portuguesa teve em 2019 um dos quatro resultados económicos mais favoráveis da última década, segundo Francisco Avillez.
www.agroges.pt/wp-content/uploads/2020/01/202002-AGROGES-ArtigoTecnico.pdf
Boas notícias do campo: a agricultura portuguesa está a crescer, está mais produtiva e competitiva.
Programas como o Portugal Fresh têm ajudado a criar massa critica e conquistar novos mercados.
Podia ser ainda melhor. Portugal continua a ser um grande importador de alimentos.
Qual é o custo de oportunidade dos minifundios insustentáveis, dos terrenos às tirinhas, muitos abandonados.
Até aos incêndios.

Para quando uma campanha de emparcelamento a sério como os outros países fizeram há décadas?